{"id":651,"date":"2014-03-17T06:53:30","date_gmt":"2014-03-17T09:53:30","guid":{"rendered":"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/new\/?p=651"},"modified":"2014-03-17T06:53:30","modified_gmt":"2014-03-17T09:53:30","slug":"reflexoes-sobre-a-psicose-ordinaria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/2014\/03\/17\/reflexoes-sobre-a-psicose-ordinaria\/","title":{"rendered":"Reflex\u00f5es Sobre A Psicose Ordin\u00e1ria"},"content":{"rendered":"<h1 class=\"uk-margin-large-top uk-margin-remove-bottom uk-text-center uk-article-title\"><\/h1>\n<div class=\"uk-margin-medium-top\">\n<h6><strong>THIAGO FERREIRA DE BORGES<\/strong><\/h6>\n<p>O texto de Jacques-Alain Miller, \u201cEfeito de retorno \u00e0 psicose ordin\u00e1ria\u201d, fruto de um semin\u00e1rio de l\u00edngua inglesa em Paris, \u00e9 extremamente importante para a cl\u00ednica contempor\u00e2nea, quando pensamos que a no\u00e7\u00e3o de psicose ordin\u00e1ria n\u00e3o s\u00f3 tem sido bastante discutida, como tamb\u00e9m utilizada (ao que parece, cada vez mais) no cotidiano de trabalho dos psicanalistas.<\/p>\n<p>A import\u00e2ncia que aqui \u00e9 destacada reside na sua proposta principal, que \u00e9 a de apresentar uma s\u00edntese dos ind\u00edcios que ajudariam os psicanalistas a diagnosticar um quadro de psicose ordin\u00e1ria. Antes, por\u00e9m, ap\u00f3s um breve coment\u00e1rio sobre o \u201cesp\u00edrito estadunidense\u201d, Miller fala sobre a origem da express\u00e3o e o seu car\u00e1ter mais livre, aberto, ent\u00e3o: \u201ca psicose ordin\u00e1ria n\u00e3o tem uma defini\u00e7\u00e3o r\u00edgida. Todo mundo \u00e9 bem-vindo para dar sua opini\u00e3o e sua defini\u00e7\u00e3o da psicose ordin\u00e1ria\u201d (MILLER, 2010, p.3).<\/p>\n<p>Evidentemente, uma das fun\u00e7\u00f5es dos semin\u00e1rios e discuss\u00f5es \u00e9 justamente p\u00f4r \u00e0 prova o valor das posi\u00e7\u00f5es frente \u00e0 express\u00e3o, com o intuito de auxiliar na lida com os fen\u00f4menos da cl\u00ednica. Ele diz que n\u00e3o \u00e9 um conceito, mas se sabe que, em parte, funciona como tal. N\u00e3o no sentido tradicional da palavra conceito \u2014 aquele que visa a capturar o objeto ou fen\u00f4meno em sua totalidade \u2014 mas no sentido que limita o gozo (prevenindo contra o risco de que qualquer coisa caberia dentro da defini\u00e7\u00e3o). A come\u00e7ar pelo fato mesmo de que \u00e9, antes de tudo, uma psicose. A novidade est\u00e1 na palavra \u201cordin\u00e1ria\u201d. O adjetivo significa que, antes, toda e qualquer psicose era extraordin\u00e1ria, e isso era claramente uma refer\u00eancia ao que era ordin\u00e1rio desde a \u00e9poca de Freud, a saber, as neuroses. Era uma refer\u00eancia para a psicose a partir daquilo que a psicose n\u00e3o era, ou n\u00e3o \u00e9. Em Freud, foi assim, e, em Lacan, tamb\u00e9m, n\u00e3o como uma imita\u00e7\u00e3o, mas como um saber compartilhado. Isso \u00e9 efetivamente dial\u00e9tico e prevalece tamb\u00e9m para as psicoses ordin\u00e1rias, visto que s\u00e3o, em primeira e \u00faltima inst\u00e2ncia, psicoses. Graciela Brodsky (2011) ao questionar a terminologia \u201cpr\u00e9-psicose\u201d, em seu livro, Loucuras discretas: um semin\u00e1rio sobre as chamadas psicoses ordin\u00e1rias, acentua, j\u00e1 no in\u00edcio, que, tamb\u00e9m para a psicose ordin\u00e1ria, ainda se faz refer\u00eancia ao fundamento de uma estrutura cl\u00e1ssica,<\/p>\n<p style=\"padding-left: 80px;\"><em>[\u2026] mas n\u00e3o chamamos de psicose unicamente os fen\u00f4menos que se produzem na psicose, mas uma estrutura que est\u00e1 desde o in\u00edcio [\u2026]. Ao passo que nosso ponto de vista \u00e9 que a psicose, com ou sem desencadeamento, est\u00e1 l\u00e1 desde sempre (BRODSKY, 2011, p.33). (Grifo nosso).<\/em><\/p>\n<p>O termo \u201cordin\u00e1rio\u201d sugere, ainda, jogando com o t\u00edtulo do livro de Graciela, que, se, no passado, uma loucura n\u00e3o podia ser discreta, ou se era preciso um franco desencadeamento para haver o diagn\u00f3stico de psicose, hoje, entretanto, somos obrigados a lembrar que sempre se tratou de uma estrutura. Talvez os psicanalistas, apesar do conhecimento te\u00f3rico da estrutura, n\u00e3o tivessem como diagnostic\u00e1-la, se n\u00e3o a partir de fen\u00f4menos claros e precisos. Isso, ao que parece, tamb\u00e9m \u00e9 uma heran\u00e7a da cl\u00ednica das neuroses. A quest\u00e3o \u00e9 que, de maneira geral, o diagn\u00f3stico a posteriori, a partir dos fen\u00f4menos nas neuroses, causa muito menos inc\u00f4modo e preocupa\u00e7\u00e3o aos analistas do que no caso das psicoses. Talvez esse fato tenha resson\u00e2ncia na discuss\u00e3o atual sobre a cr\u00edtica \u00e0 ideia de d\u00e9ficit das psicoses em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s neuroses a partir da cl\u00ednica lacaniana dos n\u00f3s. Voltar-se-\u00e1 a esse ponto no final deste texto. Por ora, trilham-se os caminhos do texto de Miller.<\/p>\n<p><strong>Uma Orienta\u00e7\u00e3o Para Um Diagn\u00f3stico<\/strong><\/p>\n<p>A ideia de Miller do \u201cTertiun non datur\u201d (terceiro exclu\u00eddo), para as psicoses ordin\u00e1rias, est\u00e1 presente na rela\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica bin\u00e1ria Neurose\/Psicose, n\u00e3o como um Borderline, mas como algo que se inscreve na estrutura da psicose.<\/p>\n<p>Refor\u00e7ando aquilo que se entende como dial\u00e9tico, Miller passa a discorrer sobre os ind\u00edcios de uma psicose ordin\u00e1ria a partir n\u00e3o das suas pr\u00f3prias marcas, mas, precisamente, a partir daquilo que a psicose n\u00e3o \u00e9, ou seja, a partir da neurose. Acredita-se que os pontos que Miller sintetiza, para o reconhecimento de uma psicose, s\u00e3o provenientes da aus\u00eancia de tra\u00e7os fundamentais da neurose. Nesse sentido, as psicoses (aqui, as ordin\u00e1rias) se fazem presentes, a partir de uma negatividade no registro das neuroses. Antes de Miller detalhar os elementos de uma \u201cloucura ordin\u00e1ria\u201d, ele faz refer\u00eancia \u00e0s psicoses, como Lacan formulara nos Escritos e no Semin\u00e1rio 3: a aus\u00eancia da \u201cchancela\u201d neur\u00f3tica chamada Nome-do-Pai (NP). Al\u00e9m disso, uma refer\u00eancia \u00e0 ideia de desordem, como em Lacan, o que Miller rememora como presente no in\u00edcio da vida. H\u00e1 certo parentesco entre o inicio da vida tomado pelo imagin\u00e1rio e que \u00e9 posteriormente reorganizado pela ordem simb\u00f3lica e aquilo que ocorre nas loucuras. Mas isso \u00e9 o que diz o \u201cLacan cl\u00e1ssico\u201d, como lembra Miller, pois, em seguida, ele afirma, sobre o \u00faltimo Lacan, aquele em que o NP passa de pr\u00f3prio para predicado, o que quer dizer que pode ser qualquer coisa que sirva para orientar o sujeito no mundo. Essa \u201cqualquer coisa\u201d atinge o limite onde o sujeito n\u00e3o mais se sustenta. Nessa grada\u00e7\u00e3o que n\u00e3o admite n\u00fameros, a psicose ordin\u00e1ria se situa no terreno em que se opera como uma precariedade do NP, ou como algo que funciona, como se fosse\u2026 \u201cmas, talvez, o que chamamos de psicose ordin\u00e1ria seja uma psicose que n\u00e3o se manifesta at\u00e9 seu desencadeamento\u201c (MILLER, 2010, p.12).<\/p>\n<p>Como ressalta Graciela, talvez nunca se desencadeie, o que sugere uma amarra\u00e7\u00e3o que, mesmo prec\u00e1ria (sob certos aspectos neur\u00f3ticos, \u00e9 claro!), de alguma maneira, funciona. O NP deixa de ser a chancela das neuroses, sua exclusividade.<\/p>\n<p>Assim, antes de Miller apresentar, de forma tripartite, aquilo que ele recupera dos Escritos como sendo \u201cuma desordem provocada na jun\u00e7\u00e3o mais intima do sentimento de vida no sujeito\u201d (LACAN apud MILLER, 2010, p.13), coloca quase como um princ\u00edpio uma \u201cdica de sabedoria\u201d, ou seja, que, sem um saber s\u00f3lido sobre a neurose, n\u00e3o se faz um diagn\u00f3stico de psicose.<\/p>\n<p><em>Quando \u00e9 neurose voc\u00eas devem saber! [\u2026] A neurose \u00e9 uma estrutura muito precisa. Se voc\u00eas n\u00e3o reconhecem a estrutura muito precisa da neurose no paciente, podem apostar ou devem tentar apostar que se trata de uma psicose dissimulada, de uma psicose velada (MILLER, 2010, p.6).<\/em><\/p>\n<p>Mais adiante ele reitera:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 80px;\"><em>Uma neurose \u00e9 algo est\u00e1vel, uma forma\u00e7\u00e3o est\u00e1vel. Quando voc\u00eas n\u00e3o constatam \u2014 esta tamb\u00e9m \u00e9 uma quest\u00e3o percebida pelo cl\u00ednico \u2014 que h\u00e1 elementos bem definidos, bem recortados da neurose, a repeti\u00e7\u00e3o constante e regular do mesmo, e quando n\u00e3o h\u00e1 n\u00edtidos fen\u00f4menos de psicose extraordin\u00e1ria, tentam dizer ent\u00e3o que \u00e9 uma psicose, embora ela n\u00e3o seja manifesta, mas ao contr\u00e1rio dissimulada (MILLER, 2010, p.13-14).<\/em><\/p>\n<p>Parece clara, ent\u00e3o, a import\u00e2ncia da neurose enquanto estrutura para o diagn\u00f3stico das psicoses. Algo que certamente se relaciona, ao menos em parte, com o lugar social que as neuroses ocuparam at\u00e9 hoje na hist\u00f3ria da psican\u00e1lise. De uma forma ou de outra, elas ainda representam o \u201clugar comum\u201d, ou a \u201cnormalidade\u201d.<\/p>\n<p>Isso ajuda a entender as tr\u00eas externalidades escolhidas por Miller como ind\u00edcios da psicose ordin\u00e1ria. A cl\u00ednica \u00e9 delicada e sutil porque se devem procurar os pequenos sinais, como assinala Miller. A externalidade deve ser tripla \u2014 social, corporal e subjetiva \u2014 pois se corre o risco, se n\u00e3o o for, de se confundir com uma neurose grave. A assinatura da neurose, como disse Miller, n\u00e3o existe quando da identifica\u00e7\u00e3o das tr\u00eas dimens\u00f5es de externalidade. \u201cOs ind\u00edcios devem ser situados nos tr\u00eas registros\u201d (MILLER, 2010, p.14).<\/p>\n<p><strong>Algumas Observa\u00e7\u00f5es Sobre A Descri\u00e7\u00e3o Das Tr\u00eas Externalidades<\/strong><\/p>\n<h3>Social<\/h3>\n<p>Muito claros e pr\u00e1ticos, n\u00e3o conv\u00e9m reproduzir aqui os pontos apresentados por Miller, por\u00e9m \u00e9 interessante observar uma quest\u00e3o. O autor tamb\u00e9m destaca, para al\u00e9m da clara \u201crela\u00e7\u00e3o negativa\u201d com o social, os casos de rela\u00e7\u00f5es \u201cpositivas\u201d, demasiadamente r\u00edgidas. Em outras palavras, ele adverte para as identifica\u00e7\u00f5es hipostasiadas, para os investimentos profissionais desenfreados e desmedidos.<\/p>\n<p><em>Voc\u00eas podem ver ent\u00e3o \u2014 e isso ocorre constantemente \u2014 psic\u00f3ticos ordin\u00e1rios cuja perda do trabalho desencadeia sua psicose, porque, muito frequentemente, seu trabalho significava bem mais do que um trabalho ou uma maneira de viver. Ter esse trabalho era seu Nome-do-Pai (MILLER, 2010, p.16).<\/em><\/p>\n<p>Tem-se, efetivamente, hoje, uma indica\u00e7\u00e3o expl\u00edcita ao sujeito, para que este se agarre fortemente a uma identidade profissional, que ele fa\u00e7a disso seu ser, algo que n\u00e3o parece ser sem consequ\u00eancias para a quest\u00e3o do diagn\u00f3stico bem como do desencadeamento nas psicoses. Dito de outro modo, existem pequenos tra\u00e7os de loucura em quase toda a propaganda de escolha de profiss\u00e3o e carreira. Aqueles indiv\u00edduos que se encontram fortemente presos a uma profiss\u00e3o, centralizando suas vidas numa dada carreira, podem, em alguns casos, ter, nessa rela\u00e7\u00e3o com a profiss\u00e3o, uma amarra\u00e7\u00e3o que estabiliza a fun\u00e7\u00e3o paterna fragilizada nos quadros de psicose ordin\u00e1ria.<\/p>\n<p><strong>Corporal<\/strong><\/p>\n<p>A externalidade corporal como \u00edndice poss\u00edvel para a psicose reside, segundo Miller, na dificuldade comprometedora do sujeito de lidar com seu corpo. De acordo com o que foi apresentado pelo autor, pode-se falar em tr\u00eas caracter\u00edsticas na rela\u00e7\u00e3o como o corpo: (i) do excesso; (ii) da repeti\u00e7\u00e3o ou atualiza\u00e7\u00e3o; (iii) da identifica\u00e7\u00e3o petrificada.<\/p>\n<p>Os tr\u00eas aspectos dizem respeito aos modos como o sujeito se v\u00ea levado a amarrar seu corpo \u2014 os grampos contempor\u00e2neos, segundo Miller, as tatuagens, os piercings, etc. Assim, um excesso pode significar um volume gigantesco de perfura\u00e7\u00f5es e desenhos pelo corpo; uma repeti\u00e7\u00e3o ou atualiza\u00e7\u00e3o se deduziriam do fato de que sempre se est\u00e1 inclinado a repetir o procedimento, a trocar as joias, redesenhar ou fazer uma nova tatuagem; a identifica\u00e7\u00e3o petrificada coloca tais a\u00e7\u00f5es no n\u00edvel da necessidade, como um acting out de apaziguamento.<\/p>\n<p>Interessante, por\u00e9m, \u00e9 que isso leva a refletir, com mais vagar, sobre uma externalidade corporal, quando se considera a ideia de que ter um corpo \u00e9 algo relativamente normal para a psican\u00e1lise. \u00c9 que, se o sentimento de externalidade \u00e9 um \u00edndice poss\u00edvel para a psicose, por outro lado, a ideia de uma \u201cnormalidade\u201d do \u201cter um corpo\u201d pressup\u00f5e, de alguma maneira, alguma externalidade do sujeito em rela\u00e7\u00e3o ao seu corpo, ou, ainda, \u00e9 preciso algum distanciamento para que se possa dizer que se possui ou n\u00e3o alguma coisa.<\/p>\n<p>Imediatamente se recorda que, ent\u00e3o, se deve associar a externalidade mais com um \u201cn\u00e3o ter\u201d ou \u201cperder\u201d, do que, essencialmente, com algo que o sujeito n\u00e3o \u00e9, e, portanto, s\u00f3 pode possuir. Por isso a import\u00e2ncia da compreens\u00e3o da no\u00e7\u00e3o de amarra\u00e7\u00e3o, de se \u201cfazer um corpo\u201d. Faz-se algo que n\u00e3o existe ou que deixou de existir, ou, ainda, que possua uma exist\u00eancia t\u00e3o inst\u00e1vel que necessita, a todo o momento, de novos cuidados e atualiza\u00e7\u00f5es. \u00c9 poss\u00edvel, ent\u00e3o, que, nas psicoses, a preval\u00eancia da dimens\u00e3o do ser um corpo, em detrimento do ter, provoque situa\u00e7\u00f5es muito mais inst\u00e1veis em termos subjetivos no que se refere \u00e0s experi\u00eancias corporais, se se fizer uma compara\u00e7\u00e3o com as neuroses.<\/p>\n<p>Do ponto de vista de uma hist\u00f3ria dos conceitos que, de alguma forma, incide objetivamente tamb\u00e9m sobre a cl\u00ednica da psican\u00e1lise, atenta-se sempre para o movimento de ser e ter um corpo.[2] Na poesia de Homero, antes da grande Filosofia, antes de Plat\u00e3o mais especificamente, n\u00e3o se encontrava uma palavra que definisse, para o indiv\u00edduo vivo, sua unidade corp\u00f3rea, ou seja, os her\u00f3is hom\u00e9ricos referiam-se ao seu corpo de forma fragmentada. A palavra soma s\u00f3 era usada para a unidade corporal quando o indiv\u00edduo morria e sua psyche (alma) se esva\u00eda do soma (cad\u00e1ver), como um fantasma errante e irracional. \u00c9 mesmo s\u00f3 a partir de Plat\u00e3o que a alma ganha efetivamente um estatuto racional (ou ao menos parte dela), ao mesmo tempo em que a palavra soma passa a ser usada tamb\u00e9m para o indiv\u00edduo em vida, representado, agora sim, seu corpo enquanto unidade.[3]<\/p>\n<p>Dessa maneira, pode-se suspeitar de que, em algum momento da proto-hist\u00f3ria da cultura ocidental, o homem experimentou \u201ccoletivamente\u201d sua exist\u00eancia como sendo um corpo, mas sem a unidade conceitual bem definida para tal. Atualmente, a ideia ou sentimento de que se \u00e9 um corpo marca, incessantemente, cada momento de nossa exist\u00eancia, ao mesmo tempo em que n\u00e3o se pode abrir m\u00e3o da ideia de que se possui um corpo. De fato, a cis\u00e3o do indiv\u00edduo em corpo e alma exige pronomes possessivos. Se um indiv\u00edduo fosse plenamente identificado ontologicamente com o corpo, dispensaria, no plano da fala, o significante corpo, pois, toda vez que tentasse utiliz\u00e1-lo, seria levado, cedo ou tarde, ao emprego de pronomes possessivos. Por outro lado, uma abstra\u00e7\u00e3o radical, um congelamento do \u201cter\u201d implicaria a impossibilidade do indiv\u00edduo de dialetizar sua rela\u00e7\u00e3o com seu corpo e o dos outros, o que, no limite, pode contribuir negativamente para a avalia\u00e7\u00e3o das consequ\u00eancias sociais objetivas das a\u00e7\u00f5es sobre as pessoas. Eis o paradoxo a respeito do ser e do ter.<\/p>\n<p><strong>Subjetiva<\/strong><\/p>\n<p>Resume-se, como se sabe, na ideia de vazio. \u00c9, talvez, o \u00edndice mais dif\u00edcil de perceber e diferenciar em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s neuroses. O pr\u00f3prio Miller adverte sobre a sua ocorr\u00eancia nas neuroses e tenta deixar claro aquilo de que se trata com exemplos de fragmentos de casos. A orienta\u00e7\u00e3o parece se sustentar em dois pontos. Segundo Miller, \u201cbusca-se um \u00edndice do vazio e do vago de natureza n\u00e3o dial\u00e9tica\u201d (MILLER, 2010, p.18). (Grifo nosso). Nesse caso, h\u00e1 uma fixidez especial desse \u00edndice. Al\u00e9m disso, mas com o apoio ainda na no\u00e7\u00e3o de fixidez, \u201c[\u2026] devem tamb\u00e9m procurar a fixidez da identifica\u00e7\u00e3o com o objeto a como dejeto. A identifica\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 simb\u00f3lica, mas real, porque ultrapassa a met\u00e1fora\u201d (MILLER, 2010, p.18).<\/p>\n<p>O que significa, ent\u00e3o, \u201cnatureza n\u00e3o dial\u00e9tica\u201d? Nesse caso, parece ser algo j\u00e1 conhecido dos psicanalistas a respeito dos diagn\u00f3sticos de psicose, e que tamb\u00e9m se encontra nos \u00edndices anteriores \u2014 social e corporal: trata-se do enrijecimento de uma certeza; certeza essa que n\u00e3o vacila para o sujeito. O real se apresenta como uma realidade que, para o sujeito psic\u00f3tico, n\u00e3o possui, no seu cerne, uma contradi\u00e7\u00e3o que possa fazer afrouxar a identidade. O vazio seria uma experi\u00eancia que n\u00e3o pode ser relativizada, colocar sua verdade em quest\u00e3o \u00e9 algo quase imposs\u00edvel para o psic\u00f3tico. Se isso ainda acompanha a localiza\u00e7\u00e3o como dejeto, tem-se a incid\u00eancia no corpo da quest\u00e3o subjetiva, pois \u201co sujeito vai na dire\u00e7\u00e3o de realizar o dejeto sobre sua pessoa\u201d (MILLER, 2010, p.18).<\/p>\n<p><strong>Uma Quest\u00e3o: Da Falta A Ser<\/strong><\/p>\n<p>A no\u00e7\u00e3o da pluraliza\u00e7\u00e3o do NP parece revigorar a defesa da singularidade do sujeito que a orienta\u00e7\u00e3o lacaniana preserva como pressuposto de sua cl\u00ednica, ou, ainda, de uma cl\u00ednica poss\u00edvel. Isso se refere \u00e0 dimens\u00e3o \u00e9tica e pol\u00edtica da psican\u00e1lise enquanto pr\u00e1tica social, que se apresenta, portanto, diferente e potencialmente cr\u00edtica das tend\u00eancias cient\u00edficas de desaparecimento da cl\u00ednica, representadas especialmente pelo DSM e suas atualiza\u00e7\u00f5es.[4]<\/p>\n<p>Sobre a cl\u00ednica \u201cem si\u201d, a pluraliza\u00e7\u00e3o \u00e9, como se sabe, resultado do \u00faltimo ensino de Lacan e seus n\u00f3s borromeanos. Ele questiona a no\u00e7\u00e3o de falta, ou seja, de d\u00e9ficit para as psicoses em compara\u00e7\u00e3o com a estrutura neur\u00f3tica.<\/p>\n<p>Se, no entanto, para a cl\u00ednica, parece fazer sentido relativizar a no\u00e7\u00e3o de falta, apostando-se na diversidade de amarra\u00e7\u00f5es poss\u00edveis que cada sujeito pode inventar, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel esquecer que, a todo tempo, depara-se com a tarefa de avaliar as condi\u00e7\u00f5es que cada analisando possui efetivamente para viver seu cotidiano social. N\u00e3o se pode negar que, na cl\u00ednica, seja ela das psicoses ou das neuroses, n\u00e3o se pode, de forma alguma, escapar ao horizonte do psicanalista, a preocupa\u00e7\u00e3o com a \u201cpreserva\u00e7\u00e3o social\u201d do analisante. Isso se mostra, mais precisamente, no trabalho em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de um \u201csaber fazer\u201d que seja melhor ou menos delet\u00e9rio ao sujeito, o que, obviamente, \u00e9 sempre considerado na rela\u00e7\u00e3o do sujeito com a sociedade em que vive. Nenhum psicanalista \u00e9 indiferente \u00e0s consequ\u00eancias de uma toxicomania que consome todas as reservas de uma fam\u00edlia ou que retira qualquer possibilidade do sujeito de reinserir-se socialmente. Preocupa\u00e7\u00e3o com um saber fazer com o gozo que invade, com o desejo, n\u00e3o \u00e9, por parte de um bom analista, sem uma mirada para o social.v Isso implica que se sabe reconhecer, a partir da cl\u00ednica, que existem diferen\u00e7as, de maneira geral, e ainda substanciais, entre as possibilidades de realiza\u00e7\u00f5es objetivas, no caso dos neur\u00f3ticos, comparando-se com os psic\u00f3ticos. Mesmo que haja psic\u00f3ticos desempenhando atividades socialmente complexas, como um alto cargo executivo ou coisa parecida, isso n\u00e3o parece comprometer a percep\u00e7\u00e3o de que, em linhas gerais, os psic\u00f3ticos tendem a ter mais dificuldades para ocupar posi\u00e7\u00f5es e desempenhar determinadas tarefas.<\/p>\n<p>A singularidade da resposta que cada um pode construir no encontro com um Pai, que est\u00e1 no n\u00edvel da apropria\u00e7\u00e3o te\u00f3rica no contexto do cotidiano da cl\u00ednica, deve conviver com a teoria das estruturas, bem como com a pr\u00f3pria ideia de relativiza\u00e7\u00e3o dos NP, como uma resposta te\u00f3rica proveniente da particularidade de cada caso, ao se manifestar como indicativo (te\u00f3rico), alcan\u00e7a, ent\u00e3o, o n\u00edvel do universal (mesmo n\u00edvel das estruturas). Essa rela\u00e7\u00e3o entre os escritos da primeira cl\u00ednica e os \u00faltimos escritos de Lacan, com a realidade de cada caso, pode-se chamar, numa linguagem filos\u00f3fica, de dial\u00e9tica entre o universal e o particular.<\/p>\n<p>A abertura maior, no campo das psicoses, com o significante \u201cpsicose ordin\u00e1ria\u201d, exigiu e exige, basicamente, duas indica\u00e7\u00f5es para se compreender a cl\u00ednica hoje. Primeiro, que a neurose, como aquilo que n\u00e3o \u00e9 a psicose, persiste enquanto estrutura bem definida, agora ainda mais, pelo alargamento do campo das psicoses. N\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas quanto a isso no texto de Miller. Mas, nas psicoses, a defini\u00e7\u00e3o inicial lacaniana, tendo a aus\u00eancia do NP, ou seja, as psicoses definidas principalmente pela aus\u00eancia de algo da estrutura das neuroses, foi revista. Essa revis\u00e3o \u00e9 a pluraliza\u00e7\u00e3o do NP, ou ainda sua inexist\u00eancia, sua adjetiva\u00e7\u00e3o como semblante.<\/p>\n<p><em>Essa generaliza\u00e7\u00e3o da psicose significa que n\u00e3o existe, na verdade, o Nome-do-Pai. Ele n\u00e3o existe. O Nome-do-Pai \u00e9 um predicado, sempre \u00e9 um predicado. Sempre \u00e9 um elemento espec\u00edfico entre outros que, para um determinado sujeito, funciona como Nome-do-Pai (MILLER, 2010, p.20).<\/em><\/p>\n<p>Miller insiste na diferencia\u00e7\u00e3o justamente porque ela, hoje, \u00e9 mais dif\u00edcil, sutil. A democratiza\u00e7\u00e3o do NP n\u00e3o implicou uma relativiza\u00e7\u00e3o das estruturas, elas n\u00e3o est\u00e3o no mesmo n\u00edvel. A quest\u00e3o \u00e9 a seguinte: na neurose, o NP, isso que, na verdade, n\u00e3o existe, tem \u201ccadeira cativa\u201d, enquanto que, nas psicoses, nem sempre \u00e9 assim, ele pode ter um funcionamento prec\u00e1rio tamb\u00e9m, muito embora, em alguns casos de paranoia, \u201co make believe do Nome-do-Pai \u00e9 melhor do que o seu, ele \u00e9 mais s\u00f3lido\u201d (MILLER, 2010, p.23)<\/p>\n<p>Tudo isso para concluir dizendo que a quest\u00e3o da falta e\/ou do furo talvez seja mais complexa do que se possa imaginar, ou fazer, no sentido de substituir um significante por outro. Apesar da pluraliza\u00e7\u00e3o do NP e da no\u00e7\u00e3o de \u201cfuro\u201d, acredita-se que a no\u00e7\u00e3o de falta ainda est\u00e1, de alguma forma, presente, e talvez seja mesmo importante para a orienta\u00e7\u00e3o lacaniana, partindo do pressuposto de que ela n\u00e3o incide eticamente da mesma forma que em outros campos de saber. \u201cO Nome-do-Pai est\u00e1 ali (na coluna da esquerda) enquanto aqui (na coluna do meio), ele n\u00e3o est\u00e1. Na psicose ordin\u00e1ria, n\u00e3o h\u00e1 o Nome-do-Pai, mas h\u00e1 alguma coisa, um aparelho suplementar\u201d (MILLER, 2010, p.22). (Grifo nosso). Se h\u00e1 furo no real, ele n\u00e3o exclui a no\u00e7\u00e3o de falta, mais do que obriga a reorden\u00e1-la, na medida em que, diante desse real, uns se viram \u201cmelhor\u201d que os outros, n\u00e3o somente no n\u00edvel da preserva\u00e7\u00e3o de uma vida poss\u00edvel, mas certamente em n\u00edveis em que a sociedade demanda respostas mais complexas de cada sujeito; respostas fundamentais para a continuidade da vida humana, a come\u00e7ar por aquele n\u00edvel mesmo, de qualquer vida poss\u00edvel.<\/p>\n<p>Permanecem, ent\u00e3o, perguntas como: \u00e9 poss\u00edvel abandonar a no\u00e7\u00e3o te\u00f3rica de falta, considerando apenas a posi\u00e7\u00e3o de que o sujeito psic\u00f3tico, salvo no caso de uma catatonia completa, \u201cse vira no mundo\u201d, ao seu modo, mas se vira; sendo que os pr\u00f3prios ind\u00edcios sugeridos por Miller para o diagn\u00f3stico de psicose e, tamb\u00e9m, os relatos, em v\u00e1rios casos cl\u00ednicos, mostram uma dificuldade especial, singular, do sujeito psic\u00f3tico em levar sua vida social adiante, se comparado com boa parte dos neur\u00f3ticos? Pode-se, nessa compara\u00e7\u00e3o, abrir mesmo m\u00e3o da ideia de falta? Uma cr\u00edtica pr\u00e9-dial\u00e9tica da no\u00e7\u00e3o de falta no interior da psican\u00e1lise poderia lev\u00e1-la a um \u201cautismo prejudicial\u201d aos potenciais de di\u00e1logo entre a psican\u00e1lise e a sociedade, justamente pelo fato de que, dessa maneira, a cl\u00ednica acabaria por corroborar um discurso hegem\u00f4nico sobre o social, refrat\u00e1rio \u00e0s contradi\u00e7\u00f5es, \u00e0 alteridade, \u00e0 singularidade, etc.? Em que medida, por fim, o questionamento da ideia de falta conserva algum tipo de receio com rela\u00e7\u00e3o a uma avalia\u00e7\u00e3o social que indique um poss\u00edvel conservadorismo na psican\u00e1lise, quando se poderia supor justamente o contr\u00e1rio, ou seja, que considerar a falta de algo como um problema a priori, isso sim representaria algo da ordem do conservadorismo intelectual e \u00e9tico? Ainda, ser\u00e1 que existe, nessas quest\u00f5es, uma confus\u00e3o anterior sobre o que deve ser debatido no n\u00edvel te\u00f3rico das estruturas e o que deve ser debatido no n\u00edvel da pr\u00e1tica cl\u00ednica?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6>(1) Este texto, com algumas modifica\u00e7\u00f5es, foi escrito originalmente como trabalho final para o curso de Psican\u00e1lise do Instituto de Psican\u00e1lise e Sa\u00fade Mental de Minas Gerais &#8211; IPSM-MG.<\/h6>\n<h6>\n(2) Sobre esse assunto, pode-se ouvir S\u00e9rgio de Campos em entrevista ao boletim Sinapsy, n.4, da XVIII Jornada da EBP-MG.<\/h6>\n<h6>(3) Sobre essa quest\u00e3o, consultar minha disserta\u00e7\u00e3o de mestrado. BORGES, T. F. de. Interesse pelo corpo na Dial\u00e9tica do Esclarecimento de Theodor W. Adorno e Max Horkheimer. 2010. 198f. Disserta\u00e7\u00e3o (Mestrado em Filosofia) \u2013 Faculdade de Filosofia e Ci\u00eancias Sociais, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2010.<\/h6>\n<h6>(4) Recomenda-se o artigo de S\u00e9rgio Laia na colet\u00e2nea De que real se trata na cl\u00ednica psicanal\u00edtica?. (LAIA, S. A. C. de. \u201cCoisas mensur\u00e1veis e \u2018coisas de fineza\u2019: a classifica\u00e7\u00e3o dos transtornos mentais pelo DSM-V e a orienta\u00e7\u00e3o lacaniana\u201d. In: SANTOS, T. C dos; SANTIAGO, J.; MARTELLO, A. (Orgs.). De que real se trata na cl\u00ednica psicanal\u00edtica?: psican\u00e1lise, ci\u00eancia e discursos da ci\u00eancia. Rio de Janeiro: Cia de Freud, 2012. p.295-318).<\/h6>\n<h6>(5) O que n\u00e3o quer dizer uma adapta\u00e7\u00e3o ao Outro social.<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<h6><\/h6>\n<h6><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/h6>\n<h6>ADORNO, T. W. Dial\u00e9tica negativa. Trad. Marco Ant\u00f4nio Casanova. Rio de Janeiro: Zahar, 2009.<\/h6>\n<h6>BORGES, T. F. de. Interesse pelo corpo na Dial\u00e9tica do Esclarecimento de Theodor W. Adorno e Max Horkheimer. 2010. 198f. Disserta\u00e7\u00e3o de Mestrado \u2013 Faculdade de Filosofia e Ci\u00eancias Sociais, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2010.<\/h6>\n<h6>BRODSKY, G. Loucuras discretas: um semin\u00e1rio sobre as chamadas psicoses ordin\u00e1rias. Belo Horizonte: Scriptum, 2011.<\/h6>\n<h6>GAULT, J. L. et al. \u201cO homem dos cem mil cabelos\u201d. In: MILLER, Jacques, Alain. A psicose ordin\u00e1ria. S\u00e9rgio Laia (Org.) Belo Horizonte: Scriptum\/Escola Brasileira de Psican\u00e1lise, 2012. p.129-133.<\/h6>\n<h6>LACAN, J. (1955-1956) O Semin\u00e1rio, livro3: as psicoses. Texto estabelecido por Jacques-Alain Miller. Rio de Janeiro: Zahar, 1985.<\/h6>\n<h6>LACAN, J. (1972-1973) O Semin\u00e1rio, livro 20: o sinthoma. Texto estabelecido por Jacques-Alain Miller. Rio de Janeiro: Zahar, 1985.<\/h6>\n<h6>LAIA, S. A. C. de. \u201cCoisas mensur\u00e1veis e \u2018coisas de fineza\u2019: a classifica\u00e7\u00e3o dos transtornos mentais pelo DSM-V e a orienta\u00e7\u00e3o lacaniana\u201d. In: SANTOS, T. C. dos; SANTIAGO, J.; MARTELLO A. (Orgs.). De que real se trata na cl\u00ednica psicanal\u00edtica?: psican\u00e1lise, ci\u00eancia e discursos da ci\u00eancia. Rio de Janeiro: Cia de Freud, 2012. p.295-318.<\/h6>\n<h6>MILLER, J.-A. \u201cEfeito de retorno \u00e0 psicose ordin\u00e1ria\u201d, Op\u00e7\u00e3o Lacaniana on-line, Nova S\u00e9rie, ano 1, n.3, nov. 2010.<\/h6>\n<h6>MILLER, J.-A. \u201cA psican\u00e1lise, seu lugar entre as ci\u00eancias\u201d. In: SANTOS, T. C. dos; SANTIAGO, J.; MARTELLO A. (Orgs.). De que real se trata na cl\u00ednica psicanal\u00edtica?: psican\u00e1lise, ci\u00eancia e discursos da ci\u00eancia. Rio de Janeiro: Cia de Freud, 2012. p.13-34.<\/h6>\n<h6><\/h6>\n<hr \/>\n<h6><\/h6>\n<h6><strong>Thiago Ferreira De Borges<\/strong><\/h6>\n<h6>Doutorando em Filosofia pela UFMG, professor do Centro Universit\u00e1rio de Sete Lagoas \u2013 Unifemm. Email:\u00a0<span id=\"cloak8ce2feb923dcccbfb4574eb2ea8840a9\"><a href=\"mailto:tfborges@hotmail.com\">tfborges@hotmail.com<\/a><\/span><\/h6>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>THIAGO FERREIRA DE BORGES O texto de Jacques-Alain Miller, \u201cEfeito de retorno \u00e0 psicose ordin\u00e1ria\u201d, fruto de um semin\u00e1rio de l\u00edngua inglesa em Paris, \u00e9 extremamente importante para a cl\u00ednica contempor\u00e2nea, quando pensamos que a no\u00e7\u00e3o de psicose ordin\u00e1ria n\u00e3o s\u00f3 tem sido bastante discutida, como tamb\u00e9m utilizada (ao que parece, cada vez mais) no&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-651","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-almanaque-14","category-10","description-off"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/651","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=651"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/651\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=651"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=651"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=651"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}