{"id":712,"date":"2014-07-17T06:55:36","date_gmt":"2014-07-17T09:55:36","guid":{"rendered":"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/new\/?p=712"},"modified":"2025-12-01T17:11:40","modified_gmt":"2025-12-01T20:11:40","slug":"a-homossexualidade-feminina-no-plural","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/2014\/07\/17\/a-homossexualidade-feminina-no-plural\/","title":{"rendered":"A Homossexualidade Feminina No Plural"},"content":{"rendered":"<h1 class=\"uk-margin-large-top uk-margin-remove-bottom uk-text-center uk-article-title\"><\/h1>\n<div class=\"uk-margin-medium-top\">\n<h6><strong>M.-H. BROUSSE<\/strong><\/h6>\n<\/div>\n<p><a class=\"dt-pswp-item\" href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/marie-helene-brousse.jpg\" data-dt-img-description=\"\" data-large_image_width=\"274\" data-large_image_height=\"350\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-713\" src=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/marie-helene-brousse.jpg\" alt=\"\" width=\"274\" height=\"350\" srcset=\"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/marie-helene-brousse.jpg 274w, https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/marie-helene-brousse-235x300.jpg 235w\" sizes=\"auto, (max-width: 274px) 100vw, 274px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"uk-margin-medium-top\">\n<p>A homossexualidade feminina \u00e9 uma solu\u00e7\u00e3o para a dificuldade sexual dos seres de linguagem \u2013 que s\u00e3o os seres humanos \u2013 t\u00e3o antiga quanto a homossexualidade masculina, mais discreta talvez, menos exposta ao p\u00fablico, mas tamb\u00e9m constante atrav\u00e9s das \u00e9pocas hist\u00f3ricas e das diferentes culturas. Talvez ela n\u00e3o ameace do mesmo modo as exig\u00eancias da fam\u00edlia e da ordem patriarcal. Al\u00e9m disso, como mostraram alguns estudos da hist\u00f3ria das mentalidades, as mulheres, em sua maioria, n\u00e3o foram, no curso dos s\u00e9culos passados, interlocutoras t\u00e3o ouvidas quanto os homens, tanto no que se refere a suas opini\u00f5es pol\u00edticas quanto no que diz respeito a suas posi\u00e7\u00f5es sobre o \u00edntimo. Enfim, a homossexualidade feminina era tamb\u00e9m o objeto de uma fantasia masculina e, por isso, podia refor\u00e7ar o desejo masculino: sonho de corpos femininos enla\u00e7ados que n\u00e3o demandariam nada aos homens, e por essa raz\u00e3o, os liberaria de um dever que viria pesar sobre o desejo.<\/p>\n<p>A \u00e9poca atual, sem ter se livrado da pregn\u00e2ncia de tudo isso, \u00e9 outra. A psican\u00e1lise foi part\u00edcipe dessa mudan\u00e7a de v\u00e1rias maneiras. Em primeiro lugar, colocando seriamente em quest\u00e3o uma suposta naturalidade biol\u00f3gica da sexualidade nos seres humanos machos ou f\u00eameas. Foi preciso se render \u00e0 evid\u00eancia do que diziam os sujeitos nesse dispositivo singular que \u00e9 o dispositivo anal\u00edtico. E desde os Tr\u00eas ensaios sobre a teoria da sexualidade Freud estabelece que a crian\u00e7a \u00e9 um perverso polimorfo, o que modifica radicalmente para sempre a defini\u00e7\u00e3o da pervers\u00e3o, operada a partir de crit\u00e9rios tanto sociais quanto biol\u00f3gicos. Por outro lado, a constata\u00e7\u00e3o de que as rela\u00e7\u00f5es homens\/mulheres s\u00e3o feitas de rejei\u00e7\u00f5es rec\u00edprocas leva Freud a considerar que \u00e9 muito mais f\u00e1cil dar conta da homossexualidade do que da heterossexualidade. Enfim, a psican\u00e1lise constituiu em discurso os dados que, antes, permaneciam restritos \u00e0 esfera do n\u00e3o-dito ou dos segredos \u00edntimos.<\/p>\n<p>Partiremos de um debate cl\u00ednico importante na progress\u00e3o do saber anal\u00edtico, debate que repousa sobre a compara\u00e7\u00e3o entre dois casos freudianos, cada um formalizado em um paradigma segundo o m\u00e9todo de pesquisa anal\u00edtica.<\/p>\n<p>Trata-se, por um lado, do caso Dora, paradigma freudiano e p\u00f3s-freudiano da estrutura neur\u00f3tica hist\u00e9rica e, de outro, do caso conhecido como o da jovem homossexual. De fato, trata-se de duas jovens mulheres mergulhadas no mesmo discurso social, no mesmo per\u00edodo hist\u00f3rico. Uma, Dora, ao longo de sua an\u00e1lise com Freud, desvela seu amor e sua fascina\u00e7\u00e3o por uma mulher mais velha, amiga da fam\u00edlia e amante de seu pai. A outra, que n\u00e3o entra na l\u00f3gica de um tratamento anal\u00edtico e teve simplesmente algumas entrevistas com Freud, desorganizou, em nome de um amor por uma mulher mais velha e \u201cmulher da vida\u201d, as conveni\u00eancias do seu meio e efetuou o que chamar\u00edamos, hoje, de uma passagem ao ato suicida. A quest\u00e3o do suic\u00eddio, mesmo n\u00e3o havendo tentativa de suic\u00eddio no caso de Dora, est\u00e1 posta, no entanto, j\u00e1 que, em uma nota, Freud evoca a t\u00edtulo de coment\u00e1rio a hist\u00f3ria inventada de um suic\u00eddio do pai: \u201cEste \u00e9 o ponto de liga\u00e7\u00e3o com a simula\u00e7\u00e3o de suic\u00eddio da pr\u00f3pria Dora, que assim talvez expresse o anseio por um amor similar\u201d (FREUD, 1905\/1989, p. 38).<\/p>\n<p>O caso de Dora, publicado primeiramente em 1905, comporta uma nota de Freud acrescentada em 1923. Nessa nota, ele completa seu texto de 1905, cujas numerosas passagens mencionavam que ele havia reconhecido, desde ent\u00e3o, o forte la\u00e7o amoroso de Dora pela Senhora Ki, atrav\u00e9s de uma corre\u00e7\u00e3o radical:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 80px;\"><em>\u201cQuanto mais me vou afastando no tempo do t\u00e9rmino dessa an\u00e1lise, mais prov\u00e1vel me parece que meu erro t\u00e9cnico tenha consistido na seguinte omiss\u00e3o: deixei de descobrir a tempo e de comunicar \u00e0 doente que a mo\u00e7\u00e3o amorosa homossexual (ginecof\u00edlica) pela Sra K. era a mais forte das correntes inconscientes de sua vida an\u00edmica. [\u2026] Antes de reconhecer a import\u00e2ncia da corrente homossexual nos psiconeur\u00f3ticos, fiquei muitas vezes atrapalhado ou completamente desnorteado no tratamento de certos casos.\u201d (FREUD, 1905\/1989, p. 113-114)<\/em><\/p>\n<p>Logo, a homossexualidade sob a forma de \u201ctend\u00eancia\u201d \u00e9 claramente indicada por Freud como um elemento-chave do caso e da histeria em geral. A tend\u00eancia inconsciente, \u00e0 revelia do sujeito e n\u00e3o culminando num ato sexual, que caracteriza Dora, aparece em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 afirma\u00e7\u00e3o decidida, consciente e atuada que caracteriza a posi\u00e7\u00e3o do sujeito que \u00e9 \u201ca jovem homossexual\u201d. \u00c9 sobre essa diferen\u00e7a e n\u00e3o sobre a presen\u00e7a ou a aus\u00eancia da orienta\u00e7\u00e3o homossexual que Freud coloca, em um dos casos, um diagn\u00f3stico de neurose e, no outro, um diagn\u00f3stico de pervers\u00e3o. A consequ\u00eancia disso \u00e9 que ele decide n\u00e3o engajar a jovem homossexual na via de um trabalho anal\u00edtico, quando, ao contr\u00e1rio, dispensado por Dora da maneira mais brutal, ele se encontra \u201ccompletamente desnorteado\u201d em pleno tratamento.<\/p>\n<p>Ora, qual \u00e9 a modeliza\u00e7\u00e3o efetuada da posi\u00e7\u00e3o de Dora, que, mesmo dando lugar, como j\u00e1 vimos, \u00e0 sua homossexualidade, n\u00e3o faz disso, no entanto, um elemento-chave da t\u00e1tica freudiana da transfer\u00eancia? O interesse homossexual de Dora pela Senhora K. decorre de sua pr\u00f3pria quest\u00e3o sobre o que \u00e9 a mulher, saber sobre o feminino que ela considera n\u00e3o ter e que ela atribui a essa Outra mulher, por ser ela o objeto do desejo tanto do Senhor K. quanto do seu pr\u00f3prio pai. Freud interpreta assim a cena em que, cortejada pelo Senhor K. \u2013 numa \u00f3tica de troca, que ela entende perfeitamente e que ali\u00e1s Freud valida confirmando que concorda com ela \u2013, ele lhe anuncia que \u201csua esposa n\u00e3o \u00e9 nada para ele\u201d, ela lhe d\u00e1 uma bofetada estridente e acaba a\u00ed a sua complac\u00eancia por ele. \u201cSe voc\u00ea n\u00e3o a deseja, voc\u00ea n\u00e3o me interessa mais\u201d (FREUD, 1905\/1989, p.103). A liga\u00e7\u00e3o com os homens, com o Senhor K. ou com seu pai resulta, portanto, de uma identifica\u00e7\u00e3o ao amor e ao desejo deles por uma mulher, que permite concluir que esta, contrariamente a ela mesma, \u00e9 uma verdadeira mulher e det\u00e9m a chave de um saber que ela n\u00e3o tem. Lacan qualifica essa posi\u00e7\u00e3o dos homens na estrutura hist\u00e9rica: s\u00e3o os \u201ctestas de ferro\u201d do sujeito hist\u00e9rico, testas de ferro de seu desejo pelo feminino. Ela deve passar por eles, pelo amor e pelo desejo deles por outra para ter acesso a uma feminilidade idealizada. O benef\u00edcio \u00e9 duplo: evitar ser ela mesma submetida \u00e0s regras que organizam a posi\u00e7\u00e3o feminina no discurso do Mestre e elevar o feminino \u00e0 dignidade de um ideal poss\u00edvel de ser universalizado. Em suma, evitar ser, por ela mesma e para ela mesma, \u201ca mulher de sua vida\u201d e, portanto, inventar uma solu\u00e7\u00e3o feminina que n\u00e3o valeria sen\u00e3o para ela mesma.<\/p>\n<p>A jovem homossexual n\u00e3o est\u00e1 de forma alguma nessa posi\u00e7\u00e3o. Diante de seu pai, ela pretende, antes de tudo, afirmar o que s\u00e3o verdadeiramente um amor e um desejo por uma mulher. Ela est\u00e1, portanto, em posi\u00e7\u00e3o de challenger, de desafio: somente uma mulher pode amar e desejar outra mulher como conv\u00e9m. Sua identifica\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 com o masculino. Certamente, a Dama \u00e9 escolhida n\u00e3o somente pelo seu saber sexual, mas igualmente por sua rejei\u00e7\u00e3o \u00e0s conven\u00e7\u00f5es dominantes, por sua ousadia frente ao poder masculino e patriarcal. \u00c9 sua posi\u00e7\u00e3o de rejei\u00e7\u00e3o e desafio ao Pai que a caracteriza. Sua cruzada \u00e9 A mulher que seu amor vem completar.<\/p>\n<p>As pesquisas e as publica\u00e7\u00f5es recentes sobre a l\u00f3gica da vida e as escolhas posteriores da jovem homossexual n\u00e3o validam necessariamente o diagn\u00f3stico de pervers\u00e3o colocado por Freud e nos convidam, de prefer\u00eancia, \u00e0 prud\u00eancia. Mas a neurose, com a divis\u00e3o subjetiva que a caracteriza, permanece claramente, contudo, a ser descartada, como ele o fez.<\/p>\n<p>Lacan retomou v\u00e1rias vezes o caso Dora. Ele o formalizou. Sobre a quest\u00e3o da homossexualidade feminina, ele mostra claramente como o preconceito freudiano interrompeu a din\u00e2mica da an\u00e1lise (LACAN, 1951\/1998). Na sequ\u00eancia do seu ensino, ele esclarece esse preconceito como um ponto limite do pr\u00f3prio Freud sobre o pai, que ele qualifica no Semin\u00e1rio, livro XVII de \u201csonho de Freud\u201d. Estamos, ent\u00e3o, em 1969-1970, e o desvanecimento do esplendor e do poder da fun\u00e7\u00e3o paterna, que organizou durante muito tempo todos os n\u00edveis dos la\u00e7os sociais, concluiu-se. Mesmo o prest\u00edgio do Nome, da nomina\u00e7\u00e3o, se fragmentou em m\u00faltiplos nomes. Uma muta\u00e7\u00e3o profunda operada pela Ci\u00eancia e seus saberes sobre a tradi\u00e7\u00e3o que organizava at\u00e9 ent\u00e3o o discurso do Mestre, aconteceu. Ela substituiu o nome pelo n\u00famero, o governo pela gest\u00e3o e pela administra\u00e7\u00e3o. A psican\u00e1lise constatou os efeitos dessa muta\u00e7\u00e3o nos modos de satisfa\u00e7\u00e3o e, correlativamente, nos sintomas dos sujeitos. O ensino de Lacan leva, portanto, a partir dos anos 1960-1970, a cl\u00ednica e a teoria da psican\u00e1lise na dire\u00e7\u00e3o de um para-al\u00e9m do Pai.<\/p>\n<p>Jacques-Alain Miller mostra os novos fundamentos dessa orienta\u00e7\u00e3o lacaniana. Por um lado, o Um n\u00e3o \u00e9 mais aquele da exce\u00e7\u00e3o paterna a partir da qual se podia deduzir um universal que definia a posi\u00e7\u00e3o de todos. Os uns s\u00e3o cada um e cada uma, sozinhos. O sistema simb\u00f3lico tem que se submeter a isso, e o estilo de vida de cada um \u00e9, para cada um, sua pr\u00f3pria norma. O universal reconhecido \u00e9 atribu\u00eddo ao \u00fanico saber cient\u00edfico que se erige em norma no discurso do Mestre, em normas estat\u00edsticas, e n\u00e3o mais norma resultando da exce\u00e7\u00e3o. Por outro lado, o modo de gozo encontra seu fundamento n\u00e3o mais no la\u00e7o pai-m\u00e3e, mas na descoberta de que n\u00e3o existe rela\u00e7\u00e3o sexual que possa se escrever entre seres que n\u00e3o t\u00eam sen\u00e3o a linguagem e a palavra para se ligar, ao contr\u00e1rio da rela\u00e7\u00e3o que a ci\u00eancia escreve entre as c\u00e9lulas. Resulta disso que feminino e masculino n\u00e3o esgotam em nada as posi\u00e7\u00f5es de desejo. Freud j\u00e1 havia esbarrado nas defini\u00e7\u00f5es tentadas a partir do passivo e do ativo, inoperantes na vida sexual e amorosa.<\/p>\n<p>Nessas novas coordenadas, o que acontece hoje com a homossexualidade feminina? Nossa hip\u00f3tese \u00e9 a seguinte: a posi\u00e7\u00e3o hist\u00e9rica n\u00e3o requer mais passar pelo pai e pelos homens para ter acesso ao feminino. N\u00e3o h\u00e1 mais necessidade do \u201ctesta de ferro\u201d. Nada mais falta \u00e0s mulheres, diz Lacan no Semin\u00e1rio, livro V. Ele vai mais longe ainda no Semin\u00e1rio, livro XX, mostrando a dissimetria entre o masculino e o feminino, em que o sistema paterno-centrado s\u00f3 podia conceber como complementares e\/ou rivais. As mulheres n\u00e3o s\u00e3o um conjunto complementar dos homens, regido por uma mesma l\u00f3gica conjuntista. Lacan considera, portanto, o feminino como suplementarii. Todos homens, macho e f\u00eamea, pai e m\u00e3e, irm\u00e3o e irm\u00e3, amante homem e amante mulher, no sentido de todos os seres humanos submetidos \u00e0 universaliza\u00e7\u00e3o, isto \u00e9, seres que habitam a linguagem, mas n\u00e3o todos do lado feminino. Um exemplo surpreendente desse feminino n\u00e3o sim\u00e9trico tomado por Lacan (1972-1973\/1985) \u00e9 S\u00e3o Jo\u00e3o da Cruz, cujo sexo n\u00e3o \u00e9 colocado em d\u00favida, j\u00e1 que a Igreja Cat\u00f3lica se assegura sempre disso antes da ordena\u00e7\u00e3o. Finalmente, a identifica\u00e7\u00e3o masculina \u00e9 requerida para ser uma mulher, o que n\u00e3o quer dizer que ela baste para fazer uma quanto ao gozo. A posi\u00e7\u00e3o hist\u00e9rica estava, portanto, bem adiantada.<\/p>\n<p>Nessas condi\u00e7\u00f5es, seria l\u00f3gico ver as Doras de hoje passarem de uma posi\u00e7\u00e3o homossexual inconsciente, portanto recalcada, e de uma aus\u00eancia de atua\u00e7\u00e3o desse amor homossexual constatado por Freud, a uma posi\u00e7\u00e3o consciente e a um acting out da atra\u00e7\u00e3o pelo feminino na outra mulher. Um acting out, o que isso quer dizer? Uma forma\u00e7\u00e3o do inconsciente, sob o modelo do sonho, do chiste, ou como Lacan prop\u00f5e, no Semin\u00e1rio, livro X: A ang\u00fastia, uma encena\u00e7\u00e3o da quest\u00e3o do sujeito, ao mesmo tempo que sua interpreta\u00e7\u00e3o. Em suma, uma interpreta\u00e7\u00e3o da posi\u00e7\u00e3o do sujeito atrav\u00e9s de sua quest\u00e3o sobre a escolha de seu modo de satisfa\u00e7\u00e3o, nesse caso: o que \u00e9 A mulher? Enigma que polariza a rela\u00e7\u00e3o da hist\u00e9rica com o inconsciente.<\/p>\n<p>A cl\u00ednica vem confirmar ou invalidar essa hip\u00f3tese? Numerosas an\u00e1lises de sujeitos femininos numa posi\u00e7\u00e3o hist\u00e9rica v\u00eam confirm\u00e1-la.<\/p>\n<p>Tomarei quatro casos de sujeitos hist\u00e9ricos, dentre muitos outros. Esses sujeitos s\u00e3o da mesma gera\u00e7\u00e3o, entre vinte e cinco e trinta e cinco anos. As quatro trabalham em profiss\u00f5es nas quais, de maneira diversa, seu desejo est\u00e1 engajado. Elas s\u00e3o aut\u00f4nomas financeiramente, fato t\u00e3o importante quanto evidente para elas. As quatro come\u00e7aram sua vida sexual com homens, tanto em suas primeiras emo\u00e7\u00f5es sensuais na inf\u00e2ncia quanto em suas primeiras experi\u00eancias sexuais, mesmo tendo la\u00e7os de amizade extremamente fortes com amigas. Mesmo que uma delas n\u00e3o tenha nunca vivido com o seu parceiro, as outras tr\u00eas levaram um vida de casal com seu companheiro, vida de casal assumida diante das respectivas fam\u00edlias e reconhecida por elas. Uma delas teve um filho com o seu parceiro. Nenhuma delas se casou, no entanto, durante essa uni\u00e3o, num acordo com o parceiro, seja por ideais \u201ccompartilhados\u201d, seja adiando o casamento. A um dado momento, sem que seja poss\u00edvel extrair da\u00ed algum elemento comum aos quatro casos, ou seja, em circunst\u00e2ncias e por raz\u00f5es muito diferentes, elas romperam esse la\u00e7o. A posterior escolha delas foi por uma mulher, e essa escolha ou foi definitiva ou foi reiterada v\u00e1rias vezes. Elas viveram, portanto, desde ent\u00e3o, com uma mulher sem fazer da homossexualidade uma identifica\u00e7\u00e3o. N\u00e3o somente elas \u201cse apaixonaram\u201d, mas tamb\u00e9m a rela\u00e7\u00e3o f\u00edsica n\u00e3o constituiu um problema. Todas assumiram, com maior ou menor dificuldade, essa escolha junto a suas fam\u00edlias e, mais al\u00e9m, em rela\u00e7\u00e3o ao seu meio social. Duas das quatro t\u00eam um desejo de filho que elas n\u00e3o concebem fora do la\u00e7o com sua companheira e que colocam em quest\u00e3o suas respectivas posi\u00e7\u00f5es no casal formado: o retorno da rivalidade assim que se introduz o objeto, nesse caso, o filho. As dificuldades encontradas n\u00e3o as trouxeram de volta para os parceiros homens, mesmo que algumas continuassem a ter rela\u00e7\u00f5es de sedu\u00e7\u00e3o ou mesmo rela\u00e7\u00f5es sexuais passageiras com homens. Suas escolhas amorosas remetem cada uma a tra\u00e7os que pertencem a uma Feminilidade idealizada: uma feminilidade que elas n\u00e3o t\u00eam, segundo afirmam, e que as fascina, como se fosse um enigma, uma feminilidade na qual n\u00e3o se reconhecem e n\u00e3o desejam para si mesmas. Pode-se recorrer \u00e0 afirma\u00e7\u00e3o de Lacan no Semin\u00e1rio, livro XX, segundo a qual as mulheres homossexuais gostam do Outro sexo para perseguir um gozo outro, distinto do gozo de um objeto que faz falhar a rela\u00e7\u00e3o desejada com esse outro, tornando-as, portanto, \u201ch\u00e9tero\u201d orientadas. Sem passar mais pelo amor e pelo desejo de um homem, elas foram diretamente na dire\u00e7\u00e3o desse Outro sexo que as fascina, que elas amam. O la\u00e7o com essa mulher suposta outra que n\u00e3o elas mesmas, suposta outra a lhes revelar sua pr\u00f3pria feminilidade, conduz o encantamento amoroso a um limite. Pode ser o retorno do mesmo (LACAN, 1972-1973\/1985) quando o surgimento do objeto reacende a rivalidade. Pode ser a estranheza daquilo que elas consideram como a loucura do fora de limite de sua parceira. Pode ser o retorno \u00e0 m\u00e3e que mergulha novamente o sujeito numa posi\u00e7\u00e3o de crian\u00e7a, equilibrada por uma posi\u00e7\u00e3o donjuanesca em rela\u00e7\u00e3o a outras mulheres a conquistar. Pode ser a descoberta do impasse da posi\u00e7\u00e3o masculina, no estilo arroseur arros\u00e9iii. Mas, em raz\u00e3o do amor pelo pai, n\u00e3o h\u00e1 nunca o acesso ao n\u00e3o-todo f\u00e1lico. Simplesmente mulheres que se autorizam a ser homens como os outros, \u00e0 procura de um gozo delas, inacess\u00edvel. Nessas condi\u00e7\u00f5es, o desenvolvimento contempor\u00e2neo da homossexualidade feminina \u00e9 uma simplifica\u00e7\u00e3o que decorre do fato de que, sexualmente, hoje o sujeito se autoriza somente por si mesmo, como j\u00e1 dizia Lacan em seu Semin\u00e1rio, livro XXI.<\/p>\n<p>E a Jovem Homossexual, o que aconteceu com o seu paradigma? A hip\u00f3tese \u00e9 mais dif\u00edcil de ser colocada. Que ela n\u00e3o provoca mais esc\u00e2ndalo, n\u00e3o h\u00e1 nenhuma d\u00favida. Mas essa n\u00e3o era a sua \u00fanica visada. As mulheres orientadas desde a inf\u00e2ncia, de modo assertivo, para a homossexualidade, para as quais a rela\u00e7\u00e3o sexual com os homens \u00e9 sem atrativo ou mesmo imposs\u00edvel, s\u00e3o, no que diz respeito \u00e0 minha experi\u00eancia de analista, menos numerosas, pelo menos a procurar por uma an\u00e1lise. \u00c9 importante notar que o diagn\u00f3stico de pervers\u00e3o, tal como ele \u00e9 concebido por Freud, n\u00e3o \u00e9 garantido.<\/p>\n<p>A partir da cl\u00ednica, um ponto nos parece importante. A quest\u00e3o do sujeito definindo-se como \u201chomossexual\u201d n\u00e3o incide sobre o \u201cenigma da sua feminilidade corporal\u201d. Esses sujeitos se definem como mulheres, sem se questionar e sem reivindica\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o aos homens em geral ou, em particular, a respeito daqueles que poderiam participar de sua vida amorosa. Elas n\u00e3o olham para os homens e os homens n\u00e3o lhes interessam. O desejo est\u00e1 ausente, o amor, nem sempre. Isso quer dizer que n\u00e3o h\u00e1 divis\u00e3o subjetiva sob diferentes modalidades? N\u00e3o, mas essa divis\u00e3o n\u00e3o diz respeito \u00e0 sexualidade feminina. Uma cl\u00ednica est\u00e1 para ser constru\u00edda, estendendo-se sem d\u00favida da neurose \u00e0 psicose, cl\u00ednica que Lacan evocava a respeito do misticismo a ser diferenciado em suas formas neur\u00f3tica, psic\u00f3tica ou perversa. A hip\u00f3tese que vamos propor, bem modesta, \u00e9 que esse tipo de escolha homossexual, em alguns sujeitos, est\u00e1 ordenada pela separa\u00e7\u00e3o do objeto de qualquer valor de troca f\u00e1lica e, portanto, trata-se de sair da cena dos discursos. Ideal de fus\u00e3o ou de desaparecimento. No primeiro plano, n\u00e3o v\u00eam os significantes, a linguagem, mas eventualmente a letra, fora do discurso, n\u00e3o fora da escrita, o que vai de encontro \u00e0 observa\u00e7\u00e3o pela qual n\u00f3s come\u00e7amos e segundo a qual a homossexualidade feminina foi coberta pelo sil\u00eancio durante muito tempo.<\/p>\n<p>Parece, portanto, necess\u00e1rio diferenciar, numa cl\u00ednica psicanal\u00edtica, as fun\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas diferentes da homossexualidade, pois est\u00e1 claro que ela n\u00e3o corresponde a uma estrutura \u00fanica.<\/p>\n<p>De um lado, uma homossexualidade, que \u00e9 um novo sintoma hist\u00e9rico, fundamentada numa idealiza\u00e7\u00e3o de A mulher como Outro, para ela mesma e em geral. Essa solu\u00e7\u00e3o diz respeito ao objeto colocado no feminino, n\u00e3o o sujeito, que permanece preso numa posi\u00e7\u00e3o masculina, deixando a parte mais importante para a fantasia. Essa homossexualidade, universalizando o feminino como figura do Outro, responde ao princ\u00edpio do todo em uma \u00e9poca em que a exce\u00e7\u00e3o paterna est\u00e1 falhando. Ela coloca no lugar deixado vazio pelo Pai e seus avatares, A\/Mulher como o escreve Lacan no Semin\u00e1rio, livro XX: Mais, ainda (colocando uma barra sobre o A), diretamente e sem mais m\u00e1scara ou chicane. O homem tornou-se um desvio in\u00fatil. Nessa perspectiva, a homossexualidade responde como sintoma \u00e0 quest\u00e3o da falta no Outro.<\/p>\n<p>Por outro lado, uma homossexualidade feminina, \u00e9 a escolha de gozo decidida, que permite ao sujeito se apreender ele mesmo como mulher. Essa solu\u00e7\u00e3o n\u00e3o depende tanto da escolha do objeto quanto da identifica\u00e7\u00e3o de si pr\u00f3prio como verdadeira mulher e implica em continuidade numa identifica\u00e7\u00e3o com a parceira escolhida como objeto semelhante. A idealiza\u00e7\u00e3o pode acontecer, mas n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1ria. Essa homossexualidade n\u00e3o repousa sobre um eixo de identifica\u00e7\u00e3o vertical, mas horizontal e meton\u00edmico: a mesma, se amar podendo se escrever, se \u201cm\u00eamer\u201div numa pessoa semelhante. Dependendo da dimens\u00e3o dessa identifica\u00e7\u00e3o, imagin\u00e1ria ou simb\u00f3lica, a estrutura ps\u00edquica do sujeito \u00e9 diferente. Psicose, quando esse mesmo \u00e9 imagin\u00e1rio e constitui ent\u00e3o um verdadeiro duplo do sujeito que lhe d\u00e1 a solidez que falta quando n\u00e3o est\u00e1 presente a identifica\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica ou real. Neurose, quando essa identifica\u00e7\u00e3o imagin\u00e1ria recobre uma identifica\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica recalcada. Pervers\u00e3o fetichista, quando ela se opera a partir da fixa\u00e7\u00e3o de um tra\u00e7o. Em todos os casos, a homossexualidade \u00e9 uma resposta pelo modo de gozo \u00e0 falta a ser do sujeito.<\/p>\n<p>Resta uma terceira via de investiga\u00e7\u00e3o, ainda pouco aprofundada clinicamente. Qual seria a homossexualidade feminina que se situaria na esteira operada pela defini\u00e7\u00e3o do feminino que encontramos no Semin\u00e1rio Mais, ainda, de Lacan? Existe uma possibilidade de considerar uma homossexualidade que se situaria do lado do que Lacan chama \u2013 apoiando-se sobre uma formaliza\u00e7\u00e3o l\u00f3gica \u2013 de \u201cn\u00e3o-todo\u201d, em oposi\u00e7\u00e3o ao \u201cpara-todo\u201d, esse princ\u00edpio de funcionamento do universal que \u00e9 uma fic\u00e7\u00e3o, que depende da estrutura da linguagem e do discurso que permite, no caso, o funcionamento pol\u00edtico.<\/p>\n<p>De qual \u201cn\u00e3o-todo\u201d a homossexualidade feminina seria, por sua vez, o revelador? N\u00f3s propomos: \u201cn\u00e3o todo sexo\u201d. Seria uma solu\u00e7\u00e3o que limitaria o sentido sexual n\u00e3o da forma como o faz a psican\u00e1lise a partir do \u201cn\u00e3o existe rela\u00e7\u00e3o sexual\u201d, mas levantando a bandeira do amor: uma esp\u00e9cie de sublima\u00e7\u00e3o pela alma. No deserto da aus\u00eancia de rela\u00e7\u00e3o sexual que n\u00e3o vem mais velar o pai e as exig\u00eancias da ordem familiar, essa solu\u00e7\u00e3o seria uma tentativa de fazer existir, pela escrita no corpo, o acontecimento de um gozo localizado fora dos \u00f3rg\u00e3os sexuais. Esses, de fato, est\u00e3o sempre submetidos, no campo do real, \u00e0 reprodu\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o exige que os seres falantes se encontrem na linguagem, no campo do simb\u00f3lico, \u00e0 fantasia e \u00e0 puls\u00e3o, portanto, ao autoerotismo. A menos que se tome como A Mulher e que se fa\u00e7a retorno ao \u201cpara-todo\u201d na imposs\u00edvel posi\u00e7\u00e3o da exce\u00e7\u00e3o, essa solu\u00e7\u00e3o pelo retorno a um corpo n\u00e3o regido pelas exig\u00eancias do sexo, que se decline como sentido ou de uma maneira biol\u00f3gica, tem uma caracter\u00edstica: ela n\u00e3o pode pretender ao universal. E, consequentemente, parece pouco compat\u00edvel com uma escolha exclusiva e definitiva: uma homossexualidade \u201cn\u00e3o-toda\u201d, n\u00e3o no sentido de incompleta, mas de n\u00e3o totalit\u00e1ria, que n\u00e3o pode ser, portanto, um fator de identifica\u00e7\u00e3o nem um modo de vida.<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: M\u00e1rcia Bandeira<br \/>\nRevis\u00e3o da tradu\u00e7\u00e3o: Ana Lydia Santiago<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6>(1) \u201cPor tr\u00e1s da sequ\u00eancia hipervalente de pensamentos que se ocupavam com as rela\u00e7\u00f5es entre o pai de Dora e a Sra. K. ocultava-se, de fato, um impulso de ci\u00fame cujo objeto era essa mulher \u2013 ou seja, um impulso que s\u00f3 se poderia fundamentar numa inclina\u00e7\u00e3o para o mesmo sexo. H\u00e1 muito se sabe e j\u00e1 se tem assinalado que, na puberdade, com frequ\u00eancia, tanto os meninos quanto as meninas, mesmo nos casos normais, mostram claros ind\u00edcios da exist\u00eancia de uma inclina\u00e7\u00e3o para pessoas do mesmo sexo.\u201d (FREUD, 1905\/1989, p. 62)<\/h6>\n<h6>(2) \u201cVoc\u00eas notar\u00e3o que eu disse suplementar. Se estivesse dito complementar, aonde \u00e9 que estar\u00edamos! Recair\u00edamos no todo.\u201d (Lacan, 1972-1973\/1985, p.99)<\/h6>\n<h6>(3)\u0002 NT. Arroseur Arros\u00e9 \u00e9 o t\u00edtulo de um filme dos irm\u00e3os Lumi\u00e8re (1895), que se popularizou como uma express\u00e3o que significa \u201cter seus atos que retornam contra si mesmo\u201d e que equivaleria \u00e0 express\u00e3o em portugu\u00eas \u201co feiti\u00e7o se volta contra o feiticeiro\u201d ou mesmo estilo \u201cbumerangue\u201d. No filme, um jardineiro rega seu jardim. Um garoto coloca o p\u00e9 sobre a mangueira. O homem olha o bico para ver se est\u00e1 entupido. O espertinho retira o p\u00e9 e o jardineiro recebe o jato na cara. Ele corre atr\u00e1s dele, lhe d\u00e1 uma palmada e o molha tamb\u00e9m.<\/h6>\n<h6>(4)\u0002 NT. Aqui a autora joga com a homofonia das palavras \u201cs\u2019aimer (se amar) et \u201cm\u00eame\u201d (mesmo), criando um neologismo, o verbo \u201cse m\u00eamer\u201d, ou seja \u201camar o mesmo\u201d.<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<hr \/>\n<div class=\"uk-margin-medium-top\">\n<h6><\/h6>\n<h6><strong>Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas<\/strong><\/h6>\n<h6>FREUD, S. (1905) Fragmento da an\u00e1lise de um caso de histeria. Rio de janeiro: Imago, 1980. (Edi\u00e7\u00e3o standard das Obras psicol\u00f3gicas completas de Sigmund Freud, v. 7)<\/h6>\n<h6>LACAN. J. (1951) \u201cInterven\u00e7\u00e3o sobre a transfer\u00eancia\u201d. In: Escritos, Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1998. p. 214-225.<\/h6>\n<h6>______. (1957-1958\/1999) O Semin\u00e1rio. Livro V: as forma\u00e7\u00f5es do inconsciente. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1999.<\/h6>\n<h6>______. O Semin\u00e1rio. Livro X: a ang\u00fastia. Rio de Janeiro: Jorge Zahar,<\/h6>\n<h6>______. (1969-1970\/1992) O Semin\u00e1rio. Livro XVII:o avesso da psican\u00e1lise. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1992.<\/h6>\n<h6>______. (1972-1973\/1985) O Semin\u00e1rio. Livro XX: mais, ainda. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1985.<\/h6>\n<h6>______. (1973-1974) O Semin\u00e1rio. Livro XXI: les non-dupes errent. In\u00e9dito<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<hr \/>\n<div class=\"uk-margin-medium-top\">\n<h6><\/h6>\n<h6><strong>M.-H. Brousse<\/strong><\/h6>\n<h6>Psicanalista, AME da ECF, EOL, NLS e AMP. E-mail:\u00a0<span id=\"cloakb9b7ae7c0ce1e69c3905c3cb9dfee0d7\"><a href=\"mailto:brousserichard@wanadoo.fr\">brousserichard@wanadoo.fr<\/a><\/span><\/h6>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>M.-H. BROUSSE &nbsp; A homossexualidade feminina \u00e9 uma solu\u00e7\u00e3o para a dificuldade sexual dos seres de linguagem \u2013 que s\u00e3o os seres humanos \u2013 t\u00e3o antiga quanto a homossexualidade masculina, mais discreta talvez, menos exposta ao p\u00fablico, mas tamb\u00e9m constante atrav\u00e9s das \u00e9pocas hist\u00f3ricas e das diferentes culturas. 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