{"id":633,"date":"2013-07-17T06:55:07","date_gmt":"2013-07-17T09:55:07","guid":{"rendered":"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/new\/?p=633"},"modified":"2013-07-17T06:55:07","modified_gmt":"2013-07-17T09:55:07","slug":"ver-o-circo-pegar-fogo-o-que-voce-esta-olhando","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/2013\/07\/17\/ver-o-circo-pegar-fogo-o-que-voce-esta-olhando\/","title":{"rendered":"Ver O Circo Pegar Fogo: O Que Voc\u00ea Est\u00e1 Olhando?"},"content":{"rendered":"<h1 class=\"uk-margin-large-top uk-margin-remove-bottom uk-text-center uk-article-title\"><\/h1>\n<div class=\"uk-margin-medium-top\">\n<h6><strong>BRUNA ALBUQUERQUE<\/strong><\/h6>\n<p>O Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente prev\u00ea as medidas socioeducativas para responsabilizar o adolescente pelo cometimento de um ato infracional. A quest\u00e3o central deste artigo \u00e9 transmitir que o cumprimento de uma medida socioeducativa passa pelos efeitos de um encontro entre adulto e adolescente. Fazer fun\u00e7\u00e3o de adulto nesse contexto \u00e9 tarefa atravessada pela necessidade de encarnar o Outro social para o adolescente em um modo de organiza\u00e7\u00e3o contempor\u00e2neo do mundo que n\u00e3o favorece tal perspectiva. Lancemos o olhar sobre alguns aspectos que est\u00e3o em jogo nessa rela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A reprova\u00e7\u00e3o \u00e0 conduta infracional inscreve uma tens\u00e3o entre controle (restringir a liberdade) e socioeduca\u00e7\u00e3o (garantir direitos) que tem na figura do agente de seguran\u00e7a socioeducativo[2] um paradigma. Tomemos ent\u00e3o o agente como um dos principais sujeitos que deve haver-se com o lugar de adulto no sistema socioeducativo. Partimos de uma pr\u00e1tica institucional[3] que indica a presen\u00e7a de processos de identifica\u00e7\u00e3o entre adolescente e agente. Acrescentam-se elementos importantes: a escolha por tornar-se agente, \u00e0s vezes, ancorada numa vontade de ser policial, marcada por um fasc\u00ednio pelo significante seguran\u00e7a da fun\u00e7\u00e3o, associada a um poss\u00edvel contexto socioecon\u00f4mico e cultural semelhante. Assim, destacamos uma dimens\u00e3o fundamental que recobre o desafio de se colocar como adulto \u2014 a distin\u00e7\u00e3o de lugar \u2014 e que se revela de forma expl\u00edcita nos modos de fala e seus efeitos na execu\u00e7\u00e3o da medida.<\/p>\n<p><strong>Quem Sou Eu, Quem \u00c9 O Outro?<\/strong><\/p>\n<p>Vez por outra, constata-se um modo de falar \u201cigualit\u00e1rio\u201d: agentes e adolescentes falam de maneira semelhante e torna-se dif\u00edcil distingui-los. Esse falar pode apresentar-se sob a forma de um tipo de comunica\u00e7\u00e3o dito \u201cde cadeia\u201d que n\u00e3o parece diferir da fala \u201cdo mund\u00e3o\u201d que \u00e9 utilizada pelos adolescentes em seu contexto, ou seja, algo do mund\u00e3o se perpetua na institui\u00e7\u00e3o. Tal maneira bruta de se servir da linguagem, marcada por uma fala empobrecida, sem fineza, permeada de jarg\u00f5es e palavr\u00f5es, certamente favorece uma indistin\u00e7\u00e3o de lugar.<\/p>\n<p>Diante do efeito de indistin\u00e7\u00e3o, o lugar do agente, na rela\u00e7\u00e3o com o adolescente, encontra-se numa encruzilhada: \u201cOs agentes n\u00e3o t\u00eam proposi\u00e7\u00e3o socioeducativa, ou eles partem pro pau, ou n\u00e3o fazem nada\u201d, diz um diretor a respeito dos agentes. N\u00e3o \u00e9 raro ver que a posi\u00e7\u00e3o tomada pelo agente pode oscilar entre a \u201cguerra\u201d e o \u201cver o circo pegar fogo\u201d. Qual seria ent\u00e3o a justa dist\u00e2ncia, o par\u00e2metro que permitiria localizar o lugar do agente? Qual posi\u00e7\u00e3o para os agentes: est\u00e3o numa posi\u00e7\u00e3o de espelho, como agentes do poder, ou numa posi\u00e7\u00e3o de terceiro que reenvia a um registro assim\u00e9trico, ou seja, educativo e submetido \u00e0 lei?<\/p>\n<p>Desmunidos diante da agressividade e dos insultos dos adolescentes, os agentes podem responder de uma maneira \u201cespelhada\u201d. Como se depreende na fala de um agente com rela\u00e7\u00e3o a um jovem: \u201cele me deu um chute, eu dei um chute de volta na bunda dele\u201d. Ou, ainda, na fala de um diretor de seguran\u00e7a sobre o trabalho de sua equipe: \u201co mais importante \u00e9 que os agentes n\u00e3o querem fazer o trabalho deles; \u00e9 totalmente igual, o adolescente diz \u2018desgra\u00e7ado!\u2019 e o agente responde \u2018\u00e9 voc\u00ea!\u2019\u201d.<\/p>\n<p>O que \u00e9 colocado pelo adolescente lhe \u00e9 reenviado exatamente da mesma forma. Diante desse \u201ceco\u201d, o adolescente se depara com um duplo de si mesmo, num jogo intermin\u00e1vel de espelho que reenvia a um processo marcado pelo registro imagin\u00e1rio e toda a dimens\u00e3o de aliena\u00e7\u00e3o e agressividade que lhe \u00e9 pr\u00f3pria. Torna-se dif\u00edcil distinguir lugares, uma vez que se trata de um reconhecimento imagin\u00e1rio que convoca o pequeno outro, o semelhante, e instaura uma rela\u00e7\u00e3o de depend\u00eancia que impede a tomada de responsabilidade de ambos os lados (LEBRUN, 2008). \u201cOlho por olho, dente por dente\u201d tamb\u00e9m \u00e9 frequentemente o modo de funcionamento dos pr\u00f3prios adolescentes e se op\u00f5e ao processo educativo e civilizat\u00f3rio marcado pela perda inerente ao pacto simb\u00f3lico.<\/p>\n<p>A distin\u00e7\u00e3o de lugar se constitui a partir da maneira de se servir da palavra. A no\u00e7\u00e3o de autoridade como algo simb\u00f3lico articula essa maneira de uso da fala a uma responsabilidade por suas pr\u00f3prias contradi\u00e7\u00f5es, um engajamento no falar que caracteriza uma posi\u00e7\u00e3o de adulto com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Lei. O adulto, ao contr\u00e1rio da crian\u00e7a, assina aquilo que diz (LACAN, 1953-1954\/1998). Onde n\u00e3o h\u00e1 um terreno prop\u00edcio para o surgimento de uma rela\u00e7\u00e3o de autoridade, quer dizer, um reconhecimento da diferen\u00e7a entre os diversos lugares, a tomada de responsabilidade \u00e9 colocada em apuros. A posi\u00e7\u00e3o de adulto \u00e9 ancorada na constru\u00e7\u00e3o da diferen\u00e7a que permite a distin\u00e7\u00e3o de gera\u00e7\u00f5es e instala a responsabilidade de uma gera\u00e7\u00e3o \u00e0 outra. Ser adulto diante de um adolescente tem a ver com o modo de se responsabilizar por aquilo que se diz do lugar de sua gera\u00e7\u00e3o, para ensinar \u00e0 gera\u00e7\u00e3o seguinte algo sobre um uso adulto da palavra (DUFOUR, 2007).<\/p>\n<p>A dial\u00e9tica pr\u00f3pria ao sujeito pode ser compreendida como uma dial\u00e9tica de identifica\u00e7\u00e3o (LACAN, 1961-1962). Ao tratarmos da identifica\u00e7\u00e3o, a alteridade \u00e9 imediatamente colocada em primeiro plano. Lacan (1961-1962) nos adverte quanto \u00e0 import\u00e2ncia de distinguir a identifica\u00e7\u00e3o que acontece na rela\u00e7\u00e3o de um outro a outro daquela, simb\u00f3lica, que se passa entre outro e Outro.<\/p>\n<p>Em 1921, Freud apresenta o conceito de identifica\u00e7\u00e3o sistematizado em tr\u00eas categorias. \u00c9 o segundo tipo de identifica\u00e7\u00e3o apresentado por Freud (1921\/2001) e sua correla\u00e7\u00e3o \u00e0 quest\u00e3o do significante que conduziram Lacan (1961-1962), durante suas investiga\u00e7\u00f5es a respeito desse processo. Lacan (1964\/1973) afirma ter colocado em destaque a segunda forma de identifica\u00e7\u00e3o para dela poder extrair o tra\u00e7o un\u00e1rio, o fundamento do ideal do eu. \u00c9 a identifica\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica, como origem do sujeito, que est\u00e1 em jogo aqui, e o tra\u00e7o un\u00e1rio como a forma mais enxuta para ilustrar a ess\u00eancia do significante. O tra\u00e7o un\u00e1rio pode ser tido como diferen\u00e7a pura, uma vez que \u00e9 o significante que introduz a diferen\u00e7a no real. O sujeito n\u00e3o surge do id\u00eantico, mas da diferen\u00e7a. Esse tipo de identifica\u00e7\u00e3o \u00e9, ao mesmo tempo, constitui\u00e7\u00e3o e divis\u00e3o do sujeito na rela\u00e7\u00e3o com o grande Outro. A partir da identifica\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica, conclu\u00edmos que o sujeito apenas pode surgir de uma passagem pelo grande Outro, na medida em que este \u00e9 marcado pelo significante. O sujeito depende do significante, e este lhe \u00e9 dado pelo campo do grande Outro (LACAN, 1964\/1973). A constitui\u00e7\u00e3o do ideal do eu, como inst\u00e2ncia ps\u00edquica, pode ser considerada de import\u00e2ncia capital para a inser\u00e7\u00e3o no la\u00e7o social via grande Outro. Quanto \u00e0 identifica\u00e7\u00e3o imagin\u00e1ria, passemos ao circo.<\/p>\n<p><strong>Bra\u00e7os Cruzados, P\u00e9s Na Parede: Adulto Ou Espectador?<\/strong><\/p>\n<p>\u201cBra\u00e7o cruzado, p\u00e9 na parede\u201d, express\u00e3o utilizada para designar aquele agente-vigilante, n\u00e3o faz mais do que sujar as paredes com a planta do p\u00e9. A referida posi\u00e7\u00e3o paralisada nos remete a outra tamb\u00e9m representativa dos agentes que, diante de situa\u00e7\u00f5es de conflito, querem apenas \u201cver o circo pegar fogo\u201d.<\/p>\n<p>Numa unidade socioeducativa rec\u00e9m-inaugurada, havia agentes e adolescentes na quadra de esporte. Os adolescentes come\u00e7am tranquilamente a destruir o jardim ao lado da quadra e as traves de futebol. Os agentes permanecem com os bra\u00e7os cruzados, olham a destrui\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o fazem nada. A cena gravada pelas novas c\u00e2meras de vigil\u00e2ncia da unidade \u00e9 surpreendente: os agentes completamente im\u00f3veis, espectadores do circo.<\/p>\n<p>Sabemos que circo era o local para assistir a corridas e espet\u00e1culos na Roma antiga. Significa tamb\u00e9m tenda ou arena circular na qual se assiste a diversos n\u00fameros: cenas c\u00f4micas, acrobacias, magia, apresenta\u00e7\u00f5es com figuras bizarras como a mulher barbada e n\u00fameros perigosos com facas. Na linguagem familiar, circo pode designar atividade desordenada, agita\u00e7\u00e3o e desordem.<\/p>\n<p>O circo nos reenvia a um registro principalmente imagin\u00e1rio. Um registro da fantasia repleto de personagens inusitados: palha\u00e7os, animais ferozes, m\u00e1gicos, homens muito fortes, trapezistas e an\u00f5es. O desafio e a contesta\u00e7\u00e3o do limite est\u00e3o presentes o tempo inteiro. Desafia-se a morte, o tempo, a altura, o medo e frequentemente estamos na dimens\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o de for\u00e7a. Num mundo preferencialmente imagin\u00e1rio, sonha-se poder fazer e ter tudo o que se quer. Junta-se ao circo o elemento fogo, t\u00e3o fascinante para o ser humano desde o in\u00edcio de sua exist\u00eancia.<\/p>\n<p>Quando os agentes est\u00e3o ali para \u201cver o circo pegar fogo\u201d, prevalece a rela\u00e7\u00e3o \u00e0 imagem do semelhante. O registro imagin\u00e1rio \u00e9 fundamental para a constitui\u00e7\u00e3o da subjetividade humana, mas tal como os outros registros, n\u00e3o pode funcionar sozinho. Quando o imagin\u00e1rio toma a cena, deparamo-nos com um efeito de \u201cencantamento de espelho\u201d. Um exemplo nos seria dado se pud\u00e9ssemos conceber a cena do est\u00e1dio do espelho (LACAN, 1949\/1998) sem a presen\u00e7a da m\u00e3e. Quer dizer que sem a encarna\u00e7\u00e3o do grande Outro que vem autentificar a imagem e introduzir-nos ao registro simb\u00f3lico, permanecemos alienados no n\u00edvel da inst\u00e2ncia imagin\u00e1ria que \u00e9 o eu e n\u00e3o acessamos a dimens\u00e3o significante do sujeito. O signo que a crian\u00e7a procura no adulto, no est\u00e1dio do espelho, \u00e9 o prot\u00f3tipo de seu ideal do eu, inst\u00e2ncia simb\u00f3lica, representativa da identifica\u00e7\u00e3o ao tra\u00e7o un\u00e1rio, respons\u00e1vel por regular as identifica\u00e7\u00f5es imagin\u00e1rias aos outros semelhantes.<\/p>\n<p>Na rela\u00e7\u00e3o imagin\u00e1ria dual, tomada pela dimens\u00e3o narc\u00edsica aprisionante que n\u00e3o nos leva muito al\u00e9m da rela\u00e7\u00e3o de for\u00e7a, o acesso \u00e0 dimens\u00e3o simb\u00f3lica que permite o la\u00e7o est\u00e1 barrado. A quest\u00e3o que est\u00e1 colocada \u00e9 a impossibilidade de se ver a partir de um ponto de ideal que transcende e sustenta a rela\u00e7\u00e3o dual. Para Lacan (1964\/1973), o ponto do ideal do eu \u00e9 aquele a partir do qual o sujeito se v\u00ea como visto pelo outro.<\/p>\n<p>Para sair do campo do narcisismo e tocar a l\u00f3gica do significante, campo do sujeito, \u00e9 preciso se haver com a dimens\u00e3o da falta. Pode-se estar no registro simb\u00f3lico exatamente porque h\u00e1 coisas que n\u00e3o se inscrevem que est\u00e3o justamente fora da l\u00f3gica significante. Por isso, talvez, a fascina\u00e7\u00e3o pelo circo, onde aparentemente n\u00e3o \u00e9 preciso lidar com a falta e pode-se chegar \u00e0s \u00faltimas consequ\u00eancias. Num espet\u00e1culo, pode-se crer, ainda que por instantes, que tudo \u00e9 poss\u00edvel: desafiar o limite e a morte, voar, desaparecer uma mulher, colocar a cabe\u00e7a na boca do le\u00e3o, ser atirado de um canh\u00e3o e engolir fogo.<\/p>\n<p>Os agentes hipnotizados pela atitude dos jovens que parecem negar a exist\u00eancia do limite tornam-se prisioneiros do espelho, fascinados por uma imagem \u00e0 qual eles podem at\u00e9 mesmo se identificar: \u201ceu te vejo fazendo aquilo que eu gostaria de fazer no seu lugar\u201d. Por vezes, os pr\u00f3prios agentes parecem precisar de um adulto.<\/p>\n<p>Para Lesourd (2006), todo la\u00e7o social se constitui a partir da organiza\u00e7\u00e3o das diferen\u00e7as e da localiza\u00e7\u00e3o dos limites propostos pelos discursos sociais. Ou seja, o Outro social deve propor referenciais de diferencia\u00e7\u00e3o que permitam a cada um construir-se subjetivamente. Os discursos organizadores do la\u00e7o social ordenam a quest\u00e3o da diferen\u00e7a e distinguem lugares. A aus\u00eancia de delimita\u00e7\u00e3o observada pode impedir a distin\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para um trabalho educativo. Com Kammerer (2000), conclu\u00edmos que aquele que faz fun\u00e7\u00e3o de adulto sustenta um lugar de saber algo sobre as quest\u00f5es que atormentam o sujeito adolescente, para transmitir que a realiza\u00e7\u00e3o de seu desejo, exatamente da maneira como ele gostaria, \u00e9 proibida pela lei.<\/p>\n<p>O trabalho socioeducativo diante de um ato tem a ver com \u201caprender\u201d[4] ao adolescente o valor da palavra. A partir de uma fala portadora de diferen\u00e7a, que se op\u00f5e a uma fala\u00e7\u00e3o bruta e empobrecida, o adulto transmite que conhece e sustenta seu lugar. Como marcaram os adolescentes franceses:[5] o bom educador \u00e9 aquele que n\u00e3o \u00e9 \u201cduas caras\u201d, que respeita a lei da institui\u00e7\u00e3o e do pa\u00eds, sem estar totalmente alienado a uma regra de ferro.<\/p>\n<h6>(1) Refer\u00eancia \u00e0 obra de Banksy What are you looking at? e a seu questionamento sobre o uso das c\u00e2meras de vigil\u00e2ncia e os modos de controle no mundo atual. Neste artigo, abordaremos uma situa\u00e7\u00e3o captada pelas c\u00e2meras instaladas em uma unidade socioeducativa: os agentes olham os adolescentes enquanto s\u00e3o olhados.<\/h6>\n<h6>(2) Em Minas Gerais, as medidas socioeducativas de interna\u00e7\u00e3o e semiliberdade (as mais gravosas previstas pelo Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente) s\u00e3o executadas pela Subsecretaria de Atendimento \u00e0s Medidas Socioeducativas (SUASE) da Secretaria de Estado de Defesa Social (SEDS) e contam com a figura e a fun\u00e7\u00e3o do agente de seguran\u00e7a socioeducativo entre os profissionais que trabalham no sistema socioeducativo. Os agentes est\u00e3o no corpo a corpo cotidiano com os adolescentes.<\/h6>\n<h6>(3) A autora deste artigo coordenou o N\u00facleo de Sele\u00e7\u00e3o da SUASE (na \u00e9poca SAME) e o processo de constru\u00e7\u00e3o do perfil do cargo do agente de seguran\u00e7a socioeducativo nos anos 2005 e 2006. Em 2007, respondeu pela Diretoria de Orienta\u00e7\u00e3o Socioeducativa. Atualmente, \u00e9 diretora de Gest\u00e3o da Medida Socioeducativa de Semiliberdade.<\/h6>\n<h6>(4) Refer\u00eancia ao verbo franc\u00eas \u201capprendre\u201d que significa tanto aprender quanto ensinar (fazer saber).<\/h6>\n<h6>(5) O recorte de um momento de oficina realizado com os adolescentes franceses no Centro Educativo Refor\u00e7ado (CER) ilustra algo do que est\u00e1 em jogo com rela\u00e7\u00e3o ao lugar do adulto. Ao mostrarmos fotos e v\u00eddeos das medidas socioeducativas em Minas Gerais, o tema que tomou a cena foi \u201cO que \u00e9 um bom educador?\u201d. Os jovens explicaram que um bom educador \u00e9 aquele que \u00e9 justo, aquele que respeita a lei, a lei francesa, as leis do CER, designando com precis\u00e3o o lugar do educador: tem a ver com respeitar a lei e reconhecer sua fun\u00e7\u00e3o.<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<h6><\/h6>\n<h6><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/h6>\n<h6>BRASIL. Lei n\u00ba 8.069 de 13 de julho de 1990. Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente. Secretaria Especial dos Direitos Humanos; Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o, Assessoria de Comunica\u00e7\u00e3o Social. Bras\u00edlia: MEC, ACS, 2005.<\/h6>\n<h6>DUFOUR, D. R. L\u2019art de r\u00e9duire les t\u00eates: sur la nouvelle servitude de l\u2019homme lib\u00e9r\u00e9 \u00e0 l\u2019\u00e8re du capitalisme total. Mesnil-sur-l\u2019\u00c9str\u00e9e: \u00c9ditions Deno\u00ebl et Soci\u00e9t\u00e9 Nouvelle Firmin-Didot, 2007.<\/h6>\n<h6>FREUD, S. (1920). Psicologia de grupo e a an\u00e1lise do ego. Rio de Janeiro: Imago, 1996. (Edi\u00e7\u00e3o Standard das Obras Psicol\u00f3gicas Completas de Sigmund Freud, v.XVIII).<\/h6>\n<h6>KAMMERER, P. Adolescents dans la violence: m\u00e9diations \u00e9ducatives et soins psychiques. Mesnil-sur-l\u2019\u00c9str\u00e9e: \u00c9ditions Gallimard et Soci\u00e9t\u00e9 Nouvelle Firmin-Didot, 2000.<\/h6>\n<h6>LACAN, J. (1949). \u201cO est\u00e1dio do espelho como formador da fun\u00e7\u00e3o do eu\u201d. In: Escritos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1998.<\/h6>\n<h6>LACAN, J. (1953-1954). Le S\u00e9minaire, livre I: les \u00e9crits techniques de Freud. Paris: \u00c9ditions du Seuil, 1998.<\/h6>\n<h6>LACAN, J. (1961-1962). Le S\u00e9minaire l\u2019identification. In\u00e9dito. Transcription des s\u00e9minaires de Lacan. Dispon\u00edvel em: &lt;http:\/\/gaogoa.free.fr\/SeminaireS.htm&gt;. Acesso em: 12 fev. 2009.<\/h6>\n<h6>LACAN, J. (1964). Le S\u00e9minaire, livre XI: les quatre concepts fondamentaux de la psychanalyse. Paris: \u00c9ditions du Seuil, 1973.<\/h6>\n<h6>LEBRUN, J. P. Clinique de l\u2019institution: ce que peut la psychanalyse pour la vie collective. Ramonville Saint-Agne: \u00c9ditions \u00c9r\u00e8s, 2008.<\/h6>\n<h6>LESOURD, S. Comment taire le sujet? Des discours aux parlottes lib\u00e9rales. Ramonville Saint-Agne: \u00c9ditions \u00c9r\u00e8s, 2006.<\/h6>\n<h6><\/h6>\n<hr \/>\n<h6><\/h6>\n<h6><strong>Bruna Albuquerque<\/strong><\/h6>\n<h6>Mestre em Psicologia, Psicopatologia e Estudos Psicanal\u00edticos, pela Universit\u00e9 de Strasbourg, Fran\u00e7a. Diretora de Gest\u00e3o da Medida de Semiliberdade da Subsecretaria de Atendimento \u00e0s Medidas Socioeducativas (SUASE). E-mail:\u00a0<span id=\"cloakb8dcc746d39b262cac579ee905a02399\"><a href=\"mailto:bruquerque@gmail.com\">bruquerque@gmail.com<\/a><\/span><\/h6>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>BRUNA ALBUQUERQUE O Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente prev\u00ea as medidas socioeducativas para responsabilizar o adolescente pelo cometimento de um ato infracional. A quest\u00e3o central deste artigo \u00e9 transmitir que o cumprimento de uma medida socioeducativa passa pelos efeitos de um encontro entre adulto e adolescente. Fazer fun\u00e7\u00e3o de adulto nesse contexto \u00e9 tarefa&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-633","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-almanaque-13","category-9","description-off"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/633","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=633"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/633\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=633"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=633"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=633"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}