{"id":741,"date":"2015-03-17T06:56:00","date_gmt":"2015-03-17T09:56:00","guid":{"rendered":"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/new\/?p=741"},"modified":"2025-12-01T17:04:56","modified_gmt":"2025-12-01T20:04:56","slug":"solidao-do-ser-falante","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/2015\/03\/17\/solidao-do-ser-falante\/","title":{"rendered":"Solid\u00e3o Do Ser Falante"},"content":{"rendered":"<h1 class=\"uk-margin-large-top uk-margin-remove-bottom uk-text-center uk-article-title\"><\/h1>\n<div class=\"uk-margin-medium-top\">\n<h6><strong>LAURE NAVEAU<\/strong><\/h6>\n<\/div>\n<p><a class=\"dt-pswp-item\" href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Laure-caput-2-768x469-1.jpg\" data-dt-img-description=\"\" data-large_image_width=\"768\" data-large_image_height=\"469\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-742\" src=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Laure-caput-2-768x469-1.jpg\" alt=\"\" width=\"768\" height=\"469\" srcset=\"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Laure-caput-2-768x469-1.jpg 768w, https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Laure-caput-2-768x469-1-300x183.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><\/a><\/p>\n<div class=\"uk-margin-medium-top\">\n<h6 style=\"padding-left: 80px;\">FOTO: ATIVIDADE DE CHRISTINA FORNACIARI, \u201cINVISIBILIDADE SOCIAL\u201d. JOVEM DO PROGRAMA CAPUT.<\/h6>\n<p>Costuma-se dizer que a adolesc\u00eancia \u00e9 uma passagem, um momento de conflito. Freud a nomeou puberdade, e Lacan a evocou em termos de real e de sonho. O poeta a chama de delicada transi\u00e7\u00e3o, o psicanalista fala de mal-entendido, de despertar, de ex\u00edlio, tentativas de nomear o que sobressai de um real que escapa \u00e0s palavras e que pode levar a perder seu caminho. Acontece de um psicanalista ser chamado de passador do real da adolesc\u00eancia, e dessa inscri\u00e7\u00e3o em um outro discurso ter consequ\u00eancias.<\/p>\n<p><strong>H\u00e1 E N\u00e3o H\u00e1<\/strong><\/p>\n<p>A sexualidade n\u00e3o embara\u00e7a apenas os adolescentes, e se as coisas do sexo se tornaram mais acess\u00edveis, se o discurso evoluiu \u2013 pela suspens\u00e3o do recalque, em que a psican\u00e1lise tem sua parte \u2013, o encontro com o outro sexo permanece um enigma: nenhuma resposta codificada conv\u00e9m, ele escapa a qualquer norma. O ex\u00edlio \u00e9 estrutural. O que se chama sexualidade \u00e9 o que, para Lacan, faz um \u201cfuro no real\u201d, e \u201ccomo ningu\u00e9m escapa ileso, as pessoas n\u00e3o se preocupam com o assunto\u201d (LACAN, 2003, p. 558): \u00e9 uma maneira de dizer que \u201cn\u00e3o h\u00e1 rela\u00e7\u00e3o sexual\u201d.<\/p>\n<p>Ao incidirmos a aus\u00eancia de rela\u00e7\u00e3o sexual sobre o adolescente, colocamos o destaque sobre o tempo de incerteza identificat\u00f3ria que lhe \u00e9 pr\u00f3prio, tempo em que a separa\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a ideal que ele teria sido est\u00e1 em jogo. O que est\u00e1 em causa \u00e9 o que se pode dizer, ou n\u00e3o se dizer, do mal-entendido que habita aquele que fala. O semblante do amor \u00e9 a via que, com maior frequ\u00eancia, torna poss\u00edvel esse acordo entre os sexos. Mas se a sexualidade \u00e9 causa de embara\u00e7o, \u201co amor \u00e9 um labirinto de mal-entendidos\u201d (MILLER, 2008). A psican\u00e1lise coloca, ent\u00e3o, em cena, um paradoxo: N\u00e3o h\u00e1 rela\u00e7\u00e3o entre os sexos, por um lado; por outro, h\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o poss\u00edvel ao corpo, ao falo, ao sintoma, ao gozo. Esse designador da exist\u00eancia revela, entretanto, ao mesmo tempo, um impasse l\u00f3gico, aquele da solid\u00e3o. \u00c9 a tese lacaniana congruente com a primeira: a rela\u00e7\u00e3o ao gozo isola, o gozo que h\u00e1 sublinha a n\u00e3o rela\u00e7\u00e3o ao parceiro. A solid\u00e3o est\u00e1 em jogo.<\/p>\n<p>Jacques Lacan destaca particularmente a solid\u00e3o como parceira da mulher, sobre o fracasso da uni\u00e3o entre homem e mulher, a partir do gozo: \u201cmesmo que se satisfa\u00e7a a exig\u00eancia do amor, o gozo que se tem de uma mulher a divide, fazendo-a parceira de sua solid\u00e3o, enquanto a uni\u00e3o permanece na soleira\u201d (LACAN, 2008, p. 467). No Semin\u00e1rio A ang\u00fastia, \u201co gozo do homem e o da mulher n\u00e3o se conjugam\u201d (LACAN, 2005, p. 290), e, em Televis\u00e3o, men\u00e7\u00e3o especial \u00e9 feita sobre a maldi\u00e7\u00e3o sobre o sexo (LACAN, 2003, p. 531), enunciada por Freud em O mal-estar na civiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 nenhuma f\u00f3rmula matem\u00e1tica ou cient\u00edfica para escrever a rela\u00e7\u00e3o sexual, mas, na l\u00edngua, f\u00f3rmulas rom\u00e2nticas como \u201cestava escrito\u201d ou \u201cfoi fatal\u201d tentam cifrar o que \u00e9 da ordem da conting\u00eancia. Lacan dir\u00e1 mesmo que essas f\u00f3rmulas acentuam a dimens\u00e3o de semblante, de mascarada, de parada sexual \u201cuma mulher s\u00f3 tem um testemunho de sua inser\u00e7\u00e3o na lei [f\u00e1lica], [\u2026], atrav\u00e9s do desejo do homem\u201d (LACAN, 2009, p. 65). O artif\u00edcio do desejo do Outro d\u00e1 sua inscri\u00e7\u00e3o ao sujeito. E, para o encontro, \u00e9 preciso que uma mulher \u201ccaia bem\u201d, diz Lacan, \u201cque ela caia sobre o homem que lhe fala segundo sua fantasia fundamental, pr\u00f3pria a ela\u201d (LACAN, 1980, p. 16). Saber como cada um supre essa aus\u00eancia, com o amor, com a fantasia \u2013 pois, esta, pode se escrever em uma f\u00f3rmula \u2013 ou com o sintoma, \u00e9 um dos pontos que est\u00e1 em jogo em uma an\u00e1lise.<\/p>\n<p><strong>O Feminino E O Tabu<\/strong><\/p>\n<p>O encontro de que se trata, no momento da adolesc\u00eancia, concerne o feminino na medida em que \u00e9 a falta que est\u00e1 em jogo no feminino, o confronto ao que falta, para cada um dos dois sexos: o encontro amoroso n\u00e3o completa, mas descompleta, ele introduz a falta. Nessa perspectiva, \u00e9 do lugar que um psicanalista poder\u00e1 vir a ocupar em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 falta que depender\u00e1 a possibilidade de ele se tornar ou n\u00e3o um parceiro que valha para um adolescente.<\/p>\n<p>No texto de Freud sobre o \u201cTabu da virgindade\u201d (FREUD, 1987, p. 175-192), \u00e9 a mulher, inteiramente, que \u00e9 tabu para o homem. Originalmente, escreveu Freud, o tabu foi colocado pelo homem primitivo que teme um perigo. A mulher, outra ao homem, estrangeira, incompreens\u00edvel, \u00e9 percebida por ele como inimiga. O homem teme ser enfraquecido pela mulher, contaminado pela feminilidade, e tem medo de se mostrar incapaz. O tabu \u00e9 uma pot\u00eancia que se op\u00f5e ao amor pela mulher e que provoca um ex\u00edlio entre os sexos.<\/p>\n<p>A psican\u00e1lise intuiu, diz Freud, que<\/p>\n<p style=\"padding-left: 80px;\"><em>\u201ca atitude de rejei\u00e7\u00e3o narc\u00edsica, misturada de desprezo, do homem em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 mulher, deve ser atribu\u00eddo ao complexo de castra\u00e7\u00e3o e a influ\u00eancia deste complexo no julgamento feito sobre a mulher\u201d (FREUD, 1987).<\/em><\/p>\n<p>\u00a0A tese permanece v\u00e1lida ainda hoje, quando assistimos, no mundo inteiro, a um \u00f3dio real, religioso ou n\u00e3o, dirigido \u00e0s mulheres. A outra face do tabu \u00e9 a tend\u00eancia da mulher de se defender de uma ferida narc\u00edsica que lhe seria infligida pela deflora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ferida ou desprezo, a quest\u00e3o se situa por isso, entre valoriza\u00e7\u00e3o e desvaloriza\u00e7\u00e3o, entre agalma e palea, ou seja, do ponto de vista do valor. Lacan dir\u00e1 tamb\u00e9m que a mulher, visto que se quer falar dela, \u201con la dit-femme\u201d (LACAN, 1983, p. 114), fazendo equivocar o dizer sobre a mulher com a difama\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Na fase f\u00e1lica da inf\u00e2ncia, descrita por Freud, existe apenas um \u00f3rg\u00e3o sexual v\u00e1lido: o falo. A novidade de Lacan \u00e9 radical: o falo n\u00e3o \u00e9 tanto um \u00f3rg\u00e3o anat\u00f4mico real, mas, sim, um significante; o significante f\u00e1lico que introduz uma fun\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica e l\u00f3gica no inconsciente. O significante recoloca o v\u00e9u do pudor sobre o \u00f3rg\u00e3o f\u00e1lico desvelado por Freud, Aufhebung. O pudor \u00e9 o afeto pr\u00f3prio \u00e0 opera\u00e7\u00e3o de simboliza\u00e7\u00e3o, uma posi\u00e7\u00e3o subjetiva em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 fun\u00e7\u00e3o do falo que faz com que um homem e uma mulher n\u00e3o demandem e n\u00e3o desejem da mesma maneira.<\/p>\n<p>Apenas passando pelos desfiladeiros do significante, nos diz Lacan, a sexualidade se constitui. A quest\u00e3o \u00e9 ent\u00e3o deslocada: n\u00e3o se trata mais de ter ou n\u00e3o ter o falo, mas de ser ou n\u00e3o investido, falicizado, pelo Outro materno.<\/p>\n<p>No desenvolvimento ulterior da l\u00f3gica lacaniana, se a captura do sujeito na linguagem implica que o sujeito apenas habita seu corpo se a linguagem lhe atribuir um, logo, o osso do embara\u00e7o sexual se situa na pr\u00f3pria lal\u00edngua, nisso que, da linguagem n\u00e3o pode se dizer, nisso que, \u201cda sexualidade, faz furo\u201d. \u00c9 desse estofo que \u00e9 tecida \u201ca infernal morda\u00e7a sobre a boca\u201d da Princesa de Cl\u00e8ves, tecido desse gozo que s\u00f3 pode ser dito entre as palavras e que deixa cada um em ex\u00edlio. \u201cAceita\u00e7\u00e3o de sua ferida\u201d, dizia Freud, \u201cde seu ex\u00edlio pr\u00f3prio \u00e0 linguagem\u201d prossegue Lacan, reinventando o falasser, o que, com efeito, estar\u00e1 implicado em uma an\u00e1lise.<\/p>\n<p><strong>Elise, A Ferida E O Ex\u00edlio<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 quinze anos, recebi uma menina de quatro anos que acabara de perder seu pai e que demandava \u201cter\u201d um psicanalista. Ela tinha escutado falar bem da psican\u00e1lise em sua fam\u00edlia e, por isso, o acesso lhe foi facilitado. A an\u00e1lise transcorreu em tr\u00eas ocasi\u00f5es, durante sua tenra inf\u00e2ncia, at\u00e9 uma primeira solu\u00e7\u00e3o do luto. Ela a retoma em sua adolesc\u00eancia.<\/p>\n<p>Colocada precocemente no trabalho do inconsciente, Elise soube localizar, tal como uma etn\u00f3loga, o lugar de esperan\u00e7a que fora colocada por seus pais, bem antes de seu nascimento, e tamb\u00e9m da desapari\u00e7\u00e3o de seu pai, na sequ\u00eancia de um drama vivido pelo casal. Ela ainda ocupava esse lugar de esperan\u00e7a, e de uma maneira redobrada para sua m\u00e3e, que ficou sozinha ap\u00f3s a morte de seu marido e teve muita dificuldade em suportar isso. Ela pode ver, ent\u00e3o, que faltava algo \u00e0 sua m\u00e3e em fun\u00e7\u00e3o da desapari\u00e7\u00e3o de seu marido: ela n\u00e3o ficou preenchida por seus filhos e desejava outra coisa, para al\u00e9m deles.<\/p>\n<p>Elise constr\u00f3i, ent\u00e3o, o mito de uma vida que se tornou complicada em fun\u00e7\u00e3o da aus\u00eancia de um pai amado, ferida inaugural da crian\u00e7a que o pai abandona. Mas ela aprendeu a dispensar isso e a se servir do que ele lhe havia transmitido \u2013 seu amor \u2013 bem como um uso inventivo e art\u00edstico do l\u00e1pis, que ela p\u00f4de constituir como um ideal para atenuar os efeitos do abandono. Ela pode tamb\u00e9m, por algum tempo, mobilizar seu av\u00f4 para acompanha-la \u00e0s suas sess\u00f5es ap\u00f3s a escola, tornar-se a melhor aluna de sua sala e conseguir queixar-se de suas colegas, com prop\u00f3sitos que revigoravam cruelmente a perda paterna e, ao mesmo tempo, lhe davam um estatuto de exce\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Uma nova etapa iniciou-se em seguida para a crian\u00e7a transformada em jovem, e ela pediu para rever-me, por ocasi\u00e3o de sua entrada na adolesc\u00eancia, mais uma vez apoiada por sua m\u00e3e, que fazia an\u00e1lise e tinha encontrado um outro homem que contava para ela. A adolesc\u00eancia, logicamente, confrontava Elise ao encontro amoroso e a seu cortejo de mal-entendidos, assim como \u00e0 rivalidade com as outras meninas. Em fun\u00e7\u00e3o da perda precoce de seu pai, que a levava sempre a \u201cn\u00e3o ter confian\u00e7a em si mesma\u201d, ela procurava, nas sess\u00f5es, o suporte f\u00e1lico que lhe faltava, e a fazia perder o norte e hesitar em suas escolhas.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, ela retoma a palavra para expor as dificuldades nas quais mergulhava em situa\u00e7\u00f5es diversas de sua exist\u00eancia, que podemos resumir em tr\u00eas pontos:<\/p>\n<p>\u2013 Junto \u00e0 fam\u00edlia de seu pai, que lhe lembrava sem cessar, e sem considera\u00e7\u00e3o, a perda do pai falecido, Elise n\u00e3o sabe como manter a dist\u00e2ncia necess\u00e1ria sem receio de feri-los.<\/p>\n<p>\u2013 Junto a seus amigos, que, a seu ver, parecem mais leves e mais \u00e0 vontade do que ela pr\u00f3pria com os semblantes na rela\u00e7\u00e3o entre os sexos, ela descobre que sua rela\u00e7\u00e3o precoce com a falta, que parecia fragiliz\u00e1-la, lhe deu um pequeno \u201cmais\u201d: essa vontade de analisar e compreender as coisas de seu inconsciente.<\/p>\n<p>\u2013 Junto a seu namorado, enfim, ela descobre que mant\u00e9m uma rela\u00e7\u00e3o fundada mais sobre a fraternidade que sobre a sexualidade, o que contribu\u00eda para criar um hiato entre eles. Ela decide se separar dele.<\/p>\n<p>Mais uma vez, ent\u00e3o, Elise escolheu encontrar as palavras para tentar fazer de seu sintoma, de sua \u201cfalta de confian\u00e7a\u201d, algo que a ajudaria a crescer. Para se separar da expectativa e do olhar muito opressivo de seu entorno \u2013 o de sua m\u00e3e, que continuava a contar com ela para reparar sua perda narc\u00edsica \u2013 e para encontrar seu lugar no discurso, ela se empenhou a reencontrar o ponto onde as palavras haviam falhado em nomear a coisa nova \u00e0 qual ela se encontrava confrontada, do lado do sexual. Decidindo conversar com seu namorado para retificar a rela\u00e7\u00e3o que lhe pesava, na qual ela experimentava \u00e0s vezes t\u00e9dio e apreens\u00e3o, Elise alivia o peso de sua ang\u00fastia de decepcionar o outro, uma ang\u00fastia persistente que ela reconhece como um tra\u00e7o de sua inf\u00e2ncia. Sua rela\u00e7\u00e3o ao bem-dizer lhe permite suportar o olhar carregado de censura que ela percebia nesse namorado, em fun\u00e7\u00e3o de seu distanciamento dele.<\/p>\n<p>Pelo poder que ela d\u00e1 ao fato de n\u00e3o ceder de seu desejo em sua enuncia\u00e7\u00e3o, ela sai do luto e do medo do abandono do outro. Ela encontra sua l\u00edngua, eu poderia dizer, e sua inibi\u00e7\u00e3o em fazer ouvir sua voz baixinha para nomear o mal-entendido ao qual ela estava confrontada desaparece.<\/p>\n<p>Mas se ainda lhe \u00e9 dif\u00edcil separar-se da rela\u00e7\u00e3o ideal que mant\u00e9m com sua m\u00e3e, Elise est\u00e1 decidida a entrar para uma Escola de Artes aplicadas. Assim, ela espera tirar proveito de seus dons art\u00edsticos e de sua criatividade, heran\u00e7as de seu pai, que lhe foram tardiamente reveladas, ao mesmo tempo em que garantia sua rela\u00e7\u00e3o ao bem-dizer. O nome do pai \u00e9, assim, reestabelecido.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6>Tradu\u00e7\u00e3o: Cristina Drumond<\/h6>\n<h6>Revis\u00e3o: Ana Lydia Santiago<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<hr \/>\n<div class=\"uk-margin-medium-top\">\n<h6><\/h6>\n<h6><strong>Bibliografia:<\/strong><\/h6>\n<h6>FREUD, S (1917). \u201cO tabu da virgindade\u201d. In: Contribui\u00e7\u00f5es \u00e0 psicologia do amor III (Vol. 11, 2\u00aa. Ed.). Edi\u00e7\u00e3o standard brasileira das obras psicol\u00f3gicas completas de Sigmund Freud. Rio de Janeiro: Imago, 1987.<\/h6>\n<h6>LACAN, Jacques. Outros escritos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar editor, 2003.<\/h6>\n<h6>LACAN, J. \u201cPref\u00e1cio a O despertar da primavera\u201d. In: Outros escritos, Rio de Janeiro: Jorge Zahar editor, 2003.<\/h6>\n<h6>LACAN, J. \u201cO aturdito\u201d. In: Outros escritos, Rio de Janeiro: Jorge Zahar editor, 2003.<\/h6>\n<h6>LACAN, Jacques. O Semin\u00e1rio, livro 10: A ang\u00fastia. Rio de Janeiro: Jorge Zahar editor, 2005, p. 290.<\/h6>\n<h6>LACAN, Jacques. O Semin\u00e1rio, livro 18 : De um discurso que n\u00e3o fosse semblante. Rio de Janeiro: Jorge Zahar editor, 2009.<\/h6>\n<h6>LACAN, Jacques. \u201cLe seminaire: D\u2019\u00e9colage\u201d 11 mars 1980, Ornicar ? n. 20-21 Paris: Lyse.<\/h6>\n<h6>MILLER, J-A. \u201cLa psychanalyse enseigne-t-elle quelque chose sur l\u2019amour?\u201d Psychologie magazine, n. 278, octobre 2008.<\/h6>\n<h6><\/h6>\n<hr \/>\n<h6><\/h6>\n<h6><strong>Laure Naveau<\/strong><\/h6>\n<h6>Laure Naveau \u2013 psicanalista, AME da ACF, NLS e AMP E-mail:\u00a0<span id=\"cloak5a6b4b0923c50d08ee5bd1cf54c1c0ff\"><a href=\"mailto:laure.naveau@wanadoo.fr\">laure.naveau@wanadoo.fr<\/a><\/span><\/h6>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>LAURE NAVEAU FOTO: ATIVIDADE DE CHRISTINA FORNACIARI, \u201cINVISIBILIDADE SOCIAL\u201d. JOVEM DO PROGRAMA CAPUT. 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