{"id":646,"date":"2013-07-17T06:55:07","date_gmt":"2013-07-17T09:55:07","guid":{"rendered":"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/new\/?p=646"},"modified":"2013-07-17T06:55:07","modified_gmt":"2013-07-17T09:55:07","slug":"o-corpo-e-o-outro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/2013\/07\/17\/o-corpo-e-o-outro\/","title":{"rendered":"O Corpo E O Outro"},"content":{"rendered":"<h6><strong>SANDRA ESPINHA<\/strong><\/h6>\n<p>Segundo J.-A. Miller, \u201cuma orienta\u00e7\u00e3o da psican\u00e1lise para o real encontra, primeiramente, n\u00e3o o inconsciente, mas o sintoma\u201d (MILLER, 2008, p.74).<\/p>\n<p>C onsiderar o sintoma como o real da experi\u00eancia psicanal\u00edtica, que nos levaria para al\u00e9m do inconsciente como produtor de sentido, \u00e9 tom\u00e1-lo como um modo de gozo. Para Miller, o sintoma-gozo, tal como Lacan o elabora em seu \u00faltimo ensino, pode ser um nome para esse mais al\u00e9m do inconsciente (MILLER, 2008). Como um modo de gozo, o sintoma faz com que o corpo vivo seja introduzido no ensino de Lacan com o conceito de falasser, termo que re\u00fane o sujeito e o corpo e estabelece uma nova vers\u00e3o lacaniana do significante, n\u00e3o apenas como o que mortifica o gozo do corpo, mas como um real, um condensador de gozo, que coloca em quest\u00e3o uma causa. \u201cO significante \u00e9 causa do gozo\u201d (LACAN, 1972-1973\/1985, p.36) que vivifica o corpo.<\/p>\n<p>De mensagem endere\u00e7ada ao Outro, a mensagem cifrada, cujo destinat\u00e1rio \u00e9 o pr\u00f3prio sujeito, no mon\u00f3logo aut\u00edstico de seu gozo, o que passa a ser a refer\u00eancia do sintoma \u00e9 uma cifra de gozo que n\u00e3o inclui o Outro. Segundo Miller (2008), essa nova articula\u00e7\u00e3o lacaniana entre o sintoma e o gozo constitui um retorno de Lacan ao Freud que aborda o inconsciente em sua articula\u00e7\u00e3o com a puls\u00e3o, que \u201cquer gozar e goza de maneira derivada\u201d.<\/p>\n<p>De acordo com Miller:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 80px;\">O que \u00e9 real no sintoma \u00e9 o que serve ao gozo. Que isso fale, que seja uma mensagem, que se decifre, n\u00e3o est\u00e1 no mesmo n\u00edvel daquilo para o que ele serve. Pois bem, eu digo que \u00e9 este tormento, situado neste lugar, o que define hoje o que \u00e9 ser lacaniano (MILLER, 2008, p.51).<\/p>\n<p style=\"padding-left: 80px;\">O sintoma como o que serve ao gozo \u201cvem do real\u201d (LACAN, 1974\/2011, p.17), o que n\u00e3o quer dizer que ele se oponha ao significante. Ele \u00e9, antes, o que aponta para o vazio inaugurado pelo encontro material da linguagem com o corpo como suporte de um \u201cse gozar\u201d (MILLER, 2004, p.48).<\/p>\n<p>A s primeiras teoriza\u00e7\u00f5es sobre o corpo no ensino de Lacan apresentam um corpo pensado a partir da vertente mortificante do significante. Se h\u00e1 gozo, como efeito do significante, este \u00e9 um gozo residual, o gozo do mais-de-gozar (a), que se articula, na fantasia, como um suplemento de vida, ao sujeito j\u00e1 morto do significante (S\/).<\/p>\n<p>S\/ \uf0e0 a<\/p>\n<p>\u00c9 em torno do Semin\u00e1rio 20 que Lacan passa a privilegiar o efeito de gozo do significante sobre seu efeito mortificante. Ele vai chamar de sinthoma a incid\u00eancia de gozo que o significante tem sobre o corpo, para al\u00e9m da fantasia. O saber do inconsciente trabalha para produzir gozo. Ele n\u00e3o \u00e9 simplesmente uma estrutura, mas um funcionamento.<\/p>\n<p>Aqui, o gozo n\u00e3o conhece oposi\u00e7\u00e3o e est\u00e1 por todas as partes. Lacan faz dele uma outra satisfa\u00e7\u00e3o, a satisfa\u00e7\u00e3o do bl\u00e1-bl\u00e1-bl\u00e1, que liga significante e corpo. Afirma-se que \u201cn\u00e3o h\u00e1 gozo do corpo sen\u00e3o pelo significante, e h\u00e1 gozo do significante somente porque o ser da signific\u00e2ncia est\u00e1 enraizado no gozo do corpo\u201d (MILLER, 2008, p.389). \u00c9 nessa perspectiva que Lacan vai dizer que: \u201cO inconsciente \u00e9 que o ser, falando, goze e [\u2026] n\u00e3o queira saber de mais nada.\u201d<\/p>\n<p>A coloca\u00e7\u00e3o, em primeiro plano, do efeito de gozo do significante privilegia o significante sozinho, o S1, em seus efeitos de afeto sobre o corpo. O enfoque \u00e9 a conex\u00e3o direta entre o corpo e a linguagem, a partir do qual o sintoma \u00e9 pensado menos como o que integra a puls\u00e3o em um esquema de comunica\u00e7\u00e3o e mais como o que veicula uma cifra de gozo que \u201cse basta\u201d (LACAN, 1962-1963\/2005), que n\u00e3o inclui o Outro, e cujo destinat\u00e1rio \u00e9 o pr\u00f3prio sujeito.<\/p>\n<p>\u00c9 com o conceito de lal\u00edngua que Lacan nos apresenta um simb\u00f3lico desarticulado do Outro e referido ao Um do gozo, que fala para si pr\u00f3prio com a puls\u00e3o. No lugar do Outro que n\u00e3o existe, Lacan parte da evid\u00eancia de que \u201ch\u00e1 o gozo\u201d como propriedade de um corpo vivo e que fala. \u201cO inconsciente n\u00e3o \u00e9 simplesmente ser n\u00e3o sabido.\u201d O inconsciente consiste em gozar de um saber sem que seja necess\u00e1rio \u201csaber que se sabe para gozar de um saber\u201d (LACAN, 1975\/1998, p.9)<\/p>\n<p>A substitui\u00e7\u00e3o da verdade pelo gozo implica a substitui\u00e7\u00e3o da linguagem pela lal\u00edngua. A ordem simb\u00f3lica \u00e9 substitu\u00edda por um simb\u00f3lico cuja caracter\u00edstica n\u00e3o \u00e9 o tra\u00e7o diferencial do significante, mas o buraco que ele faz no seu encontro traum\u00e1tico com o corpo. Na vertente da verdade e da linguagem, o sintoma \u00e9 uma forma\u00e7\u00e3o do inconsciente, que se decifra e faz sentido. Na vertente do gozo e de lal\u00edngua, o sintoma \u00e9 um nome para um inconsciente real, n\u00e3o analis\u00e1vel, que n\u00e3o trabalha para o sentido, mas para o gozo. Na lal\u00edngua, a \u201clinguagem \u00e9 o real\u201d (MILLER, 2011, s\/p) ela se reduz \u00e0 sua mat\u00e9ria significante, \u00e0 letra, e n\u00e3o se presta \u00e0 decifra\u00e7\u00e3o. Aqui, o sentido do sintoma \u00e9 o real (LACAN, 1974\/2011), ou seja, o sentido do sintoma \u00e9 o sem sentido do gozo. O real do gozo \u00e9 primeiro em rela\u00e7\u00e3o ao sentido que o sujeito lhe d\u00e1 (MILLER, 2011) pelo sintoma.<\/p>\n<p>O inconsciente real \u00e9 \u201co inconsciente como o imposs\u00edvel de suportar. [\u2026] o que \u00e9 buraco (trou), o que \u00e9 excesso (trop), o que \u00e9 tropmatisme ou troumatisme\u201d (MILLER, 2013, p.9). O falasser \u00e9 diretamente confrontado com o real, sem a interposi\u00e7\u00e3o do significante. No real de lal\u00edngua, o Outro n\u00e3o \u00e9 o Outro com o qual o sujeito tem uma rela\u00e7\u00e3o significante, mas o Outro representado por um corpo vivo e sexuado. Nesse n\u00edvel, n\u00e3o h\u00e1 rela\u00e7\u00e3o significante (MILLER, 2008). No n\u00edvel sexual, a rela\u00e7\u00e3o passa pelo gozo do corpo, e o Outro \u00e9 um sintoma do falasser, seu meio de gozo. No sintoma, goza-se do corpo do Outro, entendendo-se por corpo do Outro o corpo pr\u00f3prio, em sua dimens\u00e3o de alteridade, e o corpo do pr\u00f3ximo como um meio de gozo do corpo pr\u00f3prio (MILLER, 2008).<\/p>\n<p>\u00c9 a esse real de lal\u00edngua e do gozo sexual que a crian\u00e7a \u00e9, primeiramente e de maneira bruta, confrontada. Mesmo que ela nas\u00e7a em um banho de linguagem, a crian\u00e7a rec\u00e9m-nascida ainda n\u00e3o a tem \u00e0 sua disposi\u00e7\u00e3o, ela ainda n\u00e3o pode fazer uso do significante. A linguagem interv\u00e9m sempre sob a forma desse real que \u00e9 lal\u00edngua (LACAN, 1975\/1998). E \u00e9 no confronto com esse conjunto dos equ\u00edvocos da l\u00edngua, nesse \u201cmot\u00e9rialisme, que reside a tomada do inconsciente\u201d (LACAN, 1975\/1998, p.10). A crian\u00e7a apreende os significantes em sua materialidade, a fim de gozar ao n\u00edvel do som ou de escutar um sentido diferente da inten\u00e7\u00e3o de significa\u00e7\u00e3o emitida pelo Outro. O gozo do balbucio \u00e9 um primeiro tratamento do real pela lal\u00edngua, em que n\u00e3o se est\u00e1 no querer dizer, mas no querer gozar (MILLER, 1996\/1998, p. 74).<\/p>\n<p>Progressivamente, esse gozo aut\u00edstico de lal\u00edngua vai sendo substitu\u00eddo pelo gozo do significante, e a crian\u00e7a se curva \u00e0 autoridade superior da linguagem. O Outro da linguagem substitui o Um sozinho de lal\u00edngua, e, nessa passagem, d\u00e1-se o encontro da crian\u00e7a com a castra\u00e7\u00e3o do Outro, com o desejo da m\u00e3e, que a confronta com o real do sexo como um imposs\u00edvel concernente ao gozo. A passagem de lal\u00edngua para a linguagem implica que a crian\u00e7a se deixe dividir pelos significantes e sofra uma perda de gozo. Com a entrada na linguagem, o inconsciente se forma para cifrar o gozo de lal\u00edngua, que resta com um real que escapa \u00e0 articula\u00e7\u00e3o significante. O inconsciente se forma como \u201cum saber-fazer com lal\u00edngua\u201d e torna-se \u201co testemunho de um saber, no que em grande parte ele escapa ao ser falante\u201d (LACAN, 1972-1973\/1985, p.190). \u00c9 a partir desse gozo interdito de lal\u00edngua \u2014 gozo sexual \u2014 que, tendo-se entrado na linguagem, os sintomas necessariamente se formam.<\/p>\n<p>Na \u201cConfer\u00eancia de Genebra sobre o sintoma\u201d, Lacan afirma que a inf\u00e2ncia \u00e9 uma \u00e9poca decisiva, na medida em que \u00e9 nela \u201cque se cristaliza, para a crian\u00e7a, o que se deve chamar por seu nome, a saber, os sintomas\u201d (LACAN, 1975\/1998, p.9). Lacan esclarece que, se os sintomas t\u00eam um sentido, como formulou Freud, este s\u00f3 pode ser interpretado corretamente em fun\u00e7\u00e3o das primeiras experi\u00eancias do sujeito, isto \u00e9, a partir do encontro da crian\u00e7a com o que ele vai chamar, \u201cna falta de poder dizer nem mais, nem melhor\u201d, de \u201crealidade sexual\u201d (LACAN, 1975\/1998, p.10), no que esta se especifica, no homem, \u201cpelo fato de que n\u00e3o h\u00e1, entre macho e f\u00eamea, nenhuma rela\u00e7\u00e3o instintiva\u201d (LACAN, 1975\/1998, p.11). Para a crian\u00e7a, o encontro com o real do sexo se d\u00e1 pela incid\u00eancia de um \u201cprimeiro gozar\u201d, que lhe \u00e9 desconhecido e que se apresenta como exterior a ela.<\/p>\n<p>Lacan retoma o caso Hans para assinalar que \u00e9 o encontro com sua pr\u00f3pria ere\u00e7\u00e3o, experimentada como \u201co que h\u00e1 de mais hetero\u201d, que est\u00e1 \u201cno princ\u00edpio de sua fobia\u201d (LACAN, 1975\/1998, p.10). O sintoma f\u00f3bico de Hans \u00e9 a express\u00e3o do medo que suas pr\u00f3prias ere\u00e7\u00f5es lhe inspiram, no que esse gozo real separa seu p\u00eanis da unidade sem\u00e2ntica de seu corpo e o confronta com uma hi\u00e2ncia no saber. Sua significa\u00e7\u00e3o \u00e9 a recusa da quest\u00e3o que ele tem que enfrentar encarnada nesse objeto externo, elevado \u00e0 dignidade de significante, que \u00e9 \u201co cavalo que relincha, que d\u00e1 coices, que salta, que cai no ch\u00e3o\u201d (LACAN, 1975\/1998, p.10), e que exprime o que acontece em seu corpo. \u00c9 do gozo estrangeiro do seu \u00f3rg\u00e3o, encarnado nesse significante, que Hans tem medo. Seu sintoma \u00e9 uma inven\u00e7\u00e3o, que amarra um gozo extra\u00eddo do corpo a um elemento de sua lal\u00edngua. Ele vem no lugar da causa do medo, como Hans afirma, ao dizer que pegou a sua besteira \u201cpor causa do cavalo\u201d. A causa da hi\u00e2ncia encontrada por Hans \u00e9 atribu\u00edda \u00e0 mordida do cavalo, signo da mordida da m\u00e3e (MILLER, 1997). \u00c9 como o seu saber inconsciente interpreta a castra\u00e7\u00e3o e veicula, pelo vi\u00e9s do sintoma f\u00f3bico, o gozo cifrado de lal\u00edngua. Com sua fobia, Hans encontra uma solu\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica para separar-se desse gozo, n\u00e3o sem conservar, na \u201cmancha negra\u201d do focinho do cavalo, os vest\u00edgios de sua ang\u00fastia. O significante se introduz como um \u201caparelho de gozo\u201d que traduz o gozo de lal\u00edngua com uma significa\u00e7\u00e3o que reestrutura, para Hans, o campo da realidade. Ao transformar a ang\u00fastia em medo localizado, essa nomea\u00e7\u00e3o faz a \u201ccoalesc\u00eancia da realidade sexual e da linguagem\u201d (LACAN, 1975\/1998, p.11)<\/p>\n<p>O sintoma \u00e9 essa resposta ao encontro sempre traum\u00e1tico do sujeito com a sexualidade, no que esta faz valer, para cada um, desde as primeiras experi\u00eancias, uma antinomia entre o sentido e o real. O sintoma se constitui a partir de um n\u00facleo de gozo que remete a um real exclu\u00eddo do sentido, imposs\u00edvel de ser capturado ou dominado pelo saber. Aqu\u00e9m do sentido, ele est\u00e1 condicionado pelo sem sentido do gozo de lal\u00edngua. O sintoma inclui essa rela\u00e7\u00e3o ao real do buraco no saber e a inven\u00e7\u00e3o de saber que tenta preencher esse buraco.<\/p>\n<p>O inconsciente feito de lal\u00edngua \u00e9 o inconsciente sujeito, que aparece e desaparece, cuja estrutura \u00e9 a do \u201cum da fenda, do tra\u00e7o, da ruptura\u201d (LACAN, 1964\/1985, p.30). \u00c9 o inconsciente definido como algo de n\u00e3o realizado, \u201cque quer se realizar\u201d e que se apresenta como uma inven\u00e7\u00e3o, um achado, uma solu\u00e7\u00e3o (LACAN, 1964\/1985, p.30). \u00c9 a partir desse sujeito suposto ao saber inconsciente que Lacan situa a transfer\u00eancia como o que faz ex-sistir o inconsciente como uma inven\u00e7\u00e3o de saber.<\/p>\n<p>Inventar o inconsciente, que \u00e9 a inven\u00e7\u00e3o mesma da psican\u00e1lise, \u00e9 fazer com que, desse n\u00e3o realizado, dessa suposi\u00e7\u00e3o, um saber se realize. Inventar o inconsciente implica supor um sentido ao sintoma sob a forma de um saber alojado no analista, isto \u00e9, \u00e9 fazer com que nem tudo se passe no inconsciente real, sem o Outro (HOLVOET, 2010). O recurso ao sentido, como resposta ao gozo enigm\u00e1tico do sintoma, implica supor que o gozo \u00e9 saber cifrado que se decifra.<\/p>\n<p>O encontro com o analista oferece \u00e0 crian\u00e7a a possibilidade de aceder ao saber inconsciente e reduzir a dimens\u00e3o traum\u00e1tica de sua exist\u00eancia. O encontro de Hans com Freud, que lhe comunica o que seu inconsciente j\u00e1 havia interpretado, traduzindo \u201cmedo de cavalo\u201d por \u201cmedo do pai\u201d, abre-lhe um espa\u00e7o de palavra que permite que ele invente uma fic\u00e7\u00e3o excepcional, por meio da qual ele constr\u00f3i um objeto destac\u00e1vel do corpo, que o dispensa de sua fobia. Hans se separa do gozo veiculado pelo significante cavalo, que se repetia sem conseguir represent\u00e1-lo e que o aprisionava nos limites estreitos que seu sintoma lhe impunha. A extra\u00e7\u00e3o desse objeto \u00e9 feita com os elementos de sua lal\u00edngua. Em torno do significante cavalo, Hans desenvolve \u201ctodas as permuta\u00e7\u00f5es poss\u00edveis de um n\u00famero limitado de significantes\u201d, por meio das quais a convers\u00e3o da mordida do cavalo em desmontagem da banheira representa o decl\u00ednio da m\u00e3e como uma pot\u00eancia opaca, amea\u00e7adora e sem lei. A fic\u00e7\u00e3o da banheira d\u00e1 um lugar a Hans e constitui uma solu\u00e7\u00e3o que o separa do gozo mort\u00edfero de sua fobia.<\/p>\n<p>As elabora\u00e7\u00f5es do \u00faltimo ensino de Lacan sobre o sintoma como um modo de gozo constituem um esfor\u00e7o para instalar o sentido no real (MILLER, 2008). O gozo do sintoma, no que ele sup\u00f5e o sil\u00eancio da puls\u00e3o, coloca a quest\u00e3o do papel da interpreta\u00e7\u00e3o. Para al\u00e9m do inconsciente como produtor de sentido, o modo de interpreta\u00e7\u00e3o \u00e9, antes, um desarranjo do bom ordenamento do sentido. Nesse n\u00edvel, o fundamento da interpreta\u00e7\u00e3o est\u00e1 na materialidade do significante, no equ\u00edvoco, no n\u00e3o senso, no corte que reconduz o sujeito \u00e0 opacidade de seu gozo, ou seja, que interv\u00e9m no n\u00edvel do inconsciente como coloca\u00e7\u00e3o em jogo da puls\u00e3o (LACAD\u00c9E, 2003).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6>Refer\u00eancias<\/h6>\n<h6>HOLVOET, D. \u201cConditions actuelles du traumatisme\u201d, Scripta documents: traumatisme et sympt\u00f4me dans l\u2019enfance, Publica\u00e7\u00e3o da Escola da Causa Freudiana, ACF \u2013 Envers de Paris, p.7-16.<\/h6>\n<h6>LACAD\u00c9E, P. \u201cLa realit\u00e9 de l\u2019inconscient e l\u2019act analitique\u201d, In: La malentendu de l\u2019enfant. France: Payot Lausanne, 2003, p.283\u2013295.<\/h6>\n<h6>LACAN, J. (1962-1963). O Semin\u00e1rio, livro 10: a ang\u00fastia. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2005.<\/h6>\n<h6>LACAN, J. (1964). O Semin\u00e1rio, livro 11: os quatro conceitos fundamentais da psican\u00e1lise. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1985.<\/h6>\n<h6>LACAN, J. (1972-1973). O Semin\u00e1rio, livro 20: mais, ainda. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1985.<\/h6>\n<h6>LACAN, J. (1974). \u201cA terceira\u201d, Op\u00e7\u00e3o Lacaniana, S\u00e3o Paulo: E\u00f3lia, n.62, 2011, p.11\u201336.<\/h6>\n<h6>LACAN, J. (1975). \u201cConfer\u00eancia de Genebra sobre o sintoma\u201d, Op\u00e7\u00e3o Lacaniana, S\u00e3o Paulo: E\u00f3lia, n.23, 1998, p.6-16.<\/h6>\n<h6>MILLER, J.-A. \u201cBiologia lacaniana\u201d, Op\u00e7\u00e3o Lacaniana, S\u00e3o Paulo: E\u00f3lia, n.41, 2004, p.7-67.<\/h6>\n<h6>MILLER, J.-A. El partenaire-s\u00edntoma. Buenos Aires: Paid\u00f3s, 2008.<\/h6>\n<h6>MILLER, J.-A. (1996)\u201dMon\u00f3logo da Apparola\u201d, Op\u00e7\u00e3o Lacaniana, S\u00e3o Paulo: E\u00f3lia. N.23, 1998, p. 68-76.<\/h6>\n<h6>MILLER, J.-A. (2011) \u201cLer um sintoma\u201d: Blog amp. Dispon\u00edvel em: http:\/\/ampblog2006.blogspot.com.br\/2011\/08\/jacques-alain-miller-ler-um-sintoma.html. Acesso em: 15\/03\/2014.<\/h6>\n<h6>MILLER, J.-A. \u201cO falo barrado\u201d, In: Lacan elucidado. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1997, p.457-475.<\/h6>\n<h6>MILLER, J.-A. \u201cPr\u00e9face\u201d, In: L\u2019inconsciente de l\u2019enfant. Paris: Navarin, 2013, p.9-12.<\/h6>\n<h6><\/h6>\n<hr \/>\n<h6><\/h6>\n<h6>\nSandra Espinha<\/h6>\n<h6>Psic\u00f3loga, Analista praticante, Membro da EBP. E-mail:\u00a0sandra_espinha@uol.com.br<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>SANDRA ESPINHA Segundo J.-A. Miller, \u201cuma orienta\u00e7\u00e3o da psican\u00e1lise para o real encontra, primeiramente, n\u00e3o o inconsciente, mas o sintoma\u201d (MILLER, 2008, p.74). C onsiderar o sintoma como o real da experi\u00eancia psicanal\u00edtica, que nos levaria para al\u00e9m do inconsciente como produtor de sentido, \u00e9 tom\u00e1-lo como um modo de gozo. Para Miller, o sintoma-gozo,&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-646","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-almanaque-13","category-9","description-off"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/646","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=646"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/646\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=646"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=646"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=646"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}