{"id":706,"date":"2014-07-17T06:55:36","date_gmt":"2014-07-17T09:55:36","guid":{"rendered":"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/new\/?p=706"},"modified":"2025-12-01T17:10:47","modified_gmt":"2025-12-01T20:10:47","slug":"as-imagens-na-clinica-e-nas-instituicoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/2014\/07\/17\/as-imagens-na-clinica-e-nas-instituicoes\/","title":{"rendered":"As imagens na Cl\u00ednica e nas institui\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"<h1 class=\"uk-margin-large-top uk-margin-remove-bottom uk-text-center uk-article-title\"><\/h1>\n<div class=\"uk-margin-medium-top\">\n<h6><strong>CRISTIANA PITTELLA E MARGARETH COUTO<\/strong><\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<p><a class=\"dt-pswp-item\" href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/cris1-1024x683-1.jpg\" data-dt-img-description=\"\" data-large_image_width=\"1024\" data-large_image_height=\"683\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-707\" src=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/cris1-1024x683-1.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"683\" srcset=\"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/cris1-1024x683-1.jpg 1024w, https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/cris1-1024x683-1-300x200.jpg 300w, https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/cris1-1024x683-1-768x512.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><\/p>\n<div class=\"uk-margin-medium-top\">\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A investiga\u00e7\u00e3o do tema das imagens proposto pela Se\u00e7\u00e3o Cl\u00ednica do IPSM-MG \u201cAs imagens na cl\u00ednica e nas institui\u00e7\u00f5es: ver, fazer, mostrar\u201d, em conson\u00e2ncia com a do VII Encontro Americano de Psican\u00e1lise de Orienta\u00e7\u00e3o Lacaniana (Enapol) \u201cO Imp\u00e9rio das Imagens\u201d, nos traz uma s\u00e9rie de quest\u00f5es que atravessam cotidianamente nossa cl\u00ednica com crian\u00e7as tal como afirma seu argumento: \u201cas imagens, em certo sentido, se sobrepuseram \u00e0s palavras e assumiram o poder de ordenar, comandar e organizar nossas a\u00e7\u00f5es\u201d (SOUTO, 2014).<\/p>\n<p>Qual a fun\u00e7\u00e3o das imagens para o ser falante? Como essas imagens afetam seu modo de satisfa\u00e7\u00e3o, suas identifica\u00e7\u00f5es e suas escolhas de objeto?<\/p>\n<p>Quais as consequ\u00eancias para a forma de apresenta\u00e7\u00e3o dos sintomas? De que maneira podemos tratar pela palavra aquilo que se apresenta sob o dom\u00ednio das imagens? Essas s\u00e3o indaga\u00e7\u00f5es propostas a cada um dos n\u00facleos e que permite \u00e0 Psican\u00e1lise se inserir nesse campo de debate a partir de sua especificidade: a rela\u00e7\u00e3o entre a imagem e o real.<\/p>\n<p><strong>I \u2013 O Dom\u00ednio Das Imagens Na Cultura<\/strong><\/p>\n<p>Vivemos uma verdadeira prolifera\u00e7\u00e3o e profus\u00e3o de imagens. O consumo das imagens \u2013 via diferentes tecnologias, das mais antigas, como a televis\u00e3o, at\u00e9 as mais modernas, como a internet e seus diferentes dispositivos de redes sociais para capta\u00e7\u00e3o e publica\u00e7\u00e3o de imagens \u2013 refor\u00e7a a no\u00e7\u00e3o de estar junto, enfatiza o ideal comunit\u00e1rio assim como uma fascina\u00e7\u00e3o pela vida do outro, um imperativo de fama e celebridade. Cria-se a ilus\u00e3o de que n\u00e3o estamos sozinhos ou de que compartilhamos do mesmo mundo. Esse turbilh\u00e3o de imagens formando um espet\u00e1culo onde tudo deve ser filmado, mostrado e visto, constitui um verdadeiro imp\u00e9rio das imagens.<\/p>\n<p>Hector Gallo, no terceiro Boletim do Enapol, lembra-nos que a palavra imp\u00e9rio, tomada do latim imperium, denota ordem, mandamento, soberania. Evoca, portanto, as no\u00e7\u00f5es de poder, comando e dom\u00ednio. Para ele, afirmar que assistimos, no s\u00e9culo XXI, a um imp\u00e9rio das imagens, sup\u00f5e considerar que estamos submetidos a tudo aquilo que se localiza do lado da representa\u00e7\u00e3o, da apar\u00eancia, da virtualidade, daquilo que se pode ver, e do semblante.<\/p>\n<p>At\u00e9 mesmo o saber cient\u00edfico que foi constitu\u00eddo sob a base de ir al\u00e9m do dado perceptivo rendeu-se ao poder da imagem. Cada vez mais os diagn\u00f3sticos m\u00e9dicos baseiam-se na evid\u00eancia de imagens. A hip\u00f3tese diagn\u00f3stica, fundada na hist\u00f3ria sobre o sintoma, contada pelo sujeito, tornou-se obsoleta.<\/p>\n<p>Quando Guy Debord escreveu A sociedade do espet\u00e1culo (1967), analisava o discurso midi\u00e1tico, principalmente o da televis\u00e3o, de criar o poder do espet\u00e1culo. Para ele, o espet\u00e1culo concentra todo olhar e toda consci\u00eancia, afirmando toda vida humana como simples apar\u00eancia. O espet\u00e1culo n\u00e3o deseja chegar a nada que n\u00e3o seja ele mesmo. O mundo real transforma-se em imagens e o espet\u00e1culo \u00e9 uma tend\u00eancia a fazer ver o mundo que n\u00e3o pode ser tocado diretamente.<\/p>\n<p>O momento de teoriza\u00e7\u00e3o de Debord sup\u00f5e uma cis\u00e3o entre o mundo real e o mundo das imagens, e seu trabalho denuncia o exagero da m\u00eddia que ultrapassa sua fun\u00e7\u00e3o de comunicar chegando aos excessos, criando uma espetaculariza\u00e7\u00e3o da realidade.<\/p>\n<p>Para ele, a lei fundamental desses tempos espetaculares seria \u201cSe uma coisa existe, j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 preciso falar dela\u201d (Debord, 1997, p. 170): basta ver! Enfim, a imagem substitui a palavra, e o princ\u00edpio do fetichismo da mercadoria se realiza completamente no espet\u00e1culo, no qual o mundo sens\u00edvel \u00e9 substitu\u00eddo por uma sele\u00e7\u00e3o de imagens. No pensamento de Debord, o espet\u00e1culo das imagens impediria o acesso ao real.<\/p>\n<p>Entretanto, para G\u00e9rard Wajcman, autor do livro L\u2019oeil absolut (2010), na contemporaneidade assistimos a uma muta\u00e7\u00e3o sem precedentes na hist\u00f3ria humana com a introdu\u00e7\u00e3o de um novo regime do olhar. Para ele, o mundo tornou-se um imenso campo do olhar, onde tudo se mostra. Trata-se de uma ideologia surgida nas \u00faltimas d\u00e9cadas do s\u00e9culo XX, sustentada pelas ci\u00eancias e aliada aos avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos cujo imperativo \u00e9: \u201ctodo o real deve ser visto\u201d. Isso sup\u00f5e a visibilidade do real de modo que nenhuma opacidade possa resistir ao Olho absoluto. Essa ideologia que exalta o princ\u00edpio de transpar\u00eancia e a suposi\u00e7\u00e3o de que o real seria inteiramente transparente se estendeu em todos os dom\u00ednios da sociedade. A consequ\u00eancia dessa m\u00e1xima \u00e9 que tudo que n\u00e3o pode ser visto n\u00e3o existe: \u201cm\u00e1xima do Instagram: publico, logo, existo\u201d. Trata-se n\u00e3o mais de uma espetaculariza\u00e7\u00e3o do mundo, tese desenvolvida por Guy Debord em 1967, mas de uma big brotherisa\u00e7\u00e3o, uma exig\u00eancia de visibilidade. O mestre pretende hoje ter o poder de ver tudo. Somos olhados o tempo todo, tornando-nos v\u00edtimas ou atores, objetos e agentes desse olhar. Para ele, as c\u00e2meras de videovigil\u00e2ncia s\u00e3o as armas desta \u00e9poca.<\/p>\n<p>Se a crian\u00e7a era um ser antecipado pelas palavras, aquele de quem os futuros pais falavam de seu desejo ou temiam a vinda de um filho, a crian\u00e7a era imaginada. Hoje a crian\u00e7a \u00e9 vista; antes de vir ao mundo se encontra imersa em um mar de olhares das m\u00e1quinas tecnol\u00f3gicas: um feto \u00e9 primeiro um ser virtual, uma imagem apresentada e vista nas redes sociais. \u201cO olhar posto na imagem do feto cria a crian\u00e7a\u201d. As imagens m\u00e9dicas inventam um novo nascimento, nos diz Wajcman, e a consequ\u00eancia, ele ressalta, \u00e9 a cren\u00e7a de que ser\u00edamos sol\u00faveis no vis\u00edvel, sem restos.<\/p>\n<p>Quais os efeitos da presen\u00e7a desse Olho que pretende ver tudo \u2013 na vida, no modo de satisfa\u00e7\u00e3o e na produ\u00e7\u00e3o do sintomas contempor\u00e2neos? Como o gozo de modalidade esc\u00f3pica incide na subjetividade da crian\u00e7a e do adolescente nos dias de hoje?<\/p>\n<p>Poderemos tamb\u00e9m investigar como algumas m\u00e3es angustiadas, ajudadas pelas tecnologias e pelo mercado, encarnam hoje esse olho \u2013 vigiam seus filhos, espionam e o devoram com os olhos. Na tentativa de desangustiarem-se, objetificam as crian\u00e7as.<\/p>\n<p>Na entrevista concedida \u00e0 Marie-H\u00e9l\u00e8ne Brousse, Wajcman discute a esquize, proposta por Lacan no Semin\u00e1rio, livro XI, entre o olho e olhar. Afirma que, na atualidade, haveria uma tentativa de eliminar essa cis\u00e3o estrutural e que talvez se trate, em nossa \u00e9poca, mais de uma sujei\u00e7\u00e3o do olhar ao dom\u00ednio do olho que tenta tornar-se mestre, vigilante, mas que, por\u00e9m, nada olha. Enfim, encontramos uma multiplica\u00e7\u00e3o das pr\u00f3teses do olho e uma deteriora\u00e7\u00e3o do olhar.<\/p>\n<p>Para Wajcman, a ascens\u00e3o do objeto olhar ao z\u00eanite social, ou seja, \u00e0 posi\u00e7\u00e3o de comando, implica mais um olho sem sujeito, um olho considerado quase em seu estatuto Real, um Olho Absoluto. Trata-se da redu\u00e7\u00e3o da dimens\u00e3o do olhar (da castra\u00e7\u00e3o), enquanto uma puls\u00e3o esc\u00f3pica, a uma quest\u00e3o da vis\u00e3o, que \u00e9 uma preocupa\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica.<\/p>\n<p>Wajcman pergunta-se o que faz a psican\u00e1lise em um mundo onde prevalece a exibi\u00e7\u00e3o generalizada dos sujeitos, onde se est\u00e1 n\u00e3o somente invadido pelo olhar do mestre, mas tamb\u00e9m pela exibi\u00e7\u00e3o generalizada dos sujeitos. Ele reivindica o direito de esconder e prop\u00f5e uma nova circunscri\u00e7\u00e3o \u00e0 opacidade, pois vivemos em uma \u00e9poca em que nada mais fica oculto ou em sil\u00eancio. Lembra-nos tamb\u00e9m de que h\u00e1 uma estrutura\u00e7\u00e3o subjetiva que resiste e que parece irredut\u00edvel: a divis\u00e3o do sujeito entre imagem e aquilo que escapa a isso, entre o que pode ser enquadrado e o que n\u00e3o pode se enquadrar. A grande quest\u00e3o na atualidade \u00e9 como esse sujeito se encontra nesse discurso, nessa ideologia que pretende o contr\u00e1rio, que pretende abolir a sua divis\u00e3o como sujeito e que exige que tudo deva ser visto.<\/p>\n<p>Assim, se essa prolifera\u00e7\u00e3o da imagem serve \u00e0 tentativa de eliminar a cis\u00e3o estrutural do sujeito, fazendo crer que, por meio das imagens, seria poss\u00edvel um dom\u00ednio do real, cabe \u00e0 investiga\u00e7\u00e3o cl\u00ednica localizar como cada um poder\u00e1 resistir e\/ou fazer uso da oferta das imagens como uma solu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>II \u2013 As Imagens Na Psican\u00e1lise<\/strong><\/p>\n<p><strong>O Est\u00e1gio Do Espelho: Velar O Real<\/strong><\/p>\n<p>O animal tem um saber instintual inscrito no real do corpo. A partir do encontro com a imagem de outro animal \u2013 seja visual, olfativa, auditiva \u2013, ele saber\u00e1 o que fazer: se deve atac\u00e1-lo, defender-se, copular etc. Esse saber indica um funcionamento cuja estrutura \u2013 como a de um n\u00f3 entre o imagin\u00e1rio e o real \u2013 lhe garante um comportamento adequado. \u00c9 o caso da pomba, que tem a ovula\u00e7\u00e3o desencadeada quando v\u00ea um cong\u00eanere ou sua pr\u00f3pria imagem refletida em um espelho; entretanto, quando isolada, n\u00e3o ovula. Com os pav\u00f5es tamb\u00e9m, as f\u00eameas escolhem para copular os machos que ostentam as maiores e mais fartas caudas!<\/p>\n<p>E para o ser falante, qual a import\u00e2ncia da imagem?<\/p>\n<p>Lacan se interessa pela etologia justamente para pensar o poder real de uma imagem para o ser falante, ou seja, aquele que n\u00e3o possui instinto.<\/p>\n<p>Sabemos que o simb\u00f3lico preexiste ao sujeito \u2013 seu nome e a constela\u00e7\u00e3o de sua vinda ao mundo \u2013, mas ele ter\u00e1 que construir seu n\u00f3: sua realidade e seu corpo. Sua experi\u00eancia inicial \u00e9, portanto, de um caos pulsional, de uma fragmenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Com a formaliza\u00e7\u00e3o do est\u00e1dio do espelho, Lacan (1949) verifica que a imagem tem um poder de realiza\u00e7\u00e3o, ou seja, em condi\u00e7\u00f5es espec\u00edficas, a imagem produz efeitos reais.<\/p>\n<p>O est\u00e1dio do espelho constitui-se como um processo de identifica\u00e7\u00e3o, ou seja, a transforma\u00e7\u00e3o no sujeito quando ele assume uma imagem e a reconhece. Trata-se de uma imagem exterior \u2013 refletida no espelho ou encontrada em um outro semelhante \u2013, que vela e d\u00e1 unidade ao corpo fragmentado. O narcisismo em Freud \u00e9 justamente um ato ps\u00edquico que se constitui pela proje\u00e7\u00e3o de uma superf\u00edcie corporal, trata-se da experi\u00eancia fundamental da forma\u00e7\u00e3o de um eu. Do que se trata esse ato ps\u00edquico, qual a condi\u00e7\u00e3o espec\u00edfica para que a imagem realize esse poder de unificar o corpo? Como se d\u00e1 esse la\u00e7o entre a imagem e o real?<\/p>\n<p>Lacan nomeia esse processo de espet\u00e1culo cativante. \u00c9 um momento de constitui\u00e7\u00e3o do eu e tamb\u00e9m um momento l\u00f3gico da estrutura\u00e7\u00e3o da subjetividade a partir do Outro. O ser falante, dada a prematura\u00e7\u00e3o do humano, depende do Outro como nenhum outro animal. Desse modo, a fun\u00e7\u00e3o da imagem compensa o inacabamento anat\u00f4mico e a verdadeira prematura\u00e7\u00e3o espec\u00edfica do nascimento no homem. Por\u00e9m, a unifica\u00e7\u00e3o do corpo fragmentado pela imagem s\u00f3 se d\u00e1 atrav\u00e9s da identifica\u00e7\u00e3o \u00e0 palavra veiculada pelo Outro materno, que indica e confirma uma imagem para a crian\u00e7a: Voc\u00ea \u00e9 assim! O espelho \u00e9, portanto, o Outro!<\/p>\n<p>Nesse sentido, n\u00e3o \u00e9 indiferente a rela\u00e7\u00e3o que o sujeito estabelece com o Outro, com a linguagem. O sentimento de vida, de ter um corpo, de ser algu\u00e9m, o modo como experimentamos o mundo e o sexo\u2026 \u00e9 a linguagem que permite articular. O real e o imagin\u00e1rio n\u00e3o v\u00eam enodado para ele, o ser falante vai assim constituir seu n\u00f3 com o Outro. Os registros do imagin\u00e1rio e do real v\u00e3o se enla\u00e7ar pelo espelho, constituindo-se simultaneamente o eu, o corpo e o sujeito.<\/p>\n<p>O est\u00e1gio do espelho, assim, instaura uma discord\u00e2ncia fundamental entre a imagem do eu antecipada como totalidade no espelho e a prematura\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica da crian\u00e7a, ou ainda o caos pulsional. Isso coloca o eu numa depend\u00eancia do outro, criando uma situa\u00e7\u00e3o de desamparo e de disc\u00f3rdia com esse outro.<\/p>\n<p>Como afirma Lacan:<br \/>\no est\u00e1dio do espelho revela um drama cujo impulso interno precipita-se da insufici\u00eancia \u00e0 antecipa\u00e7\u00e3o \u2013 e que fabrica para o sujeito, apanhado no engodo da identifica\u00e7\u00e3o espacial, as fantasias que se sucedem desde uma imagem despeda\u00e7ada do corpo at\u00e9 uma forma de sua totalidade que chamaremos de ortop\u00e9dica \u2013 e para a armadura enfim assumida de uma identidade alienante, que marcar\u00e1 com sua estrutura r\u00edgida todo o seu desenvolvimento mental. (Lacan, 1949\/1998, p. 100)<br \/>\nA crian\u00e7a, portanto, inicialmente n\u00e3o experimenta seu corpo como uma unidade; ela s\u00f3 ter\u00e1 uma antecipa\u00e7\u00e3o da unidade quando reconhece sua imagem no espelho, produzindo-se uma identifica\u00e7\u00e3o imagin\u00e1ria que constitui o eu, e essa opera\u00e7\u00e3o implica um primeiro enodamento do imagin\u00e1rio e real. O espelho \u00e9, assim, um primeiro aparelho do gozo; o corpo experimentado como ca\u00f3tico passa a ser recoberto por uma imagem unificada.<\/p>\n<p>Enfim, ao assumir uma imagem, supera-se a discord\u00e2ncia gerada pela imaturidade neurol\u00f3gica que se torna velada pelo imagin\u00e1rio. A imagem cumpre a fun\u00e7\u00e3o de tela para aquilo que n\u00e3o se pode ver. O sujeito faz uso da natureza narc\u00edsica da imagem para tratar o que experimenta de real, a experi\u00eancia de despeda\u00e7amento.<\/p>\n<p><strong>Imagens Rainhas: Condensar O Gozo<\/strong><\/p>\n<p>Para Miller (1995), haveria imagens que dominam no imagin\u00e1rio, imagens que condensam o gozo organizando o caos pulsional. Ele nomeou essas imagens de \u201cimagens rainhas\u201d, indicando tr\u00eas: o pr\u00f3prio corpo, o corpo do Outro e o falo.<\/p>\n<p>A imagem do corpo, constitu\u00edda no est\u00e1gio do espelho, \u00e9 o que confere ao eu a sua primeira forma. Portanto, a primeira subjetiva\u00e7\u00e3o \u00e9 da forma do corpo.<\/p>\n<p>O corpo do Outro, segunda imagem rainha, \u00e9 aquele sobre o qual lemos a castra\u00e7\u00e3o, castra\u00e7\u00e3o \u00f3ptica. Essa forma presta-se a uma formaliza\u00e7\u00e3o significante, pois \u00e9 suporte de uma presen\u00e7a e de uma aus\u00eancia.<\/p>\n<p>O falo, terceira imagem rainha, n\u00e3o \u00e9 o \u00f3rg\u00e3o masculino, mas sua forma erigida e transformada em significante. \u00c9 do falo que derivam os objetos chamados fetiche.<\/p>\n<p>O conceito de imagem rainha ou a realeza da imagem revela a fun\u00e7\u00e3o da imagem de captura significante do gozo, indicando a incid\u00eancia do simb\u00f3lico sobre o imagin\u00e1rio. S\u00e3o imagens que buscam fixar o gozo e que est\u00e3o sob o Imp\u00e9rio do Olhar, ou seja, diz respeito ao poder da imagem de localizar o gozo.<\/p>\n<p>Poder\u00edamos nos perguntar ent\u00e3o se a deslocaliza\u00e7\u00e3o do gozo, presente nas crian\u00e7as psic\u00f3ticas, poderia ser explicada pela aus\u00eancia da imagem rainha concernente ao corpo pr\u00f3prio e ao falo.<\/p>\n<p>Para Miller (1995), Lacan prop\u00f5e uma nova teoria da imagem na medida em que o campo da percep\u00e7\u00e3o \u00e9 interrogado por ele a partir do desejo e do gozo. At\u00e9 o surgimento do objeto a, o campo da percep\u00e7\u00e3o foi abordado a partir do recalque. Haveria uma esp\u00e9cie de cegueira sobre o gozo. Com o surgimento do objeto olhar como objeto a, Lacan restabelece a puls\u00e3o no campo esc\u00f3pico. N\u00e3o mais reduz o imagin\u00e1rio, o esc\u00f3pico, ao especular, o que significa n\u00e3o mais pensar a partir do espelho.<\/p>\n<p>Assim, indica que se por um lado, a imagem tem a fun\u00e7\u00e3o de localizar o gozo, por outro, a natureza narcisista da imagem se mostra insuficiente para dar conta das experi\u00eancias com o gozo.<\/p>\n<p><strong>Imagem E Objeto A: Quando As Experi\u00eancias Com O Gozo Perturbam A Imagem<\/strong><\/p>\n<p>Lacan complexifica o est\u00e1dio do espelho com o esquema \u00f3tico ao introduzir o Outro \u2013 o simb\u00f3lico \u2013 pelo espelho plano, espa\u00e7o que opera enla\u00e7ando o imagin\u00e1rio e o real, possibilitando essa identifica\u00e7\u00e3o.<br \/>\nSimb\u00f3lico<\/p>\n<p>Eu I ISSO<br \/>\nImagin\u00e1rio I Real<\/p>\n<p>N\u00e3o basta, portanto, que exista o objeto espelho para que haja o est\u00e1dio do espelho; a imagem pode estar refletida, mas a crian\u00e7a n\u00e3o se identifica a ela, pois o espelho n\u00e3o est\u00e1 funcionando como a ordem simb\u00f3lica. Verificamos isso, por exemplo, em alguns fen\u00f4menos, como quando a crian\u00e7a olha atrav\u00e9s do espelho n\u00e3o se reconhecendo na imagem. Muitos s\u00e3o os casos em que esse enodamento entre real e imagin\u00e1rio n\u00e3o se faz tal como na cl\u00ednica do autismo.<\/p>\n<p>Para que haja o entrela\u00e7amento entre imagin\u00e1rio e real, \u00e9 preciso duas condi\u00e7\u00f5es ligadas ao simb\u00f3lico:<br \/>\n\u2013 que o sujeito (o olho) esteja em determinada posi\u00e7\u00e3o o espelho plano;<br \/>\n\u2013 que Outro esteja bem situado, a 90 graus.<\/p>\n<p>Estar bem situado indica que o Ideal do Eu est\u00e1 operando como garantidor da ordem simb\u00f3lica, e o sujeito estar posicionado em determinado lugar indica sua aliena\u00e7\u00e3o ao Ideal do Eu. A crian\u00e7a n\u00e3o consegue fazer essa opera\u00e7\u00e3o sozinha, \u00e9 necess\u00e1ria uma ordem exterior ao sujeito, o olhar do Outro (Ideal do Eu) que confirme \u00e0 crian\u00e7a que essa imagem que ela v\u00ea lhe corresponde, que esse \u00e9 ele, o lugar desde o qual a crian\u00e7a se olha (ju\u00edzo de exist\u00eancia freudiano).<\/p>\n<p>Quando h\u00e1 inclina\u00e7\u00e3o do espelho ou quando o sujeito n\u00e3o se encontra em determinada posi\u00e7\u00e3o, produzem-se muitas varia\u00e7\u00f5es e distor\u00e7\u00f5es da imagem especular. H\u00e1 muitas grada\u00e7\u00f5es no enla\u00e7amento entre o imagin\u00e1rio e o real em que sintomas cl\u00ednicos \u2013 como a depress\u00e3o, anorexia, bulimia, ang\u00fastia, agressividade e automutila\u00e7\u00e3o\u2013 revelam um desenlace ou um enlace frouxo dos registros.<\/p>\n<p>O la\u00e7o entre o Outro (simb\u00f3lico), o imagin\u00e1rio e o real se faz atrav\u00e9s das zonas er\u00f3genas (boca, \u00e2nus, falo, olhar, voz), portanto, pelas experi\u00eancias de gozo relacionadas ao corpo que Lacan nomeou de objeto (a) e n\u00e3o \u00e0 imagem. Os objetos (a), quando est\u00e3o compondo a unidade do corpo com a imagem, adquirem um valor f\u00e1lico, significante; mas quando n\u00e3o pertencem \u00e0 imagem eles provocam ang\u00fastia ou horror, adquirindo valor de real.<\/p>\n<p>Quando eles n\u00e3o est\u00e3o inclu\u00eddos na imagem que lhes d\u00e1 um valor de beleza \u2013 ou de singularidade, interesse de raridade ou um valor qualquer \u2013 s\u00e3o puro real, e ent\u00e3o funcionam mais em rela\u00e7\u00e3o com o caos do organismo. Ser\u00e1 importante investigarmos esses aparecimentos dos objetos (a) quando eles provocam um desenlace do n\u00f3 e como o sujeito consegue reenla\u00e7\u00e1-lo. A cis\u00e3o entre o objeto e a imagem articula-se no Semin\u00e1rio, livro X: a ang\u00fastia. Lacan apresenta o objeto a como aquilo que escapa ao campo especulariz\u00e1vel. Quando algo da ordem do objeto irrompe no campo especular, surge a inquietante estranheza e a ang\u00fastia antag\u00f4nica \u00e0 estrutura do eu.<\/p>\n<p>Lacan considera a puls\u00e3o esc\u00f3pica como paradigma do objeto a e, a partir do Semin\u00e1rio, livro XI, resignifica o est\u00e1gio do espelho ao falar da falta constitutiva no espelho, ou seja, a falta do pr\u00f3prio corpo. A imagem em si mesmo comporta um vazio que \u00e9 invis\u00edvel.<\/p>\n<p>Em seu \u00faltimo ensino, Lacan retoma o valor do imagin\u00e1rio. Ele aparece como suporte da consist\u00eancia do corpo. A imagem do corpo tem, portanto, a fun\u00e7\u00e3o de manter juntas as pe\u00e7as avulsas (ESPINEL, 2009).<\/p>\n<p>A cl\u00ednica do autismo tamb\u00e9m nos ensina muito sobre esse desenlace entre o imagin\u00e1rio e o real ao ponto extremo de a crian\u00e7a ficar parada para que nada se mexa (em seu extremo, o catatonismo) \u2013 para que o Outro n\u00e3o se mexa. Encontramos tamb\u00e9m as constru\u00e7\u00f5es de corpo singulares que visam a tratar o gozo que retorna nas bordas no autismo, no corpo na esquizofrenia e no Outro na paranoia. A crian\u00e7a n\u00e3o encontra assim, no Outro, um olhar de onde pode olhar-se e reconhecer-se no espelho \u2013 I(A)o \u2013, n\u00e3o produzindo o enla\u00e7amento do n\u00f3 de Borromeo; da\u00ed alguns sujeitos constitu\u00edrem um duplo para construir e dar unidade ao seu corpo.<\/p>\n<p>As crian\u00e7as psic\u00f3ticas estariam privadas da imagem. Na esquizofrenia e no autismo est\u00e1 em jogo a quest\u00e3o de como amarrar um corpo sem o recurso do espelho do Outro. Sem o recurso da imagem, o corpo torna-se pe\u00e7a solta e disjunta (BARROSO, 2014).<\/p>\n<p>Que sa\u00eddas os sujeitos encontram para fazer um corpo sem recorrer \u00e0 imagem unificada? Que outros modos se utilizam das imagens para amarrar o corpo?<\/p>\n<p>Na neurose, no enla\u00e7amento entre o real e o imagin\u00e1rio, sempre algo cai desacomodado, havendo uma falha na constru\u00e7\u00e3o do n\u00f3. As coisas funcionam mais ou menos bem\u2026 se constitui o eu ideal a partir do Ideal do Eu, e o sujeito pode ver-se am\u00e1vel no espelho e mesmo sentir uma satisfa\u00e7\u00e3o nessa experi\u00eancia \u2013 \u201cj\u00fabilo\u201d \u2013, armando seu narcisismo: I(A) \uffff i(a).<\/p>\n<p>Podemos pensar algumas situa\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas nas quais esse olhar \u00e9 demasiado exigente, demasiado idealizante, em que n\u00e3o h\u00e1 diferen\u00e7a entre o Ideal do eu e o Supereu: I(A) = SE \uf0e0 a. N\u00e3o \u00e9 um olhar que aniquila o sujeito, mas um olhar que, quando o olha, o faz saber o que se espera dele; s\u00e3o sujeitos que est\u00e3o sempre procurando alguma falha. H\u00e1 uma transmiss\u00e3o desse olhar, um Ideal do Eu, mas essa exig\u00eancia d\u00e1 uma modalidade distinta de la\u00e7o desse sujeito com sua imagem e com o Outro.<\/p>\n<p>H\u00e1 tamb\u00e9m o olhar que aniquila, injuria e desautoriza, e quando o sujeito se olha no espelho tende a se deprimir; h\u00e1 enodamento entre real e imagin\u00e1rio, mas n\u00e3o se d\u00e1 pela via do eu ideal e seu extremo \u00e9 a melancolia (SORIA, 2013).<\/p>\n<p>Podemos investigar os diversos fen\u00f4menos cl\u00ednicos da constitui\u00e7\u00e3o dessa imagem corporal, tais como o transitivismo, a fun\u00e7\u00e3o do duplo, as novas rela\u00e7\u00f5es virtuais entre outros e as perturba\u00e7\u00f5es no campo do imagin\u00e1rio. Poderemos tamb\u00e9m investigar as situa\u00e7\u00f5es em que esse la\u00e7o entre a imagem e o real se afrouxa ou rompe, se desfazendo essa unidade da imagem corporal e acarretando situa\u00e7\u00f5es diversas, desde o sentimento de estranheza at\u00e9 quadros de cat\u00e1strofes subjetivas. Como as imagens incidem hoje na adolesc\u00eancia? \u00c9 um momento em que muitas vezes h\u00e1 perturba\u00e7\u00f5es na imagem. Vamos tamb\u00e9m interrogar as perturba\u00e7\u00f5es do imagin\u00e1rio na educa\u00e7\u00e3o e como o significante \u00e9 um suporte da imagem.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<hr \/>\n<div class=\"uk-margin-medium-top\">\n<h6><\/h6>\n<h6><strong>Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas<\/strong><\/h6>\n<h6>BARROSO, S. \u201cA prefer\u00eancia pela imagem no falasser\u201d. In: As psicoses na inf\u00e2ncia. O corpo sem a ajuda de um discurso estabelecido. Belo Horizonte: Scriptum Livros, 2014.<\/h6>\n<h6>BROUSSE, M-H. Entrevista a G\u00e9rard Wajcman sobre El ojo absoluto. In: Edici\u00f3n 6. Junio, 2011.<\/h6>\n<h6>______. \u201cCorpos lacanianos: novidades contempor\u00e2neas sobre o Est\u00e1dio do espelho 1\u201d In: Op\u00e7\u00e3o lacaniana online nova s\u00e9rie, Ano 5, N\u00famero 15, novembro 2014. Dispon\u00edvel em www.opcaolacaniana.com.br\/\u2026\/numero_15\/Corpos_lacanianos.pdf\u200e. Acesso em x\/x\/xxxx<\/h6>\n<h6>DEBORD, G. A sociedade do espet\u00e1culo. Rio de Janeiro: Contraponto, 1997.<\/h6>\n<h6>DRUMOND C. Semin\u00e1rio AME \u2013 EBP \u2013 Trauma e corpo \u2013 automutila\u00e7\u00e3o, consist\u00eancia e amarra\u00e7\u00e3o (in\u00e9dito) Belo Horizonte, Novembro 2014.<\/h6>\n<h6>ESCOLA BRASILEIRA DE PSICAN\u00c1LISE. Imagem Rainha. As formas do imagin\u00e1rio nas estruturas cl\u00ednicas e na pr\u00e1tica piscanalitica. Rio de Janeiro: Sette Letras, 1995.<\/h6>\n<h6>ESPINEL, M. \u201cImagem\u201d. In: Scilicet. Semblantes e sinthoma. Escola Brasileira de Psican\u00e1lise, 2009. p. 152-154<\/h6>\n<h6>LACAN, J. \u201cO est\u00e1dio do espelho como formador da fun\u00e7\u00e3o do eu\u201d. In: Escritos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed. 1998.<\/h6>\n<h6>______. O Semin\u00e1rio. Livro X: a ang\u00fastia. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed. Ano<\/h6>\n<h6>______. O Semin\u00e1rio. Livro XI: os quatro conceitos fundamentais da psican\u00e1lise. [1964.Rio de Janeiro. Jorge Zahar Ed. 1985.<\/h6>\n<h6>MILLER, J-A. \u201cA imagem rainha\u201d. In: Op\u00e7\u00e3o lacaniana. N. 14. S\u00e3o Paulo, novembro, 1995. p. 12-22<\/h6>\n<h6>NITZCANER, D. \u201cImagin\u00e1rio\u201d. In: Scilicet. Um real para o s\u00e9culo XXI. Belo Horizonte: Scriptum, 2014. p. 196-198<\/h6>\n<h6>PAULOZKY, D. \u201cImagem\u201d. In: Scilicet. A ordem simb\u00f3lica no s\u00e9culo XXI. Belo Horizonte: Scriptum, 2011. p. 198-201<\/h6>\n<h6>SORIA, N. Los nudos de analyse Buenos Aires: Editora Del Bucle. 2013.<\/h6>\n<h6>SOUTO, S. Argumento da Se\u00e7\u00e3o Cl\u00ednica do IPSMMG PARA AS INVESTIGA\u00c7\u00d5ES dos N\u00facleos do IPSSMMG (in\u00e9dito), 2o semestre 2014.<\/h6>\n<h6><\/h6>\n<hr \/>\n<h6><\/h6>\n<h6><strong>Cristiana Pittella E Margareth Couto<\/strong><\/h6>\n<h6>Cristiana Pitella de Mattos Psicanalista. Membro da EBP-AMP. Psychoanalyst. Member of the EBP-AMP E-mail:\u00a0<span id=\"cloak69927ec845cdce31e117803b2b733641\"><a href=\"mailto:cristianapittella@yahoo.com.br\">cristianapittella@yahoo.com.br<\/a><\/span>\u00a0Margaret Pires do Couto Psicanalista. Aderente da EBP-MG.Professora do curso de Psicologia do Centro Universit\u00e1rio Newton Paiva.Psychoanalyst.Adherent of EBP-MG.Professor of Psychology course of theCentro Universit\u00e1rio Newton Paiva. E-mail:<span id=\"cloakb548772418f9108654c1e5d6ec035914\"><a href=\"mailto:mpcouto@uol.com.br\">mpcouto@uol.com.br<\/a><\/span><\/h6>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>CRISTIANA PITTELLA E MARGARETH COUTO &nbsp; &nbsp; A investiga\u00e7\u00e3o do tema das imagens proposto pela Se\u00e7\u00e3o Cl\u00ednica do IPSM-MG \u201cAs imagens na cl\u00ednica e nas institui\u00e7\u00f5es: ver, fazer, mostrar\u201d, em conson\u00e2ncia com a do VII Encontro Americano de Psican\u00e1lise de Orienta\u00e7\u00e3o Lacaniana (Enapol) \u201cO Imp\u00e9rio das Imagens\u201d, nos traz uma s\u00e9rie de quest\u00f5es que atravessam&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":58191,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[11],"tags":[],"class_list":["post-706","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-almanaque-15","category-11","description-off"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/706","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=706"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/706\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":58192,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/706\/revisions\/58192"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/58191"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=706"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=706"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=706"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}