{"id":934,"date":"2017-03-17T06:57:21","date_gmt":"2017-03-17T09:57:21","guid":{"rendered":"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/new\/?p=934"},"modified":"2025-12-01T16:34:06","modified_gmt":"2025-12-01T19:34:06","slug":"o-real-na-familia-contemporanea-questoes-sobre-o-incesto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/2017\/03\/17\/o-real-na-familia-contemporanea-questoes-sobre-o-incesto\/","title":{"rendered":"O Real Na Fam\u00edlia Contempor\u00e2nea \u2013 Quest\u00f5es Sobre O Incesto"},"content":{"rendered":"<h1 class=\"uk-margin-large-top uk-margin-remove-bottom uk-text-center uk-article-title\"><\/h1>\n<div class=\"uk-margin-medium-top\">\n<h6><strong>LUCIA MELLO<\/strong><\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<p><a class=\"dt-pswp-item\" href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/10-Imagem-Lucia-Melo.jpg\" data-dt-img-description=\"\" data-large_image_width=\"750\" data-large_image_height=\"461\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-935\" src=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/10-Imagem-Lucia-Melo.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"461\" srcset=\"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/10-Imagem-Lucia-Melo.jpg 750w, https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/10-Imagem-Lucia-Melo-300x184.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"uk-margin-medium-top\">\n<p>O real na fam\u00edlia contempor\u00e2nea comporta pesquisas sobre os v\u00e1rios sentidos desse nome para Lacan, de desde seu texto inicial, da d\u00e9cada de 50, at\u00e9 as mudan\u00e7as operadas em seu \u00faltimo ensino. Neste, o real surge enquanto dimens\u00e3o contingente que concerne a cada um, sem sentido, acarreta ruptura tanto com o saber quanto com a causalidade, separado que est\u00e1 da dimens\u00e3o ficcional do inconsciente estruturado como linguagem, e modifica o pr\u00f3prio conceito de inconsciente.<\/p>\n<p>A pergunta que orienta essa investiga\u00e7\u00e3o diz respeito \u00e0s transforma\u00e7\u00f5es culturais e sociais que incidiram sobre os discursos e atingiram o que Freud formulou como uma lei primordial da humanidade \u2013 advinda de pesquisas sociol\u00f3gicas e resultado da incid\u00eancia do pai e inscrita como mito, fantasia e tabu do incesto \u2013 ou seja, a como se apresenta o tabu do incesto no tempo do real sem lei.<\/p>\n<p>O coment\u00e1rio feito por Lacan sobre a fic\u00e7\u00e3o do pai primeiro, constru\u00edda por Freud, assinala a import\u00e2ncia da fam\u00edlia na transmiss\u00e3o da cultura, por v\u00e1rios meios, quando destaca o medo, prot\u00f3tipo da repress\u00e3o edipiana, inspirado pela castra\u00e7\u00e3o real promovida pela vers\u00e3o do pai gozador de Totem e tabu. A proibi\u00e7\u00e3o do incesto constru\u00edda no mito freudiano incide sobre a m\u00e3e e \u201ctem um car\u00e1ter universal, atrav\u00e9s de rela\u00e7\u00f5es de parentesco infinitamente diversificadas\u2026 essa proibi\u00e7\u00e3o \u00e9 sempre expressamente formulada e sua transgress\u00e3o \u00e9 marcada por uma reprova\u00e7\u00e3o constante\u201d (LACAN, 1938\/2003, p. 29). Na fic\u00e7\u00e3o, o tabu decorre da orgia sacrificial seguida do banquete tot\u00eamico e da rivalidade entre os membros do cl\u00e3, de quem resultam tradi\u00e7\u00f5es morais e culturais.<\/p>\n<p>Essas tradi\u00e7\u00f5es se veem abaladas como consequ\u00eancia da disjun\u00e7\u00e3o entre sexualidade, procria\u00e7\u00e3o e filia\u00e7\u00e3o ocorrida no s\u00e9culo XX. O nascimento de uma crian\u00e7a n\u00e3o depende mais do encontro de um homem com uma mulher. Os enigmas da sexualidade s\u00e3o deslocados do campo do desejo para as demandas de mercado. A fam\u00edlia contempor\u00e2nea definida por Lacan no texto de 1938, os \u201cComplexos familiares\u201d, como institui\u00e7\u00e3o, fato social, mito em que se inscreviam em triplo registro a reprodu\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie, fun\u00e7\u00e3o organizadora da filia\u00e7\u00e3o e os fundamentos de transmiss\u00e3o entre gera\u00e7\u00f5es, exacerba sua dupla face entre interdi\u00e7\u00e3o e permiss\u00e3o do gozo. A fam\u00edlia parece perder progressivamente sua fun\u00e7\u00e3o de transmissora da cultura, das rela\u00e7\u00f5es de parentesco.<\/p>\n<p>As muta\u00e7\u00f5es na civiliza\u00e7\u00e3o apontadas por Lacan desde os anos 70 produzem efeitos e transtornos decorrentes das transforma\u00e7\u00f5es no discurso do mestre, repercutem sobre a lei da castra\u00e7\u00e3o e afetam profundamente a fam\u00edlia contempor\u00e2nea. Passa-se da autoridade paterna para a autoridade parental. Marie-H\u00e9l\u00e8ne Brousse considera a parentalidade um neologismo utilizado pelo novo discurso da ci\u00eancia para apagar os termos tradicionais de pai e m\u00e3e e homem e mulher, modificando o sistema de parentesco e a transmiss\u00e3o da lei e pretendendo recobrir a impossibilidade de escrever a rela\u00e7\u00e3o sexual.<\/p>\n<p>Em seu artigo sobre o tema, Brousse (2005) comenta que, onde havia o drama de uma rela\u00e7\u00e3o entre termos diferentes, fun\u00e7\u00f5es diferentes, se imp\u00f5e a equival\u00eancia, a similaridade e a permuta, movidas pelas vontades de gozo, pelo apagamento das fun\u00e7\u00f5es alteradas para termos iguais que se repetem em s\u00e9rie: \u201cConfiado \u00e0 ci\u00eancia, o real da reprodu\u00e7\u00e3o se encontra separado do simb\u00f3lico da filia\u00e7\u00e3o.\u201d (p. 121). O circuito do desejo que necessariamente implica a diferen\u00e7a sexual tamb\u00e9m \u00e9 apagado pela parentalidade, que se imp\u00f5e como um sintoma da sociedade p\u00f3s-moderna. Na condi\u00e7\u00e3o de significante \u00fanico, a parentalidade transmuta os lugares de pai e m\u00e3e para a s\u00e9rie de Uns esparsos e disjuntos, sem o Outro como parceiro de mito e fic\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Essa transforma\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia afeta a crian\u00e7a recebida, escolhida ou produzida como objeto a, que, na condi\u00e7\u00e3o de objeto mais-de-gozo, torna-se pass\u00edvel de consumo pela via da parentalidade \u2013 v\u00edtima de vigil\u00e2ncias, permutas e abusos diversos. Indaga-se, portanto, sobre as muta\u00e7\u00f5es no estatuto das interdi\u00e7\u00f5es e seus efeitos para o que Freud conceituava como economia ps\u00edquica. Indaga-se ainda se a parentalidade, promotora de equival\u00eancias na s\u00e9rie de Uns esparsos, apagaria a diferen\u00e7a dos nomes e do desejo como imposs\u00edvel.<\/p>\n<p>A esse respeito, Laurent (2005) evoca a contribui\u00e7\u00e3o freudiana, situada no decorrer de sua obra, sobre o lugar do pai como portador da interdi\u00e7\u00e3o do incesto na economia ps\u00edquica. Em suas quatro vers\u00f5es do pai, Totem e tabu, \u00c9dipo, Hamlet, Mois\u00e9s e o monote\u00edsmo, o pai freudiano traz sua marca na ang\u00fastia, na sociedade, nas religi\u00f5es. A passagem do pai legislador para vers\u00f5es tir\u00e2nicas e totalit\u00e1rias assinala a transforma\u00e7\u00e3o e a dispers\u00e3o em vers\u00f5es do pai, pervers\u00f5es n\u00e3o inscritas nas fantasias mas distribu\u00eddas entre parceiros de sexos mutantes.<\/p>\n<p>Lacan, relendo Freud, modifica e interroga o estatuto da fam\u00edlia lembrando que pai e m\u00e3e s\u00e3o nomes que marcam uma particularidade do desejo de crian\u00e7a em todas as sociedades. Isso porque a ordem familiar, em vez de base da hist\u00f3ria, torna-se res\u00edduo, produto da hist\u00f3ria. Lembra ainda que o pai como nome \u00e9 vetor de uma encarna\u00e7\u00e3o da Lei sobre o desejo, portanto n\u00e3o \u00e9 apenas o pai que interdita, mas o que re\u00fane contradi\u00e7\u00f5es entre interdi\u00e7\u00e3o, desejo e gozo. Enquanto o pai freudiano abriga-se no universal entre ideal e utopia, o pai lacaniano inscreve-se pelo amor \u2013 se ele faz causa de desejo uma mulher objeto a, assim como seus filhos.<\/p>\n<p>Os m\u00faltiplos usos dos sistemas de nomes encontrados no caso a caso da cl\u00ednica levam em considera\u00e7\u00e3o um real, pr\u00f3prio \u00e0 psican\u00e1lise, que opera sobre um res\u00edduo irredut\u00edvel, o imposs\u00edvel em jogo tanto na fam\u00edlia quanto na sociedade e que comparece na experi\u00eancia de uma an\u00e1lise. Esse real do sintoma ser\u00e1 sempre reinterpretado, isto \u00e9, lido \u2013 leitura que marca percursos diversos da rela\u00e7\u00e3o do sujeito com seu inconsciente.<\/p>\n<p>Segundo Lacan, em outro texto, a psican\u00e1lise constata que a crian\u00e7a contempor\u00e2nea revela o que \u00e9 de estrutura para todos, pois \u00e9 o sujeito que se encarrega de constituir sua fam\u00edlia, quando institui uma distribui\u00e7\u00e3o dos nomes de pai e de m\u00e3e. Esse ato de nomea\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 sem consequ\u00eancia tanto para o lugar ocupado pela crian\u00e7a que faz uma fam\u00edlia quanto para a realiza\u00e7\u00e3o de sua presen\u00e7a como objeto na fantasia materna.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Quest\u00f5es sobre o incesto<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Com o t\u00edtulo de \u201cO inferno das fam\u00edlias\u201d, Alain Merlet (2007, p. 63) traz uma contribui\u00e7\u00e3o interessante sobre o tema do incesto. Inicialmente, o autor assinala uma diferen\u00e7a importante entre o semblante incestuoso aparelhado \u00e0s fantasias e a passagem ao ato incestuoso como um real do gozo e seus efeitos, por vezes profundamente devastadores e destrutivos e sem retorno para um sujeito. Essa diferencia\u00e7\u00e3o parece importante na medida em que se verificam, na cl\u00ednica, com alguma frequ\u00eancia, os semblantes incestuosos constitutivos de fantasias diversas, descortinando os paradoxos do desejo enquanto as passagens ao ato incestuoso ocorrem em situa\u00e7\u00f5es mais graves em alguns casos de psicose, cujas consequ\u00eancias, em alguns casos, se mostram refrat\u00e1rias ao tratamento. O autor prop\u00f5e a separa\u00e7\u00e3o entre o dito e o dizer demarcando a incid\u00eancia do trabalho cl\u00ednico sobre as enuncia\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Dos casos cl\u00ednicos examinados sobre os quais a experi\u00eancia anal\u00edtica incidiu, ele extrai tr\u00eas propostas muito pertinentes que constituem, por si pr\u00f3prias, vias de enfrentamento de um tabu que passou ao ato sem as consequ\u00eancias culturais de sua proibi\u00e7\u00e3o contidas no mito freudiano, ou seja, incesto em sua vers\u00e3o s\u00e9culo XXI, que tem o m\u00e9rito de causar horror, surpresa, mas, por outro lado, de instigar novas premissas:<\/p>\n<ol>\n<li>N\u00e3o se deve recuar diante do horror do incesto, sob o risco de sacraliz\u00e1-lo, ignorar sua diversidade cl\u00ednica e suas coordenadas.<\/li>\n<li>A incongru\u00eancia de tal ato transpira sempre alguma coisa do objeto com o qual o ser falante tenta responder e se constituir como sintoma.<\/li>\n<li>A disciplina do dizer quando pode cumprir-se \u00e9, em si, um tratamento do gozo incestuoso e, portanto, uma realiza\u00e7\u00e3o da proibi\u00e7\u00e3o do incesto.<\/li>\n<\/ol>\n<p>A diversidade cl\u00ednica apontada pelo ser falante mergulhado em um ato que saiu da esfera m\u00edtica para o campo do real desvela a inadequa\u00e7\u00e3o do simb\u00f3lico para oper\u00e1-lo e mostra-se atingido por inibi\u00e7\u00f5es diversas. O convite feito por Miller para outro modo de leitura e interpreta\u00e7\u00e3o e a busca pelo aux\u00edlio da letra sem perder de vista a falta irremedi\u00e1vel no campo do Outro parecem mais adequados para abordar o paradoxo de uma proibi\u00e7\u00e3o no tempo de muta\u00e7\u00f5es extremas sem o apoio da rela\u00e7\u00e3o de causalidade.<\/p>\n<p><strong>Dois paradoxos contempor\u00e2neos\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>No cap\u00edtulo dos paradoxos atuais verifica-se, do lado da ci\u00eancia, a a\u00e7\u00e3o desenfreada promovida por um discurso que trabalha no campo da gen\u00e9tica e da reprodu\u00e7\u00e3o, inventando um saber em que todos s\u00e3o animais, combinando, sem cessar, \u00f3vulos, espermatozoides, doadores, provetas e \u00fateros que, ao sabor dos caprichos, produzem humanos resultados de combinat\u00f3rias incestuosas. Os integrantes do avesso das procria\u00e7\u00f5es aguardam sem cr\u00edticas as crian\u00e7as produtos desses experimentos e sem considerar o imposs\u00edvel situado na origem, o real dos la\u00e7os familiares.<\/p>\n<p>No campo da educa\u00e7\u00e3o brasileira, colhe-se, no site Uol Educa\u00e7\u00e3o[i], de 8 de junho deste ano, a not\u00edcia de que o MEC vai recolher das escolas p\u00fablicas o livro infantil Enquanto o sono n\u00e3o vem, de Jos\u00e9 Mauro Brant. Um dos contos, \u201cA triste hist\u00f3ria de Eredegalda\u201d, narra a saga de um rei que queria se casar com a mais bonita das pr\u00f3prias filhas. Quando ela se nega ao casamento, \u00e9 castigada e acaba morrendo de sede. Destinado a crian\u00e7as de seis a oito anos, o livro faz parte do Programa de Alfabetiza\u00e7\u00e3o e, antes de ser enviado \u00e0s escolas p\u00fablicas, contou com a avalia\u00e7\u00e3o e a indica\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3os do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A reportagem informa que o recolhimento do conto decorreu de cr\u00edticas feitas pelos pais, mas, sem situar o teor dessas observa\u00e7\u00f5es, acrescenta que, segundo a Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica do MEC,<\/p>\n<p><em>As crian\u00e7as do ciclo de alfabetiza\u00e7\u00e3o, por serem leitores em forma\u00e7\u00e3o e com viv\u00eancias limitadas, ainda n\u00e3o adquiriram autonomia, maturidade e senso cr\u00edtico para problematizar determinados temas com alta densidade, como \u00e9 o caso da hist\u00f3ria em quest\u00e3o[ii].<\/em><\/p>\n<p>Recoberto por nomes diversos, pr\u00e1ticas cient\u00edficas, literaturas, bullying, abusos, atos imotivados, compuls\u00f5es e adi\u00e7\u00f5es, o tabu do incesto comporta a advert\u00eancia feita por Lacan nos seus trabalhos iniciais sobre o tratamento da psicose e retomado por Merlet no artigo citado anteriormente: n\u00e3o recuar diante do trabalho cl\u00ednico instigado pelo horror de um ato que parece, na atualidade, situar-se entre loucura e debilidade.<\/p>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<div class=\"uk-margin-medium-top\">\n<h6><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/h6>\n<h6>BROUSSE, M. H. \u201cUn n\u00e9ologisme d\u2019actualit\u00e9: la parentalit\u00e9\u201d In: La cause freudienne. Paris: Navarin, 2005, n\u00ba 60.117.<\/h6>\n<h6>LACAN, J. \u201cOs complexos familiares na forma\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo\u201d (1938) In: Outros escritos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2003.<\/h6>\n<h6>LAURENT, \u00c9. \u201cLe Nom-du-P\u00e8re entre r\u00e9alisme e nominalisme\u201d. In: La cause freudienne. Paris: Navarin, 2005, n\u00ba 60. 131.<\/h6>\n<h6>MERLET, A. \u201cL\u2019enfer des familles\u201d In: La cause freuienne. Paris: Navarin, 2007, n\u00ba 65, p. 63.<\/h6>\n<h6>[i] UOL educa\u00e7\u00e3o, dispon\u00edvel em https:\/\/educacao.uol.com.br\/noticias\/2017\/06\/08\/mec-diz-que-vai-recolher-livro-infantil-de-escolas-por-falar-de-incesto.htm, acesso em 8\/6\/2017.<\/h6>\n<h6>[ii] Idem.<\/h6>\n<h6><\/h6>\n<hr \/>\n<h6><\/h6>\n<h6><strong>LUCIA MELLO<\/strong><\/h6>\n<h6>1. UOL educa\u00e7\u00e3o, dispon\u00edvel em https:\/\/educacao.uol.com.br\/noticias\/2017\/06\/08\/mec-diz-que-vai-recolher-livro-infantil-de-escolas-por-falar-de-incesto.htm, acesso em 8\/6\/2017.<\/h6>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>LUCIA MELLO &nbsp; &nbsp; O real na fam\u00edlia contempor\u00e2nea comporta pesquisas sobre os v\u00e1rios sentidos desse nome para Lacan, de desde seu texto inicial, da d\u00e9cada de 50, at\u00e9 as mudan\u00e7as operadas em seu \u00faltimo ensino. 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