{"id":968,"date":"2017-03-17T06:57:21","date_gmt":"2017-03-17T09:57:21","guid":{"rendered":"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/new\/?p=968"},"modified":"2025-12-01T16:37:03","modified_gmt":"2025-12-01T19:37:03","slug":"psicoses-ordenadas-sob-transferencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/2017\/03\/17\/psicoses-ordenadas-sob-transferencia\/","title":{"rendered":"Psicoses, Ordenadas Sob Transfer\u00eancia"},"content":{"rendered":"<h1 class=\"uk-margin-large-top uk-margin-remove-bottom uk-text-center uk-article-title\"><\/h1>\n<div class=\"uk-margin-medium-top\">\n<h6><strong>MIQUEL BASSOLS<\/strong><\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6><a class=\"dt-pswp-item\" href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/4-7613bichosumanamorados2-lygia-clark-colorida.jpg\" data-dt-img-description=\"\" data-large_image_width=\"1171\" data-large_image_height=\"520\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-large wp-image-969\" src=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/4-7613bichosumanamorados2-lygia-clark-colorida-1024x455.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"455\" srcset=\"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/4-7613bichosumanamorados2-lygia-clark-colorida-1024x455.jpg 1024w, https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/4-7613bichosumanamorados2-lygia-clark-colorida-300x133.jpg 300w, https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/4-7613bichosumanamorados2-lygia-clark-colorida-768x341.jpg 768w, https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/4-7613bichosumanamorados2-lygia-clark-colorida.jpg 1171w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><strong>LYGIA CLARK<\/strong><\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Psicoses, ordenadas sob transfer\u00eancia<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>MIQUEL BASSOLS<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A solidez de um conceito cl\u00ednico se mede pela efetividade de seu uso, especialmente quando d\u00e1 conta de um campo de fen\u00f4menos para os quais n\u00e3o existia antes um mapa estabelecido[1]. A partir dessa perspectiva, podemos dizer, sem d\u00favida, que o conceito de \u201cpsicoses ordin\u00e1rias\u201d, cunhado por Jacques-Alain Miller no final dos anos noventa, chegou a ser um conceito cl\u00ednico j\u00e1 estabelecido, um conceito de enorme efetividade, dado ao seu uso ampliado desde ent\u00e3o no campo freudiano\u2026 e mais al\u00e9m. As psicoses ordin\u00e1rias d\u00e3o conta, assim, de uma s\u00e9rie de fen\u00f4menos que, \u00e0s vezes, passam despercebidos por sua aparente normalidade mas que, escutados desde o ensino de Lacan, indicam as condi\u00e7\u00f5es de estrutura que temos aprendido a localizar no campo das psicoses. Discretos acontecimentos de corpo, sutis obtura\u00e7\u00f5es de sentidos no deslizamento da significa\u00e7\u00e3o, velados fen\u00f4menos de alus\u00e3o, supl\u00eancias minimalistas nas quais o sujeito sustenta a fr\u00e1gil estabilidade de sua realidade. Esses fen\u00f4menos estavam a\u00ed, \u00e0 vista de todos, mas se confundiam frequentemente com a paisagem da normalidade. Tal como indicava o pr\u00f3prio Jacques-Alain Miller na hoje conhecida Conven\u00e7\u00e3o Antibes, \u201cPassamos da surpresa \u00e0 raridade, e da raridade \u00e0 frequ\u00eancia\u201d (MILLER, 2012, p. 241). Quer dizer, passamos da surpresa de encontrar o excepcional e o extraordin\u00e1rio a reparar em fen\u00f4menos com que, por sua frequ\u00eancia, j\u00e1 est\u00e1vamos familiarizados.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mas ali onde opera o preconceito da normalidade, esse fantasma que adquire em nossos dias categoria de verdade estat\u00edstica, se trata sempre de encontrar a estranheza do tra\u00e7o cl\u00ednico em seu detalhe mais singular. Assim, as psicoses ordin\u00e1rias nos revelam agora um tipo de carta roubada de nossa cl\u00ednica: estavam t\u00e3o \u00e0 vista de todos que se escondiam de cada um. Bastava um ligeiro deslocamento de foco cl\u00ednico para fazer aparecer, nesses fen\u00f4menos, a estrutura das psicoses em suas diversas formas de amarra\u00e7\u00e3o e revelar, com essa mudan\u00e7a de perspectiva, que o mais estranho habitava o mais familiar da cl\u00ednica. As psicoses ordin\u00e1rias s\u00e3o assim tamb\u00e9m o Unheimlich (o sinistro, o estranhamente familiar) de nossa cl\u00ednica. E n\u00e3o \u00e9 raro obter esse afeto vinculado ao Unheimlich no psicanalista praticante quando se assinala a dimens\u00e3o do estranhamente familiar desses fen\u00f4menos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, se o conceito de psicoses ordin\u00e1rias veio delimitar o mapa do que antes era uma \u201cterrra inc\u00f3gnita\u201d de nossa cl\u00ednica, \u00e9 tamb\u00e9m porque mostra que a topografia de seu terreno est\u00e1 presente em cada um dos continentes previamente definidos pela cartografia cl\u00e1ssica, a cartografia repartida segundo as categorias de psicoses, neuroses e pervers\u00e3o. Dito de outra maneira, o mapa cria mais o terreno do que o representa, at\u00e9 confundir-se com ele. O que quer dizer tamb\u00e9m que a linguagem, inclu\u00edda a da cl\u00ednica, em vez de ter uma fun\u00e7\u00e3o de representa\u00e7\u00e3o da realidade, est\u00e1 vinculada na mesma opera\u00e7\u00e3o da constru\u00e7\u00e3o e da percep\u00e7\u00e3o dessa realidade. \u00c9 algo t\u00e3o estranho como familiar para algu\u00e9m formado na orienta\u00e7\u00e3o lacaniana cl\u00e1ssica: a percep\u00e7\u00e3o eclipsa a estrutura ali onde essa estrutura revela o modo em que se constr\u00f3i essa percep\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Vamos agora considerar a natureza do terreno que hoje conhecemos como o termo \u201cpsicoses ordin\u00e1rias\u201d. Imaginemos um tipo de Google Earth da cl\u00ednica em que podemos visualizar o terreno e as localiza\u00e7\u00f5es geogr\u00e1ficas com seus nomes e fronteiras. Encontramos a\u00ed, segundo nossa clinica cl\u00e1ssica, claramente estabelecidos os dois grandes territ\u00f3rios das neuroses e das psicoses, com suas fronteiras e subfronteiras, com a histeria e a obsess\u00e3o de um lado, com a paran\u00f3ia e a esquizofrenia por outro. Podemos localizar tamb\u00e9m a melancolia, tamb\u00e9m as pervers\u00f5es, ainda que \u00e0s vezes se confundem um pouco mais em algumas de suas fronteiras para revelar sua condi\u00e7\u00e3o de tra\u00e7os que podem compartilhar diferentes pa\u00edses. Existem, com efeito, tra\u00e7os melanc\u00f3licos em v\u00e1rios lugares dos continentes delimitados, assim como tra\u00e7os de pervers\u00e3o, para retomar a tema de um encontro internacional do Campo Freudiano de algumas d\u00e9cadas atr\u00e1s.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Se escrevermos agora \u201cpsicoses ordin\u00e1rias\u201d nesse localizador imagin\u00e1rio da cl\u00ednica no Google Earth para ver como os zooms sucessivos nos conduzem a uma localiza\u00e7\u00e3o precisa, oh, surpresa!, a lista de lugares que aparecem na pequena janela de busca se alarga mais e mais, at\u00e9 fazer-se presumivelmente infinita. At\u00e9 o ponto que pareceria que as \u201cpsicoses ordin\u00e1rias\u201d podem estar hoje em qualquer parte do mapa sem que se possa reduzir sua descri\u00e7\u00e3o a um tra\u00e7o, tampouco constituir-se em um continente em si mesmo. Se clicamos em qualquer um desses nomes, somos conduzidos, sem d\u00favida, a lugares j\u00e1 conhecidos. E se continuarmos a verificar a lista, talvez poder\u00edamos concluir, ent\u00e3o, que a psicose ordin\u00e1ria \u00e9, na realidade, o pr\u00f3prio Google Earth como um todo, o pr\u00f3prio sistema de representa\u00e7\u00e3o com o qual buscamos localizar os lugares da nossa cl\u00ednica cl\u00e1ssica. \u00c9 uma cl\u00ednica feita de tra\u00e7os discretos, que valem pela diferen\u00e7a que existe entre uns e outros, ao estilo do sistema estrutural da l\u00edngua que conhecemos desde a ling\u00fc\u00edstica de Saussure. Mas aqui os tra\u00e7os s\u00e3o t\u00e3o discretos \u2013 permitam-me o equ\u00edvoco dessa palavra \u2013, t\u00e3o sutis, que desaparecem \u00e0 vis\u00e3o geral e s\u00f3 aparecem na singularidade de cada caso, e cada vez de maneira distinta. Dif\u00edcil construir um mapa geral e um buscador preciso com essas condi\u00e7\u00f5es de representa\u00e7\u00e3o, a n\u00e3o ser, como dizemos, que o lugar em quest\u00e3o que buscamos n\u00e3o seja sen\u00e3o o pr\u00f3prio sistema de representa\u00e7\u00e3o com o operamos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Digamos de imediato que esse paradoxo n\u00e3o nos parece de todo estranho aos leitores de Jacques Lacan. Est\u00e1 presente desde muito cedo em seu ensino. Ele mesmo leu sua pr\u00f3pria entrada na psican\u00e1lise, a que leva o t\u00edtulo de sua famosa tese de 1932, On Paranoiac Psychosis in its Relations to the Personality, dizendo, alguns anos depois, que a personalidade \u00e9 a paran\u00f3ia, e que \u00e9 por essa raz\u00e3o que n\u00e3o h\u00e1, de fato, rela\u00e7\u00f5es entre uma e outra. Nada mais normal que a personalidade, nada menos discreto tamb\u00e9m \u2013 tome-se o termo \u201cdiscreto\u201d com o equ\u00edvoco que temos assinalado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mas, ent\u00e3o, ser\u00e1 que a categoria de \u201cpsicoses ordin\u00e1rias\u201d, que nos parecia t\u00e3o efetiva no seu uso, se evapora agora precisamente pela extens\u00e3o e efetividade deste uso? N\u00e3o estar\u00e1 ocorrendo o mesmo que assinalava Lacan nos anos cinquenta, quando estudava o uso da interpreta\u00e7\u00e3o no meio anal\u00edtico a partir das observa\u00e7\u00f5es de Edward Glover? Recordo-lhes sua indica\u00e7\u00e3o a respeito em seu escrito sobre \u201cThe direction of the treatment and the principles of its power\u201d: Edward Glover, na falta da no\u00e7\u00e3o de significante para operar na experi\u00eancia anal\u00edtica \u2013 escreve Lacan \u2013 \u201cfinds interpretation everywhere, being unable to stop it anywhere, even in the banality of a medical prescription[2]\u201d(LACAN, 1998, p. 585.).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Sem d\u00favida, tal estravio seria, seguramente, a nossa confus\u00e3o de l\u00ednguas, confus\u00e3o que se acrescentaria \u00e0 Babel atual da cl\u00ednica, uma cl\u00ednica que parece desaparecer ela mesma no mundo das nosografias cada vez mais desordenadas e hoje alimentadas pela crise do sistema DSM. \u00c9 sabido que a crise desse sistema, em suas novas vers\u00f5es, estendeu de tal modo as descri\u00e7\u00f5es do patol\u00f3gico na vida cotidiana que n\u00e3o h\u00e1 um s\u00f3 canto que n\u00e3o seja diagnosticado como uma poss\u00edvel \u201cdesordem\u201d. At\u00e9 o ponto de que, se algu\u00e9m n\u00e3o se encontra descrito em alguma das p\u00e1ginas do manual, \u00e9 porque realmente deve ter uma s\u00e9ria \u201cdisorder\u201c.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Trata-se, em realidade, de um erro de perspectiva hom\u00f3logo ao que descrev\u00edamos com o modelo do Google Earth. Com a introdu\u00e7\u00e3o das categorias das \u201cpsicoses ordin\u00e1rias\u201d na cl\u00ednica, nos encontramos \u2013 como assinalva Jacques-Alain Miller no momento mesmo de introduzir o termo \u2013 \u201cdivididos entre dois pontos de vista contrastantes, mas que n\u00e3o s\u00e3o excludentes um do outro\u201d (MILLER, 2012, p. 242.). Desde a primeira perspectiva, aqui podemos ordenar, a partir do primeiro ensino de Lacan, que h\u00e1 descontinuidade entre neurose e psicose; h\u00e1 fronteiras mais ou menos precisas; h\u00e1 elementos discretos e diferenciais, tribut\u00e1rios da l\u00f3gica em que funcionam os nomes do Pai e a l\u00f3gica do significante que opera de modo discricional, pelas diferen\u00e7as relativas entre os elementos. Quando h\u00e1 uma fronteira no mapa, h\u00e1 diferen\u00e7as discricionais entre os territ\u00f3rios, h\u00e1 tamb\u00e9m poss\u00edvel reciprocidade entre eles para definir o que um \u00e9 e n\u00e3o \u00e9 em rela\u00e7\u00e3o ao outro. Desde a segunda perspectiva, a que podemos ordenar a partir do \u00faltimo ensino de Lacan, coloca-se mais a \u00eanfase na continuidade entre territ\u00f3rios, aquela que os torna cont\u00edguos, como dois modos de responder a um mesmo real, como dois modos de gozo diante de uma mesma dificuldade de ser. N\u00e3o se trata mais, nessa segunda perspectiva de estabelecer fronteiras, sen\u00e3o de constatar amarra\u00e7\u00f5es e desamarra\u00e7\u00f5es entre fios que est\u00e3o em continuidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Assim, podemos dizer que n\u00e3o h\u00e1 propriamente uma descri\u00e7\u00e3o cl\u00ednica das psicoses ordin\u00e1rias segundo o modelo cl\u00e1ssico que ordena suas categorias a partir de uma s\u00e9rie de tra\u00e7os presentes no interior de um conjunto mais ou menos delimitado. Resultaria imposs\u00edvel ent\u00e3o incluir uma categoria assim na l\u00f3gica do DSM ou dos manuais de diagn\u00f3sticos habituais, em que se enumeram os tra\u00e7os que devem estar presentes para cada categoria cl\u00ednica. Desde o ponto de vista descritivo poderiam definir-se melhor por uma tra\u00e7o que falta, nunca o mesmo, por aquele que sentimos faltar em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s psicoses cl\u00e1ssicas, mas tamb\u00e9m pelo que percebemos faltar em rela\u00e7\u00e3o as neuroses cl\u00e1ssicas. Nos vemos ent\u00e3o obrigados a defini-las, mais do que nunca, caso a caso, e sempre segundo com o contexto em que encontramos esta falta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Se me permitem assim dizer, a categoria \u201cpsicoses ordin\u00e1rias\u201d inclui ent\u00e3o as categorias que n\u00e3o se incluem a si mesmas: parece uma histeria mas n\u00e3o \u00e9 uma histeria, n\u00e3o inclui os tra\u00e7os que conhecemos da histeria; parece uma obsess\u00e3o mas n\u00e3o inclui os tra\u00e7os da obsess\u00e3o; parece a paran\u00f3ia mas n\u00e3o inclui os tra\u00e7os da paran\u00f3ia\u2026 O que converte as psicoses ordin\u00e1rias em um tipo de paradoxo de Russell, o paradoxo bem conhecido daquele conjunto que inclui os conjuntos que n\u00e3o se incluem a si mesmos. H\u00e1 v\u00e1rias maneiras de ilustrar o paradoxo de Russell, e uma \u00e9 o cat\u00e1logo que inclui todos os cat\u00e1logos que n\u00e3o se incluem a si mesmos, sem poder concluir finalmente sobre a pergunta se o primeiro cat\u00e1logo se inclui ou n\u00e3o a si mesmo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Desse modo, a categoria das psicoses ordin\u00e1rias faz explodir o sistema diagn\u00f3stico da cl\u00ednica estrutural. Ocorre com elas algo parecido ao que ocorria na primeira cl\u00ednica freudiana, com a introdu\u00e7\u00e3o das chamadas \u201cneuroses atuais\u201d, as neuroses que Freud distinguia das psiconeuroses cl\u00e1ssicas e que se definiam por sua falta de hist\u00f3ria infantil e pela falta de sobredetermina\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica dos sintomas. Toda neurose era uma neurose atual at\u00e9 que n\u00e3o se encontrasse esses dois elementos estruturais que n\u00e3o cessavam de n\u00e3o se escrever\u2026 at\u00e9 o encontro contingente que decantava sua significa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Digamos que o \u00fanico modo de verificar esse fato, o \u00fanico modo de p\u00f4r a prova esse real que n\u00e3o cessa de n\u00e3o se escrever em cada caso, \u00e9 a pr\u00f3pria estrutura da experi\u00eancia anal\u00edtica, a estrutura que se p\u00f5e \u00e0 luz do dia no fen\u00f4meno da transfer\u00eancia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Dito de outro modo, e para concluir, as psicoses ordin\u00e1rias s\u00f3 se ordenam clinicamente quando seus fen\u00f4menos se precipitam, se ordenam, na l\u00f3gica da transfer\u00eancia. S\u00f3 ali se revelam as psicoses ordin\u00e1rias como ordenadas sob transfer\u00eancia.<\/p>\n<h6><\/h6>\n<h6><strong>Tradu\u00e7\u00e3o: Let\u00edcia Soares<\/strong><\/h6>\n<h6><strong>Revis\u00e3o: Maria das Gra\u00e7as Sena<\/strong><\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<h6><\/h6>\n<h6><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/h6>\n<h6><strong>LACAN, J. \u201cA dire\u00e7\u00e3o do tratamento e os princ\u00edpios de seu poder\u201d (RIBEIRO, V. Trad.) In: Escritos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar ed., 1998, p. 585.\u00a0<\/strong><\/h6>\n<h6><strong>MILLER, J-A. A psicose ordin\u00e1ria. (Batista, M. C.; LAIA, S. Orgs.). Belo Horizonte: Scriptum Livros, 2012.\u00a0<\/strong><\/h6>\n<h6><\/h6>\n<h6><strong>[1] Texto apresentado no Congresso NLS \u2013 Dublin, julho de 2016.<\/strong><\/h6>\n<h6><strong>[2] \u201cEncontra interpreta\u00e7\u00e3o em todo lugar, tornando-se incapaz de para-la em qualquer lugar, mesmo na banalidade da prescri\u00e7\u00e3o m\u00e9dica\u201d. Tradu\u00e7\u00e3o nossa.<\/strong><\/h6>\n<h6><\/h6>\n<h6><\/h6>\n<hr \/>\n<h6><\/h6>\n<h6><strong>MIQUEL BASSOLS<\/strong><\/h6>\n<h6><strong>Psicanalista em Barcelona, membro da ELP, presidente da AMP.<\/strong><\/h6>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>MIQUEL BASSOLS &nbsp; LYGIA CLARK &nbsp; Psicoses, ordenadas sob transfer\u00eancia &nbsp; MIQUEL BASSOLS &nbsp; A solidez de um conceito cl\u00ednico se mede pela efetividade de seu uso, especialmente quando d\u00e1 conta de um campo de fen\u00f4menos para os quais n\u00e3o existia antes um mapa estabelecido[1]. 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