{"id":863,"date":"2016-07-17T06:56:48","date_gmt":"2016-07-17T09:56:48","guid":{"rendered":"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/new\/?p=863"},"modified":"2025-12-01T16:44:11","modified_gmt":"2025-12-01T19:44:11","slug":"863-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/2016\/07\/17\/863-2\/","title":{"rendered":"Esse X &#8211; PATRICK MONRIBOT"},"content":{"rendered":"<h1 class=\"uk-margin-large-top uk-margin-remove-bottom uk-text-center uk-article-title\"><\/h1>\n<div class=\"uk-margin-medium-top\">\n<h6><strong>PATRICK MONRIBOT<\/strong><\/h6>\n<p><a class=\"dt-pswp-item\" href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/9Patrick-foto.jpg\" data-dt-img-description=\"\" data-large_image_width=\"500\" data-large_image_height=\"476\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-864\" src=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/9Patrick-foto.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"476\" srcset=\"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/9Patrick-foto.jpg 500w, https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/9Patrick-foto-300x286.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ela se lembra de um detalhe que considera \u201cdivertido\u201d. Ela designa sistematicamente seu analista pelo apelido de \u201cSenhor X\u201d, um h\u00e1bito que faz rir seus amigos. De que se trata, de uma descri\u00e7\u00e3o indispens\u00e1vel, ou de um mist\u00e9rio intrigante? O status desse anonimato \u00e9 revisto quando seu analista lhe pergunta \u201cMas enfim, quem \u00e9 esse X?\u201d (Qui est sous ce X). Inesperadamente, suas l\u00e1grimas correm. Mas ela entendeu \u201cQui est-ce sous X\u201d (\u201cQuem n\u00e3o foi registrado e dado anonimamente \u00e0 ado\u00e7\u00e3o?\u201d)[i]. At\u00f4nito, ou\u00e7o, depois de v\u00e1rios anos de an\u00e1lise, o que foi at\u00e9 ent\u00e3o um segredo absoluto, ela pariu um beb\u00ea sem registr\u00e1-lo (\u201csous X\u201d) e entregou-lhe para ado\u00e7\u00e3o. Ela disfar\u00e7ou sua gravidez engordando, ningu\u00e9m viu nem percebeu nada, nem mesmo o homem com quem ent\u00e3o dividia sua vida. Ela se justificou com v\u00e1rios argumentos, como o da sua pouca idade, o conhecimento tardio da gravidez, a prov\u00e1vel agressividade do parceiro violento, a certeza de que seria desaprovada por sua fam\u00edlia argelina, que n\u00e3o aceita gravidez antes do casamento\u2026 Em suma, foram muitas explica\u00e7\u00f5es relevantes que n\u00e3o esclareciam o enigma de sua escolha, ainda mais porque, posteriormente, solteira, ela teve duas crian\u00e7as de parceiros diferentes, sem ter se preocupado demais. Duas crian\u00e7as que, por sinal, n\u00e3o se traduziam na presen\u00e7a de um la\u00e7o: \u201c\u00c9 dif\u00edcil ser m\u00e3e\u201d, dizia ela, \u201csou uma sem-fam\u00edlia.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Vie perdue\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O segredo revelado, a confronta\u00e7\u00e3o da palavra precipita sua divis\u00e3o. \u201cN\u00e3o \u00e9 um abandono\u201d, disse ela. \u201cAli\u00e1s, como poderia abandonar uma crian\u00e7a que n\u00e3o reconheci?\u201d A observa\u00e7\u00e3o \u00e9 justa \u2013 o procedimento do abandono n\u00e3o \u00e9 esse do \u201csous X\u201d \u2013 mas ela n\u00e3o se ilude com seu enunciado, pois foi ela quem introduziu o significante \u201cabandono\u201d em sua an\u00e1lise. A palavra desvela o pensamento e, o que ela falou, fica falado. Uma certa vers\u00e3o significante do caso a captura em seu caminho. Posteriormente, \u00e9 ela quem aparece \u2013 no plano da fantasia \u2013 como a crian\u00e7a abandonada! No entanto, h\u00e1 mais do que a fic\u00e7\u00e3o para se coser. Ela desenha os contornos de uma outra dimens\u00e3o, a do objeto. Com as sess\u00f5es, essa crian\u00e7a se constitui menos um objeto abandonado do que um objeto perdido. Perdido no sentido freudiano do termo, pois essa menina \u2013 da qual se conhecia apenas o sexo \u2013 lhe foi \u201croubada\u201d, \u201cextra\u00edda de seu corpo\u201d, dentro do procedimento cl\u00e1ssico, anestesiada, antes mesmo de t\u00ea-la tido como sua, antes mesmo de t\u00ea-la visto, conhecido e reconhecido. Na f\u00f3rmula apresentada originalmente, \u201celle est perdue de vie\u201d [ii], perdida \u00e0 vida, cuja tradu\u00e7\u00e3o \u201cela n\u00e3o est\u00e1 na minha vida, eu n\u00e3o estou na sua.\u201d A temporalidade \u00e9 um elemento not\u00e1vel dessa an\u00e1lise, visto que a crian\u00e7a se torna uma perda dezoito anos depois e n\u00e3o na ocasi\u00e3o do nascimento. Sess\u00e3o por sess\u00e3o, ela passa de um fato inicialmente chamado pudicamente de \u201ca coisa\u201d \u2013 se referindo \u00e0 gravidez e ao parto escondidos \u2013, um objeto perdido, mas perdido apr\u00e8s-coup. \u00c9 o in\u00edcio de um luto estranho que se resume em uma frase: \u201cPosso perder o que nunca tive?\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>tchau [au revoir]\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Essa perbola\u00e7\u00e3o necessita de an\u00e1lise. A constru\u00e7\u00e3o de seu romance familiar sup\u00f5e uma vers\u00e3o do pai. Ela n\u00e3o fala quase nada de sua m\u00e3e \u2013 que hoje vive na Fran\u00e7a separada do marido \u2013, apenas em termos de devasta\u00e7\u00e3o, assim como dos seus irm\u00e3os, apresentados como meton\u00edmia do \u00f3dio materno. Desde seu nascimento, a m\u00e3e decepcionada briga com ela por conta da cor de sua pele, que julga muito escura, pois mais para negra, ela manchava a fam\u00edlia. O pai aposentado voltou para a Arg\u00e9lia, onde refez sua vida. Ela se lembra de algo essencial, quando crian\u00e7a e ainda estava no Magrebe: ela acreditou que seu pai tinha lhe abandonado, um tra\u00e7o selado, digamos, no fantasma. Numa certa manh\u00e3, ele j\u00e1 n\u00e3o estava mais no vilarejo. Sua m\u00e3e era um t\u00famulo, nunca lhe deu qualquer explica\u00e7\u00e3o, vivia essa forma opaca de gozo. Na verdade, o pai decidiu emigrar para sustentar sua fam\u00edlia, n\u00e3o para a destruir, o que ela s\u00f3 soube depois, quando foi \u00e0 Fran\u00e7a para se juntar a ele. Assim era a pintura historicizada. Ela me anunciou uma descoberta, que o traumatismo \u00e9 menos da partida do pai que do seu sil\u00eancio. \u201cEle foi sem me dizer tchau\u201d. Interrup\u00e7\u00e3o imediata da se\u00e7\u00e3o, curta, nesse dia, para pontuar o dito sil\u00eancio paterno, mas com um ato preciso, eu lhe disse \u201ctchau\u201d insistentemente. A sess\u00e3o seguinte ser\u00e1 ainda mais curta, pois antes mesmo de entrar na sala, ela se confunde e me diz \u201ctchau\u201d no lugar de bom dia. O lapso me obriga, eu a tomo ao p\u00e9 da letra, a conduzo \u00e0 sa\u00edda, ela ri, ela chora e consente em pagar. A primeira sess\u00e3o \u00e9 uma pontua\u00e7\u00e3o sobre o significante \u201ctchau\u201d \u2013 ela lhe d\u00e1 consist\u00eancia \u2013, a segunda \u00e9 um corte no significante \u2013 ela o desconstr\u00f3i \u2013, indicando a continua\u00e7\u00e3o. Como continua?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Perdu de vue\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O significante \u201ctchau\u201d [au revoir] se difrata e toca o real. Primeiramente, ela decide contactar o pai depois de muitos anos, \u201cperdu de vue\u201d. Eu aprovo. Ela vai rev\u00ea-lo [revoir] num canto perdido da Arg\u00e9lia, pouco antes da morte do velho, e lhe apresenta suas duas crian\u00e7as. Quando ela volta, comenta: \u201c\u00c9 a primeira vez que minhas crian\u00e7as v\u00eam um pai.\u201d N\u00e3o ser\u00e1 a \u00faltima, pois ela tece um la\u00e7o in\u00e9dito entre elas e seus pais respectivos, que eram at\u00e9 ent\u00e3o simples genitores afastados pelas brigas. Mais ainda, ela passa a guarda do ca\u00e7ula ao pai, que j\u00e1 a tinha pedido. \u201cEsse arranjo n\u00e3o \u00e9 um abandono\u201d, diz ela, \u201cn\u00e3o sou menos m\u00e3e por isso, pelo contr\u00e1rio!\u201d Ela tem raz\u00e3o: n\u00e3o fala mais de sua impot\u00eancia \u201cde ser m\u00e3e\u201d e constitui pela primeira vez uma fam\u00edlia, mesmo que decomposta. Uma fam\u00edlia ao avesso, de certa maneira\u2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Outro efeito das duas sess\u00f5es curtas: a quest\u00e3o do pai \u201cperdue de vue\u201d se encadeia a essa da menina \u201cperdue de vie\u201d. Ela a encontrar\u00e1 tamb\u00e9m? Ali\u00e1s, ela realmente quer?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Interrogar assim seu desejo \u2013 ela realmente quer? a divide e faz surgir o objeto pulsional no princ\u00edpio de sua divis\u00e3o. Um dia na televis\u00e3o, ela acredita \u201creconhecer\u201d [sic!] essa menina nunca vista, por conta do olhar particular de uma jovem figurante mesti\u00e7a sobre o palco. \u00c9 o mesmo olhar inesquec\u00edvel que esse de seu pr\u00f3prio pai. Nenhuma certeza, mas\u2026 e se for ela? Desde ent\u00e3o, o objeto esc\u00f3pico invade a cena anal\u00edtica e dar\u00e1 \u00e0 transfer\u00eancia seu gosto especial. \u00c9 o momento escolhido para que ela deite no div\u00e3.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O objeto a \u2013 o olhar \u2013 surge de tr\u00e1s da crian\u00e7a desconhecida e n\u00e3o \u00e9 o objeto perdido freudiano. Atrav\u00e9s do pai morto que ela n\u00e3o ver\u00e1 novamente, atrav\u00e9s da menina nunca vista, pelo analista agora subtra\u00eddo do seu campo de vis\u00e3o, um olhar aparece, com todo seu peso, colorindo a transfer\u00eancia: \u201cN\u00e3o vejo se voc\u00ea me v\u00ea\u201d, diz ela deitada no div\u00e3, exacerbada.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Bricolage [iii]\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Refazendo os la\u00e7os com a s\u00e9rie dos pais, ela abre m\u00e3o do gozo de ser uma sem-fam\u00edlia. Certamente a partir de onde ela estabelece um la\u00e7o m\u00ednimo com sua m\u00e3e, que aceita, enfim, receber seus netos\u2026 Vi\u00e1vel por uma devasta\u00e7\u00e3o temperada. Sim, uma fam\u00edlia torna-se poss\u00edvel para ela, mas sob fundo da perda do pai, do ca\u00e7ula que se vai e da crian\u00e7a sous X, que n\u00e3o voltar\u00e1 jamais. A possibilidade de fazer fam\u00edlia existe ent\u00e3o a partir de um objeto perdido \u2013 a crian\u00e7a \u2013 e a partir de um objeto de gozo reencontrado o olhar. \u201cEssa fam\u00edlia\u201d, diz ela, \u201c\u00e9 feita com o que se encontra pela frente, \u00e9 puro bricolage!\u201d Assim seja. Mas haveria, para quem quer que seja, uma fam\u00edlia que n\u00e3o seja bricolada? De fato, a composi\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 realmente edipiana, apesar do reencontro do amor pelo pai morto. N\u00e3o que essa jovem esteja em uma foraclus\u00e3o psic\u00f3tica do \u00c9dipo, mas a fam\u00edlia que ela est\u00e1 recompondo n\u00e3o obedece a uma l\u00f3gica ed\u00edpica cl\u00e1ssica. O decl\u00ednio da fun\u00e7\u00e3o paterna pr\u00f3prio \u00e0 nossa \u00e9poca se destaca nessa fam\u00edlia desenraizada e devastada. O \u00fanico arranjo lhe permitindo tecer um poss\u00edvel la\u00e7o se obt\u00e9m a partir do gozo. Saber lidar com os modos de gozo de cada um foi o grande progresso de sua an\u00e1lise, percebido no seu \u201creatamento\u201d familiar t\u00e3o pouco tradicional. Da\u00ed a d\u00favida dessa forma\u00e7\u00e3o composta que se chama fam\u00edlia. Uma fam\u00edlia claudicante que constr\u00f3i atualmente a funda\u00e7\u00e3o de sua queixa: est\u00e1 sempre ruim! Em outras palavras, ela construiu um sintoma.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Qual \u00e9 a alquimia desse enla\u00e7amento? O primeiro ingrediente \u00e9 a crian\u00e7a imposs\u00edvel. \u201cSous X\u201d lhe aparece como nome do real. \u201cN\u00e3o conhe\u00e7o seu nome nem seu sobrenome\u201d, disse, \u201cn\u00e3o imagino como ela \u00e9. Um dia eu disse \u2018minha filha\u2019, mas soou falso. N\u00e3o tenho as palavras pra falar dela. \u00c9 isso mesmo, o \u2018sous X\u2019!\u201d Sobra apenas um olhar ef\u00eamero e suposto, efetivamente um verdadeiro resto, em um oceano de perdas. Esse \u00e9 o outro ingrediente do caso, a puls\u00e3o esc\u00f3pica emergindo no contexto da an\u00e1lise.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O que nos ensinam as medidas dessa an\u00e1lise ainda em curso? Uma sequ\u00eancia l\u00f3gica est\u00e1 se desenhando. Partimos de um puro gozo silencioso, ligado a esse da m\u00e3e. A confiss\u00e3o \u201cda coisa\u201d leva a forjar um objeto perdido sobre um fundo do qual aparece um mais-de-gozar, o olhar. Ela pode ent\u00e3o se proclamar m\u00e3e e constituir uma fam\u00edlia hoje sintomatizada. Para se produzir cada etapa, precisou de uma interven\u00e7\u00e3o, um ato do analista \u2013 isso n\u00e3o acontece por si s\u00f3. Observamos, enfim, o seguinte deslocamento: a opacidade do gozo materno deu lugar a um gozo pulsional, esc\u00f3pico, no caso. Apenas os desfiles transferenciais da demanda permitem pacientemente aferir tal objeto. Como resultado, a devasta\u00e7\u00e3o e a err\u00e2ncia do \u201csem-fam\u00edlia\u201d se atenua em proveito de uma vida sintom\u00e1tica \u201cem fam\u00edlia\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Esperan\u00e7a\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, esperan\u00e7a no ep\u00edlogo? Quest\u00e3o recente e dolorosa: ela colocar\u00e1 uma carta na pasta DDASS[iv] dessa menina, quando, segundo suas palavras, a lei lhe permitiria acesso \u00e0 menina at\u00e9 que ela completasse seus 18 anos? Depois disso, ela sup\u00f5e, sua escolha ser\u00e1 irrevers\u00edvel, e o prazo termina em cinco semanas. Suspense\u2026 Me informei e ela se enganou, a crian\u00e7a pode consultar seu arquivo depois de seus 18 anos, mas n\u00e3o h\u00e1 prazo para que a m\u00e3e possa deixar um tra\u00e7o que lhe identifique. Esse engano grosseiro \u2013 e que engano! \u2013 indica bem um imposs\u00edvel, verdadeiro ponto de exclus\u00e3o de onde se inicia um novo c\u00edrculo n\u00e3o muito redondo de uma fam\u00edlia recauchutada. Essa crian\u00e7a nascida sous X n\u00e3o pode ser reavida. Oh! Ela n\u00e3o renuncia ao arquivo de sua filha, \u00e9 verdade, mas atarda a possibilidade de dar um sinal, apesar da press\u00e3o dos amigos, agora informados da exist\u00eancia de sua filha.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cDevo ou n\u00e3o fazer?\u201d N\u00e3o \u00e9 assim que ela se coloca a quest\u00e3o. Ela n\u00e3o cede \u00e0s press\u00f5es do supereu e aposta na an\u00e1lise para esclarecer seu desejo, ainda opaco, para tomar a decis\u00e3o na hora certa. Por enquanto, ela mant\u00e9m o X. O caso continua\u2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<h6><\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"uk-margin-medium-top\">\n<h6>[i] A express\u00e3o francesa sous X designa o parto onde o rec\u00e9m-nascido n\u00e3o \u00e9 registrado pelos seus pais e entregue a uma institui\u00e7\u00e3o para ado\u00e7\u00e3o. Os pais t\u00eam o direito de permanecer an\u00f4nimos. A crian\u00e7a n\u00e3o guarda la\u00e7os de filia\u00e7\u00e3o com seus genitores e n\u00e3o recebe o sobrenome deles. Ver mais a respeito no servi\u00e7o de informa\u00e7\u00e3o do governo franc\u00eas: https:\/\/www.service-public.fr\/particuliers\/vosdroits\/F3136 (acesso em 13\/12\/2016)<\/h6>\n<h6>[ii] Perdue de vue, com um \u201cu\u201d est a f\u00f3rmula francesa corrente que literalmente se traduz por \u201cperdido de vista\u201d, ou sem contato visual, de t\u00e3o long\u00ednquo. A express\u00e3o \u201cPerdue de vie\u201d \u00e9 constru\u00edda pela paciente e se traduz literalmente por \u201cperdida de vida\u201d.<\/h6>\n<h6>[iii] Termo franc\u00eas que designa trabalhos realizados sem um projeto previamente estabelecido, com ferramentas limitadas, e que n\u00e3o s\u00e3o fabricadas especialmente para as fun\u00e7\u00f5es espec\u00edficas de um projeto. Foi introduzido como conceito na hist\u00f3ria das ci\u00eancias humanas por Claude L\u00e9vi-Strauss, (La pens\u00e9e sauvage, Plon, 1962, Paris). Essas condi\u00e7\u00f5es fazem L\u00e9vi-Strauss opor o bricoleur ao engenheiro.<\/h6>\n<h6>[iv] Direction d\u00e9partementale des affaires sanitaires et sociales \u00e9 a extinta institui\u00e7\u00e3o \u00e0 qual se atribu\u00eda a fun\u00e7\u00e3o social do cuidado com as crian\u00e7as.<\/h6>\n<\/div>\n<h6><\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"uk-margin-medium-top\">\n<hr \/>\n<h6><strong>PATRICK MONRIBOT<\/strong><\/h6>\n<h6>Tradu\u00e7\u00e3o: Renato Sarieddine<br \/>\nRevis\u00e3o: M\u00e1rcia Bandeira<br \/>\nPatrick Monribot: ECF\/NLS\/AMA:\u00a0<span id=\"cloak7cb2e23ab0abe59156c648820ee73dcb\"><a href=\"mailto:monribot@wanadoo.fr\">monribot@wanadoo.fr<\/a><\/span><\/h6>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>PATRICK MONRIBOT &nbsp; Ela se lembra de um detalhe que considera \u201cdivertido\u201d. Ela designa sistematicamente seu analista pelo apelido de \u201cSenhor X\u201d, um h\u00e1bito que faz rir seus amigos. 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