{"id":845,"date":"2016-07-17T06:56:48","date_gmt":"2016-07-17T09:56:48","guid":{"rendered":"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/new\/?p=845"},"modified":"2025-12-01T16:42:13","modified_gmt":"2025-12-01T19:42:13","slug":"o-amor-pelo-pai-na-histeria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/2016\/07\/17\/o-amor-pelo-pai-na-histeria\/","title":{"rendered":"O Amor Pelo Pai Na Histeria"},"content":{"rendered":"<h1 class=\"uk-margin-large-top uk-margin-remove-bottom uk-text-center uk-article-title\"><\/h1>\n<div class=\"uk-margin-medium-top\">\n<h6><strong>RAQUEL MARTINS DE ASSIS<\/strong><\/h6>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a class=\"dt-pswp-item\" href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/12-Jean-Martin_Charcot_Hysteria_chronophotography_2-2.jpg\" data-dt-img-description=\"\" data-large_image_width=\"800\" data-large_image_height=\"800\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-846\" src=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/12-Jean-Martin_Charcot_Hysteria_chronophotography_2-2.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"800\" srcset=\"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/12-Jean-Martin_Charcot_Hysteria_chronophotography_2-2.jpg 800w, https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/12-Jean-Martin_Charcot_Hysteria_chronophotography_2-2-300x300.jpg 300w, https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/12-Jean-Martin_Charcot_Hysteria_chronophotography_2-2-150x150.jpg 150w, https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/12-Jean-Martin_Charcot_Hysteria_chronophotography_2-2-768x768.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"uk-margin-medium-top\">\n<p><em>Quem, como eu, invoca os mais mal\u00e9ficos e maldomadosdem\u00f4nios que habitam o peito humano, com eles travando combate,deve estar preparado para n\u00e3o sair ileso desta luta.(Freud, 1905, Caso Dora, p. 75)<\/em><\/p>\n<p>Em 1977, Lacan finaliza Considera\u00e7\u00f5es sobre a histeria pelo t\u00f3pico \u201cO amor\u201d que possui apenas uma frase: \u201cO que nossa pr\u00e1tica revela, \u00e9 que o saber, saber inconsciente, tem uma rela\u00e7\u00e3o com o amor\u201d (Op\u00e7\u00e3o Lacaniana, 2004, p. 22). A frase aparece quase como que jogada ao vento, mas colocando em trabalho aquele que tenta compreender os meandros da histeria. Nesse trabalho, diversas perguntas podem ser colocadas: Por que Lacan conclui sua exposi\u00e7\u00e3o de maneira t\u00e3o \u201cinterminada\u201d? Por que justamente o amor, esse tema t\u00e3o caro \u00e0 histeria, foi deixado em duas linhas quase como um an\u00fancio a ser retomado pelo ouvinte\/leitor? Um an\u00fancio importante que fica em suspenso[1].<\/p>\n<p>Nessa pequena frase deixada em suspenso, Lacan faz uma afirma\u00e7\u00e3o essencial: para compreendermos algo da histeria precisamos atentar-nos para as rela\u00e7\u00f5es entre o saber inconsciente e o amor. H\u00e1 um saber sobre o amor presente na hist\u00e9rica, mas por ela desconhecido. Assim, conforme Lacan, a hist\u00e9rica n\u00e3o sabe o que diz, mesmo que diga algo com as palavras que lhe faltam (Lacan, 2007)[2]. Do que se trata, ent\u00e3o, esse n\u00e3o saber da hist\u00e9rica? O que ela n\u00e3o sabe de si?<\/p>\n<p>O paradigm\u00e1tico caso Dora, publicado pela primeira vez em 1905, apresenta a an\u00e1lise de um caso de histeria. Trata-se de uma jovem de dezoito anos que apresentava sintomas de tosse nervosa e afonia, sendo seu quadro definido como uma \u201cpetite hyst\u00e9rie\u201d. Nesse caso, Freud[3] adverte que desde que lan\u00e7ara \u201cEstudos sobre a histeria\u201d em 1895, seus m\u00e9todos j\u00e1 haviam se modificado:<\/p>\n<p><em>\u201cNaquela \u00e9poca, o trabalho [de an\u00e1lise] partia dos sintomas e visava esclarec\u00ea-los um ap\u00f3s o outro. Desde ent\u00e3o, abandonei essa t\u00e9cnica por ach\u00e1-la totalmente inadequada para lidar com a estrutura mais fina da neurose. Agora deixo que o pr\u00f3prio paciente determine o tema do trabalho cotidiano\u201d (Freud, 1996, s.p.).<\/em><\/p>\n<p>Desse modo, o caso Dora n\u00e3o \u00e9 apenas uma discuss\u00e3o sobre a histeria, mas descortina um momento no qual Freud adota a perspectiva de deixar que o paciente determine o rumo do que \u00e9 dito. Nesse sentido, Dora poder\u00e1 dizer, pelas palavras que lhe faltam, aquilo que n\u00e3o sabe sobre si. Nesse espa\u00e7o deixado por Freud emerge a trama amorosa da hist\u00e9rica.<\/p>\n<p>A trama amorosa, nesse caso, possui tr\u00eas personagens: o casal Sr. e Sra. K, amigos da fam\u00edlia da jovem, e seu pai. A cena que se desenrolava nas palavras de Dora era a seguinte: seu pai havia feito uma \u00edntima amizade com o casal K. Nesse desenrolar, a Sra. K tornou-se muito pr\u00f3xima do pai, cuidando dele em seus momentos de enfermidade. Enquanto isso, o Sr. K aproximou-se de Dora, levando-a para passear e presenteando-a com pequenos objetos. Ap\u00f3s uma estadia na resid\u00eancia dos K, da qual a jovem retornara abruptamente, Dora conta \u00e0 sua m\u00e3e que o Sr. K fizera-lhe uma proposta amorosa quando se encontraram a s\u00f3s na margem do lago de Garda. Pede \u00e0 m\u00e3e que transmitisse sua hist\u00f3ria ao pai. A partir da\u00ed, a jovem come\u00e7a a insistir para que seu pai rompa rela\u00e7\u00f5es com a fam\u00edlia de amigos, especialmente com a Sra. K. O pai, entretanto, assim como o Sr. K, diante da revela\u00e7\u00e3o feita por Dora, a acusam de ter imaginado a cena do lago. Na fam\u00edlia, come\u00e7am a pairar suspeitas sobre a lasc\u00edvia da jovem que, na \u00e9poca, lera A fisiologia do amor do sex\u00f3logo darwinista Paolo Mantegazza[4] (Roudinesco e Plon, 1998).<\/p>\n<p>\u00c9 no calor desses acontecimentos que Dora \u00e9 levada a Freud por seu pai. Inicia-se o tratamento. No trabalho de an\u00e1lise, persistiam as certezas alimentadas pela mo\u00e7a a respeito do caso amoroso paterno. Tamb\u00e9m surgiam as suposi\u00e7\u00f5es sobre as poss\u00edveis rela\u00e7\u00f5es sexuais orais entre a Sra K e o pai de Dora, j\u00e1 que este era impotente. Freud afirma a impossibilidade de tratar a histeria sem mencionar temas sexuais, pois os sintomas hist\u00e9ricos est\u00e3o fortemente ligados \u00e0 sexualidade. Nas Considera\u00e7\u00f5es sobre a histeria, Lacan amplia essa f\u00f3rmula ao afirmar: \u201co essencial do que disse Freud \u00e9 que existe a maior rela\u00e7\u00e3o entre o uso das palavras em uma esp\u00e9cie que tem as palavras \u00e0 sua disposi\u00e7\u00e3o e a sexualidade que reina nesta esp\u00e9cie\u201d (Lacan, 2007, p. 20). Da narra\u00e7\u00e3o de Dora, Freud conclui que os sintomas de enfermidade da jovem visavam seu pai: \u201ccomo as acusa\u00e7\u00f5es contra o pai se repetiam com cansativa monotonia e ao mesmo tempo sua tosse continuava, fui levado a achar que esse sintoma poderia ter algum significado relacionado com o pai.\u201d (Freud, 1996, s.p). Possuindo uma finalidade na trama amorosa, os sintomas de Dora eram de dif\u00edcil remo\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que ela necessitava e tirava vantagem deles a fim de sensibilizar seu pai e separ\u00e1-lo da Sra. K. De acordo com Freud, o sentimento de Dora em rela\u00e7\u00e3o ao pai era como o de uma esposa ciumenta, sentindo-se preterida por outra mulher. Mas por que esse enamoramento pelo pai, resqu\u00edcio inativo do \u00c9dipo[5], tornava a se reavivar? Conclui que o amor pelo pai consistia em uma forma de resist\u00eancia \u00e0 atra\u00e7\u00e3o de Dora pelo Sr. K.<\/p>\n<p>Freud estabelece um di\u00e1logo com a jovem em que evidencia suas conclus\u00f5es sobre o amor que Dora nutria pelo Sr. K. Depois disso, ela n\u00e3o retornaria mais, dando fim \u00e0 analise. Freud se perturba com a interrup\u00e7\u00e3o do tratamento e questiona seu manejo da transfer\u00eancia:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 80px;\"><em>\u201cSer\u00e1 que eu poderia ter conservado a mo\u00e7a em tratamento, se tivesse eu mesmo representado um papel [\u2026] e lhe mostrasse um interesse caloroso que, mesmo atenuado por minha posi\u00e7\u00e3o de m\u00e9dico, teria equivalido a um substituto da ternura que ela ansiava?\u201d (Freud, 1996, p. 75).<\/em><\/p>\n<p>Considerando as rela\u00e7\u00f5es entre a transfer\u00eancia e os anseios de ternura de Dora, Freud escreve um posf\u00e1cio ao caso no qual a dimens\u00e3o transferencial da an\u00e1lise \u00e9 o ponto central em que ele se v\u00ea falhando:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 80px;\"><em>\u201cN\u00e3o consegui dominar a tempo a transfer\u00eancia [\u2026]esqueci a precau\u00e7\u00e3o de estar atento aos primeiros sinais de transfer\u00eancia que se preparava com outra parte do mesmo material, ainda ignorada por mim. Desde o in\u00edcio ficou claro que em sua fantasia eu substitu\u00eda seu pai.\u201d (Freud, 1996, s.p.)<\/em><\/p>\n<p>Ao ter sido surpreendido pela transfer\u00eancia no tratamento da jovem, ocorre um x incompreens\u00edvel para Freud. Em notas posteriores (1923), reconhece que havia sido incapaz de compreender a natureza da liga\u00e7\u00e3o homossexual que unia Dora e a Sra. K (Roudinesco e Plon, 1998)[6]. Lacan, no Semin\u00e1rio 3[7], sobre a quest\u00e3o hist\u00e9rica, comenta que Freud cometeu um erro: ao colocar o imperativo do amor ao pai como foco principal da trama amorosa hist\u00e9rica, Freud n\u00e3o p\u00f4de visar o objeto realmente desejado por Dora, isto \u00e9, a Sra K. Durante a an\u00e1lise, entretanto, emergia repetitivamente a outra mulher: Dora, de diversos modos, falava sobre as mulheres que ela supunha amadas por seu pai. Primeiro sua m\u00e3e, com quem se identificara por suas enfermidades. Depois, com a Sra. K por meio da tosse excessiva, met\u00e1fora do prazer sexual que ela imaginava entre o pai e a amante. Lacan, em Interven\u00e7\u00e3o sobre a transfer\u00eancia, denomina a atra\u00e7\u00e3o de Dora pela Sra K. como um fascinado apego. Nesse fasc\u00ednio se encerra aquilo que \u00e9 um mist\u00e9rio para a hist\u00e9rica: aceitar-se como objeto de amor de um homem. Essas opera\u00e7\u00f5es ligadas ao encantamento pela mulher objeto de amor, entretanto, s\u00e3o desconhecidas pela hist\u00e9rica. Da\u00ed que ela coloque em palavras o seu n\u00e3o saber sobre si, palavra do sintoma (Lacan, 1978)[8].<\/p>\n<p>Assim, para Lacan, a histeria \u00e9 marcada pela pergunta \u201co que \u00e9 ser uma mulher\u201d. Diante dessa quest\u00e3o e no movimento que lhe \u00e9 poss\u00edvel, a hist\u00e9rica identifica-se com um homem enquanto cede sua posi\u00e7\u00e3o feminina a alguma outra mulher que encarna o mist\u00e9rio da feminilidade (Schejtman e Godoy, s.d). Desse modo, a hist\u00e9rica recebe um dom f\u00e1lico (Gody, Mazzuca e Schejtman, 2012), como aponta Lacan: \u201c\u00c9 a preval\u00eancia da Gestalt f\u00e1lica que, na realiza\u00e7\u00e3o do complexo ed\u00edpico, for\u00e7a a mulher a tomar emprestado um desvio atrav\u00e9s da identifica\u00e7\u00e3o com o pai, e portanto a seguir durante um tempo os mesmos caminhos que um menino\u201d (Lacan, 1997, p. 201). No modelo Dora, a identifica\u00e7\u00e3o viril ao pai vem carregada do signo da impot\u00eancia. Disso resulta que a histeria esteja colocada na posi\u00e7\u00e3o masculina, mas em situa\u00e7\u00e3o de virilidade deca\u00edda, isto \u00e9, marcada por algo que lhe falta. Assim, na formula\u00e7\u00e3o lacaniana, a hist\u00e9rica \u00e9 n\u00e3o toda. Ela n\u00e3o se toma por uma mulher, mas pergunta sobre a mulher. Essa posi\u00e7\u00e3o insatisfeita, expressa por uma pergunta que n\u00e3o se sabe responder, \u00e9 pr\u00f3pria do gozo hist\u00e9rico, isto \u00e9, o gozo da priva\u00e7\u00e3o e da impot\u00eancia. Para Godoy, Mazzuca e Schetjman (2012)[9], a identifica\u00e7\u00e3o com o pai \u00e9 uma sa\u00edda neur\u00f3tica que permite ao sujeito hist\u00e9rico construir para si uma defini\u00e7\u00e3o que lhe escapa. Dessa forma, surge uma possibilidade de lidar com o problema do feminino.<\/p>\n<p>Sendo o pai impotente, a hist\u00e9rica o ama pelo que ele n\u00e3o pode dar, isto \u00e9, pelo que n\u00e3o tem. Mas se a hist\u00e9rica e seu pai s\u00e3o marcados pelo n\u00e3o ter, imagina-se que em algum lugar, algo tem isso que lhes falta. O gozo da priva\u00e7\u00e3o, portanto, implica supor a exist\u00eancia de um gozo absoluto e consistente (todo) \u2013 o gozo do Outro \u2013 frente ao qual a hist\u00e9rica pressente a si mesma como uma quimera, leve sombra, um sopro sem consist\u00eancia. Esse algo absoluto e consistente \u00e9 geralmente localizado, pela hist\u00e9rica, no pai ideal ou na outra mulher adorada que possui aquilo que ela n\u00e3o tem. Para Freud, a Sra K. tinha o pai de Dora, da\u00ed a identifica\u00e7\u00e3o da jovem com essa outra mulher. Para Lacan, ao ter o pai, a outra mulher tem, para a hist\u00e9rica, a resposta da feminilidade. A histeria sup\u00f5e, portanto, a identifica\u00e7\u00e3o amorosa ao pai.<\/p>\n<p>Enfim, na narrativa hist\u00e9rica \u00e9 poss\u00edvel emergir a armadura do amor ao pai. Essa armadura outorga consist\u00eancia e estabilidade ao sujeito hist\u00e9rico como possibilidade de defesa frente ao real do gozo feminino que coloca em quest\u00e3o a identidade e a unidade da hist\u00e9rica (Schejtman e Godoy,s.d)[10]. Devido a tal consist\u00eancia, a hist\u00e9rica tem dificuldade de renunciar ao falo paterno:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 80px;\"><em>\u201cresulta importante ressaltar el concepto de renuncia porque justamente el sost\u00e9n que encuentra la histeria en esse amor marca la dificultad de hacer um despegue de la posici\u00f3n en la cual se espera de recibir um don del padre que resuelva su relaci\u00f3n con lo feminino.\u201d (Schjetman e Godoy, 2012, p. 266).<\/em><\/p>\n<p>Ao n\u00e3o conseguir renunciar ao falo paterno, \u00e0 espera do dom que se pode receber do pai (marcado, entretanto, pelo que n\u00e3o se d\u00e1), a hist\u00e9rica n\u00e3o consegue conceber nada que possa receber de outros, seja um homem, um grupo de pessoas, uma rela\u00e7\u00e3o de trabalho. Sendo o amor definido por Lacan, no Semin\u00e1rio 8, pelo dar o que n\u00e3o se tem, o amor hist\u00e9rico \u00e9 engendrado pela armadura do amor ao pai, na qual se estreitam os la\u00e7os entre amor-impot\u00eancia-saber.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6><\/h6>\n<h6>[1] No texto Interven\u00e7\u00e3o sobre a transfer\u00eancia, Lacan se remete ao efeito Zeiganirk adotado por Lagache ao tratar da transfer\u00eancia no caso Dora. O efeito Zeiganirk \u00e9 assim explicado: \u201ctrata-se do efeito psicol\u00f3gico que se produz por uma tarefa inacabada, quando ela deixa uma Gestalt em suspenso; por exemplo, pela necessidade geralmente sentida de dar a uma frase musical seu acorde resolutivo.\u201d (Lacan, 1978, p. 214).<\/h6>\n<h6>[2] LACAN, Jacques. Considera\u00e7\u00f5es sobre a histeria. Op\u00e7\u00e3o lacaniana, n.50. p. 17-22. Dezembro de 2007.<\/h6>\n<h6>[3] FREUD, Sigmund. (1905 [1901]). Fragmento de an\u00e1lise de um caso de histeria. Acessado em 10.10.2016 e retirado de http:\/\/conexoesclinicas.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/01\/freud-sigmund-obras-completas-imago-vol-07-1901-1905.pdf<\/h6>\n<h6>[4] Durante o s\u00e9culo XIX e boa parte do s\u00e9culo XX, era recomendado um cuidado especial com os livros apresentados \u00e0s jovens, pois as leituras, principalmente de romances, podiam inclin\u00e1-las \u00e0 dissipa\u00e7\u00e3o e desordenamento amoroso. Assim, no caso de Dora, \u00e9 significativo, para a cultura da \u00e9poca, que a leitura de a Fisiologia do amor tenha sido utilizada como um sinal para sua \u201cdesordem psicol\u00f3gica\u201d, ou seja, para o fato de que ela poderia imaginar algo que realmente n\u00e3o havia acontecido.<\/h6>\n<h6>[5] No Complexo de \u00c9dipo, Freud introduziu o terceiro masculino: o pai. A crian\u00e7a, no decl\u00ednio do \u00c9dipo, se volta para um pai concebido como ideal, onipotente, possuidor do falo e por isso digno de ser amado. O sujeito hist\u00e9rico, entretanto, sup\u00f5e n\u00e3o a onipot\u00eancia, mas a impot\u00eancia no pai. A hist\u00e9rica, portanto, sabe que n\u00e3o tem o pai ideal (KAUFMANN, Pierre. Dicion\u00e1rio enciclop\u00e9dico de psican\u00e1lise: o legado de Freud e Lacan. Rio de Janeiro: Zahar editora, 1996).<\/h6>\n<h6>[6] ROUDINESCO, Elizabeth; PLON, Michel. Dicion\u00e1rio de Psican\u00e1lise. Rio de Janeiro: Zahar Editora, 1998.<\/h6>\n<h6>[7] LACAN, Jacques. O Semin\u00e1rio. Livro 3. As psicoses. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1997.<\/h6>\n<h6>[8] LACAN, Jacques. Interven\u00e7\u00e3o sobre a transfer\u00eancia. In: Escritos. S\u00e3o Paulo: Perspectiva, 1978.<\/h6>\n<h6>[9] GODOY, Cl\u00e1udio; MAZZUCA, Roberto; SCHEJTMAN, Fabi\u00e1n. El amor al padre y la estabilidade hist\u00e9rica em la primera ensenanza de Lacan. Em: SCHEJTMAN, Fabi\u00e1n (Org.). Elaboraciones lacanianas sobre las neuroses. Buenos Aires: Grama editora, 2012, p. 263-268.<\/h6>\n<h6>[10] GODOY, Cl\u00e1udio; SCHEJTMAN, Fabi\u00e1n. La hysteria en el \u00faltimo per\u00edodo de la ensenanza de J. Lacan. Anu\u00e1rio de Investigaciones. Vol. XV, p. 121-125, s.d.<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6><\/h6>\n<h6><\/h6>\n<hr \/>\n<h6><strong>Raquel Martins De Assis<\/strong><\/h6>\n<h6>N\u00facleo Interdisciplinar de Pesquisa em Psican\u00e1lise e Educa\u00e7\u00e3o (NIPSE) \u2013 Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o\/Universidade Federal de Minas Gerais. Email:\u00a0<span id=\"cloak5f9dddd93f2d4ac8a6a05ceace75c25f\"><a href=\"mailto:rmassis.ufmg@gmail.com\">rmassis.ufmg@gmail.com<\/a><\/span><\/h6>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>RAQUEL MARTINS DE ASSIS &nbsp; &nbsp; Quem, como eu, invoca os mais mal\u00e9ficos e maldomadosdem\u00f4nios que habitam o peito humano, com eles travando combate,deve estar preparado para n\u00e3o sair ileso desta luta.(Freud, 1905, Caso Dora, p. 75) Em 1977, Lacan finaliza Considera\u00e7\u00f5es sobre a histeria pelo t\u00f3pico \u201cO amor\u201d que possui apenas uma frase: \u201cO&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":58103,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[14],"tags":[],"class_list":["post-845","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-almanaque-18","category-14","description-off"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/845","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=845"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/845\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":58104,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/845\/revisions\/58104"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/58103"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=845"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=845"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=845"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}