{"id":947,"date":"2017-03-17T06:57:21","date_gmt":"2017-03-17T09:57:21","guid":{"rendered":"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/new\/?p=947"},"modified":"2025-12-01T16:34:57","modified_gmt":"2025-12-01T19:34:57","slug":"entrevista-com-juliana-mota-instituto-raul-soares-fhemig-do-confinamento-ao-manejo-clinico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/2017\/03\/17\/entrevista-com-juliana-mota-instituto-raul-soares-fhemig-do-confinamento-ao-manejo-clinico\/","title":{"rendered":"Entrevista Com Juliana Mota (Instituto Raul Soares \u2013 FHEMIG) Do Confinamento Ao Manejo Cl\u00ednico"},"content":{"rendered":"<h1 class=\"uk-margin-large-top uk-margin-remove-bottom uk-text-center uk-article-title\"><\/h1>\n<div class=\"uk-margin-medium-top\">\n<h6><strong>ALMANAQUE ON-LINE<\/strong><\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a class=\"dt-pswp-item\" href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/stone.jpeg\" data-dt-img-description=\"\" data-large_image_width=\"1407\" data-large_image_height=\"951\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-large wp-image-948\" src=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/stone-1024x692.jpeg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"692\" srcset=\"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/stone-1024x692.jpeg 1024w, https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/stone-300x203.jpeg 300w, https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/stone-768x519.jpeg 768w, https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/stone.jpeg 1407w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><\/p>\n<h6><strong>STONE<\/strong><\/h6>\n<p><strong>ALMANAQUE ON-LINE ENTREVISTA JULIANA MOTA[1] (INSTITUTO RAUL SOARES-FHEMIG)<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Almanaque (A): Agradecemos, em nome do Almanaque, a sua disponibilidade e gostar\u00edamos que voc\u00ea nos falasse um pouco sobre a hist\u00f3ria do Instituto Raul Soares e de seu trabalho aqui.<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a class=\"dt-pswp-item\" href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/new\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/05-FOTO-JULIANA-texto-600x423-1.jpg\" data-dt-img-description=\"\" data-large_image_width=\"600\" data-large_image_height=\"423\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-949\" src=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/new\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/05-FOTO-JULIANA-texto-600x423-1.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"423\" srcset=\"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/05-FOTO-JULIANA-texto-600x423-1.jpg 600w, https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/05-FOTO-JULIANA-texto-600x423-1-300x212.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><\/p>\n<div class=\"uk-margin-medium-top\">\n<h6><strong>JULIANA MOTA<\/strong><\/h6>\n<p><strong>Juliana Mota (J.M.)<\/strong>: Atualmente ocupo a ger\u00eancia tecno-assistencial do Instituto Raul Soares, o que equivale \u00e0 dire\u00e7\u00e3o cl\u00ednica desse hospital \u2013 um hospital que tem quase cem anos.<\/p>\n<p>O Raul Soares foi criado em 1922 para ser especificamente um lugar de forma\u00e7\u00e3o na psiquiatria \u2013 por isso n\u00e3o se chama hospital, mas Instituto. O Raul tem uma tradi\u00e7\u00e3o, uma import\u00e2ncia fundamental nos anos 60 e 70. A partir de 1970, com os ventos que vieram da It\u00e1lia \u2013 da Reforma Psiqui\u00e1trica, da Reforma Sanit\u00e1ria do pa\u00eds \u2013, come\u00e7a a cria\u00e7\u00e3o de um projeto sanit\u00e1rio, ou seja, a Reforma Psiqui\u00e1trica \u00e9 fruto da Reforma Sanit\u00e1ria porque ela tem como eixo fundador a quest\u00e3o do pensamento do SUS, a l\u00f3gica do SUS. \u00c9 nesse cen\u00e1rio que um grupo de psiquiatras, fundamentais na hist\u00f3ria da psiquiatria no Brasil, como Francisco Paes Barreto[2], Ant\u00f4nio Beneti[3], Ant\u00f4nio Simoni[4] \u2013 falecido ano passado \u2013, Jo\u00e3o Batista Magro[5] e C\u00e9lio Garcia[6] \u2013 que n\u00e3o era psiquiatra, mas estava junto nesse trabalho \u2013, come\u00e7aram a discutir, a partir das den\u00fancias de Hiram Firmino[7], a situa\u00e7\u00e3o dos hospitais psiqui\u00e1tricos de Minas Gerais. Esse grupo faz um movimento capital no Estado de Minas Gerais para se pensar os rumos da forma\u00e7\u00e3o dos jovens psiquiatras. Nesse momento tamb\u00e9m come\u00e7a a discuss\u00e3o sobre o perfil do trabalhador de sa\u00fade mental, sendo a Sa\u00fade Mental criada nessa \u00e9poca. O hospital fundou a primeira resid\u00eancia de psiquiatria no Brasil \u2013 que completa 50 anos em 2018. Com todas as suas oscila\u00e7\u00f5es e problemas, ele se torna um lugar de forma\u00e7\u00e3o cl\u00ednica.<\/p>\n<p>\u00c9 tamb\u00e9m nesse momento que come\u00e7am a surgir as institui\u00e7\u00f5es de psican\u00e1lise em Belo Horizonte \u2013 o C\u00edrculo Psicanal\u00edtico[8], o Col\u00e9gio[9]. Esse grupo de analistas e psiquiatras s\u00e3o tamb\u00e9m os preceptores de resid\u00eancias. Ent\u00e3o, o Raul tem essa hist\u00f3ria na forma\u00e7\u00e3o de psiquiatras, em que analistas ministram cursos desde a sua funda\u00e7\u00e3o. Depois tivemos uma segunda gera\u00e7\u00e3o de psiquiatras, Ana Marta Lobosque[10] e Miriam Abou-Yd[11] que, transferidas com o texto anal\u00edtico e com o texto da reforma psiqui\u00e1trica, continuam a propor uma transforma\u00e7\u00e3o no sentido da forma\u00e7\u00e3o desses trabalhadores de sa\u00fade mental. Nesse sentido, o discurso anal\u00edtico \u00e9 acolhido no Raul e passa a ter espa\u00e7o em nossas discuss\u00f5es, assim como o discurso da cl\u00ednica psiqui\u00e1trica e da reforma psiqui\u00e1trica.<\/p>\n<p>H\u00e1 seis anos, criamos a primeira resid\u00eancia multidisciplinar em sa\u00fade mental da Funda\u00e7\u00e3o Hospitalar de Minas Gerais (FHEMIG). Essa segunda resid\u00eancia possui uma vaga para cada categoria: psicologia, terapia ocupacional, enfermagem e assist\u00eancia social. Trata-se de uma resid\u00eancia do Instituto Raul Soares, da rede FHEMIG[12], mas chancelada, atualmente, pela Faculdade de Ci\u00eancias M\u00e9dicas, sendo o Instituto Raul Soares o executor.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A: Nesse percurso, como foi a deshospitaliza\u00e7\u00e3o no Instituto Raul Soares?<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>J.M.<\/strong>: T\u00ednhamos, como todos os hosp\u00edcios criados em 1920 \u2013 e que atravessaram os anos 30 e 40 \u2013, moradores. Durante um tempo, ficamos com 17 moradores. Em 2015 conseguimos deshospitalizar dez pessoas. Alguns moravam aqui h\u00e1 dezessete, outros h\u00e1 treze, outros h\u00e1 cinco, seis anos. Fora as interna\u00e7\u00f5es judiciais, em que t\u00ednhamos pacientes aguardando h\u00e1 mais de tr\u00eas anos. Pois, pegamos o contexto da reforma, mas tamb\u00e9m uma \u00e9poca em que as pessoas ficavam aqui por interna\u00e7\u00e3o compuls\u00f3ria judici\u00e1ria[13]. Em alguns casos, o juiz n\u00e3o dava defini\u00e7\u00e3o do caso e o paciente ia ficando. Em outros, o juiz estipulava o tempo, determinava \u201cvai ficar tr\u00eas anos\u201d, e a pessoa permanecia por tr\u00eas anos. Mas, enfim, hoje temos cinco moradores no hospital, todos eles em processo de sa\u00edda para as resid\u00eancias terap\u00eauticas[14].<\/p>\n<p>E, ainda, sobre as interna\u00e7\u00f5es compuls\u00f3rias, que n\u00e3o acontecem s\u00f3 no Instituto Raul Soares, mas tamb\u00e9m no Hospital Jo\u00e3o XXIII[15], entre outras institui\u00e7\u00f5es, o procurador da FHEMIG e a coordena\u00e7\u00e3o de Sa\u00fade Mental do Estado de Minas Gerais iniciaram uma discuss\u00e3o com os ju\u00edzes e os promotores das comarcas explicando as dificuldades causadas por esse tipo de interna\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o \u00e9 cl\u00ednica, e temos tentado encontrar outras solu\u00e7\u00f5es. Atualmente, as senten\u00e7as come\u00e7am a vir sem tempo, e a decis\u00e3o do tempo de perman\u00eancia passa a ser apenas cl\u00ednica. \u00c9 claro que temos ainda problemas em algumas comarcas.<\/p>\n<p>Devemos lembrar que o Instituto Raul soares recebe pacientes de todos os lugares do Estado. Esses pacientes podem chegar sozinhos, vir encaminhados pelo Centro de Sa\u00fade. Quando o paciente chega, o trabalho da equipe \u00e9 verificar a possibilidade de encaminh\u00e1-lo para rede de sa\u00fade. Estamos trabalhando na dimens\u00e3o do ato, isto \u00e9, a equipe escuta, acolhe, maneja, conversa com a rede e, se poss\u00edvel, encaminha. Mas a diferen\u00e7a \u00e9 que operamos a partir de um encaminhamento cl\u00ednico, respeitando o territ\u00f3rio geogr\u00e1fico, mas, sobretudo, tendo como ponto norteador a cl\u00ednica. Esse \u00e9 o orientador da dire\u00e7\u00e3o cl\u00ednica atual. Sem o argumento cl\u00ednico, o paciente n\u00e3o sai do Raul. A equipe precisa sustentar seus encaminhamentos para al\u00e9m da l\u00f3gica da rede administrativa da sa\u00fade mental. Ela deve criar uma rede cl\u00ednica para cada um desses sujeitos, que ser\u00e3o encaminhados. E \u00e9 bom constatar que a rede funciona, a rede acolhe. Temos dados estat\u00edsticos que sustentam essa orienta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Urg\u00eancias subjetivas: novas formas de sintoma<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A: Qual \u00e9 o perfil hoje do Instituto Raul Soares? Como funciona? O que funciona aqui, j\u00e1 que n\u00e3o \u00e9 mais interna\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>J.M.<\/strong>: N\u00e3o somos mais o lugar de confinamento. Se ainda tem um ou outro paciente que fica um tempo a mais, \u00e9 porque ainda est\u00e1 no processo de discuss\u00e3o com as localidades a que pertencem. Hoje o Raul \u00e9 um local de passagem, um lugar breve, de urg\u00eancia. Nesse sentido, um dos nossos indicadores de efici\u00eancia \u00e9 reduzir as interna\u00e7\u00f5es para sete a onze dias, no m\u00e1ximo, numa crise. \u00c9 claro que isso funciona melhor na cidade de Belo Horizonte. A Grande BH e algumas regi\u00f5es do Estado, por serem mais desamparadas de dispositivos para acolher, ainda internam muito.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A: O fato de as interna\u00e7\u00f5es serem curtas \u2013 voc\u00ea disse de sete a onze dias \u2013aumenta o n\u00famero de retorno?<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>J.M.<\/strong>: N\u00e3o. Acontece \u00e0s vezes, mas acho que a institui\u00e7\u00e3o, o corpo cl\u00ednico, tem trabalhado e manejado melhor o caso na porta de entrada. Tentamos n\u00e3o deixar entrar mais. Fechamos uma enfermaria e a transformamos em Centro de Acolhimento \u00e0 Crise. Hoje a urg\u00eancia se transformou; colocamos uma equipe de acolhimento e uma equipe horizontal, ou seja, uma equipe que acolhe e uma equipe que acompanha os pacientes que est\u00e3o na observa\u00e7\u00e3o, todos os dias. E, mais ainda, essas equipes se re\u00fanem diariamente, \u00e0s dez horas, para discutir os casos que chegaram nas \u00faltimas 24 horas e os manejos que v\u00e3o se fazendo com a rede. Estamos equipando essa porta de entrada para esse pensamento de urg\u00eancia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A: Como \u00e9 essa crise? Essa urg\u00eancia?<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>J.M.<\/strong>: Temos dois pontos. Um \u00e9 uma urg\u00eancia subjetiva, quando o sujeito chega com um sintoma muito emba\u00e7ado. Poder\u00edamos dizer que s\u00e3o essas novas formas de corpo, de muito uso de subst\u00e2ncia, uma posi\u00e7\u00e3o muito pouco discursiva, em que \u00e9 necess\u00e1rio introduzir o tempo. Ent\u00e3o, o Centro de Acolhimento \u00e0 Crise vem para introduzir uma hi\u00e2ncia, para que seja poss\u00edvel algo do sujeito aparecer, para que alguma interven\u00e7\u00e3o possa ser feita. Esses encaminhamentos devem ser cl\u00ednicos e n\u00e3o de triagem. Essa \u00e9 uma diferen\u00e7a fundamental.<\/p>\n<p>Temos tamb\u00e9m o outro tipo de caso, aqueles que chegam principalmente do interior, de lugares mais desamparados, apresentando os sintomas cl\u00e1ssicos da descri\u00e7\u00e3o psiqui\u00e1trica, de manual de psiquiatria \u2013 os que deliram, que t\u00eam essa configura\u00e7\u00e3o nosol\u00f3gica, psicopatol\u00f3gica, muito cl\u00e1ssica da hist\u00f3ria dos manuais. Essas pessoas, quando chegam, muitas vezes, j\u00e1 est\u00e3o catat\u00f4nicas, o que n\u00e3o vemos mais na nossa cidade. S\u00e3o sujeitos que v\u00e3o se afastando e a fam\u00edlia vai deixando, vai dando um jeito, acostumando com aquilo. Esses casos, as catatonias, as anorexias psic\u00f3ticas \u2013 que chegam e que j\u00e1 t\u00eam um tempo de evolu\u00e7\u00e3o \u2013, s\u00e3o do interior, n\u00e3o s\u00e3o da cidade. A n\u00e3o ser que venha direto do Laborat\u00f3rio de Transtornos Alimentares do Hospital das Cl\u00ednicas, que nos encaminha por uma quest\u00e3o de seguran\u00e7a. Mas esses quadros de lenta evolu\u00e7\u00e3o, essas esquizofrenias cl\u00e1ssicas, n\u00e3o posso dizer que s\u00e3o de Belo Horizonte, salvo exce\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Temos tamb\u00e9m as interna\u00e7\u00f5es compuls\u00f3rias, que j\u00e1 falamos, e que n\u00e3o se encaixam nessa pr\u00e1tica. Elas v\u00eam a partir de uma demanda da fam\u00edlia ao judici\u00e1rio. Em alguns casos, o juiz interpreta que h\u00e1 um perigo e encaminha para o Raul. Atualmente tamb\u00e9m recebemos muita demanda do sistema prisional, visando a retirar os presos dos pres\u00eddios \u2013 aqueles portadores de sofrimento mental \u2013 e trazer para o hospital. Essa \u00e9 uma conversa delicada. Primeiro, pelas medidas de seguran\u00e7a a serem seguidas pelo sistema prisional, que s\u00e3o incompat\u00edveis com o trabalho de uma equipe de sa\u00fade de um hospital. Segundo, porque acreditamos que alguns casos possam ser tratados dentro do pr\u00f3prio sistema prisional, desde que bem articulado com a rede de sa\u00fade mental do munic\u00edpio. Esse \u00e9 um ponto que tamb\u00e9m estamos trabalhando com as diretorias das unidades prisionais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A: Voc\u00ea chegou a falar de casos como \u201ccasos emba\u00e7ados\u201d. Podemos pensar nesses casos como casos de psicoses ordin\u00e1rias[16], tal qual proposto por Jacques-Alain Miller? \u00c9 claro que \u00e9 um diagn\u00f3stico dif\u00edcil de ser dado, porque o sujeito apresenta uma loucura discreta, de pequenos \u00edndices de foraclus\u00e3o, mas voc\u00ea poderia dizer que chegam casos com esse diagn\u00f3stico?<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>J.M.<\/strong>: Nas nossas discuss\u00f5es e nas supervis\u00f5es de casos temos aqueles que s\u00e3o apresentados como impasses nas discuss\u00f5es cl\u00ednicas para v\u00e1rios profissionais da institui\u00e7\u00e3o. S\u00e3o casos de sujeitos que chegam desenla\u00e7ados. Pessoas muito solit\u00e1rias, que j\u00e1 moram sozinhas, com muitas passagens ao ato, com situa\u00e7\u00f5es de isolamento preocupantes e\/ou andarilhos de popula\u00e7\u00e3o de rua silenciosos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A: Como que esses casos chegam, uma vez que n\u00e3o t\u00eam o desencadeamento, ou seja, n\u00e3o t\u00eam a urg\u00eancia que levaria a buscar um hospital psiqui\u00e1trico?<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>J.M.<\/strong>: Eles chegam pela urg\u00eancia da tentativa de suic\u00eddio, por um ato ou por algu\u00e9m que nota algum perigo a acontecer. Na verdade, s\u00e3o casos em que n\u00e3o ocorreu um desencadeamento no sentido cl\u00e1ssico ou casos em que n\u00e3o temos uma abund\u00e2ncia do sintoma, mas uma presen\u00e7a do ato, do isolamento ou de um la\u00e7o t\u00eanue com o Outro. S\u00e3o, por exemplo, quase sempre devastados pelo alcoolismo, pelas drogas, por um retraimento social radical percebido pelas pessoas mais pr\u00f3ximas. Ou mulheres que moram sozinhas, que j\u00e1 tiveram uma proje\u00e7\u00e3o na cidade, trabalharam com a moda, com arte ou com a escrita. Essas pessoas t\u00eam se internado aqui com frequ\u00eancia, o que nos preocupa. Parece-me que se trata de uma \u201cperda da habilidade\u201d de lidar com o outro. Trata-se de um desligamento gradual. Tem uma dimens\u00e3o da err\u00e2ncia muito presente, como tentativas de entrar nesses campos do Outro. Eu n\u00e3o sei se essa \u00e9 uma boa palavra, mas ela sempre me ocorre quando discutimos isso: \u201cperda da habilidade\u201d para lidar com o outro. Pois \u00e9 necess\u00e1rio ter uma habilidade para lidar com o significante que vem do Outro. Os tempos mudaram, os significantes da contemporaneidade s\u00e3o outros. A mesma coisa ocorre com os jovens que chegam aqui, tamb\u00e9m h\u00e1 uma falta dessa habilidade. S\u00e3o sujeitos solit\u00e1rios que chegam nas urg\u00eancias psiqui\u00e1tricas.<\/p>\n<p>Eu me lembrei de um caso em que trabalhei, o caso da Mademoiselle B., um caso de parafrenia que Lacan entrevistou na apresenta\u00e7\u00e3o de paciente de Saint-Anne, que tem esse ponto da err\u00e2ncia. N\u00e3o digo que s\u00e3o parafr\u00eanicos, mas acho que a err\u00e2ncia \u00e9 um acontecimento da p\u00f3s-modernidade. Essas pessoas que v\u00e3o utilizando das portas de entrada dos servi\u00e7os de sa\u00fade para tentar algum la\u00e7o, experimentar uma poss\u00edvel inscri\u00e7\u00e3o. \u00c9 uma err\u00e2ncia, que mais parece ser uma tentativa de se enla\u00e7ar ao Outro, mas que n\u00e3o se sustenta. Podemos dizer que hoje \u00e9 essa a cl\u00ednica com a qual trabalhamos no Raul.<\/p>\n<p>Mas, retomando o ponto da psicose ordin\u00e1ria como uma possibilidade de pensar os casos em que o diagn\u00f3stico n\u00e3o fica muito esclarecido, lembro-me de escutar as pessoas dizendo que havia uma loucura que era uma loucura neur\u00f3tica. Casos que chegavam ao hospital como uma loucura extraordin\u00e1ria, de certo enlouquecimento do sujeito, mas que n\u00e3o eram quadros de psicoses. Chama \u00e0 aten\u00e7\u00e3o a quest\u00e3o diagn\u00f3stica, discutida por Miller nesse texto[17] sobre a psicose ordin\u00e1ria, ou seja, o que se torna ordin\u00e1rio \u00e9 a psicose. A neurose, por ser extraordin\u00e1ria, tem que ser diagnosticada. E no campo da psicose, se assim foi definido, \u00e9 preciso estabelecer um diagn\u00f3stico. Pode at\u00e9 ser uma parafrenia, mas h\u00e1 a necessidade de se fazer uma refer\u00eancia diagn\u00f3stica de que psicose se trata.<\/p>\n<p>O ponto fundamental \u00e9 essa configura\u00e7\u00e3o nova da cl\u00ednica, que \u00e9 uma psicose que n\u00e3o vem mais t\u00e3o bem apresentada nos fen\u00f4menos elementares. Mas que tem uma posi\u00e7\u00e3o no campo do Outro que interroga e n\u00e3o nos tranquiliza para liberar o sujeito. \u00c9 a gravidade do desligamento. Para mim, essa \u00e9 a gravidade do desligamento, essa capacidade do sujeito se desligar do Outro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A: Nos casos de toxicomania, voc\u00ea disse que, quando esses casos chegam, os profissionais do Raul est\u00e3o preferindo reencaminhar. Mas podemos pensar num link entre a droga e a psicose ordin\u00e1ria? Falar da fun\u00e7\u00e3o da droga nesses casos?<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>J.M.<\/strong>: Sem d\u00favida. Acho que a droga, como a melancolia \u2013 n\u00e3o a melancolia, mas uma posi\u00e7\u00e3o melanc\u00f3lica \u2013, como uma crise exacerbada de alguma coisa que n\u00e3o se sabe o que \u00e9, isso tudo \u00e9 uma apresenta\u00e7\u00e3o. O que precisamos \u00e9 ter um tempo para poder localizar onde \u00e9 que o sujeito est\u00e1 ali. Quando eu falo da toxicomania, n\u00e3o \u00e9 \u201cchegou craqueiro\u201d, \u201cchegou toxic\u00f4mano\u201d, e mandamos embora para o Centros de Aten\u00e7\u00e3o Psicossocial \u00c1lcool e Drogas (CAPS-AD) ou para o Centro Mineiro de Toxicomania (CMT-FHEMIG). \u00c9 no sentido de que, ao se localizar essa forma de gozo, nos interrogamos se \u00e9 um caso para permanecer no Raul, j\u00e1 que existem outros dispositivos operando com outros tipos de estrat\u00e9gias muito mais refinadas que a nossa para esses casos \u2013 por exemplo, o CMT, que tamb\u00e9m recebe os sujeitos em crise. Mas eles n\u00e3o funcionam 24 horas como o Raul e o Galba Velloso. Ent\u00e3o, se \u00e9 um caso de uso devastador da droga, que coloca o sujeito em risco, eles ficam; n\u00e3o tem jeito. N\u00f3s somos o local da crise.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A\u00e7\u00e3o lacaniana: uma parceria FHEMIG e IPSM<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A: Hoje temos uma parceria entre o Instituto Raul Soares e o Instituto de Sa\u00fade Mental de Minas Gerais, institui\u00e7\u00e3o do Campo Freudiano. Qual o objetivo dessa parceria para o Raul? De que forma ela acontece, na pr\u00e1tica?<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>J.M.<\/strong>: Eu assisti \u00e0 apresenta\u00e7\u00e3o da disserta\u00e7\u00e3o de mestrado, na qual Renato Diniz[18] fazia parte da banca, na Faculdade de Medicina, sobre a hist\u00f3ria do Centro Mineiro de Toxicomania (CMT), mais especificamente sobre a participa\u00e7\u00e3o do CMT no movimento da Reforma Psiqui\u00e1trica. Ele foi muito preciso ao destacar que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel separar, em Minas, a reforma psiqui\u00e1trica e a presen\u00e7a dos psicanalistas. Ele afirma que s\u00f3 foi poss\u00edvel fazer essa reforma porque tinha psicanalistas no protagonismo, e, por outro lado, que os psicanalistas s\u00f3 puderam entrar nas institui\u00e7\u00f5es operando com o discurso anal\u00edtico, porque tinha uma reforma que acolhia o discurso anal\u00edtico. Ent\u00e3o, esse ponto \u00e9 fundamental: a rela\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica entre a Reforma Psiqui\u00e1trica, a mudan\u00e7a no trabalho e tamb\u00e9m a mudan\u00e7a pol\u00edtica com o portador de sofrimento mental e a inser\u00e7\u00e3o da psican\u00e1lise na cidade, o que Miller chama de a\u00e7\u00e3o lacaniana[19].<\/p>\n<p>Nesse sentido, a parceria entre o Instituto Raul Soares e o Instituto de Psican\u00e1lise e Sa\u00fade Mental (IPSMMG), assim como a Escola Brasileira de Psican\u00e1lise, j\u00e1 \u00e9 antiga. Sempre estivemos presentes nas discuss\u00f5es do N\u00facleo de Psicose. E, agora, tornamos essa parceria institucional, atrav\u00e9s de um termo de parceria, inclusive. Come\u00e7amos a conversa com o IPSM-MG sobre a import\u00e2ncia do trabalho cl\u00ednico e sobre a forma\u00e7\u00e3o tanto dos alunos do instituto quanto dos profissionais da rede estadual, pois \u00e9 o objeto nosso cotidiano. Essa cl\u00ednica tem mudado e \u00e9 necess\u00e1rio pensar novas formas de manejo. Assim, essa parceria estendeu-se para outras institui\u00e7\u00f5es da rede estadual FHEMIG: Centro Ps\u00edquico da Inf\u00e2ncia e Adolesc\u00eancia \u2013 CEPAI, Centro Mineiro de Toxomania \u2013 CMT, Centro Hospitalar Psiqui\u00e1trico de Barbacena e Hospital Galba Velloso. Queremos que essa parceria se estreite, porque ela produz boas coisas. \u00c9 um casamento que produz textos e artigos, produz semin\u00e1rios, produz f\u00f3runs cl\u00ednicos, produz trabalhos para as Jornadas. Vejam esta entrevista! \u00c9 uma em que posso explicar o projeto da urg\u00eancia, pensar a psicose ordin\u00e1ria nas portas de entrada. Essa parceria possibilita, entre outras atividades, a presen\u00e7a de psicanalistas, docentes do IPSM, nas discuss\u00f5es de casos cl\u00ednicos e nas apresenta\u00e7\u00f5es de pacientes \u2013 estas, sempre conduzidas por um psicanalista de fora da Unidade Hospitalar \u2013, assim como no planejamento de semin\u00e1rios te\u00f3rico-cl\u00ednicos. Destacamos que essas pr\u00e1ticas promovem um avan\u00e7o na condu\u00e7\u00e3o do tratamento e na forma\u00e7\u00e3o dos jovens analistas do IPSMMG.<\/p>\n<p>Gostaria de concluir ressaltando a disposi\u00e7\u00e3o para o trabalho clinico institucional das equipes atuais do IRS, que acolhem e trabalham a partir do caso e de seu caminho pela Rede. \u00c9 o caso que orienta, e a atual Dire\u00e7\u00e3o Cl\u00ednica do Instituto Raul Soares obedece \u00e0 dire\u00e7\u00e3o indicada pelo caso e organiza, a partir dele, seu projeto clinico assistencial.<\/p>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<h6><\/h6>\n<div class=\"uk-margin-medium-top\">\n<h6>[1] Membro aderente da Escola Brasileira de Psican\u00e1lise, Gerente Assistencial do Instituto Raul Soares.<\/h6>\n<h6>[2] Francisco Paes Barreto. Psiquiatra, psicanalista, membro da EBP e da AME. Pertenceu ao quadro de preceptores da Resid\u00eancia de Psiquiatria do IRS-FHEMIG.<\/h6>\n<h6>[3] Antonio Benetti. Psiquiatra, psicanalista. Pertenceu ao quadro de preceptores da Resid\u00eancia de Psiquiatria do IRS-FHEMIG.<\/h6>\n<h6>[4] Antonio Simoni. Psiquiatra, psicanalista. Pertenceu ao quadro de preceptores da resid\u00eancia de psiquiatria do IRS-FHEMIG.<\/h6>\n<h6>[5] Jo\u00e3o Batista Magro. M\u00e9dico e psicanalista.<\/h6>\n<h6>[6] C\u00e9lio Garcia. Psicanalista, membro da EBP, professor aposentado da UFMG.<\/h6>\n<h6>[7] Autor de \u201cNos por\u00f5es da loucura\u201d, obra que denunciou a situa\u00e7\u00e3o tr\u00e1gica dos hospitais psiqui\u00e1tricos em Minas Gerais.<\/h6>\n<h6>[8] Institui\u00e7\u00e3o Psicanal\u00edtica de Belo Horizonte<\/h6>\n<h6>[9] Institui\u00e7\u00e3o Psicanal\u00edtica de Belo Horizonte Fundada nos anos 80.<\/h6>\n<h6>[10] Ana Marta Lobosque. Psiquiatra, pertenceu ao quadro de preceptores da resid\u00eancia de psiquiatra do IRS-FHEMIG.<\/h6>\n<h6>[11] Miriam Abou-Yd. Psiquiatra, pertenceu ao quadro de preceptores da resid\u00eancia de psiquiatria do ISR-FHEMIG. Foi coordenadora de Sa\u00fade Mental das secretarias municipal e estadual de MG.<\/h6>\n<h6>[12] FHEMIG \u2013 Funda\u00e7\u00e3o Hospitalar de Minas Gerais.<\/h6>\n<h6>[13] Interna\u00e7\u00f5es ordenadas por ordens judiciais.<\/h6>\n<h6>[14] Resid\u00eancias terap\u00eauticas, servi\u00e7os residenciais que recebem usu\u00e1rios de os servi\u00e7os de sa\u00fade mental para moradia.<\/h6>\n<h6>[15] Hospital Jo\u00e3o XXIII. Hospital de urg\u00eancia da rede FHEMIG.<\/h6>\n<h6>[16] Psicoses ordin\u00e1rias \u2013 termo introduzido por Jacques Alain Miller no final dos anos 90.<\/h6>\n<h6>[17] MILLER, J.-A. Li\u00e7\u00f5es sobre a apresenta\u00e7\u00e3o de doentes. In: ______. Matemas I. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1996. p.138-149.<\/h6>\n<h6>[18] Renato Diniz. Psiquiatra, psicanalista e preceptor da resid\u00eancia de psiquiatria do IRS-FHEMIG.<\/h6>\n<h6>[19] MILLER, J-A. Conclus\u00e3o do PIPOL V. Site Enapol: http:\/\/www.enapol.com\/pt\/template.php?file=Argumento\/Conclusion-de-PIPOL-V_Jacques-Alain-Miller.html<\/h6>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ALMANAQUE ON-LINE &nbsp; STONE ALMANAQUE ON-LINE ENTREVISTA JULIANA MOTA[1] (INSTITUTO RAUL SOARES-FHEMIG) &nbsp; Almanaque (A): Agradecemos, em nome do Almanaque, a sua disponibilidade e gostar\u00edamos que voc\u00ea nos falasse um pouco sobre a hist\u00f3ria do Instituto Raul Soares e de seu trabalho aqui. &nbsp; JULIANA MOTA Juliana Mota (J.M.): Atualmente ocupo a ger\u00eancia tecno-assistencial do&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":58091,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[15],"tags":[],"class_list":["post-947","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-almanaque-19","category-15","description-off"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/947","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=947"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/947\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":58092,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/947\/revisions\/58092"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/58091"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=947"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=947"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=947"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}