{"id":919,"date":"2017-03-17T06:57:21","date_gmt":"2017-03-17T09:57:21","guid":{"rendered":"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/new\/?p=919"},"modified":"2025-12-01T16:32:51","modified_gmt":"2025-12-01T19:32:51","slug":"assuntos-de-familia-no-discurso-toxicomaniaco-impasses","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/2017\/03\/17\/assuntos-de-familia-no-discurso-toxicomaniaco-impasses\/","title":{"rendered":"Assuntos De Fam\u00edlia No Discurso Toxicoman\u00edaco: Impasses"},"content":{"rendered":"<h1 class=\"uk-margin-large-top uk-margin-remove-bottom uk-text-center uk-article-title\"><\/h1>\n<div class=\"uk-margin-medium-top\">\n<h6><strong>CASSANDRA DIAS FARIAS<\/strong><\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"attachment_920\" style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a class=\"dt-pswp-item\" href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/7-imagem-texto-Cassandra-DE-CHIRICO-La-Famiglia-del-Pittore.jpg\" data-dt-img-description=\"KONICA MINOLTA DIGITAL CAMERA\" data-large_image_width=\"600\" data-large_image_height=\"755\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-920\" class=\"size-full wp-image-920\" src=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/7-imagem-texto-Cassandra-DE-CHIRICO-La-Famiglia-del-Pittore.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"755\" srcset=\"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/7-imagem-texto-Cassandra-DE-CHIRICO-La-Famiglia-del-Pittore.jpg 600w, https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/7-imagem-texto-Cassandra-DE-CHIRICO-La-Famiglia-del-Pittore-238x300.jpg 238w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-920\" class=\"wp-caption-text\"><strong>KONICA MINOLTA DIGITAL CAMERA<\/strong><\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>KONICA MINOLTA DIGITAL CAMERA<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Assuntos de fam\u00edlia no discurso toxicoman\u00edaco: impasses<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os assuntos de fam\u00edlia trazem para a nossa comunidade anal\u00edtica um trabalho de investiga\u00e7\u00e3o acerca de como os falantes do s\u00e9culo XXI se arranjam com a estrutura familiar, essa inven\u00e7\u00e3o humana de fazer la\u00e7o social e reunir em pequenas ou grandes c\u00e9lulas, corpos e sintomas.<\/p>\n<p>\u00c9 no seio da fam\u00edlia que se desenrolam os conflitos e impasses, a partir da trama simb\u00f3lica que se tece sobre o mal entendido constitutivo da linguagem.<\/p>\n<p>\u201cS\u00e3o os acasos que nos fazem ir a torto e a direito, e dos quais fazemos nosso destino, pois somos n\u00f3s que o tran\u00e7amos como tal. Fazemos assim nosso destino porque falamos. Achamos que dizemos o que queremos, mas \u00e9 o que quiseram os outros, mais particularmente nossa fam\u00edlia, que nos fala. (\u2026) Com efeito, h\u00e1 uma trama \u2013 chamemos isso de nosso destino\u201d. [1]<\/p>\n<p>O sujeito vai supor ao destino o seu caminho. A experi\u00eancia anal\u00edtica vem demonstrar que esse caminho \u00e9 feito de escolhas a partir das marcas do dizer do Outro parental. Esse dizer \u00e9 constitu\u00eddo, fundamentalmente, do que cai do encontro sempre faltoso entre um homem e uma mulher e que teve como produto, um filho. A unidade familiar, qualquer que ela seja, porta em seu seio um segredo sobre o gozo, conforme nos diz Bassols: \u201c\u00e9 o campo do gozo feminino, o gozo do Outro, que habita em toda unidade familiar. Dito de outra forma: toda fam\u00edlia \u00e9 um aparato de gozo, um modo de resguardar o segredo do gozo como inomin\u00e1vel, inclusive abjeto\u201d.[2]<\/p>\n<p>O heteros do gozo feminino toca a cada um que se enoda ao redor desse ponto, produzindo um sintoma. Na cl\u00ednica da toxicomania, o que podemos pensar a respeito desse aparato de gozo familiar e do segredo acerca do gozo, feminino por excel\u00eancia?<\/p>\n<p>Nos servi\u00e7os de assist\u00eancia a problemas relacionados com o uso de drogas, a fam\u00edlia, via de regra, encontra-se desarvorada com a itera\u00e7\u00e3o do gozo mort\u00edfero e sem sentido da intoxica\u00e7\u00e3o de um dos seus. Perplexidade e cansa\u00e7o predominam e n\u00e3o \u00e9 incomum que a posi\u00e7\u00e3o de recha\u00e7o e dejeto sejam as \u00fanicas sa\u00eddas poss\u00edveis para o insuport\u00e1vel que se apresenta nos corpos intoxicados. A segrega\u00e7\u00e3o encontra-se sempre no horizonte.<\/p>\n<p>Entendendo o recurso \u00e0 intoxica\u00e7\u00e3o \u201ccomo uma a\u00e7\u00e3o substitutiva, no momento em que o sintoma se mostra insuficiente como resposta para o sujeito\u201d,[3] podemos pensar que, na impossibilidade de articular as marcas do dizer do Outro parental sobre si e do segredo acerca do gozo que habita em cada fam\u00edlia, o sujeito se lan\u00e7a no desmedido do autoerotismo, mantendo-se exilado do enigma, portanto, do sintoma.<\/p>\n<p>O sintoma constitui-se como o representante do pr\u00f3prio sujeito, atrav\u00e9s de sua rela\u00e7\u00e3o com o gozo. Esse circuito sempre prec\u00e1rio, destinado ao fracasso, constitui o movimento do sujeito tentando fazer-se representar pelo sintoma em sua rela\u00e7\u00e3o com aquilo que lhe causa.<\/p>\n<p>No entanto, n\u00e3o \u00e9 isso que ocorre na toxicomania. Trata-se de outro caminho subjetivo para os impasses com o sexual e a castra\u00e7\u00e3o. \u00c9 atrav\u00e9s da adi\u00e7\u00e3o a uma subst\u00e2ncia que o sujeito encontra uma sa\u00edda para o impasse sexual sem ter que se defrontar com a diferen\u00e7a sexual, sem ter que tirar consequ\u00eancias do fato da linguagem subverter sua pr\u00f3pria condi\u00e7\u00e3o de animal. Por se tratar de uma opera\u00e7\u00e3o real sobre o real, entendemos como uma posi\u00e7\u00e3o de recha\u00e7o ao sexual, na medida em que nada quer saber sobre a inexist\u00eancia da rela\u00e7\u00e3o sexual.<\/p>\n<p>[1] En la toxicomania no se passa por el Outro sexo, que supone tener que pasar por el encuentro com el cuerpo del outro y que implica la diferencia. A sua vez, ya vimos que esse passar por Outro supone poner em funci\u00f3n al falo. (\u2026) Es decir, que la soluci\u00f3n toxic\u00f3mana al malestar no se busca por la via de encontrar o de hacer del Outro la met\u00e1fora del objeto perdido, aunque con esto no alcanza.[4]<\/p>\n<p>Os impasses que a cl\u00ednica nos traz veem atestar que o sujeito intoxicado, na impossibilidade de construir um sintoma, recorre \u00e0 subst\u00e2ncia como anteparo ao enigma do gozo que perpassa a institui\u00e7\u00e3o familiar, permanecendo colado aos efeitos desse gozo sobre o corpo, em sil\u00eancio absoluto sobre o enigma sexual.<\/p>\n<p>Ser\u00e1 preciso que algo desse segredo alojado na fam\u00edlia ressoe e algo fure a blindagem subjetiva promovida pela subst\u00e2ncia, fazendo enigma para o sujeito. Nessa opera\u00e7\u00e3o, ele poder\u00e1 reencontrar o caminho das palavras. Resta para mim, a raz\u00e3o pela qual o sujeito poder\u00e1 consentir com a investiga\u00e7\u00e3o do enigma familiar, abrindo m\u00e3o do gozo compato da intoxica\u00e7\u00e3o. Encontro em Lacan a refer\u00eancia precisa: \u201cS\u00f3 o amor permite ao gozo condescender ao desejo\u201d[5], para fazer media\u00e7\u00e3o com o Um s\u00f3zinho.<\/p>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<h6><\/h6>\n<div class=\"uk-margin-medium-top\">\n<h6><strong>Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas<\/strong><\/h6>\n<h6>[1] LACAN, J. \u2013 Joyce, o sintoma \u2013 Semin\u00e1rio 23, p 159<\/h6>\n<h6>[2] BASSOLS, M. \u2013 Famulus \u2013 dispon\u00edvel em http:\/\/www.lacan21.com\/sitio\/2016\/10\/25\/famulus\/?lang=pt-br<\/h6>\n<h6>[3] SANTIAGO, J. 2001, p. 109<\/h6>\n<h6>[4] NAPARSTEK, F. 2005, p 59<\/h6>\n<h6>[5] LACAN, J. \u2013 Semin\u00e1rio 10 , p 197<\/h6>\n<h6><\/h6>\n<h6><\/h6>\n<hr \/>\n<h6><\/h6>\n<h6>CASSANDRA DIAS FARIAS<\/h6>\n<h6>Psicanalista em Jo\u00e3o Pesso , Membro da EBP\/AMP. E-MAIL :\u00a0<span id=\"cloak5fe129a265abb2863754a2c88fce174e\"><a href=\"mailto:cassandradias@uol.com.br\">cassandradias@uol.com.br<\/a><\/span><\/h6>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>CASSANDRA DIAS FARIAS &nbsp; &nbsp; &nbsp; KONICA MINOLTA DIGITAL CAMERA &nbsp; Assuntos de fam\u00edlia no discurso toxicoman\u00edaco: impasses &nbsp; Os assuntos de fam\u00edlia trazem para a nossa comunidade anal\u00edtica um trabalho de investiga\u00e7\u00e3o acerca de como os falantes do s\u00e9culo XXI se arranjam com a estrutura familiar, essa inven\u00e7\u00e3o humana de fazer la\u00e7o social e&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":58081,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[15],"tags":[],"class_list":["post-919","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-almanaque-19","category-15","description-off"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/919","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=919"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/919\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":58082,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/919\/revisions\/58082"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/58081"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=919"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=919"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=919"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}