{"id":960,"date":"2017-03-17T06:57:21","date_gmt":"2017-03-17T09:57:21","guid":{"rendered":"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/new\/?p=960"},"modified":"2025-12-01T16:36:37","modified_gmt":"2025-12-01T19:36:37","slug":"clinica-lacaniana-da-psicose","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/2017\/03\/17\/clinica-lacaniana-da-psicose\/","title":{"rendered":"Cl\u00ednica Lacaniana Da Psicose"},"content":{"rendered":"<h1 class=\"uk-margin-large-top uk-margin-remove-bottom uk-text-center uk-article-title\"><\/h1>\n<div class=\"uk-margin-medium-top\">\n<h6><strong>ANGELINA HARARI<\/strong><\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6><a class=\"dt-pswp-item\" href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/3-imagem-texto-angelina-blue-monochrome-Yves-Klein.jpg\" data-dt-img-description=\"\" data-large_image_width=\"800\" data-large_image_height=\"617\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-961\" src=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/3-imagem-texto-angelina-blue-monochrome-Yves-Klein.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"617\" srcset=\"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/3-imagem-texto-angelina-blue-monochrome-Yves-Klein.jpg 800w, https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/3-imagem-texto-angelina-blue-monochrome-Yves-Klein-300x231.jpg 300w, https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/3-imagem-texto-angelina-blue-monochrome-Yves-Klein-768x592.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/a><strong>YVES KLEIN<\/strong><\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Cl\u00ednica lacaniana da psicose<\/strong><\/p>\n<p>ANGELINA HARARI<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Tema abordado em disserta\u00e7\u00e3o em que se interessou mostrar o percurso de Lacan no tocante \u00e0 psicose, isto \u00e9, o que se passou entre a marca estruturalista recebida de Cl\u00e9rambault e a cl\u00ednica universal do del\u00edrio. Adotamos como fio condutor o conceito n\u00e3o deficit\u00e1rio da psicose. Nessa \u00f3tica, a retirada do \u00edndice negativo da psicose une o percurso de Lacan dos anos 1930, em que sua abordagem encontra eco no meio surrealista, \u00e0 invers\u00e3o ocorrida nos anos 1970, quando prop\u00f5e a foraclus\u00e3o generalizada como modelo do n\u00facleo real de todo sintoma, servindo-lhe a topologia do n\u00f3 borromeano para reformular o conceito de estrutura (HARARI, 2006). Para dar conta de entendermos o \u00faltimo ensino de Lacan, James Joyce, eleito como o paradigma de sua \u00faltima cl\u00ednica, nos obriga a nos debru\u00e7armos ainda mais sobre a psicose. O conceito de sinthome coincide com a defini\u00e7\u00e3o estabelecida para o sintoma psic\u00f3tico: interse\u00e7\u00e3o entre simb\u00f3lico e real por fora do imagin\u00e1rio, na qual um elemento do simb\u00f3lico, sozinho, n\u00e3o encadeado, desloca-se para o registro do real como letra.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Quando abandona a cl\u00ednica mecanicista, privilegiando a abordagem n\u00e3o deficit\u00e1ria da psicose, enfatizando a cl\u00ednica universal do del\u00edrio, Lacan visaria a uma pr\u00e1tica da psican\u00e1lise sem a fic\u00e7\u00e3o dos universais conforme o \u201cultim\u00edssimo ensino em que a universaliza\u00e7\u00e3o do significante \u00e9 o que impede que a singularidade de um sujeito seja circunscrita na fala\u201d (VORUZ, 2017).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nessa vertente, introduzir o tema do XI Congresso da AMP e abordar a psicose ordin\u00e1ria, n\u00e3o sem as outras, tem como objetivo somar-se ao esfor\u00e7o cont\u00ednuo de elucida\u00e7\u00e3o da pr\u00e1tica lacaniana que, quando n\u00e3o se trata de abordagem via casu\u00edstica ou via discuss\u00e3o de uma apresenta\u00e7\u00e3o de pacientes, ou, ainda, via o Ensino do passe, exige demonstra\u00e7\u00e3o de fundamentos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Partiremos da Confer\u00eancia no Rio, de Jacques-Alain Miller, \u201cHabeas corpus\u201d, isolando as seguintes refer\u00eancias: o objeto a \u2013 como aporte e solu\u00e7\u00e3o encontrada por Lacan durante muitos anos; o objeto a \u2013 degrad\u00ea, como uma modelagem do gozo no modelo significante, e o parl\u00eatre por natureza. Do percurso que vai do objeto a como o aporte lacaniano, por excel\u00eancia, sua degrada\u00e7\u00e3o para abrir a via ao parl\u00eatre por natureza (MILLER, 2016).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A cl\u00ednica lacaniana da psicose contribui igualmente para o tema do fim de an\u00e1lise, e a psicose ordin\u00e1ria veio relan\u00e7ar atrav\u00e9s de uma das solu\u00e7\u00f5es assinaladas por Jacques-Alain Miller: a psicose em an\u00e1lise (ANSERMET, 2017).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00c0s quest\u00f5es \u201ccomo enla\u00e7ar o simb\u00f3lico, caracterizado pelo efeito de sentido, com o real sem sentido?\u201d e \u201ccomo enfocar a disjun\u00e7\u00e3o radical entre o real como imposs\u00edvel e o sentido?\u201d, Lacan responde que \u201co efeito de sentido a ser exigido do discurso anal\u00edtico n\u00e3o \u00e9 imagin\u00e1rio ou simb\u00f3lico; \u00e9 preciso, portanto, que seja real\u201d (LACAN, 1974-5).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O efeito de sentido ex-siste, e nisso ele \u00e9 real<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nessa frase de Lacan, o ponto not\u00e1vel \u00e9 que o discurso anal\u00edtico exige um efeito de sentido que seja real. De um lado, a experi\u00eancia anal\u00edtica se inicia ao dar sentido ao sintoma; o piv\u00f4 da a\u00e7\u00e3o anal\u00edtica \u00e9 a oferta de sentido. O sujeito do inconsciente surge da experi\u00eancia como sujeito representado no entre dois significantes de uma cadeia. De outro lado, pouco a pouco isso d\u00e1 lugar ao parl\u00eatre\/falasser, e n\u00e3o se trata mais \u201cde sentido, mas de gozo-sentido\u201d (LACAN, [1973] 2003).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Um efeito de sentido que seja real n\u00e3o \u00e9 simples nem autom\u00e1tico de se obter, e nesse ponto podemos partir do trabalho de J.-A. Miller, o de elucida\u00e7\u00e3o do ensino de Lacan e, mais precisamente, seus coment\u00e1rios em \u201cL\u2019\u00catre et l\u2019Un\u201d (MILLER, 2011), ao evocar o esvaecimento do sujeito suposto saber como correlativo do des-ser. Segundo ele, h\u00e1 o desvelamento da nega\u00e7\u00e3o da ess\u00eancia e do sentido do sujeito suposto saber. \u00c9 a ideia de um n\u00f3 que se constr\u00f3i efetivamente ao formar cadeia da mat\u00e9ria significante, pois essas cadeias n\u00e3o s\u00e3o de sentido, mas de gozo-sentido, que se encontra em \u201cTelevis\u00e3o\u201d (LACAN, [1973] 2003). Isso explica por que o termo \u201csujeito\u201d \u00e9 substitu\u00eddo por parl\u00eatre\/falasser, que inclui o corpo, o que \u00e9 mais coerente com a no\u00e7\u00e3o de gozo: \u201cn\u00e3o h\u00e1 sentido sem gozo, n\u00e3o h\u00e1 desejo sem puls\u00e3o, e a raiz do Outro \u00e9 o Um\u201d (MILLER, 2011). Isso n\u00e3o \u00e9 acompanhado de um novo sentido para o que diz respeito \u00e0 castra\u00e7\u00e3o \u2013 o que faz cessar as embrulhadas do sentido \u2013, pois o sintoma n\u00e3o se abranda com sentido. \u00c9 pr\u00f3prio do gozo resistir ao sentido. \u00c9 preciso um uso l\u00f3gico capaz de secar o sentido.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para Lacan, a rela\u00e7\u00e3o do efeito de sentido com o real s\u00f3 \u00e9 de exterioridade inicialmente, pois essa exterioridade sup\u00f5e o n\u00f3 projetado em uma superf\u00edcie plana; se se serve dele (do n\u00f3), \u00e9 para nos introduzir \u00e0 no\u00e7\u00e3o de ex-sist\u00eancia e deduzir que o efeito de sentido ex-siste, e nisso ele \u00e9 real. A cis\u00e3o do ser e da exist\u00eancia leva Lacan a fundar o Um que ex-siste face ao Outro (A) que n\u00e3o existe, sendo que o n\u00f3 \u00e9 plano, acrescenta ele, porque pensamos s\u00f3 horizontalmente. Pode ser que exista uma constru\u00e7\u00e3o cuja consist\u00eancia n\u00e3o seja imagin\u00e1ria, e isso implica que haja um furo, o que, por sua vez, nos conduz \u00e0 topologia do toro. No derradeiro ensino de Lacan, a exalta\u00e7\u00e3o do furo tem por fun\u00e7\u00e3o dar exist\u00eancia ao puro \u201cn\u00e3o existe\u201d, o que nos ajuda a situar-nos no espa\u00e7o do ultrapasse (MILLER, 2011).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Quais s\u00e3o as incid\u00eancias disso na pr\u00e1tica? Por essa perspectiva, o esvaziamento de sentido deve ser obtido como um saber haver-se [ou no coloquial: saber se virar, savoir y faire] com os restos sintom\u00e1ticos. Retomo aqui a proposi\u00e7\u00e3o de JAM a respeito dos dois regimes do passe: o da verdade e o do saber. O passe do sinthome como \u201cextens\u00e3o conceitual do fantasma\u201d coloca o acento na verdade mentirosa. Ent\u00e3o, a verdade \u00e9 mentirosa ao se confrontar com a irredutibilidade do sinthome e fracassar na absor\u00e7\u00e3o desses restos sintom\u00e1ticos. Nesse sentido, o passe-saber destaca mais claramente os limites do simb\u00f3lico.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Falar da praxis lacaniana do passe deve necessariamente incluir o ultrapasse, tal como foi nomeado por Miller. Isso est\u00e1 relacionado ao acontecimento de corpo: \u00e9 precisamente o gozo que se mant\u00e9m para al\u00e9m da resolu\u00e7\u00e3o do desejo (MILLER, 2011). Os restos sintom\u00e1ticos provenientes da assun\u00e7\u00e3o do interdito s\u00e3o da ordem da exist\u00eancia, diferentemente do desejo, que est\u00e1 no \u00e2mbito do ser.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A ren\u00fancia \u00e0 ontologia no passe foi inicialmente concebida por Lacan como defla\u00e7\u00e3o do desejo. Em seguida, ele ultrapassou esse limite ao articular seu \u201cH\u00e1 o Um\u201d. Desse modo, ele inaugura o primado do Um em detrimento do primado do Outro da fala, que \u00e9 necess\u00e1ria para o reconhecimento do sentido. A partir de ent\u00e3o, o corpo aparece como Outro do significante (MILLER, 2011).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Com o sinthome, pendemos para o campo existencial; \u00e9 para ele que Lacan nos conduz quando renuncia \u00e0 sua ontologia, que era regida pela no\u00e7\u00e3o de ser e de \u201cfalta-para-ser\u201d; topar com os limites do simb\u00f3lico levou Lacan a considerar de outro modo o real em jogo na experi\u00eancia anal\u00edtica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O passe, conforme o regime da verdade, \u201cevoca antes que uma demonstra\u00e7\u00e3o de saber, uma satisfa\u00e7\u00e3o, uma experi\u00eancia de satisfa\u00e7\u00e3o\u201d (MILLER, 2011). De todo modo, para al\u00e9m da nomea\u00e7\u00e3o ao t\u00edtulo de AE, \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o ao furo, conforme aponta Miller, que se situa no \u00e2mbito do real. \u00c9, portanto, no espa\u00e7o do ultrapasse, no qual o sujeito fala para si mesmo, sem comunica\u00e7\u00e3o poss\u00edvel, que se faz da pr\u00e1xis lacaniana do passe um real existencial.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Retomaremos um ponto do texto Habeas corpus (MILLER, 2016), no \u00faltimo par\u00e1grafo do apartado virada (tournant) lacaniana, em que se afirma que essa virada s\u00f3 ser\u00e1 conclu\u00edda no \u201cSemin\u00e1rio 20\u201d, (LACAN, [1972\/3] 1985) momento que Lacan arromba a fechadura para degradar o objeto a, colocando-o como falso semblante.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Uma modelagem do gozo no modelo do significante<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para Miller, o saber sobre o gozo talvez seja o \u00fanico saber psicanal\u00edtico que temos sobre a vida, sobre o que \u00e9 o ser vivo. E acrescenta que \u2018gozar\u2019 do corpo vivo seria tudo o que podemos saber (MILLER, 2004). Apoia-se, para tanto, em Lacan, quando formula que \u201c(\u2026) n\u00e3o sabemos o que \u00e9 estar vivo, sen\u00e3o apenas isto, que um corpo, isso goza\u201d (LACAN, [1972\/3] 1985).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00c9 distinta a rela\u00e7\u00e3o do significante com o corpo no in\u00edcio do ensino de Lacan, com a tese segundo a qual linguagem \u00e9 corpo; corpo a\u00ed fica entendido como materialidade da fala e da linguagem.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O corpo como subst\u00e2ncia gozante, que \u00e9 introduzido na d\u00e9cada de 1970, diz respeito ao corpo vivo, \u00e0 subst\u00e2ncia do corpo na medida em que h\u00e1 gozo do corpo: \u201cIsso s\u00f3 se goza por corporific\u00e1-lo de maneira significante\u201d (LACAN, [1972\/3] 1985).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>S\u00f3 podemos afirmar ter havido uma convers\u00e3o de perspectiva quando Lacan passa a situar o significante no n\u00edvel da subst\u00e2ncia gozante: \u201cO significante \u00e1 a causa do gozo. Sem o significante, como mesmo abordar aquela parte do corpo?\u201d (LACAN, [1972\/3] 1985).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Inicialmente, em Lacan, a materialidade do significante \u00e9 inanimada, materialidade da linguagem, e at\u00e9 a satisfa\u00e7\u00e3o \u00e9 pr\u00f3pria do simb\u00f3lico: a elabora\u00e7\u00e3o de uma satisfa\u00e7\u00e3o sem\u00e2ntica. Um gozo, sem o corpo vivo, tem uma satisfa\u00e7\u00e3o significante: a satisfa\u00e7\u00e3o pelo reconhecimento, emprestado da fenomenologia de Hegel (MILLER, 2004).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Entender que seria poss\u00edvel uma satisfa\u00e7\u00e3o significante da puls\u00e3o \u00e9 o modo como Lacan torna simb\u00f3lica a puls\u00e3o freudiana, solid\u00e1ria da no\u00e7\u00e3o de corpo mortificado. Mas n\u00e3o \u00e9 o significante, da sust\u00e2ncia gozante, tornando-se o corpo, recortando o corpo at\u00e9 fazer surgir o gozo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>S\u00e3o duas vertentes que Lacan introduz: a do corpo vivo e a do sujeito do inconsciente. Da reuni\u00e3o dessas vertentes, desse bin\u00e1rio, surge o falasser (parl\u00eatre) (MILLER, 2004), o que o faz postulando \u2018sua\u2019 hip\u00f3tese: \u201cMinha hip\u00f3tese \u00e9 a de que o indiv\u00edduo que \u00e9 afetado pelo inconsciente \u00e9 o mesmo que constitui o que chamo de sujeito de um significante\u201d (LACAN, [1972\/3] 1985).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O objeto a \u201cnatural\u201d<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>At\u00e9 o \u201cSemin\u00e1rio 10: a ang\u00fastia\u201d, conhecia-se somente o corpo como essencialmente implicado na forma\u00e7\u00e3o do eu, o corpo visual. Podemos afirmar que o corpo que faz sua entrada, sob o modo do objeto a, na constitui\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio sujeito do inconsciente, \u00e9 o corpo er\u00f3geno, o corpo das zonas er\u00f3genas, das zonas de borda, sem limite, que se sobrep\u00f5e ao corpo do Outro (MILLER, 2005).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para Lacan, o sinal, termo que Freud designou para a ang\u00fastia, \u00e9 distinto da situa\u00e7\u00e3o traum\u00e1tica. A originalidade de seu aporte reside no fato de ter enunciado com maior exatid\u00e3o que o que Freud refere como o perigo que a ang\u00fastia sinaliza e est\u00e1 ligada ao car\u00e1ter ced\u00edvel do momento constitutivo do objeto a, a ang\u00fastia-sinal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Se, por um lado, o perigo sinaliza o objeto caracteristicamente ced\u00edvel, por outro, sinaliza que a ang\u00fastia n\u00e3o \u00e9 mensagem. Essa separa\u00e7\u00e3o do objeto incide sobre o corpo libidinal, que n\u00e3o \u00e9 o corpo visual, que implica o corpo do Outro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O car\u00e1ter ced\u00edvel caracteriza o objeto a e Lacan faz da ang\u00fastia um operador da separa\u00e7\u00e3o, por isso ela n\u00e3o \u00e9 mensagem, \u00e9 um afeto \u00fanico.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>E, por sua vez, em entrevista a uma revista italiana, quando responde \u00e0 quest\u00e3o do que \u00e9 a ang\u00fastia para a psican\u00e1lise, vai dizer que \u201c\u00e9 algo que se situa fora do corpo, um medo, mas nada que o corpo, esp\u00edrito inclu\u00eddo, possa motivar. \u00c9 o medo do medo, em suma\u201d (LACAN, 1974).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>De 1963 a 1974, do \u201cSemin\u00e1rio 10\u201d \u00e0 entrevista, h\u00e1 um percurso do objeto a no ensino de Lacan, desde sua emerg\u00eancia como pura extra\u00e7\u00e3o corporal at\u00e9 sua sofisticada forma de pura consist\u00eancia l\u00f3gica. E, para entendermos esse avan\u00e7o, J-A Miller (MILLER, 2005) aponta que, mesmo sendo pura extra\u00e7\u00e3o corporal, a fisiologia do objeto a se desenvolve, ou seja, o objeto a tem sob o significante da topologia uma consist\u00eancia topol\u00f3gica, desde quando emerge (MILLER, 2005).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O intuito \u00e9 tensionar as vertentes topol\u00f3gicas e de extra\u00e7\u00e3o corporal do objeto a no \u201cSemin\u00e1rio 10\u201d, uma vez que as posi\u00e7\u00f5es da ang\u00fastia e do que \u00e9 o objeto a s\u00e3o intercambi\u00e1veis (LACAN, [1962-63] 2005). Para tanto, \u00e9 importante localizar, no \u201cSemin\u00e1rio 10\u201d [1962\/63], qual \u00e9 o lugar de corte do qual emerge o objeto a.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No cap\u00edtulo IX, temos:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O corte que nos interessa, o que deixa seu tra\u00e7o, num certo n\u00famero de fen\u00f4menos clinicamente reconhec\u00edveis, e que, portanto, n\u00e3o podemos evitar, \u00e9 um corte que, gra\u00e7as a Deus, \u00e9 muito mais satisfat\u00f3rio para a nossa concep\u00e7\u00e3o do que a cis\u00e3o da crian\u00e7a que nasce, no momento em que ela vem ao mundo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Cis\u00e3o de qu\u00ea? Dos envolt\u00f3rios embrion\u00e1rios.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Basta-me remet\u00ea-los a qualquer livrinho de embriologia datado de menos de cem anos para que voc\u00eas percebam que, para terem uma ideia completa do conjunto pr\u00e9-especular que \u00e9 o a, dever\u00e3o considerar os envolt\u00f3rios como um elemento do corpo da crian\u00e7a. \u00c9 a partir do \u00f3vulo que os envolt\u00f3rios se diferenciam, e voc\u00eas ver\u00e3o com que formas o fazem, de maneira muito curiosa \u2013 deposito bastante confian\u00e7a em voc\u00eas, depois de nossos trabalhos do ano passado em torno do cross-cap (LACAN, [1962-63] 2005).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Embora a refer\u00eancia a\u00ed seja o corpo, mais exatamente uma refer\u00eancia do corpo da embriologia, o corte, ou o momento ced\u00edvel, n\u00e3o se confunde com nenhuma subst\u00e2ncia. Os envolt\u00f3rios a partir do \u00f3vulo, que se diferenciam com formas curiosas, aproximam-se mais da topologia, ou seja, de uma forma mais oca.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No \u00faltimo cap\u00edtulo, Lacan retorna a isso ao se referir \u00e0 marca do a, quanto ao momento de sua constitui\u00e7\u00e3o, e prop\u00f5e o grito como algo que o lactante cede: \u201cEle cede alguma coisa, e nada mais o liga a isso\u201d (LACAN, [1962-63] 2005). Grito que coincide com a pr\u00f3pria emerg\u00eancia no mundo daquele que vir\u00e1 a ser o sujeito. Lacan chega at\u00e9 a afirmar que o grito \u00e9 o pr\u00f3prio \u00e2mago do grande Outro, o ponto de partida do primeiro efeito ced\u00edvel.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Se a ang\u00fastia foi escolhida por Freud como sinal de algo, Lacan fala da pr\u00f3pria aspira\u00e7\u00e3o do lactante como um momento de perigo: \u201cFoi a isso que se deu o nome de trauma do nascimento \u2013 n\u00e3o existe outro \u2013 o trauma do nascimento, que n\u00e3o \u00e9 a separa\u00e7\u00e3o da m\u00e3e, mas a pr\u00f3pria aspira\u00e7\u00e3o de um meio intrinsecamente Outro\u201d (LACAN, [1962-63] 2005).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Tanto a cis\u00e3o dos envolt\u00f3rios quanto o grito s\u00e3o exemplos dos momentos ced\u00edveis na constitui\u00e7\u00e3o do objeto a, exemplos que promovem a desnaturaliza\u00e7\u00e3o e dessubstancializa\u00e7\u00e3o do objeto a. N\u00e3o \u00e9 por acaso que o exemplo dado do objeto a e de sua separa\u00e7\u00e3o seja o prep\u00facio na circuncis\u00e3o, exemplo de uma pr\u00e1tica claramente cultural. O pequeno a se faz assim, quando se produz o corte, seja qual for, quer o do cord\u00e3o umbilical, quer o da circuncis\u00e3o (LACAN, [1962-63] 2005).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Desunir a fun\u00e7\u00e3o do objeto e sua subst\u00e2ncia permite vislumbrar a estrutura do mais de gozar sob a forma do objeto que a puls\u00e3o contorna, presen\u00e7a de um oco, de uma vacuidade a ser ocupada por qualquer objeto.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para Miller, \u201co Semin\u00e1rio 10 \u00e9 a via de acesso ao objeto a como nada. \u00c9 o objeto nada que pode se tornar a causa do ato, ato que comporta sempre um momento de suic\u00eddio, um momento de morte do sujeito\u201d (MILLER, 2004). \u00c9 o objeto a desnaturalizado, topol\u00f3gico, que permitir\u00e1 ao pr\u00f3prio analista inscrever-se na mesma s\u00e9rie que o objeto a nada.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Apesar de afirmar a desnaturaliza\u00e7\u00e3o do objeto a topol\u00f3gico, verificamos que Lacan ainda est\u00e1 preso \u00e0 separa\u00e7\u00e3o entre inconsciente e puls\u00e3o, presente no in\u00edcio de seu ensino. Na Confer\u00eancia do Rio, Miller afirma que<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O objeto a, ao mesmo tempo faz parte da armadura da fantasia, est\u00e1 no \u00e2mago da puls\u00e3o e tem certas propriedades significantes. Notadamente, ele se apresenta por meio de unidades, \u00e9 cont\u00e1vel e enumer\u00e1vel, j\u00e1 \u00e9, portanto, um gozo. Se ele \u00e9 mais-de-gozar, \u00e9 um mais-de-gozar que j\u00e1 \u00e9 um degrad\u00ea (d\u00e9grad\u00e9) do gozo, uma modelagem do gozo no modelo do significante. (MILLER, 2016)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>\u201cParl\u00eatre\/falasser por natureza\u201d<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O \u00faltimo ensino contrap\u00f5e o corpo vivo ao corpo morto, coloca em quest\u00e3o o pr\u00f3prio termo sujeito, como falta-a-ser, substituindo-o por parl\u00eatre\/falasser, o sujeito mais o corpo. Assim tamb\u00e9m o conceito de Outro \u00e9 posto em quest\u00e3o. O Outro est\u00e1 a\u00ed representado por um corpo vivo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>H\u00e1 um paradoxo inevit\u00e1vel do corpo humano: ser vivo e, ao mesmo tempo, falante. Por mais corporal que seja o homem, ele \u00e9 tamb\u00e9m feito sujeito pelo significante, feito da falta-a-ser. Para o homem n\u00e3o se pode fazer equivaler ser e corpo, enquanto para o animal isso \u00e9 poss\u00edvel. Raz\u00e3o pela qual Lacan afirma que o homem \u2018tem um corpo\u2019, o que vale por sua diferen\u00e7a com rela\u00e7\u00e3o a \u2018ser um corpo\u2019. A falta-a-ser divide seu ser e seu corpo, reduzindo este \u00faltimo ao estatuto do ter (MILLER, 2004).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00c9 no contexto de 1975 que Lacan, ao se \u201cdedicar um mont\u00e3o\u201d \u00e0 leitura dos livros de Joyce e de outros sobre ele, retoma a no\u00e7\u00e3o do corpo imagin\u00e1rio extra\u00eddo dos n\u00f3s borromeanos: \u201cAo fazer assim, introduzo alguma coisa de novo, que d\u00e1 conta n\u00e3o somente da limita\u00e7\u00e3o do sintoma, mas do que faz com que, por se enodar ao corpo, isto \u00e9, ao imagin\u00e1rio, por se enodar tamb\u00e9m ao real e, como terceiro, ao inconsciente, o sintoma tenha seus limites\u201d (LACAN, [1975-6] 2007).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ao retomar a grafia antiga de sinthome, em franc\u00eas, Lacan caracteriza o parl\u00eatre\/falasser, dizendo que ao mesmo tempo em que \u201c\u00e9 preciso sustentar que o homem tem um corpo, isto \u00e9, que fala com seu corpo, ou em outras palavras, que \u00e9 parl\u00eatre\/falasser (\u2026)\u201d, e definir o sintoma como um acontecimento de corpo (LACAN, [1975] 2003).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No curso do seu ensino, Lacan corporifica as principais fun\u00e7\u00f5es significantes por ele isoladas e, nesse sentido, duvida da consist\u00eancia puramente l\u00f3gica da fun\u00e7\u00e3o do Outro (MILLER, 2004). Ao corporificar o grande Outro, introduz o corpo do parceiro falante dizendo que \u201cUma mulher, por exemplo, \u00e9 sintoma de um outro corpo\u201d (LACAN, [1975] 2003).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Aqui vemos que o conceito de parl\u00eatre\/falasser (MILLER, 2016) \u201cse sustenta na equival\u00eancia origin\u00e1ria inconsciente-puls\u00e3o\u201d. Na vertente do puro gozo do inconsciente, Lacan forjou tal neologismo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00c9ric Laurent, por sua vez, em seu livro \u201c O avesso da Biopol\u00edtica\u201d faz uma leitura de Joyce e pontua a frase na qual Lacan prop\u00f5e o acesso a seu parl\u00eatre\/falasser por natureza. Entendendo que a equival\u00eancia entre \u201cter um corpo\u201d e \u201cfalar com o corpo\u201d acarreta a seguinte dedu\u00e7\u00e3o: ter um corpo equivale a falar com o corpo a tal ponto que o homem parl\u00eatre\/falasser. E acrescentando que o homem tenha um corpo, ent\u00e3o tem corol\u00e1rios exigentes que convertem o dispositivo instalado por Joyce no centro da tens\u00e3o entre arte e natureza.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A tens\u00e3o arte-natureza caracteriza Joyce; seu projeto de arte n\u00e3o passa pelo naturalismo, nem pelo o simbolismo, temas que nutrem o debate do final do s\u00e9culo XX. Opor natural a arte tem como intuito reconcili\u00e1-los no parl\u00eatre\/falasser por natureza (LAURENT, 2016).<\/p>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"uk-margin-medium-top\">\n<hr \/>\n<h6><\/h6>\n<h6><strong>Bibliografia<\/strong><\/h6>\n<h6><\/h6>\n<h6>ANSERMET, F. www.lacanquotidien.fr. Lacan Quotidien n\u00ba595, 2017. Acesso em: 3 setembro 2017.<\/h6>\n<h6>HARARI, A. Cl\u00ednica Lacaniana da Psicose. 1\u00aa. ed. Rio de Janeiro: Contra Capa, 2006.<\/h6>\n<h6>LACAN, J. O Semin\u00e1rio, livro 10: A ang\u00fastia. Rio de Janeiro: Zahar Editor, [1962-63] 2005. 354;135-6;355;110 p.<\/h6>\n<h6>LACAN, J. Semin\u00e1rio 17. O avesso da psican\u00e1lise. 1. ed. Rio de Janeiro: ZAHAR, [1968], 1992. 95 p.<\/h6>\n<h6>LACAN, J. O Semin\u00e1rio, livro 20 Mais, Ainda. Rio de Janeiro: Zahar Editor, [1972\/3] 1985. p.36 p.<\/h6>\n<h6>LACAN, J. O Semin\u00e1rio.Livro 20: Mais, ainda. Rio de Janeiro: Zahar Editor, [1972-1973] 2008. 96-103 p.<\/h6>\n<h6>LACAN, J. \u201cTelevis\u00e3o\u201d, Outros Escritos. Rio de Janeiro: Zahar Editor, [1973] 2003. 516 p.<\/h6>\n<h6>LACAN, J. \u201dJoyce, o Sintoma\u201d Outros Escritos. Rio de Janeiro: Zahar Editor, [1975] 2003. 562-565 p.<\/h6>\n<h6>LACAN, J. O Semin\u00e1rio, Livro 23 O Sinthoma. Rio de janeiro: Zahar Editor, [1975-6] 2007. 164 p.<\/h6>\n<h6>LACAN, J. Interview Freud Per Sempre. Panorama, Roma, nov. 1974.<\/h6>\n<h6>LACAN, J. O Semin\u00e1rio, livro 22: RSI. in\u00e9dito. ed. [S.l.]: [s.n.], 1974-5. aula de 11 de fevereiro de 1975 p.<\/h6>\n<h6>LAURENT, \u00c9. O Avesso da Biopol\u00edtica. Tradu\u00e7\u00e3o de S\u00e9rgio Laia. Rio de Janeiro: Contra Capa, 2016.<\/h6>\n<h6>MILLER, J.-A. Biologia Lacaniana. Op\u00e7\u00e3o Lacaniana n\u00b041, S\u00e3o Paulo, p. 50-66, 2004.<\/h6>\n<h6>MILLER, J.-A. NLS-Messenger n\u00b0103. www.causefreudienne.fr, 2004. Acesso em: 14 dez. 2004.<\/h6>\n<h6>MILLER, J.-A. Introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 Leitura do Semin\u00e1rio 10. Op\u00e7\u00e3o Lacaniana n\u00b043, S\u00e3o Paulo, p. 64-66, 2005.<\/h6>\n<h6>MILLER, J.-A. Uma fantasia. Op\u00e7\u00e3o Lacaniana n\u00b042, S\u00e3o Paulo, p. 7, fevereiro 2005.<\/h6>\n<h6>MILLER, J.-A. Haver\u00e1 Passe? Op\u00e7\u00e3o Lacaniana, S\u00e3o Paulo, p. 65, mar\u00e7o 2011.<\/h6>\n<h6>MILLER, J.-A. L\u2019\u00catre et l\u2019un. Paris: in\u00e9dito, 2011. 25\/11\/2011 p.<\/h6>\n<h6>MILLER, J.-A. Habeas Corpus. Op\u00e7\u00e3o Lacaniana, S\u00e3o Paulo, p. 36, 2016.<\/h6>\n<h6>VORUZ, V. Derivas Anal\u00edticas Revista Digital de Psican\u00e1lise e Cultura EBP-MGDerivas. revistaderivasanaliticas.com.br, 2017. Acesso em: 14 junho 2017.<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<h6><\/h6>\n<h6><strong>ANGELINA HARARI<\/strong><\/h6>\n<h6>Psicanalista em S\u00e3o Paulo, AME, membro da EBP e da AMP. E-mail:\u00a0<span id=\"cloak36d5e66470b120d065f91446b9f6374d\"><a href=\"mailto:angelina.harari@terra.com.br\">angelina.harari@terra.com.br<\/a><\/span><\/h6>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ANGELINA HARARI &nbsp; YVES KLEIN &nbsp; Cl\u00ednica lacaniana da psicose ANGELINA HARARI &nbsp; Tema abordado em disserta\u00e7\u00e3o em que se interessou mostrar o percurso de Lacan no tocante \u00e0 psicose, isto \u00e9, o que se passou entre a marca estruturalista recebida de Cl\u00e9rambault e a cl\u00ednica universal do del\u00edrio. 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