{"id":657,"date":"2014-03-17T06:53:30","date_gmt":"2014-03-17T09:53:30","guid":{"rendered":"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/new\/?p=657"},"modified":"2014-03-17T06:53:30","modified_gmt":"2014-03-17T09:53:30","slug":"passagem-ao-ato-como-resposta-do-real","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/2014\/03\/17\/passagem-ao-ato-como-resposta-do-real\/","title":{"rendered":"Passagem Ao Ato Como Resposta Do Real"},"content":{"rendered":"<h6 class=\"uk-margin-large-top uk-margin-remove-bottom uk-text-center uk-article-title\"><strong style=\"font-size: 14px;\">FREDERICO FEU<\/strong><\/h6>\n<div class=\"uk-margin-medium-top\">\n<p>Podemos abordar o tema da passagem ao ato como uma modalidade de resposta do real nas psicoses. Na mesma propor\u00e7\u00e3o em que, na neurose, podemos contar com os fen\u00f4menos de retorno decorrentes do recalque, a psicose nos confronta com o ato como efeito da foraclus\u00e3o. Seja nas suas origens, por ocasi\u00e3o do desencadeamento, ou como um ato conclusivo de um argumento delirante, seja como uma maneira de operar a castra\u00e7\u00e3o no real, ou como uma tentativa de extra\u00e7\u00e3o de um mal-estar corporal, no \u201cimpulso a golpear\u201d, a psicose sempre parece tender, de alguma forma, ao ato.<\/p>\n<p>De um modo geral, a passagem ao ato desvela a estrutura fundamental do ato, em seu sentido mais amplo (MILLER, 2014). O pensamento, na medida em que est\u00e1 dominado pelo recalque, est\u00e1 essencialmente sob impasse. Em sentido amplo, o ato \u00e9 uma tentativa de sair desse impasse, caracterizando-se por uma ruptura entre a\u00e7\u00e3o e pensamento, ao contr\u00e1rio do que a tradi\u00e7\u00e3o racionalista preconiza, ou seja, que um ato deveria ser a consequ\u00eancia l\u00f3gica de uma cadeia racional de pensamentos. Nesse sentido, todo ato equivale a uma esp\u00e9cie de suic\u00eddio do sujeito, a um rompimento com o Outro, a um divisor de \u00e1guas, visando a uma muta\u00e7\u00e3o subjetiva. Trata-se, como diz Lacan, de extrair da ang\u00fastia a sua certeza, por oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 d\u00favida suscitada pelo pensamento. O mesmo princ\u00edpio poderia ser estendido \u00e0 cria\u00e7\u00e3o art\u00edstica, \u00e0 inven\u00e7\u00e3o de novos paradigmas no campo da ci\u00eancia ou mesmo ao atravessamento produzido no campo do pensamento cultural e pol\u00edtico por um acontecimento.<\/p>\n<p>Proponho, nos limites deste texto, tratar a no\u00e7\u00e3o cl\u00ednica de passagem ao ato a partir de algumas refer\u00eancias desenvolvidas por Lacan no Semin\u00e1rio, livro 10, \u201cA ang\u00fastia\u201d, de 1962-1963, especialmente em torno do coment\u00e1rio do quadro que reproduzimos abaixo, em que a passagem ao ato \u00e9 posta em rela\u00e7\u00e3o com outros termos e conceitos. Isso nos coloca diante do problema de transpor uma no\u00e7\u00e3o cl\u00ednica cujo movimento de elabora\u00e7\u00e3o se d\u00e1 no enquadre estrutural das neuroses para o campo das psicoses. Al\u00e9m disso, h\u00e1 dificuldades de interpreta\u00e7\u00e3o desse quadro, na medida em que ele n\u00e3o foi retomado por Lacan, dificuldades que nos parecem tanto maiores quanto mais exigirmos uma correla\u00e7\u00e3o formal de todos os seus termos. Devemos tom\u00e1-lo, ent\u00e3o, de uma forma fragment\u00e1ria, para um determinado uso, relacionando seus elementos sem fazer um todo e buscando estabelecer alguns par\u00e2metros que nos levem da cl\u00ednica das neuroses \u00e0 cl\u00ednica das psicoses, na qual o tema da passagem ao ato adquire todo seu peso.<\/p>\n<p><strong>Enquadre E Movimento Geral Do Semin\u00e1rio 10<\/strong><\/p>\n<p>A chave do Semin\u00e1rio 10 \u00e9 a elabora\u00e7\u00e3o do conceito de objeto a, do qual a ang\u00fastia vem a ser uma esp\u00e9cie de moldura para o neur\u00f3tico e com o qual o sujeito se articula na cena fantasm\u00e1tica ($ &lt;&gt; a). O objeto a demonstra o efeito regulador da entrada na ordem simb\u00f3lica: para dar conta do gozo, o sujeito (S) se dirige ao campo do Outro (A); se ele encontra, nesse campo, o significante do nome-do-pai, o efeito \u00e9 sua divis\u00e3o ($) entre o significante \u2014 que representa o sujeito para outro significante \u2014 e o objeto a .<\/p>\n<p>Se definirmos essa opera\u00e7\u00e3o, a que chamamos castra\u00e7\u00e3o, como uma negativiza\u00e7\u00e3o do gozo pelo simb\u00f3lico ou como equivalente a uma extra\u00e7\u00e3o de gozo do corpo, o objeto a \u00e9 o que compensa, com o mais de gozar, o menos da castra\u00e7\u00e3o. Esse objeto, justamente por ser perdido, estabelece para o sujeito o regime de conting\u00eancia de encontros e desencontros no real, mediando a sua rela\u00e7\u00e3o com o Outro, na medida em que, para o neur\u00f3tico, gozo e Outro se separam. Do lado do sujeito, o Outro aparece recoberto por uma barra (\u023a) \u2014 \u201co que me constitui como inconsciente, ou seja, o Outro enquanto aquilo que n\u00e3o atinjo\u201d (LACAN, 1962-1963\/2005, p.36). Assim, estabelece-se a equival\u00eancia entre demanda e circuito pulsional na neurose. Partindo de uma zona er\u00f3gena, representada pela elipse, a puls\u00e3o contorna um objeto \u2014 \u201cessa prova e garantia \u00fanica, afinal, da alteridade do Outro\u201d (LACAN, 1962-1963\/2005, p.36) \u2014 retornando sobre esse mesmo ponto de partida, obtendo-se, dessa forma, a satisfa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/images\/almanaque-anteriores\/almanaque-14\/download.png\" alt=\"\" width=\"17\" height=\"22\" \/>Esse objeto, que a puls\u00e3o ir\u00e1 contornar, \u00e9 aquilo que h\u00e1 de mais vari\u00e1vel na puls\u00e3o, embora cada sujeito, tomado em sua particularidade, desenvolva um padr\u00e3o de repeti\u00e7\u00e3o, um \u201cmodo de gozo\u201d que caracteriza o sujeito e que encontra sua consist\u00eancia no fantasma. Podemos, ent\u00e3o, definir a passagem ao ato na neurose como uma precipita\u00e7\u00e3o do sujeito, a partir de um encontro desestabilizador, para fora da cena fantasm\u00e1tica, em que ele ocupa uma posi\u00e7\u00e3o de resposta ao desejo do Outro, identificando-se ao objeto desse desejo.<\/p>\n<p>Quanto ao sujeito psic\u00f3tico, ele est\u00e1 mais confrontado ao real e com mais dificuldades em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 media\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica. Da\u00ed sua tend\u00eancia a operar diretamente sobre o real nos fen\u00f4menos de passagem ao ato, em suas tentativas de barrar o Outro (em sua dimens\u00e3o invasiva e excessiva), na medida em que, nessa estrutura, gozo e Outro n\u00e3o se separam. Assim, podemos falar do gozo n\u00e3o negativizado na psicose, especialmente na esquizofrenia, e da n\u00e3o extra\u00e7\u00e3o do objeto a. Em lugar de um circuito pulsional que estabelece a possibilidade de encontros e desencontros com o objeto da demanda dirigida ao Outro, temos, na psicose, um curto-circuito da puls\u00e3o sobre o pr\u00f3prio corpo:<\/p>\n<p><strong>Constru\u00e7\u00e3o Do Quadro Da Ang\u00fastia<\/strong><\/p>\n<p>Podemos agora voltar ao quadro constru\u00eddo por Lacan no Semin\u00e1rio, livro 10, na tentativa de esclarecer suas inter-rela\u00e7\u00f5es e localizar, a\u00ed, o momento da passagem ao ato. Buscaremos constru\u00ed-lo passo a passo, supondo uma ordena\u00e7\u00e3o l\u00f3gica.<\/p>\n<p><strong>1<\/strong>\u00a0\u2013 Observamos, inicialmente, que o quadro se escreve a partir de duas coordenadas, o eixo do movimento e o eixo da dificuldade.<\/p>\n<p>A refer\u00eancia ao movimento est\u00e1 nas origens da elabora\u00e7\u00e3o freudiana do aparelho ps\u00edquico. Tanto no \u201cProjeto\u201d de 1895, quanto na \u201cCarta 52\u201d, redigida em dezembro de 1896, o aparelho ps\u00edquico \u00e9 concebido levando-se em conta as rela\u00e7\u00f5es de continuidade e descontinuidade entre pensamento e a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Se tomarmos o caminho \u201cprogressivo\u201d da excita\u00e7\u00e3o no aparelho, a a\u00e7\u00e3o \u00e9 o que decorre de um processo de inibi\u00e7\u00e3o que caracteriza o trabalho de inscri\u00e7\u00e3o, retranscri\u00e7\u00e3o e tradu\u00e7\u00e3o da excita\u00e7\u00e3o no aparelho ps\u00edquico, como um ponto de conclus\u00e3o de uma cadeia de representa\u00e7\u00f5es que dominou a excita\u00e7\u00e3o e chegou \u00e0 consci\u00eancia ao ligar-se a uma representa\u00e7\u00e3o verbal. Ter\u00edamos, no entanto, que conjugar o eixo do movimento ao caminho \u201cregressivo\u201d que conduz o pensamento de volta \u00e0 excita\u00e7\u00e3o no aparelho ps\u00edquico, desfazendo as suas conex\u00f5es, na medida em que a passagem ao ato est\u00e1 em descontinuidade com a cadeia de pensamentos. A esse respeito, lembramos que o termo \u201cAgieren\u201d, utilizado por Freud (por exemplo, no artigo \u201cA din\u00e2mica da transfer\u00eancia\u201d, de 1912), equivale a uma repeti\u00e7\u00e3o em ato no limite do trabalho de rememora\u00e7\u00e3o, a uma mostra\u00e7\u00e3o, na medida em que esse caminho regressivo, no curso de uma an\u00e1lise, atualiza a realidade ps\u00edquica da fantasia na transfer\u00eancia.<\/p>\n<p>Seguindo o eixo da dificuldade, encontramos, por sua vez, a fun\u00e7\u00e3o da barra, que concerne ao sujeito em sua rela\u00e7\u00e3o com o gozo. De fato, o sujeito barrado pode ser pensado como um efeito do movimento da excita\u00e7\u00e3o, na medida em que o sujeito, em seu desamparo, se dirige ao campo do Outro.<\/p>\n<p>A montagem do quadro da ang\u00fastia compreende, assim, uma tens\u00e3o crescente que vai de um m\u00ednimo de movimento a um m\u00e1ximo de movimento, passando pelo termo intermedi\u00e1rio da emo\u00e7\u00e3o, e de uma menor a uma maior dificuldade, de forma que podemos definir a ang\u00fastia como a resultante de um m\u00e1ximo de movimento com um m\u00e1ximo de dificuldade.<\/p>\n<p><strong>2<\/strong>\u00a0\u2013 Definidas as coordenadas da ang\u00fastia, podemos escrever a s\u00e9rie colocada por Lacan em diagonal, em liga\u00e7\u00e3o com a s\u00e9rie freudiana inibi\u00e7\u00e3o-sintoma-ang\u00fastia.<\/p>\n<p>Inibi\u00e7\u00e3o, sintoma e ang\u00fastia s\u00e3o termos heterog\u00eaneos, dir\u00e1 Lacan, estruturas diferentes. N\u00e3o h\u00e1, portanto, passagem ou grada\u00e7\u00e3o entre eles. De fato, embora possamos pensar no aparecimento da ang\u00fastia como um efeito de fal\u00eancia da fun\u00e7\u00e3o estabilizadora do sintoma, estabelecendo assim uma sequ\u00eancia entre eles, podemos encontrar igualmente superposi\u00e7\u00e3o entre a inibi\u00e7\u00e3o de uma fun\u00e7\u00e3o e um sintoma, como na impot\u00eancia masculina ou na anorexia.<\/p>\n<p>Mas, de modo geral, a inibi\u00e7\u00e3o est\u00e1 associada \u00e0 deten\u00e7\u00e3o de um movimento e, nesse sentido, se op\u00f5e \u00e0 ang\u00fastia, sendo o sintoma um termo intermedi\u00e1rio que faz a media\u00e7\u00e3o entre movimento e dificuldade ou, conforme defini\u00e7\u00e3o de Freud, uma forma\u00e7\u00e3o de compromisso entre movimento pulsional e defesa.<\/p>\n<p><strong>3<\/strong>\u00a0\u2013 Se a inibi\u00e7\u00e3o \u00e9 deten\u00e7\u00e3o do movimento no n\u00edvel de uma fun\u00e7\u00e3o, estar impedido \u00e9 um sintoma. \u201cEstar impedido \u00e9 um sintoma. Ser inibido \u00e9 um sintoma posto no museu\u201d (LACAN, 1962-1963\/2005, p.19). \u201cImpedicare\u201d, etimologicamente, quer dizer \u201cser tomado na trama\u201d, o que nos leva da fun\u00e7\u00e3o ao sujeito \u00e0 medida que caminhamos no eixo da dificuldade.<\/p>\n<p>A trama de que se trata \u00e9 a captura narc\u00edsica, isto \u00e9, \u201co limite do que se pode investir no objeto\u201d, como dir\u00e1 Lacan.<\/p>\n<p>O impedimento ocorrido est\u00e1 ligado e este c\u00edrculo que faz com que, no mesmo movimento com que o sujeito avan\u00e7a para o gozo, isto \u00e9, para o que lhe est\u00e1 mais distante, ele depare com essa fratura \u00edntima, muito pr\u00f3xima, por ter-se deixado apanhar, no caminho, em sua pr\u00f3pria imagem, a imagem especular. \u00c9 essa a armadilha (LACAN, 1962-1963\/2005, p.19).<\/p>\n<p>O sujeito que se encontra, no plano sintom\u00e1tico, impedido, se deteve diante da castra\u00e7\u00e3o, rendendo-se \u00e0 captura narc\u00edsica. Um passo a mais no eixo da dificuldade, e ele se encontrar\u00e1 embara\u00e7ado, termo que \u00e9 correlativo \u00e0 ang\u00fastia no eixo vertical. O embara\u00e7o \u00e9 definido como \u201cforma leve da ang\u00fastia\u201d na dimens\u00e3o da dificuldade. Etimologicamente, o termo franc\u00eas \u201cembarras\u201d aponta para o sujeito revestido pela barra, \u201cquando voc\u00eas j\u00e1 n\u00e3o sabem o que fazer de si mesmos\u201d (LACAN, 1962-1963\/2005, p.19). Em espanhol, estar \u201cembara\u00e7ada\u201d quer dizer estar gr\u00e1vida, em gesta\u00e7\u00e3o, \u00e0 espera. Embora da\u00ed se depreenda um movimento futuro ou algum tipo de desfecho, falta ainda \u00e0 dimens\u00e3o do embara\u00e7o a precipita\u00e7\u00e3o ao ato que encontramos \u00e0 medida que caminhamos no eixo do movimento.<\/p>\n<p><strong>4<\/strong>\u00a0\u2013 Prosseguindo em dire\u00e7\u00e3o ao sintoma, seguindo o eixo do movimento, encontramos a emo\u00e7\u00e3o (\u00e9motion). A emo\u00e7\u00e3o salienta algo de inquietante em compara\u00e7\u00e3o com a inibi\u00e7\u00e3o, evocando, ao mesmo tempo, a ideia de uma exterioriza\u00e7\u00e3o, no sentido de alguma coisa que se descarrega, que \u00e9 colocada para fora, muitas vezes, conservando o sentido de rea\u00e7\u00e3o catastr\u00f3fica. Trata-se de um termo utilizado por Freud justamente para designar o movimento da catarse, uma vez que teria sido a aus\u00eancia de rea\u00e7\u00e3o adequada ao trauma o que estaria na origem do sintoma hist\u00e9rico. A catarse se realiza levando-se em conta essa tr\u00edplice condi\u00e7\u00e3o: a rememora\u00e7\u00e3o, a exterioriza\u00e7\u00e3o da emo\u00e7\u00e3o e sua tradu\u00e7\u00e3o em palavras. Trata-se, portanto, de uma exterioriza\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica, na medida em que o sujeito, sob transfer\u00eancia, for capaz de se desembara\u00e7ar de seu sintoma por meio da palavra.<\/p>\n<p>Finalmente, ainda na linha do movimento, encontramos a efus\u00e3o (\u00e9moi). O termo esmayer deriva do latim popular, exmagare, esmagado, em portugu\u00eas, com o sentido de queda, perda de pot\u00eancia. Relaciona-se a um excesso de movimento que parece colocar o sujeito fora de si, na medida em que ele se encontra embara\u00e7ado pelo desenvolvimento da ang\u00fastia. O \u00e9moi \u00e9 \u201co perturbar-se mais profundo na dimens\u00e3o do movimento. O embara\u00e7o, o m\u00e1ximo de dificuldade atingida\u201d (LACAN, 1962-1963\/2005, p.22), preenchendo assim as duas coordenadas da ang\u00fastia.<\/p>\n<p><strong>5<\/strong>\u00a0\u2013 \u00c9 poss\u00edvel agora completar o quadro com as refer\u00eancias ao acting-out e \u00e0 passagem ao ato. Podemos desde logo observar que, em rela\u00e7\u00e3o ao eixo da dificuldade, encontramos uma maior proximidade entre sintoma e acting-out, por um lado, e passagem ao ato e ang\u00fastia, por outro.<\/p>\n<p>De fato, o acting-out se produz a partir de um franqueamento do sintoma, estando logicamente determinado no curso de uma an\u00e1lise no limite do trabalho de interpreta\u00e7\u00e3o, ali onde se desvela a estrutura da fantasia, destacando-se como fundamental o fato de que o acting-out est\u00e1 direcionado ao Outro. Quanto \u00e0 passagem ao ato, ela parece se antecipar ao pleno desenvolvimento da ang\u00fastia, sendo tomada por Lacan como uma precipita\u00e7\u00e3o que lan\u00e7a o sujeito em um movimento de queda para fora da cena fantasm\u00e1tica.<\/p>\n<p>\u00c9 o que se revela na an\u00e1lise feita por Lacan do caso da \u201cJovem Homossexual\u201d (FREUD, 1920\/1976). A passagem ao ato tem rela\u00e7\u00e3o com o \u201cdeixar cair\u201d (Niederkommen). Diante do olhar do pai com quem ela cruza na rua quando caminhava ao lado da dama \u2014 a quem a jovem se dedica, a contragosto do pai \u2014 se produz o extremo embara\u00e7o; e se lhe acrescentamos a emo\u00e7\u00e3o como desordem do movimento, o que chega nesse momento preciso ao sujeito \u00e9 sua \u201cidentifica\u00e7\u00e3o absoluta com esse pequeno a ao que ela se reduz\u201d (LACAN, 1962-1963\/2005, p.124), ao mesmo tempo em que ela se sente recha\u00e7ada, lan\u00e7ada fora da cena. \u00c9 o suficiente para que ela se precipite, jogando-se de uma pequena ponte sobre a linha do trem, desde o lugar da cena onde atuava no sentido do acting-out. Ou seja: se a tentativa de suic\u00eddio \u00e9 uma passagem ao ato, toda a aventura com a dama \u2014 que \u00e9 elevada, como no amor cort\u00eas, a essa posi\u00e7\u00e3o de objeto supremo \u2014 \u00e9 um acting-out.<\/p>\n<p><strong>Psicose E Passagem Ao Ato<\/strong><\/p>\n<p>A quest\u00e3o que toca o analista, a cada an\u00e1lise, \u00e9 justamente saber o quanto de ang\u00fastia o sujeito pode suportar. Na cl\u00ednica da neurose, a ang\u00fastia \u00e9 um guia, funcionando como sinal, o sinal de ang\u00fastia. Podemos dizer que o sinal de ang\u00fastia abre a possibilidade de um manejo, orientando a cl\u00ednica da neurose em dire\u00e7\u00e3o ao real, ao imposs\u00edvel de suportar, a partir do suporte da media\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica. Se o ato anal\u00edtico, esse ponto de viragem de uma an\u00e1lise, visa a extrair da ang\u00fastia a sua certeza \u2014 j\u00e1 que, ao contr\u00e1rio do pensamento, a ang\u00fastia \u00e9 o que n\u00e3o engana \u2014 a quest\u00e3o \u00e9 como chegar at\u00e9 a\u00ed bordejando, por assim dizer, os campos da passagem ao ato e do acting-out com os quais a ang\u00fastia faz fronteira, como vemos no quadro.<\/p>\n<p>Ora, o ato anal\u00edtico \u00e9 uma aposta que toma seu fundamento, na cl\u00ednica da neurose, do fato de que o fantasma est\u00e1 emoldurado, enquadrado pelo sinal de ang\u00fastia. H\u00e1 um marco referencial em que essa aposta \u00e9 poss\u00edvel: seu ponto preciso \u00e9 a quest\u00e3o \u201cque queres?\u201d, que interroga o desejo do Outro. A rela\u00e7\u00e3o com o objeto a \u00e9 um modo de responder a essa pergunta, na medida em que o objeto a est\u00e1, por assim dizer, a meio caminho entre sujeito e Outro, na medida em que o neur\u00f3tico tende a se dedicar ao preenchimento da falta no Outro. O ato anal\u00edtico visa a separar o sujeito do objeto ao qual ele identifica a sua demanda.<\/p>\n<p>Na psicose, por sua vez, a ang\u00fastia est\u00e1 a c\u00e9u aberto; ela n\u00e3o funciona para o psic\u00f3tico como um sinal ou um anteparo que se anteciparia ao seu pleno desenvolvimento. Para o psic\u00f3tico, h\u00e1 impossibilidade formal de responder ao desejo do Outro pela via fantasm\u00e1tica. De fato, se, na neurose, o objeto a, na medida em que \u00e9 extra\u00eddo pela castra\u00e7\u00e3o, vem a ser uma resposta poss\u00edvel a essa quest\u00e3o, na psicose, o sujeito encarna o objeto e, nesse sentido, encarna ele mesmo a resposta. Por conseguinte, falta a moldura que daria \u00e0 ang\u00fastia a sua conten\u00e7\u00e3o; falta a falta, como dir\u00e1 Lacan, o contorno significante do objeto. Por isso, o sujeito seria lan\u00e7ado mais facilmente ao ato enquanto a ang\u00fastia tenderia a aparecer mais do lado do Outro, como testemunhamos a cada vez que nos propomos a tratar um psic\u00f3tico.<\/p>\n<p>O campo da passagem ao ato apresenta-se, portanto, mais disperso nas psicoses justamente por faltar o tra\u00e7ado do contorno do objeto que a fantasia possibilita para o neur\u00f3tico. Devido \u00e0 sua dimens\u00e3o invasiva, n\u00e3o limitada pela fantasia, o gozo, na psicose, predisp\u00f5e o sujeito ao ato. Entretanto, talvez seja poss\u00edvel estabelecer algumas distin\u00e7\u00f5es que possam nos orientar minimamente na cl\u00ednica da passagem ao ato. Assim, limitando-nos \u00e0 fenomenologia dos atos hetero e autoagressivos, podemos distinguir:<\/p>\n<p><strong>a<\/strong>\u00a0\u2013 Os atos impulsivos, aparentemente imotivados e muitas vezes repentinos, para os quais parece faltar a media\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica e por meio dos quais a puls\u00e3o se faz ato. Podemos relacion\u00e1-los ao impulso a golpear que caracteriza a an\u00e1lise feita por Lacan do Kakon, esse objeto definido como a presen\u00e7a mesma do \u201cmal\u201d que o sujeito visa a atingir, seja extimamente ou no pr\u00f3prio corpo, em suas tentativas de barrar ou extrair o gozo, operando diretamente no real. Aquilo a que se visa \u00e9 o mal-estar em sua urg\u00eancia mesma, sendo a passagem ao ato uma tentativa de tratar o real pelo real. Assim, uma paciente \u00e9 levada a atingir outro usu\u00e1rio de um servi\u00e7o de sa\u00fade mental \u2014 que, nessas circunst\u00e2ncias, poderia ser qualquer um \u2014 e, em seguida, tenta se lan\u00e7ar de uma janela sem que pudesse dar raz\u00f5es para isso, a n\u00e3o ser o impulso que acompanha o seu mal-estar e que a coloca, por um instante, fora de si. O que fazer diante de tais ocorr\u00eancias, a n\u00e3o ser nos antecipando a esse mal-estar na medida do poss\u00edvel, oferecendo as conten\u00e7\u00f5es dispon\u00edveis na ocasi\u00e3o at\u00e9 que se restabele\u00e7am as condi\u00e7\u00f5es de media\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica?<\/p>\n<p><strong>b<\/strong>\u00a0\u2013 Os atos derradeiros, conclusivos, que pressup\u00f5e uma cadeia de pensamentos. Algumas vezes associamos a esses atos seu aspecto resolutivo e estabilizador para o psic\u00f3tico, como acentuado por Lacan em sua tese de 1936. Um exemplo s\u00e3o os crimes hipermotivados na paranoia. A passagem ao ato pressup\u00f5e, \u00e0s vezes, um longo per\u00edodo de prepara\u00e7\u00e3o, embora nem sempre isso se fa\u00e7a anunciar. O importante a salientar \u00e9 o aspecto l\u00f3gico-dedutivo, nem sempre detect\u00e1vel, que acompanha tais atos, mesmo na esquizofrenia. Cita-se como exemplo uma paciente que veio a cometer uma tentativa de suic\u00eddio alguns dias ap\u00f3s escutar de sua m\u00e3e uma frase que contestava sua interpreta\u00e7\u00e3o delirante. A paciente vinha argumentando, em resposta ao seu mal-estar, que n\u00e3o tinha est\u00f4mago, o que a deixava com uma sensa\u00e7\u00e3o de vazio interior. A m\u00e3e acrescenta a essa formula\u00e7\u00e3o uma premissa universal: \u201ctodo ser vivo tem est\u00f4mago\u201d. \u00c9 o suficiente para precipitar a conclus\u00e3o: \u201clogo, estou morta\u201d. Podemos escrever logicamente essa dedu\u00e7\u00e3o: (~q) (\uf022p \uf0ae q) : (~q \uf0ae ~p). Ou seja: \u201cse eu n\u00e3o tenho est\u00f4mago\u201d (~q) e \u201cse todo ser vivo tem est\u00f4mago\u201d (p\uf0ae q), conclui-se que, \u201cse eu n\u00e3o tenho est\u00f4mago\u201d (~q), \u201ceu n\u00e3o posso estar viva\u201d (~p). Observamos que a certeza delirante, que incide sobre o particular, n\u00e3o \u00e9 negada pela premissa universal. No entanto, em fun\u00e7\u00e3o da temporalidade pr\u00f3pria \u00e0s cadeias de pensamentos, resta-nos a chance de abrir a possibilidade de uma realiza\u00e7\u00e3o assint\u00f3tica dessas dedu\u00e7\u00f5es, bloqueando em alguns pontos o desenvolvimento da certeza delirante mediante a introdu\u00e7\u00e3o daquilo que Lacan chamou de \u201co benef\u00edcio da d\u00favida\u201d.<\/p>\n<p><strong>c<\/strong>\u00a0\u2013 Os atos de mutila\u00e7\u00e3o em s\u00e9rie que incidem sobre o pr\u00f3prio corpo. \u00c0 diferen\u00e7a do impulso a golpear que caracteriza o Kakon, essas mutila\u00e7\u00f5es e agress\u00f5es ao corpo se distinguem por seu aspecto repetitivo e mesmo mon\u00f3tono e por seus efeitos de apaziguamento e esvaziamento. Muitas vezes, s\u00e3o atos silenciosos e solit\u00e1rios; outras vezes, inseridos em uma esp\u00e9cie de identifica\u00e7\u00e3o grupal, como se observa em sites. Mas podem, igualmente, adquirir um valor de mostra\u00e7\u00e3o e transfer\u00eancia de ang\u00fastia. Cita-se como exemplo um sujeito que, repetidas vezes, insere objetos em seu corpo, condenando-se, assim, a uma s\u00e9rie de interven\u00e7\u00f5es cir\u00fargicas, e que fala disso sem mostrar sofrimento. Tais sujeitos d\u00e3o, \u00e0s vezes, a impress\u00e3o de operar uma transfer\u00eancia do mal-estar para o Outro e de produzir neste um sentimento de impot\u00eancia em lugar do imposs\u00edvel a suportar que concerne \u00e0 rela\u00e7\u00e3o de todo sujeito com o real.<\/p>\n<p><strong>d<\/strong>\u00a0\u2013 Distinguimos os atos mostrativos, mais pr\u00f3ximos do acting-out, das passagens ao ato, em fun\u00e7\u00e3o de parecerem mais destinados a provocar um efeito sobre o Outro, analista ou institui\u00e7\u00e3o, seja nas neuroses ou nas psicoses, e que revelam algum aspecto que n\u00e3o encontrou recursos simb\u00f3licos de express\u00e3o. Tais atos sup\u00f5em, dessa forma, a exist\u00eancia de um cen\u00e1rio como campo de atua\u00e7\u00e3o e podem ser tomados, muitas vezes, na perspectiva do \u201ctratamento do Outro\u201d, exigindo uma interpreta\u00e7\u00e3o e reorientando a posi\u00e7\u00e3o do analista ou da institui\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao paciente. Nisso tamb\u00e9m o acting-out se diferencia das passagens ao ato, em que o Outro \u00e9 visado em sua dimens\u00e3o intrusiva e excessiva para o sujeito, como Outro gozador, de quem o sujeito busca desvencilhar-se. Reconhecemos, assim, nos fen\u00f4menos de acting-out, a dimens\u00e3o da transfer\u00eancia e um la\u00e7o social m\u00ednimo. Um exemplo de acting-out pode ser recolhido no relato do \u201cCaso Dav\u00ed\u201d (CARVALHO, 2000). Enquanto quebra os vidros do carro da gerente do servi\u00e7o com uma pedra, o paciente se certifica de que o olham da janela. Esse e outros epis\u00f3dios podem ser referidos \u00e0 frase \u201cquero mostrar a eles que tenho valor\u201d, que define a demanda de reconhecimento do sujeito frente ao Outro.<\/p>\n<p><strong>e<\/strong>\u00a0\u2013 Por fim, ter\u00edamos os atos agressivos, que pressup\u00f5em o outro como semelhante, e a hipertrofia do imagin\u00e1rio. Aparecem, muitas vezes, justificados pela \u201craiva\u201d ou pelo \u201c\u00f3dio\u201d, ou seja: a passagem ao ato \u00e9, nesses casos, dominada por um sentimento intenso e incontrol\u00e1vel que coloca o sujeito em posi\u00e7\u00e3o de rivalidade em rela\u00e7\u00e3o ao semelhante. Operam em uma vertente mais voltada \u00e0 descarga da puls\u00e3o imaginariamente endere\u00e7ada ao outro, em contraste com a tentativa de extra\u00e7\u00e3o do mal-estar relacionado \u00e0 presen\u00e7a do objeto Kakon. O outro \u00e9 visado enquanto supostamente goza de algo que falta ao sujeito. Na medida em que o sujeito aparece aqui mais confrontado \u00e0 castra\u00e7\u00e3o, esses atos agressivos tendem a estar mais referidos \u00e0 estrutura neur\u00f3tica e \u00e0 irrup\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia, que decorre dos embara\u00e7os narc\u00edsicos do sujeito e de sua vontade de gozo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<h6><\/h6>\n<h6><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/h6>\n<h6>MILLER, J.-A. \u201cJacques Lacan: observa\u00e7\u00f5es sobre o seu conceito de passagem ao ato\u201d, Op\u00e7\u00e3o Lacaniana on-line, ano 5, n.13, mar. 2014. Dispon\u00edvel em: http:\/\/www.opcaolacaniana.com.br\/nranterior\/numero13\/index.html. Acesso em: abril\/2014.<\/h6>\n<h6>LACAN, J. (1962-1963). O Semin\u00e1rio, livro 10: a ang\u00fastia. Rio de Janeiro: Zahar, 2005.<\/h6>\n<h6>FREUD, S. (1920). A psicog\u00eanese de um caso de homossexualismo em uma mulher. Rio de Janeiro: Imago, 1976. (Edi\u00e7\u00e3o Standard das Obras Psicol\u00f3gicas Completas de Sigmund Freud, vol.18, p. 185-212)<\/h6>\n<h6>CARVALHO, F. F. \u201cO caso Dav\u00ed\u201d, Curinga, Belo Horizonte, n.14, p.116-123, abr. 2000.<\/h6>\n<h6>i Este texto corresponde, essencialmente, \u00e0 interven\u00e7\u00e3o no N\u00facleo de Psicose do IPSM-MG, em abril de 2014. Em grande parte, retoma as elabora\u00e7\u00f5es publicadas com o t\u00edtulo de \u201cPsicose e passagem ao ato\u201d na Revista Abrecampos, n.2, publica\u00e7\u00e3o do Instituto Raul Soares, 2000, do qual \u00e9 uma vers\u00e3o modificada.<\/h6>\n<h6><\/h6>\n<hr \/>\n<h6><\/h6>\n<h6><\/h6>\n<h6><strong>Frederico Feu<\/strong><\/h6>\n<h6>Frederico Zeymer Feu de Carvalho &#8211; Psicanalista, membro EBP\/AMP. E-mail:\u00a0<span id=\"cloak9b45f20562af851f9ab18f62ed58f0ef\"><a href=\"mailto:fredericofeu@uol.com.br\">fredericofeu@uol.com.br<\/a><\/span><\/h6>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>FREDERICO FEU Podemos abordar o tema da passagem ao ato como uma modalidade de resposta do real nas psicoses. Na mesma propor\u00e7\u00e3o em que, na neurose, podemos contar com os fen\u00f4menos de retorno decorrentes do recalque, a psicose nos confronta com o ato como efeito da foraclus\u00e3o. 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