{"id":709,"date":"2014-07-17T06:55:36","date_gmt":"2014-07-17T09:55:36","guid":{"rendered":"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/new\/?p=709"},"modified":"2025-12-01T17:11:14","modified_gmt":"2025-12-01T20:11:14","slug":"almanaque-on-line-entrevista-7","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/2014\/07\/17\/almanaque-on-line-entrevista-7\/","title":{"rendered":"Almanaque On-Line Entrevista"},"content":{"rendered":"<h1 class=\"uk-margin-large-top uk-margin-remove-bottom uk-text-center uk-article-title\"><\/h1>\n<div class=\"uk-margin-medium-top\">\n<h6><strong>R\u00d4MULO FERREIRA DA SILVA<\/strong><\/h6>\n<\/div>\n<p><a class=\"dt-pswp-item\" href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Romulo-para-capa.jpg\" data-dt-img-description=\"\" data-large_image_width=\"940\" data-large_image_height=\"625\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-710\" src=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Romulo-para-capa.jpg\" alt=\"\" width=\"940\" height=\"625\" srcset=\"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Romulo-para-capa.jpg 940w, https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Romulo-para-capa-300x199.jpg 300w, https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Romulo-para-capa-768x511.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 940px) 100vw, 940px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"uk-margin-medium-top\">\n<p><strong>Como Est\u00e3o Os Preparativos Para O VII Enapol? O Que Podemos Esperar Desse Encontro?<\/strong><\/p>\n<p><strong>R\u00f4mulo Ferreira da Silva<\/strong>: Primeiro eu gostaria de agradecer o convite para fazer a abertura das atividades do Instituto de Psican\u00e1lise e Sa\u00fade Mental de Minas Gerais e da EBP \u2013 Minas Gerais e a oportunidade de falar ao Almanaque on-line sobre o 7\u00ba Enapol. Esse Encontro tende a privilegiar os trabalhos oriundos dos Institutos do Campo Freudiano. O Congresso da EBP, que ocorre a cada dois anos, em altern\u00e2ncia com o Enapol, privilegia os trabalhos dos membros da EBP. \u00c9 importante que os trabalhos desenvolvidos nos institutos possam aparecer na comunidade anal\u00edtica da AMP.<\/p>\n<p>A Comiss\u00e3o Cient\u00edfica pretende ler cada trabalho enviado, fazer observa\u00e7\u00f5es e pedir retifica\u00e7\u00f5es, ou seja, estabelecer um interc\u00e2mbio com os autores. Quanto mais tempo tivermos para que se estabele\u00e7a esse interc\u00e2mbio, melhor.<\/p>\n<p>Al\u00e9m das mesas simult\u00e2neas, n\u00f3s vamos ter as Conversa\u00e7\u00f5es. Ser\u00e3o quinze Conversa\u00e7\u00f5es. Esse trabalho est\u00e1 sendo coordenado por Ana Lydia Santiago, que faz parte da Comiss\u00e3o Cient\u00edfica do Enapol. Para cada tema da Conversa\u00e7\u00e3o h\u00e1 um representante de cada Escola: EBP, NEL e EOL. Cada um desses representantes coordena um grupo de trabalho, que desenvolver\u00e1 o estudo sobre o tema nos pr\u00f3ximos seis meses que temos pela frente.<\/p>\n<p>Os textos ser\u00e3o colocados no site para que todos possam participar da Conversa\u00e7\u00e3o, tendo j\u00e1 lido o trabalho na \u00edntegra.<\/p>\n<p>Sobre a programa\u00e7\u00e3o das plen\u00e1rias, posso adiantar que teremos tr\u00eas mesas de AE: duas com os AEs mais antigos e outra com os AEs que ainda n\u00e3o fizeram testemunhos para um p\u00fablico maior da comunidade anal\u00edtica da FAPOL.<\/p>\n<p>Teremos tamb\u00e9m duas mesas plen\u00e1rias para as quais ser\u00e3o elaboradas perguntas que articulem o tema do Enapol e a cl\u00ednica.<\/p>\n<p><strong>Os Eventos Da Orienta\u00e7\u00e3o Lacaniana Tamb\u00e9m Se Articulam Com A Cidade E Suas Manifesta\u00e7\u00f5es Culturais. O Que S\u00e3o Paulo Ir\u00e1 Oferecer Aos Participantes Desse Encontro?<\/strong><\/p>\n<p><strong>R\u00f4mulo Ferreira da Silva<\/strong>: Na articula\u00e7\u00e3o com as artes, temos j\u00e1 alguns convites confirmados.<\/p>\n<p>1 \u2013 Regina Silveira, artista pl\u00e1stica de S\u00e3o Paulo. O trabalho de Regina \u00e9 internacionalmente conhecido e nos oferece um panorama de como o artista se antecipa ao psicanalista, como nos disse Freud. Regina apresenta imagens que n\u00e3o t\u00eam compromisso com o sentido pr\u00e9-estabelecido e que irrompem no real.<\/p>\n<p>2 \u2013 Maria Adelaide Amaral, dramaturga, nos fornece um trabalho de textos, pe\u00e7as de teatro, seriados e novelas acumulado ao longo de todos esses anos de carreira. As imagens que capturam, mas que n\u00e3o apresentam, necessariamente, uma articula\u00e7\u00e3o com a ordem simb\u00f3lica vigente.<\/p>\n<p>3 \u2013 Gil Jardim, maestro, professor da USP, vai trabalhar o imp\u00e9rio das imagens sonoras. Al\u00e9m do percurso hist\u00f3rico da m\u00fasica, com a introdu\u00e7\u00e3o de elementos fora do padr\u00e3o institu\u00eddo oficialmente pelas escolas de m\u00fasica, Gil nos apresentar\u00e1 um pouco de sua produ\u00e7\u00e3o que repercute no nosso tema.<\/p>\n<p>Estamos tamb\u00e9m seguindo um pouco o que aconteceu no final do ano passado aqui em Belo Horizonte, tentando colocar outras manifesta\u00e7\u00f5es de artistas contempor\u00e2neos que possam, nos intervalos e nos eventos festivos, conversar com a Psican\u00e1lise.<\/p>\n<p>Estamos organizando um coquetel tamb\u00e9m \u2013 a parte da festa \u00e9 muito importante! O coquetel ocorrer\u00e1 no Clube Hebraica, pr\u00f3ximo ao local do evento. A festa ser\u00e1 ap\u00f3s o encerramento, um happy hour no domingo.<\/p>\n<p>Como temos feriado na segunda-feira, 7 de Setembro, eu oriento que voc\u00eas fiquem um dia a mais, porque estamos fazendo uma bela programa\u00e7\u00e3o de tudo o que est\u00e1 ocorrendo em S\u00e3o Paulo. A cidade est\u00e1 vazia nessa \u00e9poca, ent\u00e3o fica bem interessante ficar um dia a mais.<\/p>\n<p><strong>A EBP Est\u00e1 Comemorando 20 Anos. O Que Mudou Do Imagin\u00e1rio De 1995, Presente Naquele Encontro De Funda\u00e7\u00e3o, Para O De Hoje?<\/strong><\/p>\n<p><strong>R\u00f4mulo Ferreira da Silva<\/strong>: \u201cO Imp\u00e9rio das Imagens\u201d \u00e9 o nosso tema. Ele remete, num primeiro momento, \u00e0 funda\u00e7\u00e3o da nossa Escola. A nossa Escola foi fundada h\u00e1 20 anos, e o tema do primeiro Encontro Brasileiro, que ocorreu no Rio de Janeiro, foi \u201cA Imagem Rainha\u201d. Nada mais interessante do que retomar essa hist\u00f3ria. N\u00f3s t\u00ednhamos no Brasil, \u00e0 \u00e9poca, v\u00e1rios grupos lacanianos. Foi feito um trabalho, creio que durante uns cinco anos, pelo menos, para que houvesse uma grande conversa entre esses grupos, a partir do qual iniciou-se a troca de experi\u00eancias epist\u00eamicas e institucionais.<\/p>\n<p>Esse movimento \u201cIniciativa Escola\u201d, que, a partir de S\u00e3o Paulo, teve Jorge Forbes como seu grande incentivador, chegou ao seu \u00e1pice na funda\u00e7\u00e3o da Escola Brasileira de Psican\u00e1lise. Do corpo despeda\u00e7ado, do corpo lacaniano despeda\u00e7ado no Brasil, n\u00f3s pudemos fazer uma \u201cImagem Rainha\u201d.<\/p>\n<p>Esse instante de ver foi vivido por n\u00f3s, que l\u00e1 est\u00e1vamos, como um j\u00fabilo. Al\u00e9m do baile de m\u00e1scaras em comemora\u00e7\u00e3o ao acontecimento, tivemos a presen\u00e7a da ex-Miss Brasil e ex-Miss Universo Marta Vasconcelos. Ent\u00e3o, a \u201cimagem rainha\u201d em pessoa, na funda\u00e7\u00e3o da Escola. Dessa maneira \u00e9 que, pegando o in\u00edcio da Escola como esse momento de j\u00fabilo de constitui\u00e7\u00e3o dessa \u201cImagem Rainha\u201d, depois de 20 anos, n\u00f3s podemos tratar do Imp\u00e9rio das Imagens, que \u00e9 uma outra coisa.<\/p>\n<p><strong>O Imagin\u00e1rio, Tal Como Nessa Mudan\u00e7a De Perspectiva Marcada Pelos Temas Desses Dois Encontros, Pode Ser Recortado Em Diferentes Momentos Na Obra De Lacan. Que Recorte Ser\u00e1 Privilegiado Na Orienta\u00e7\u00e3o Epist\u00eamica Do VII Enapol?<\/strong><\/p>\n<p><strong>R\u00f4mulo Ferreira da Silva<\/strong>: Escolhi abordar o tema do Enapol baseado no meu percurso, de como passei da Psiquiatria para a Psican\u00e1lise, levando em conta que foi meu trabalho com a psicose que me fez, de fato, me dirigir \u00e0 Psican\u00e1lise.<\/p>\n<p>Penso que Lacan, desde o in\u00edcio de seu ensino, foi muito visual, sempre utilizando-se de desenhos, grafos e f\u00f3rmulas. No texto \u201cDe uma quest\u00e3o preliminar a todo tratamento poss\u00edvel da psicose\u201d, com aquilo com que eu me deparava, como f\u00f3rmulas e grafos, me sentia, muitas vezes, mais perdido do que como depois de come\u00e7ar a ler o texto. As figuras me desorientavam. Mas foi nessas idas e vindas que pude avan\u00e7ar um pouco na quest\u00e3o da psicose.<\/p>\n<p>Esse percurso, me parece, d\u00e1 uma ideia do que \u00e9 o caminho do Imagin\u00e1rio em Lacan.<\/p>\n<p>Lacan come\u00e7ou seu trabalho propriamente psicanal\u00edtico com o Est\u00e1gio do Espelho. Escrito cinco anos ap\u00f3s sua defesa de tese sobre o caso Aim\u00e9e, a coisa come\u00e7ou a se complicar porque tem um recurso \u00e0 biologia para tentar dar conta da constitui\u00e7\u00e3o do eu baseado no legado freudiano.<\/p>\n<p>No Est\u00e1gio do Espelho pode-se observar o que Lacan prop\u00f5e como aquilo que se dirige a um outro, para obter, desse outro, a imagem de si mesmo. \u00c9 no Est\u00e1gio do Espelho que temos o imagin\u00e1rio promovendo a Gestalt do sujeito.<\/p>\n<p>Um passo al\u00e9m \u00e9 a introdu\u00e7\u00e3o do esquema L. Ele \u00e9 apresentado como um Z, que introduz o grande Outro.<\/p>\n<p>Lacan diz que esse esquema L \u00e9 para a neurose ou psicose, tanto faz. O sujeito est\u00e1 estirado nos quatro cantos. Se estiramos o esquema Z sem a tens\u00e3o colocada nos v\u00e9rtices dos dois tri\u00e2ngulos que se desenham, temos uma linha reta. Como um el\u00e1stico, esse Z, agora figurado em linha reta, pode perder seus pontos de tens\u00e3o das extremidades e se configurar como um \u00fanico ponto, fazendo coincidir S, a, a\u2019 e A. \u00c9 um destino poss\u00edvel da psicose.<\/p>\n<p>A partir da linha tracejada que vai de A ao S, se estabelece a configura\u00e7\u00e3o da neurose \u00e0 diferen\u00e7a da psicose, pois o atravessamento do simb\u00f3lico no eixo imagin\u00e1rio d\u00e1 uma esp\u00e9cie de garantia da tens\u00e3o que mant\u00e9m o sujeito neur\u00f3tico estirado nos quatro cantos. O tesouro dos significantes atravessa a rela\u00e7\u00e3o imagin\u00e1ria, divide o sujeito e redefine o a\u2019, a imagem que se faz a partir da rela\u00e7\u00e3o especular, pura e simplesmente.<\/p>\n<p>Nessa opera\u00e7\u00e3o que se faz aqui, ent\u00e3o eu guardaria o esquema L sem o atravessamento do grande Outro na rela\u00e7\u00e3o imagin\u00e1ria para pensar a psicose. E na neurose seria importante dar esse passo, que \u00e9 o Outro atravessando a rela\u00e7\u00e3o imagin\u00e1ria, barrando o sujeito que est\u00e1 do outro lado.<\/p>\n<p>Para ir um pouco mais r\u00e1pido, passo ao esquema R, no qual Lacan estabelece, de fato, o tri\u00e2ngulo imagin\u00e1rio numa rela\u00e7\u00e3o de import\u00e2ncia inferior ao tri\u00e2ngulo simb\u00f3lico estabelecido pelo Complexo de \u00c9dipo.<\/p>\n<p>No esquema I, esquema de Schreber, desaparecem os dois tri\u00e2ngulos, e o real toma todo o espa\u00e7o, antes para a neurose, restrito uma faixa que mais tarde ser\u00e1 configurada como uma faixa de Moebius. N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que, depois do semin\u00e1rio VI, Lacan se dirige \u00e0 \u00c9tica. \u00c9 um momento de impasse, porque at\u00e9 ent\u00e3o o paradigma era a neurose, e da\u00ed Lacan passa a colocar a psicose como paradigma. Dando um grande salto no ensino de Lacan, novamente quando ele toma um caso de psicose, n\u00e3o mais Schreber, mas Joyce, no Semin\u00e1rio XXIII, e apresenta, para cada psicose, um n\u00f3 espec\u00edfico. Para Schreber, o n\u00f3 de trevo numa continuidade entre os tr\u00eas registros.<\/p>\n<p>At\u00e9 ent\u00e3o, Lacan trabalhou os tr\u00eas registros amarrados borromeanamente pelo quarto n\u00f3, o sinthoma, como sendo o n\u00f3 para as neuroses. Para Joyce ele desenha um n\u00f3 n\u00e3o borromeano, tamb\u00e9m amarrado pelo sinthoma. Da independ\u00eancia dos tr\u00eas registros para as neuroses, Lacan subverte essa proposta, avan\u00e7ando, desde esse Semin\u00e1rio, \u00e0 p\u00e1gina 118, para um novo imagin\u00e1rio. Nos dois semin\u00e1rios seguintes, XXIV e XXV, Lacan prop\u00f5e um imagin\u00e1rio disjunto do simb\u00f3lico em rela\u00e7\u00e3o ao real. Nessa disjun\u00e7\u00e3o aparece um imagin\u00e1rio sem compromisso com o sentido, e, portanto, mais adequado ao real.<\/p>\n<p>Pela inadequa\u00e7\u00e3o do simb\u00f3lico ao imagin\u00e1rio, o que nos resta \u00e9 imaginar o real. H\u00e1 uma barreira a essa opera\u00e7\u00e3o que Lacan nomeia como nossa inibi\u00e7\u00e3o em imaginar o real. O final da an\u00e1lise seria a via de pensarmos a ultrapassagem dessa inibi\u00e7\u00e3o e a possibilidade de dar uma imagem ao real, disjunta da ideia de fazer disso um poss\u00edvel sentido?<\/p>\n<p>Para complicar nossa discuss\u00e3o, fa\u00e7o refer\u00eancia aos dois termos que Lacan utiliza ao longo de toda a sua obra: imaginer e imager. Imaginer, imaginar, aparece carregado de sentido; imager, que traduzo por \u201cimajar\u201d, nos inspira a pensar que imagens podem bordear o real sem a pretens\u00e3o de dar-lhe sentido.<\/p>\n<p>Dessa forma, hoje, a cl\u00ednica com os autistas pode nos ensinar algo mais sobre o final de uma an\u00e1lise, assim como a psicose estimulou Lacan a se dirigir para uma proposta de que a an\u00e1lise tem um fim e para a cria\u00e7\u00e3o do dispositivo do Passe.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>R\u00d4MULO FERREIRA DA SILVA &nbsp; &nbsp; Como Est\u00e3o Os Preparativos Para O VII Enapol? O Que Podemos Esperar Desse Encontro? 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