{"id":905,"date":"2017-03-17T06:57:21","date_gmt":"2017-03-17T09:57:21","guid":{"rendered":"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/new\/?p=905"},"modified":"2025-12-01T16:31:17","modified_gmt":"2025-12-01T19:31:17","slug":"o-sujeito-do-gozo-na-psicose","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/2017\/03\/17\/o-sujeito-do-gozo-na-psicose\/","title":{"rendered":"\u201cO Sujeito Do Gozo\u201d Na Psicose"},"content":{"rendered":"<h1 class=\"uk-margin-large-top uk-margin-remove-bottom uk-text-center uk-article-title\"><\/h1>\n<div class=\"uk-margin-medium-top\">\n<h6><strong>N\u00daBIA APARECIDA FERREIRA DE MELO<\/strong><\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a class=\"dt-pswp-item\" href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/12-Sujeito-do-gozo-na-psicose.jpg\" data-dt-img-description=\"\" data-large_image_width=\"700\" data-large_image_height=\"700\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-906\" src=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/12-Sujeito-do-gozo-na-psicose.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"700\" srcset=\"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/12-Sujeito-do-gozo-na-psicose.jpg 700w, https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/12-Sujeito-do-gozo-na-psicose-300x300.jpg 300w, https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/12-Sujeito-do-gozo-na-psicose-150x150.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>\u201cO SUJEITO DO GOZO\u201d NA PSICOSE<\/strong><\/p>\n<p>A foraclus\u00e3o generalizada e as psicoses ordin\u00e1rias, tema do quarto m\u00f3dulo do curso de psican\u00e1lise, real\u00e7aram os desenvolvimentos posteriores de Lacan no que concerne aos estudos e tratamento da psicose.<\/p>\n<p>Se no Semin\u00e1rio. Livro 3: As Psicoses (1955-1956), bem como em \u201cDe uma quest\u00e3o preliminar a todo tratamento poss\u00edvel da psicose\u201d ([1958] 1998, p.537-590), Lacan enfatiza o registro simb\u00f3lico e a aus\u00eancia de seus \u00edndices: Nome do Pai e significa\u00e7\u00e3o f\u00e1lica \u2013 recursos para representar a falta a ser e o gozo que se perde \u2013 como elementos balizadores da psicose extraordin\u00e1ria ou desencadeada, algo de novo se p\u00f5e quando um modo diferente de entrar na psicose se apresenta.<\/p>\n<p>Neste texto, o objetivo n\u00e3o \u00e9 enveredar por toda a teoriza\u00e7\u00e3o acerca do primeiro e segundo ensino de Lacan sobre as psicoses, ainda que o elemento que nos interessa situar, o sujeito do gozo, derive da passagem de um ensino ao outro. \u00c9 quando se formula que o sujeito da psicose n\u00e3o \u00e9 o sujeito do significante, mas sim o sujeito do gozo. E que a cl\u00ednica da psicose vai tratar da solu\u00e7\u00e3o de gozo e n\u00e3o do significante.<\/p>\n<p>Dois eventos realizados na Fran\u00e7a, entre 1996 e 1999, \u201cA Conversa\u00e7\u00e3o de Arcachon\u201d, com \u201cOs casos raros e inclassific\u00e1veis da cl\u00ednica psicanal\u00edtica\u201d, seguida da \u201cA Conven\u00e7\u00e3o de Antibes\u201d, que resultou no livro A Psicose Ordin\u00e1ria, s\u00e3o formalizadores de casos at\u00edpicos de psicose que requerem um manejo outro do gozo n\u00e3o localizado, que ataca o ser do sujeito. Os casos s\u00e3o centrados em uma experi\u00eancia que devemos entender como confronta\u00e7\u00e3o a um gozo do Outro, que o sujeito sente como totalmente enigm\u00e1tico, n\u00e3o lhe atribuindo outro lugar sen\u00e3o o de objeto, colocando-o em perigo extremo.<\/p>\n<p>Trata-se do real dif\u00edcil de simbolizar que pode ocasionar passagens ao ato, como suic\u00eddios e assassinatos, ou formas inusitadas de tentar localizar o gozo: cortes no corpo, escarifica\u00e7\u00e3o, tatuagem, uso de drogas e outros. Tudo s\u00e3o maneiras de tentar extrair o objeto que fica no corpo, num excesso, alcan\u00e7ando alguma pacifica\u00e7\u00e3o do gozo desregulado \u2013 da\u00ed a formula\u00e7\u00e3o de que o psic\u00f3tico traz seu objeto no bolso, colado ao corpo.<\/p>\n<p>Miller (2011), no seu texto \u201cEfeito do retorno \u00e0 psicose ordin\u00e1ria\u201d, menciona que esta psicose tamb\u00e9m poderia ser nomeada como comum. Trata-se apenas de um termo, um significante, e n\u00e3o um conceito. No entanto, por se apresentar discretamente, por desligamentos sucessivos do Outro, tornando dif\u00edcil precisar o diagn\u00f3stico, requer tomar em considera\u00e7\u00e3o a polaridade entre \u201csujeito do gozo\u201d e \u201csujeito do significante\u201d, orientando a cl\u00ednica pela quest\u00e3o do real e do aparelhamento do gozo, o que traria mais perspectivas para alguns tratamentos na atualidade. Miller afirma ainda que Lacan insiste nesta mudan\u00e7a de perspectiva, uma vez que passa a dar todo o lugar \u00e0 cl\u00ednica \u201cborromeana\u201d, contempor\u00e2nea dos Semin\u00e1rios RSI e O Sinthoma, sem se desconsiderar a cl\u00ednica estrutural que distingue entre neurose e psicose, em fun\u00e7\u00e3o da presen\u00e7a ou aus\u00eancia do operador que \u00e9 o Nome do Pai.<\/p>\n<p>\u00c9 tamb\u00e9m num outro texto, \u201cLa Verdad Mentirosa\u201d ([2009]2011, p.146), que Miller vai mencionar que \u00e9 somente quando se considera que a finalidade do aparato significante \u00e9 o gozo, incluindo a\u00ed o real, que Lacan escreveu \u2013 a pedido seu, na primeira tradu\u00e7\u00e3o francesa das Mem\u00f3rias do Presidente Schreber \u2013 \u201cel sujeto del gozo\u201d. E \u201csi no lo repiti\u00f3, fue porque no se sosten\u00eda\u201d.<\/p>\n<p>Miller segue comentando que foram necess\u00e1rios mais dez anos para se apresentar o parl\u00eatre como o ser que fala de seu gozo, gozo este que \u00e9 a raz\u00e3o \u00faltima de seus ditos.<\/p>\n<p>O que se encontra na \u201cApresenta\u00e7\u00e3o das Mem\u00f3rias de um doente dos nervos\u201d (Outros Escritos, 1966\/2003, p.219-223)? Lacan retoma a import\u00e2ncia do texto de Schreber em Freud dizendo que \u201ca liberdade que Freud se deu a\u00ed foi simplesmente aquela, (\u2026), de introduzir o sujeito como tal\u2026\u201d. Ou seja, que n\u00e3o se trata de avaliar o louco em termos de d\u00e9ficit, ou de que lhe falta algo que se precisa recompor. E prossegue, sobre o mesmo texto:<\/p>\n<p style=\"padding-left: 80px;\"><em>\u201cA tem\u00e1tica que avaliamos pela paci\u00eancia exigida pelo terreno em que temos de faz\u00ea-la ouvida, na polaridade \u2013 a mais recente promovida \u2013 do sujeito do gozo e do sujeito que o significante representa para um significante que \u00e9 sempre outro, n\u00e3o estar\u00e1 nisso o que nos permitir\u00e1 uma defini\u00e7\u00e3o mais precisa da paranoia como identificando o gozo no lugar do Outro como tal\u201d? (LACAN, 2003, p.221).<\/em><\/p>\n<p>O que se torna elucidado, a partir do que se coloca, \u00e9 que a cl\u00ednica borromeana interroga o que pode manter ligados, ou fazer ficarem juntos os tr\u00eas registros da estrutura: Real, Simb\u00f3lico e Imagin\u00e1rio, acolhendo outras solu\u00e7\u00f5es e inven\u00e7\u00f5es para al\u00e9m do Nome do Pai. Cada um pode fazer o seu sinthoma que amarra. H\u00e1 psic\u00f3ticos que fazem isso, e foi o que Lacan procurou demonstrar com Joyce, caso paradigm\u00e1tico de uma amarra\u00e7\u00e3o do sujeito com sua escrita \u2013 n\u00e3o estava delirando \u2013, levando-o \u00e0 formula\u00e7\u00e3o de \u201cJoyce, o sinthoma\u201d. Schreber, sem narcisismo, faz uma constru\u00e7\u00e3o delirante: \u201cSer uma mulher copulada por Deus\u201d e tudo que vai construir, delirantemente, \u00e9 para amarrar isso.<\/p>\n<p>No livro A Psicose Ordin\u00e1ria (2012) menciona-se a posi\u00e7\u00e3o \u00e9tica do psic\u00f3tico, tantas vezes ressaltada por Lacan em express\u00f5es como \u201cescolha da liberdade\u201d, ou \u201cinsond\u00e1vel decis\u00e3o do ser\u201d etc., nos seguintes termos: \u201co psic\u00f3tico \u00e9 aquele que se recusa a trocar o gozo pela significa\u00e7\u00e3o\u201d (MILLER, 2012, p. 56).<\/p>\n<p>Da\u00ed ser necess\u00e1ria uma outra l\u00f3gica na dire\u00e7\u00e3o do tratamento que leve em conta a rela\u00e7\u00e3o do sujeito psic\u00f3tico com lal\u00edngua e n\u00e3o com a articula\u00e7\u00e3o significante. As amarra\u00e7\u00f5es que um sujeito psic\u00f3tico faz n\u00e3o precisam ter, necessariamente, um sentido. S\u00e3o constru\u00e7\u00f5es ou produ\u00e7\u00f5es que funcionam como um Nome do Pai para o sujeito, e o estabilizam ou religam ao Outro.<\/p>\n<p>Sujeito do gozo, portanto, vem indicar a posi\u00e7\u00e3o do sujeito como resposta do real e como escolha segundo o modo de gozo.<\/p>\n<p>Para concluir, faremos um breve relato sobre o document\u00e1rio \u201cA C\u00e9u Aberto\u201d (2014), de Mariana Otero, cineasta francesa, no que ele revela algo do sujeito tomado pelo gozo desregrado.<\/p>\n<p>Otero, interessada no enigma da loucura, escolhe entre as institui\u00e7\u00f5es o \u201cLe Courtil\u201d, na fronteira entre a Fran\u00e7a e a B\u00e9lgica, um espa\u00e7o que acolhe crian\u00e7as autistas e psic\u00f3ticas, para a sua produ\u00e7\u00e3o. Com uma c\u00e2mera amarrada ao corpo, deixando livres suas m\u00e3os para interagir com os internos, filma cento e oitenta horas, em 2012, o que foi essa experi\u00eancia, lan\u00e7ada entre 2013 e 2014.<\/p>\n<p>Comentando a respeito de seu trabalho, a cineasta dir\u00e1 que n\u00e3o encontrou ali a loucura, mas sim o modo singular, a l\u00edngua pr\u00f3pria de cada um, diferente da l\u00edngua da maioria das pessoas.<\/p>\n<p><em>\u201cA c\u00e9u aberto\u201d \u00e9 o que Lacan formula sobre o inconsciente do psic\u00f3tico, no Semin\u00e1rio, Livro 3, As Psicoses. O inconsciente exposto, sem nenhuma censura. \u201cEsquisitices\u201d ditas, sem nenhum pudor, marca do que perturba a rela\u00e7\u00e3o do sujeito com a realidade, tal como a paciente dele que diz numa sess\u00e3o: \u201cEu venho do salsicheiro\u201d (LACAN, 1985, p.60).<\/em><\/p>\n<p>A cineasta mesmo parece ter-se constitu\u00eddo, com sua presen\u00e7a discreta e sua c\u00e2mera-olhar, um Outro ao qual as crian\u00e7as podiam se enla\u00e7ar. Um objeto fora do gozo de seus corpos, algo a que se endere\u00e7ar. Amina, que n\u00e3o utilizava as palavras com clareza, interessa-se pela c\u00e2mera e por quem est\u00e1 por detr\u00e1s dela. Pergunta: \u201co que \u00e9 isso\u201d? Otero responde: \u201ca c\u00e2mera\u201d. E isto, referindo-se a Otero. \u201cSou eu, Amina, Mariana. Voc\u00ea me conhece\u201d! A crian\u00e7a prossegue dizendo que vai querer uma c\u00e2mera como a dela, quando crescer. Perguntada sobre o que faria, a crian\u00e7a responde que vai filmar l\u00e1 fora, o c\u00e9u, as aves\u2026<\/p>\n<p>Alysson, uma menina de 12 anos, completamente invadida pelo gozo sexual, n\u00e3o para quieta com suas m\u00e3os, inclusive sobre os genitais, o que se acentua quando perto de algum menino. Com um gomo de mexerica na boca, balan\u00e7a-se freneticamente e diz \u201cestou chupando\u201d. Em outro momento, chega a gritar \u201csexo\u201d. No jardim come\u00e7a a se interessar por minhocas e outras coisas que desenterra. Vai convocar o olhar da cineasta, mostrando para a c\u00e2mera a minhoca que desliza na palma de sua m\u00e3o. Em outra cena, Alysson a convoca, colocando-se em tr\u00eas lugares diferentes com a pergunta: \u201ce aqui\u201d? Ao que Mariana responde: \u201ceu te vejo\u201d, \u201ctamb\u00e9m te vejo\u201d, \u201cvejo tamb\u00e9m\u201d, a cada uma de suas posi\u00e7\u00f5es. Constitui\u00e7\u00e3o de um corpo para Alysson, cujo diagn\u00f3stico \u00e9 de esquizofrenia, psicose em que o gozo retorna no pr\u00f3prio corpo? O document\u00e1rio termina com Alysson pegando uma trilha no campo por onde corre e chama: \u201cvenha, Mariana, por aqui\u201d, sempre convocando esse olhar para si.<\/p>\n<p>Jean-Hughes, um dos mais velhos, 14-15 anos, fala, delira e pensa sem cessar. Sabemos quanto o Outro do psic\u00f3tico \u00e9 tomado como mau, abusador e invasivo. Otero consegue se fazer o Outro d\u00f3cil que apenas acompanha o psic\u00f3tico, como sugere Miller. Jean-Hughes a recebe em seu quarto e faz uma apresenta\u00e7\u00e3o minuciosa de seus objetos. Ali\u00e1s, \u00e9 sempre ele que a convida com \u201cbom-dia\u201d, \u201col\u00e1\u201d, ou at\u00e9 mesmo fazendo passinhos de dan\u00e7a em frente \u00e0 sua c\u00e2mera. Ela nunca o invade. Soube manter a dist\u00e2ncia que o autista estabelece do Outro insuport\u00e1vel para si. Como Otero p\u00f4de funcionar assim, com tanta sensibilidade, n\u00e3o sendo uma profissional com conhecimento do manejo delicado que requer a cl\u00ednica da psicose? Operava com o mesmo cuidado de cada um dos interventores e demais profissionais do Le Courtil: V\u00e9ronique Mariage, Dominique Holveoet, Marie Br\u00e9mant e outros. Todos mergulhados no mundo da singularidade dessas crian\u00e7as e adolescentes, propiciando e acompanhando as inven\u00e7\u00f5es que pudessem constituir alguma borda entre o corpo e a linguagem.<\/p>\n<p>Alvarenga, em seu texto \u201cPsicoses Freudianas e Lacanianas\u201d, prop\u00f5e que \u201caquele que acompanha o sujeito psic\u00f3tico na sua experi\u00eancia enigm\u00e1tica opera, ao contr\u00e1rio do que faz na cl\u00ednica da neurose, com o m\u00ednimo de enigma poss\u00edvel, tentando, de alguma forma, reatar a puls\u00e3o \u00e0 cadeia significante\u201d (ALVARENGA, 2000, p.43).<\/p>\n<p>Com Alysson, a dire\u00e7\u00e3o do tratamento foi ocupar suas m\u00e3os, que j\u00e1 se ocupavam da terra, com as massas de bolo. Deu para observar sua hesita\u00e7\u00e3o quando Marie lhe disse: \u201cAgora ter\u00e1 de misturar\u201d. Era comum a menina ter dificuldade para prosseguir, queixando-se de dor na barriga, ou na cabe\u00e7a, nesses momentos em que a finalidade era que o sujeito pudesse ceder um pouco da carga de gozo que afeta seu corpo.<\/p>\n<p>Evanne, de 8 anos, roda at\u00e9 cair. Possivelmente, uma representa\u00e7\u00e3o de suas crises epil\u00e9pticas, em que cai e se debate. Numa oficina de m\u00fasica, Dominique prop\u00f5e ao violonista que fa\u00e7a pausa na m\u00fasica e interponha algumas perguntas que a crian\u00e7a tenha que responder, parando-a um pouco em seu gozo de rodopiar incessantemente. A can\u00e7\u00e3o dizia: \u201cvov\u00f3 foi \u00e0 padaria e o que comprou?\u201d A crian\u00e7a para e responde: \u201cbaguete\u201d. \u201cQuanto custou\u201d? Nova parada nos rodopios e um valor: \u201ctr\u00eas euros\u201d. Logo ap\u00f3s, a brincadeira se interrompe com uma fala da crian\u00e7a: \u201cfiz coc\u00f4\u201d. Um esfor\u00e7o para perder, ou esvaziar o gozo que o invade.<\/p>\n<p>Jean-Hughes delirava, mas tamb\u00e9m desenhava e tentava falar do gozo invasivo, na escuta atenta de Marie que se assenta com ele em seu quarto, dizendo \u201cn\u00e3o posso deix\u00e1-lo assim\u201d. Ele que gritava para os italianos o deixarem em paz, diz: \u201cN\u00e3o aguento viver desse jeito, falando sem parar e com tudo isso dentro da minha cabe\u00e7a\u201d. Marie lhe diz que vai ficar ali e que n\u00e3o precisa falar. Segue-se uma conversa em que o orienta sobre como pin\u00e7ar e n\u00e3o raspar os pelos da sobrancelha que o incomodam, pois demorariam mais para crescer. Jean lembra que j\u00e1 fez isso com seu pai uma vez, e vai ficando visivelmente apaziguado.<\/p>\n<p>O tratamento conduzido nessa institui\u00e7\u00e3o vai constituindo um \u201cnovo c\u00e9u\u201d para as crian\u00e7as e jovens em tratamento, n\u00e3o as deixando \u00e0 deriva do gozo em seus corpos, que exp\u00f5e o inconsciente \u201ca c\u00e9u aberto\u201d.<\/p>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<h6><\/h6>\n<div class=\"uk-margin-medium-top\">\n<h6><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/h6>\n<h6><\/h6>\n<h6>ALVARENGA, Elisa. \u201cPsicoses Freudianas e Lacanianas\u201d. Revista Op\u00e7\u00e3o Lacaniana, S\u00e3o Paulo: E\u00f3lia, n.28, 2000, p. 40-43.<\/h6>\n<h6>BATISTA, Maria do Carmo Dias; LAIA, S\u00e9rgio (Orgs). A psicose ordin\u00e1ria \u2013 A Conven\u00e7\u00e3o de Antibes. Belo Horizonte: Scriptum, 2012.<\/h6>\n<h6>LACAN, Jacques. (1966). \u201cApresenta\u00e7\u00e3o das Mem\u00f3rias de um doente dos nervos\u201d. In: Outros escritos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2003, p.219-223.<\/h6>\n<h6>LACAN, Jacques. (1958). \u201cDe uma quest\u00e3o preliminar a todo tratamento poss\u00edvel da psicose\u201d. In: Escritos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1998, p.537-590.<\/h6>\n<h6>LACAN, Jacques. (1955-1956). O Semin\u00e1rio. Livro 3: as psicoses. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1985.<\/h6>\n<h6>MILLER, Jacques-Alain. (2009). \u201cLa Verdad Mentirosa\u201d. In: Sutilezas Anal\u00edticas, Buenos Aires: Paid\u00f3s, 2011, p137-147.<\/h6>\n<h6><\/h6>\n<h6><\/h6>\n<hr \/>\n<h6><\/h6>\n<\/div>\n<h6><\/h6>\n<h6><\/h6>\n<div class=\"uk-margin-medium-top\">\n<h6><strong>N\u00daBIA APARECIDA FERREIRA DE MELO<\/strong><\/h6>\n<h6>Psic\u00f3loga graduada e p\u00f3s-graduada em Psican\u00e1lise: Teoria e Pr\u00e1tica, pela Universidade FUMEC. Aluna do curso de Psican\u00e1lise do Instituto de Psican\u00e1lise e Sa\u00fade Mental de Minas Gerais, 2014-2016.\u00a0<span id=\"cloake8a7da6466e018079a8fd825ccf828b7\"><a href=\"mailto:nubiafmelopsc@hotmail.com\">nubiafmelopsc@hotmail.com<\/a><\/span><\/h6>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00daBIA APARECIDA FERREIRA DE MELO &nbsp; &nbsp; \u201cO SUJEITO DO GOZO\u201d NA PSICOSE A foraclus\u00e3o generalizada e as psicoses ordin\u00e1rias, tema do quarto m\u00f3dulo do curso de psican\u00e1lise, real\u00e7aram os desenvolvimentos posteriores de Lacan no que concerne aos estudos e tratamento da psicose. Se no Semin\u00e1rio. 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