{"id":721,"date":"2015-03-17T06:56:00","date_gmt":"2015-03-17T09:56:00","guid":{"rendered":"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/new\/?p=721"},"modified":"2025-12-01T17:02:19","modified_gmt":"2025-12-01T20:02:19","slug":"da-solucao-do-sintoma-ao-sinthoma-como-solucao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/2015\/03\/17\/da-solucao-do-sintoma-ao-sinthoma-como-solucao\/","title":{"rendered":"Da Solu\u00e7\u00e3o Do Sintoma Ao Sinthoma Como Solu\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<h1 class=\"uk-margin-large-top uk-margin-remove-bottom uk-text-center uk-article-title\"><\/h1>\n<div class=\"uk-margin-medium-top\">\n<h6><strong>LEANDRO MARQUES SANTOS<\/strong><\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<p><a class=\"dt-pswp-item\" href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/fdfdfjpg-463x600-1.jpg\" data-dt-img-description=\"\" data-large_image_width=\"463\" data-large_image_height=\"600\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-722\" src=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/fdfdfjpg-463x600-1.jpg\" alt=\"\" width=\"463\" height=\"600\" srcset=\"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/fdfdfjpg-463x600-1.jpg 463w, https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/fdfdfjpg-463x600-1-232x300.jpg 232w\" sizes=\"auto, (max-width: 463px) 100vw, 463px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"uk-margin-medium-top\">\n<p>O sintoma \u00e9 o mal do qual o sujeito quer se livrar, e, portanto, \u00e9 aquilo que o leva a falar a um analista sob a forma de uma demanda. J\u00e9sus Santiago, no testemunho de seu passe, fala sobre sua demanda de an\u00e1lise ap\u00f3s a morte de seu pai: \u201csou tomado por intensa ang\u00fastia, e pela ideia atormentadora de que poderia vir a ficar deprimido e doente como ele. Eis o que me impulsiona para o meu primeiro tratamento anal\u00edtico\u201d (SANTIAGO, 2013, p. 89).<\/p>\n<p>Segundo Freud, os sintomas t\u00eam um sentido e se relacionam com as experi\u00eancias do paciente. No caso de J\u00e9sus Santiago, o pensamento atormentador da possibilidade de ficar deprimido e doente como o pai tem rela\u00e7\u00e3o direta com sua miss\u00e3o de salv\u00e1-lo, encarnada pelo seu nome pr\u00f3prio.<\/p>\n<p>Na neurose obsessiva, os sintomas surgem pelos pensamentos invasores, impulsos dentro de si mesmo, ritos obrigat\u00f3rios. Essas manifesta\u00e7\u00f5es, que fogem ao controle do sujeito, geram a ele perturba\u00e7\u00f5es e sofrimento. Isso fez com que Freud a nomeasse de \u201cdoen\u00e7a louca\u201d (FREUD, 1915-1916, p. 267).<\/p>\n<p>Uma das pacientes de Freud, citada na Confer\u00eancia XVII (1915 \u2013 1916), que cometia repetidamente o ato de chamar a empregada pr\u00f3ximo a uma mesa, cuja toalha estava manchada de vermelho, de acordo com Freud, repetia esse ato no intuito de corrigir a falha do marido na noite de n\u00fapcias.<\/p>\n<p><strong>Portanto, Qual Seria A Fun\u00e7\u00e3o Do Sintoma?<\/strong><\/p>\n<p>O sintoma \u00e9 uma consequ\u00eancia do encontro do sujeito com a castra\u00e7\u00e3o (SANTIAGO, 2015, p. 163). Ele \u00e9 \u201csigno da falha da rela\u00e7\u00e3o sexual\u201d (SKRIABINE, 2013, p. 19), o que seria um outro nome da castra\u00e7\u00e3o, sendo sua fun\u00e7\u00e3o a de um substituto, uma esp\u00e9cie de supl\u00eancia \u00e0 falta da rela\u00e7\u00e3o sexual que o significante falha em escrever, ou seja, a linguagem n\u00e3o d\u00e1 conta dessa rela\u00e7\u00e3o, portanto, o surgimento do sintoma.<\/p>\n<p><strong>Porque Ele Se Forma Assim?<\/strong><\/p>\n<p>Freud nos ensina que o sintoma \u00e9 fruto de um conflito entre a necessidade de satisfa\u00e7\u00e3o da libido e as proibi\u00e7\u00f5es internas e externas, ou do ego e da realidade, encontrado pela libido na busca de satisfa\u00e7\u00e3o. Essas proibi\u00e7\u00f5es fazem com que a libido, que possui um \u201ccar\u00e1ter fundamentalmente imut\u00e1vel\u201d (FREUD, 1916, p. 362), invista em forma de catexia, em tempos anteriores, nas fixa\u00e7\u00f5es de satisfa\u00e7\u00f5es que eram obtidas na inf\u00e2ncia, passando assim a operar atrav\u00e9s do sistema inconsciente. O ego, ent\u00e3o, opositor a essas realiza\u00e7\u00f5es, passa a persegui-la e compeli-la a escolher uma forma de express\u00e3o da pr\u00f3pria oposi\u00e7\u00e3o. Assim, cito Freud: \u201co sintoma emerge como um derivado m\u00faltiplas-vezes-distorcido da realiza\u00e7\u00e3o de desejo libinal inconsciente, uma pe\u00e7a de ambiguidade engenhosamente escolhida, com dois significados em completa contradi\u00e7\u00e3o m\u00fatua\u201d (FREUD, 1915-1916, p. 362-363).<\/p>\n<p>O sintoma ent\u00e3o age repetindo a forma infantil de satisfa\u00e7\u00e3o, por\u00e9m de maneira deformada devido \u00e0 censura do ego, provocando sofrimento ao sujeito que reclama dele sem perceber que tamb\u00e9m se satisfaz ali. Como nos revela Santiago ao falar sobre seu \u201cesquartejamento\u201d, \u201cum supl\u00edcio sofrido pela a\u00e7\u00e3o de for\u00e7as antag\u00f4nicas\u201d, posto em cena pela an\u00e1lise na qual ele se valia da \u201cinoc\u00eancia do menino\u201d para n\u00e3o saber sobre seu \u201caprisionamento no gozo sacrificial\u201d (SANTIAGO, 2013, p. 93).<\/p>\n<p>Santiago relata o esfor\u00e7o nocivo que fazia para tentar dissolver as identifica\u00e7\u00f5es com o ideal viril, \u201cidentifica\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a-orif\u00edcio com a virilidade da m\u00e3e\u201d. Revela que \u201cexatamente nesse ponto, o amor se transfigurava em sintoma. Em detrimento do amor, prevaleciam as repeti\u00e7\u00f5es com a satisfa\u00e7\u00e3o esc\u00f3pica promovida pela fantasia\u201d (SANTIAGO, 2015, p. 166).<\/p>\n<p>Freud, ao descrever sobre a regress\u00e3o da libido \u00e0s fixa\u00e7\u00f5es de satisfa\u00e7\u00e3o da inf\u00e2ncia, toca num ponto fundamental, que \u00e9 o da fantasia, e a compara \u00e0 realidade vivida por cada sujeito, com base no que cada um traz em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s hist\u00f3rias de sua inf\u00e2ncia, sem se importar, a princ\u00edpio, se os fatos s\u00e3o ou n\u00e3o ver\u00eddicos, uma vez que foram criadas pelo sujeito neur\u00f3tico e, por isso, t\u00eam o valor de verdade: \u201cno mundo das neuroses, a realidade ps\u00edquica \u00e9 a realidade decisiva\u201d FREUD (1915-1916, p. 370). Como podemos ver na contribui\u00e7\u00e3o dada por Santiago em seu passe, \u201ca fantasia se origina da rela\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a com a m\u00e3e viril\u201d. Na adolesc\u00eancia, isso inverte: \u201cde objeto-orif\u00edcio passei a me identificar com o objeto-olhar da m\u00e3e. Assim, ao me identificar com ela, eu me virilizava; virilizado me sacrificava\u201d (SANTIAGO, 2015, p. 166).<\/p>\n<p>O ponto de fixa\u00e7\u00e3o provoca sempre uma repeti\u00e7\u00e3o por parte do sujeito, evidenciando que h\u00e1 algo no sintoma que resiste \u00e0 decifra\u00e7\u00e3o (SOUTO, 2003, p. 11).<\/p>\n<p>Santiago, ao falar das repeti\u00e7\u00f5es com a satisfa\u00e7\u00e3o esc\u00f3pica promovida pela fantasia, afirma que \u201ctais repeti\u00e7\u00f5es se mostravam refrat\u00e1rias \u00e0s interpreta\u00e7\u00f5es e constru\u00e7\u00f5es que buscavam elucidar o impasse amoroso\u2026 da identifica\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a-orif\u00edcio com a virilidade da m\u00e3e\u201d (SANTIAGO, 2015, p. 166).<\/p>\n<p><strong>O Sintoma Seria, Portanto, A Realiza\u00e7\u00e3o Da Fantasia?<\/strong><\/p>\n<p>\u201cLacan nos esclarece que o sintoma \u00e9 aquilo que envelopa a fantasia, o gozo que a fantasia comporta\u2026 aquilo que da fantasia pode aparecer sob a forma significante\u201d (MACHADO, 2004, p. 2). Como no caso de Santiago, ao assumir a forma do \u201cboneco-de-verdade\u201d: \u201cO sujeito se apega a esta forma f\u00e1lica que o representa para o Outro\u201d (SANTIAGO, 2013, p. 91).<\/p>\n<p>Sendo assim, a realiza\u00e7\u00e3o da fantasia pela via do sintoma \u00e9 a realiza\u00e7\u00e3o do gozo, e Lacan chama de sintoma a incid\u00eancia do gozo sobre o corpo. Portanto, o sintoma vai al\u00e9m da fantasia, comportando gozo e fantasia, sendo o gozo inapreens\u00edvel pelo significante. Santiago, no percurso de sua an\u00e1lise, reencontra o que ele chama de \u201ca dimens\u00e3o mort\u00edfera do objeto, que aparece inicialmente velado pelo investimento libidinal no corpo pr\u00f3prio via o brilho do boneco-de-verdade\u201d (SANTIAGO, 2013, p. 92).<\/p>\n<p><strong>O Nome-Do-Pai \u00c9 Um Sintoma?<\/strong><\/p>\n<p>Lacan destitui o Nome-do-Pai rebaixando-o a um tipo de sinthoma, ou seja, o Nome-do-Pai seria igual ao sinthoma (JIMENEZ, 2005). Tal como o quarto n\u00f3, que amarra os tr\u00eas registros \u2013 real, simb\u00f3lico e imagin\u00e1rio \u2013, conforme demonstrado por Lacan ao referir-se a Joyce no Semin\u00e1rio 23 (LACAN, 1976).<\/p>\n<p>Miller, na abertura da Conversa\u00e7\u00e3o II de Arcachon, sustenta que um sintoma pode assumir a fun\u00e7\u00e3o de Nome-do-Pai e afirma que \u201co Nome-do-Pai, ele pr\u00f3prio, n\u00e3o \u00e9 nada mais que um sintoma\u201d (MILLER, 1997, p. 106).<\/p>\n<p>Por\u00e9m, Lacan n\u00e3o deixa de ressaltar a import\u00e2ncia desse quarto elemento do n\u00f3 borromeano, afirmando que o pai \u00e9 esse quarto elemento\u2026 esse quarto elemento sem o qual nada \u00e9 poss\u00edvel no n\u00f3 do simb\u00f3lico, do imagin\u00e1rio e do real. Mas h\u00e1 um outro modo de cham\u00e1-lo\u2026 eu o revisto hoje com o que \u00e9 conveniente chamar de sinthoma (LACAN, 1976, p. 163).<\/p>\n<p><strong>H\u00e1 Solu\u00e7\u00e3o Para O Sintoma?<\/strong><\/p>\n<p>O sintoma pode ser interpretado, e assim podemos dizer que h\u00e1 solu\u00e7\u00e3o para o sintoma. No entanto, para o sinthoma n\u00e3o h\u00e1 interpreta\u00e7\u00e3o, permanecendo um resto inomin\u00e1vel. Portanto, \u201co sintoma \u00e9 cur\u00e1vel; o sinthoma n\u00e3o\u201d (JIMENEZ, 2005).<\/p>\n<p>J\u00e9sus Santiago demonstra em seu testemunho que o \u201cboneco-de-verdade\u201d, que encobre um \u201cgozo mort\u00edfero\u201d, \u00e9 dissolvido pela senten\u00e7a \u201cnegue teus her\u00f3is\u201d, extra\u00edda de um sonho de final de an\u00e1lise (SANTIAGO, 2013, p. 95). Portanto, \u201cno lugar da oferenda em sacrif\u00edcio ao Outro, h\u00e1 o gozo traum\u00e1tico, considerando-se que sua consist\u00eancia \u00e9 o vazio pr\u00f3prio da montagem pulsional\u201d (SANTIAGO, 2015, p. 169).<\/p>\n<p>No percurso de uma an\u00e1lise opera-se a queda dos significantes, e, com isso, uma redu\u00e7\u00e3o do gozo e tamb\u00e9m dos sofrimentos provocados pelos sintomas pr\u00f3prios de cada ser falante. No entanto, o inconsciente n\u00e3o se esgota, ou seja, permanece um resto, e nesse resto podemos encontrar uma solu\u00e7\u00e3o (SOUTO, 2003, p. 11).<\/p>\n<p>Para chegar a esse ponto, \u00e9 preciso servir-se do pai na medida em que, numa an\u00e1lise, se articula com os significantes causadores de gozo e se descobre os objetos da fantasia. \u00c9 servindo-se do pai que o sujeito neur\u00f3tico tem a chance de sair da posi\u00e7\u00e3o fantasm\u00e1tica que o coloca como objeto de gozo do Outro para inventar um novo modo de gozo. Essa inven\u00e7\u00e3o pode ser chamada de parceiro-sintoma, como nos esclarece Miller: \u201ca rela\u00e7\u00e3o do parceiro sup\u00f5e que o Outro torna-se o sintoma do falasser, isto \u00e9, torna-se seu meio de gozo\u201d (MILLER, 1998, p. 104).<\/p>\n<p>Marcus Andr\u00e9 Vieira, em seu testemunho de final de an\u00e1lise, conta como foi essencial servir-se do pai para poder dispens\u00e1-lo quando fabrica o nome \u201cmordidavida\u201d para dar lugar ao gozo que n\u00e3o cabe em corpo nenhum, o gozo n\u00e3o apreendido pela fantasia, um gozo al\u00e9m do pai (VIEIRA, 2013, p.101).<\/p>\n<p><strong>Dispensar O Pai \u00c9 Fazer Do Sintoma Um Parceiro?<\/strong><\/p>\n<p>Inventado e sustentado pelo passante Marcus Andr\u00e9 Vieira em seu testemunho, o nome \u201cmordidavida\u201d, que estabelece a parceria sintom\u00e1tica entre o falasser e seu sinthoma, s\u00f3 foi poss\u00edvel porque Marcus Andr\u00e9 se serviu da \u201cm\u00e3o mordida\u201d do pai para poder dispens\u00e1-lo e ir al\u00e9m. Seu pai possu\u00eda 53 c\u00e3es, e, portanto, tinha as m\u00e3os sempre machucadas por separar as lutas entre eles, numa viol\u00eancia disfar\u00e7ada, como nos afirma Marcus. Este, ent\u00e3o, encontra um lugar para o pai ao afirmar que \u201ca m\u00e3o mordida deu-lhe lugar\u2026 o do louco\u201d (VIEIRA, 2013, p.102).<\/p>\n<p>Se considerarmos que o Nome-do-Pai \u00e9 um sintoma e que sempre haver\u00e1 um resto, um real inapreens\u00edvel, podemos concluir que dispensar o pai \u00e9 fazer parceria com o sinthoma como um modo de gozar que o sujeito inventa.<\/p>\n<p>Trata-se de uma inven\u00e7\u00e3o, pois mesmo num final de an\u00e1lise n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel chegar ao significante S1, \u00e0 verdade sobre o gozo. O falasser chega ao limite de saber pela via significante, o S1 \u201cfoi apenas um choque do significante com o corpo\u201d (SILVA, 2015, p. 174).<\/p>\n<p>A inven\u00e7\u00e3o do sinthoma n\u00e3o surge do nada, ela dispensa o pai pelo fato dele ter-se servido. Portanto, podemos dizer que o sinthoma j\u00e1 estava presente no sintoma e que a an\u00e1lise seria o processo de lapida\u00e7\u00e3o, no qual o sinthoma surge, ao final, como algo aparentemente novo, mas que sempre esteve l\u00e1, encoberto pelos significantes mestres (MACHADO, 2004).<\/p>\n<p>No final de uma an\u00e1lise, conforme \u00e9 poss\u00edvel constatarmos nos relatos de passe, h\u00e1 um resto que n\u00e3o se ultrapassa, portanto temos que viver com ele. Por mais longe que o sujeito leve sua an\u00e1lise, por mais que se reduza o gozo, restar\u00e1 o sinthoma como modo de gozo.<\/p>\n<p>Utilizando-se da famosa frase de Lacan, \u201cn\u00e3o h\u00e1 rela\u00e7\u00e3o sexual\u201d, Miller ensina que \u201co falasser, como ser sexuado, faz parceria, n\u00e3o no n\u00edvel do significante puro, mas no n\u00edvel do gozo, e essa liga\u00e7\u00e3o \u00e9 sempre sintom\u00e1tica\u201d (MILLER, 1998, p. 106).<\/p>\n<p><strong>E Como Fazer Com O Parceiro-Sinthoma?<\/strong><\/p>\n<p>Se as possibilidades pela via significante est\u00e3o esgotadas, n\u00e3o h\u00e1 como saber sobre o que fazer com o resto de gozo, ou seja, n\u00e3o se sabe antes de fazer, trata-se de um saber-fazer que se d\u00e1 em ato, sem significado, que n\u00e3o est\u00e1 dirigido ao Outro. \u201cTrata-se de um saber que s\u00f3 se sabe ao fazer, depois de feito\u2026 um saber que s\u00f3 \u00e9 sabido em ato\u201d (MACHADO, 2004).<\/p>\n<p>J\u00e9sus Santiago afirma que \u201co amor pressup\u00f5e viver o vazio da puls\u00e3o sem o recurso da fantasia\u201d e relata que, no final, foi necess\u00e1rio dissolver a miragem f\u00e1lica para poder \u201cconstruir-se como objeto a servi\u00e7o do vazio pr\u00f3prio da puls\u00e3o\u201d (SANTIAGO, 2015, p. 168).<\/p>\n<p>A via de entrada numa an\u00e1lise \u00e9 tamb\u00e9m a via de sa\u00edda, que vai da solu\u00e7\u00e3o do sintoma ao sinthoma como solu\u00e7\u00e3o. No percurso de uma an\u00e1lise, que se envereda pelas redes simb\u00f3licas que determinam o sujeito, as solu\u00e7\u00f5es pela via do sentido, daquilo que \u00e9 interpret\u00e1vel, se reduzem ao resto inomin\u00e1vel, ao real do sinthoma, que se transforma em parceiro. Portanto, o sintoma n\u00e3o se soluciona, mas \u00e9 a pr\u00f3pria solu\u00e7\u00e3o parceiro-sinthoma.<\/p>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<div class=\"uk-margin-medium-top\">\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6><strong>Bibliografia:<\/strong><\/h6>\n<h6>FREUD, S. (1916) \u201cO sentido dos sintomas\u201d, In: Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira das Obras Psicol\u00f3gicas Completas de Sigmund Freud \u2013 Vol. XVI, Confer\u00eancias introdut\u00f3rias sobre psican\u00e1lise (parte III), Rio de Janeiro: Imago, 1976.<\/h6>\n<h6>FREUD, S. (1916) \u201cOs caminhos da forma\u00e7\u00e3o dos sintomas\u201d, In: Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira das Obras Psicol\u00f3gicas Completas de Sigmund Freud \u2013 Vol.XVI, Confer\u00eancias introdut\u00f3rias sobre psican\u00e1lise (parte III), Rio de Janeiro: Imago, 1976.<\/h6>\n<h6>JIMENEZ, S. Sinthoma e fantasia fundamental, Latusa Digital, Rio de Janeiro \u2013 EBP-RJ, n. 12, 2005.<\/h6>\n<h6>LACAN, J. O Semin\u00e1rio. Livro 23: o sinthoma. (1975-1976). Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2007.<\/h6>\n<h6>MACHADO, M. R. O. \u201cQual a rela\u00e7\u00e3o entre sintoma e sinthoma?\u201d \u2013 Cadernos de psican\u00e1lise: SPCRJ, Rio de Janeiro, n. 23, V. 20, 2004.<\/h6>\n<h6>MILLER, J.-A. \u201cO osso de uma an\u00e1lise\u201d. Semin\u00e1rio proferido no VIII Encontro Brasileiro do Campo Freudiano e II Congresso da Escola Brasileira de Psican\u00e1lise. Bahia: Biblioteca Agente, 1998.<\/h6>\n<h6>MILLER, J.-A. et al. (1997). Os casos raros, inclassific\u00e1veis da cl\u00ednica psicanal\u00edtica. A Conversa\u00e7\u00e3o de Arcachon. S\u00e3o Paulo: Biblioteca Freudiana Brasileira, 1998.<\/h6>\n<h6>SANTIAGO, B. A. L. \u201cO falo como semblante: Rumo ao final de an\u00e1lise\u201d, Curinga: Trauma nos corpos, viol\u00eancia nas cidades. Belo Horizonte: EBP-MG, n. 39, 2015.<\/h6>\n<h6>SANTIAGO, J. \u201cDa rigidez f\u00e1lica ao objeto m\u00f3bil\u201d, Curinga: Trauma nos corpos, viol\u00eancia nas cidades. Belo Horizonte: EBP-MG, n. 39, 2015.<\/h6>\n<h6>SANTIAGO, J. \u201cO nome, o oco e a fona\u00e7\u00e3o\u201d, Op\u00e7\u00e3o Lacaniana, n. 67, Dezembro 2013.<\/h6>\n<h6>SKRIABINE, P. \u201cDo sintoma ao sinthoma\u201d, Revista de Psican\u00e1lise: @gente Digital, Salvador, n. 8, 2013.<\/h6>\n<h6>SILVA, F. R. \u201cO destino do falo no final da an\u00e1lise\u201d, Curinga: Trauma nos corpos, viol\u00eancia nas cidades. Belo Horizonte: EBP-MG, n. 39, 2015.<\/h6>\n<h6>SOUTO, O. S. \u201cComo a psican\u00e1lise cura\u201d, In: Curinga: como a psican\u00e1lise cura. Belo Horizonte: EBP-MG, n. 19, novembro 2003.<\/h6>\n<h6>VIEIRA, A. M. \u201cComo morder o mar\u201d, Op\u00e7\u00e3o Lacaniana, n. 67, dezembro 2013.<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<h6><\/h6>\n<h6><strong>Leandro Marques Santos<\/strong><\/h6>\n<h6>Leandro Marques Santos \u2013 Formado no Curso de Psican\u00e1lise pelo Instituto de Psican\u00e1lise e Sa\u00fade Mental de Minas Gerais, Psicanalista, P\u00f3s-graduado em Gest\u00e3o Financeira na PUC-MG. E-mail:\u00a0<span id=\"cloak801e65cc37157c477b7926757d988a05\"><a href=\"mailto:leandromarquesbh2@gmail.com\">leandromarquesbh2@gmail.com<\/a><\/span>.<\/h6>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>LEANDRO MARQUES SANTOS &nbsp; &nbsp; O sintoma \u00e9 o mal do qual o sujeito quer se livrar, e, portanto, \u00e9 aquilo que o leva a falar a um analista sob a forma de uma demanda. 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