{"id":987,"date":"2017-07-17T06:57:40","date_gmt":"2017-07-17T09:57:40","guid":{"rendered":"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/new\/?p=987"},"modified":"2025-12-01T16:25:56","modified_gmt":"2025-12-01T19:25:56","slug":"o-valor-de-uma-aposta-tecendo-a-rede-nas-instituicoes-de-saude","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/2017\/07\/17\/o-valor-de-uma-aposta-tecendo-a-rede-nas-instituicoes-de-saude\/","title":{"rendered":"O Valor De Uma Aposta: Tecendo A Rede Nas Institui\u00e7\u00f5es De Sa\u00fade"},"content":{"rendered":"<h1 class=\"uk-margin-large-top uk-margin-remove-bottom uk-text-center uk-article-title\"><\/h1>\n<div class=\"uk-margin-medium-top\">\n<h6><strong>ALINE AGUIAR MENDES<\/strong><\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a class=\"dt-pswp-item\" href=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/2-ALINE-opcao-2-1.jpg\" data-dt-img-description=\"\" data-large_image_width=\"564\" data-large_image_height=\"348\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-988\" src=\"http:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/2-ALINE-opcao-2-1.jpg\" alt=\"\" width=\"564\" height=\"348\" srcset=\"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/2-ALINE-opcao-2-1.jpg 564w, https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/2-ALINE-opcao-2-1-300x185.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 564px) 100vw, 564px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>ALINE\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Este texto resulta da apresenta\u00e7\u00e3o do dia 30 de agosto de 2017, na noite do CIEN, que teve como mote o CIEN e as institui\u00e7\u00f5es. Contamos com a presen\u00e7a de Philippe Lacad\u00e9e, que realizou uma interven\u00e7\u00e3o com base em nossa experi\u00eancia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O laborat\u00f3rio Tecendo a Rede (TaR) trabalha com a constru\u00e7\u00e3o do caso cl\u00ednico por meio da conversa\u00e7\u00e3o com equipes de sa\u00fade e sa\u00fade mental no campo da inf\u00e2ncia e da adolesc\u00eancia. Dois pilares sustentam nossa pr\u00e1tica, quais sejam, a presen\u00e7a de um aluno, aprendiz na equipe \u2013 que denominamos AT n\u00e3o somente por sua fun\u00e7\u00e3o de Acompanhante Terap\u00eautico, mas tamb\u00e9m, e mais fundamentalmente, como veremos, por sua fun\u00e7\u00e3o de colocar a equipe a trabalho \u2013 e a constru\u00e7\u00e3o do caso cl\u00ednico, por meio da conversa\u00e7\u00e3o com as equipes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O aluno aprendiz inicia seu trabalho com a condu\u00e7\u00e3o de um caso escolhido pela equipe na fun\u00e7\u00e3o de acompanhante terap\u00eautico dentro e fora da institui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O caso encaminhado ao aluno dever\u00e1, necessariamente, ser constru\u00eddo em, pelo menos, tr\u00eas conversa\u00e7\u00f5es com a equipe. Nas conversa\u00e7\u00f5es, s\u00e3o expostos o percurso do paciente na institui\u00e7\u00e3o e sua hist\u00f3ria de vida e cl\u00ednica (quando surgiram os sintomas, os tratamentos realizados), bem como s\u00e3o discutidos livremente os pontos de impasse.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Essa pr\u00e1tica nos propiciou elaborar o que se tornou um achado: a equipe n\u00e3o existe previamente a um caso, ao contr\u00e1rio, \u00e9 a constru\u00e7\u00e3o do caso que faz existir uma equipe ou, melhor dizendo, o que chamamos de \u2018efeito-equipe\u2019. A constru\u00e7\u00e3o do caso cl\u00ednico, ao implicar os profissionais, faz existir uma equipe, fazendo valer que, ali, h\u00e1 sujeitos concernidos pelo caso, o que \u00e9 distinto de uma equipe composta, por exemplo, pelos profissionais designados burocraticamente pela institui\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, n\u00e3o se pode entender o efeito-equipe como o estabelecimento de uma unidade, de uma equipe coesa em torno do caso, tampouco que implique todos os profissionais, mas que um ou mais profissionais, ao serem tocados, cada um ao seu modo, pelo impasse, se tornem um aprendiz do caso, o que reorienta suas interven\u00e7\u00f5es, antes dirigidas pelos significantes mestres normatizantes da institui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nessa perspectiva, estamos alinhados com o projeto do CIEN como o que<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>consiste em abordar a nova situa\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a nos discursos, ou seja, nos v\u00e1rios discursos que se encarregam dela: a escola, os dispositivos assistenciais, a fam\u00edlia, a l\u00edngua que lhe d\u00e1 seu lugar, o direito. (\u2026) Mas de forma a localizar o que separa a crian\u00e7a de um discurso da palavra especializada[i] (LAURENT, 2017, p. 37).<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Assim como experimentamos em nossa pr\u00e1tica, a conversa\u00e7\u00e3o no CIEN n\u00e3o \u00e9 uma conversa livre. Ela se pauta por um impasse que deve ser localizado pelos participantes e possui um fim, um objetivo, que n\u00e3o \u00e9 o al\u00edvio de um mal-estar. A conversa\u00e7\u00e3o visa a introduzir a dimens\u00e3o da causalidade ps\u00edquica nos campos em que esta \u00e9 extirpada para que n\u00e3o sejam reproduzidas pr\u00e1ticas segregat\u00f3rias nem de controle. O encontro com a opacidade do discurso, com o que n\u00e3o se sabe, com o que n\u00e3o vai bem, permite o desajuste das identifica\u00e7\u00f5es que mortificam os sujeitos. Isso propicia que o sopro de vida se fa\u00e7a presente na inven\u00e7\u00e3o testemunhada pelos laborat\u00f3rios do CIEN.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nessa perspectiva, apresentaremos uma de nossas experi\u00eancias em parceria com o laborat\u00f3rio Janela da Escuta[ii].<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Conversa\u00e7\u00e3o sobre o caso Rocha[iii]: sobre o truco! o valor de uma aposta<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Dividimos nosso relato das conversa\u00e7\u00f5es para a constru\u00e7\u00e3o do caso cl\u00ednico em tr\u00eas momentos: 1a e 2\u00aa conversa\u00e7\u00f5es: tempo de ver; 3a conversa\u00e7\u00e3o: tempo de escutar-se; e 4a conversa\u00e7\u00e3o: do que resta a construir.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>1\u00aa e 2\u00aa conversa\u00e7\u00f5es: tempo de ver<\/p>\n<p>Na primeira conversa\u00e7\u00e3o para a constru\u00e7\u00e3o do caso, Rocha \u00e9 apresentado como um adolescente encaminhado ao Janela da Escuta em fun\u00e7\u00e3o de seu quadro cl\u00ednico de hipertens\u00e3o e obesidade e tamb\u00e9m por sua dif\u00edcil inser\u00e7\u00e3o na escola, que o expulsa reiteradamente e chama pela m\u00e3e, para que esta responda por suas atitudes. No entanto, ao longo da conversa\u00e7\u00e3o, o que se apresenta como impasse em seu tratamento \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o do jovem com sua m\u00e3e. Desse modo, durante a 1\u00aa conversa\u00e7\u00e3o, come\u00e7a a se delinear um outro caso, distinto daquele para o qual fomos inicialmente apresentados. Rocha \u00e9 apresentado pela equipe como um adolescente cuja imagem reflete a imagem da m\u00e3e: vestiam roupas parecidas, ambos estavam obesos e a ginecomastia de Rocha acentuava, ainda mais, a semelhan\u00e7a entre m\u00e3e e filho.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O que \u00e9 relatado pela equipe no percurso de Rocha no Janela da Escuta<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Rocha e L\u00facia encontram o Janela da Escuta quando o rapaz contava doze anos de idade. O acompanhamento cl\u00ednico pela hebiatra do adolescente estava atento ao quadro de obesidade, associado \u00e0 hipertens\u00e3o, e exerceu, at\u00e9 a constru\u00e7\u00e3o do caso, fun\u00e7\u00e3o de escuta do jovem. A psiquiatria procura intervir frente \u00e0s respostas impulsivas e agressivas apresentadas por ele. Al\u00e9m disso, Rocha participa da oficina que acontece semanalmente no servi\u00e7o, a Arte na Espera[iv], na qual consegue estabelecer importante v\u00ednculo com os pares, com o servi\u00e7o e com uma produ\u00e7\u00e3o de saber.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nas consultas m\u00e9dicas, endere\u00e7ava seus embara\u00e7os na rela\u00e7\u00e3o com seu pr\u00f3prio corpo. Por vezes solicitava para n\u00e3o ser pesado e medido nos atendimentos, no que era respeitado. Al\u00e9m disso, entrava e sa\u00eda v\u00e1rias vezes, interrompendo e recome\u00e7ando a consulta. Rocha, certa vez, relata a sua m\u00e9dica a repercuss\u00e3o que o filme Mal\u00e9vola exerce sobre ele, dizendo: \u201cA Mal\u00e9vola perdeu suas asas e lutou para retom\u00e1-las. Tamb\u00e9m quero ser livre\u201d. Nesses atendimentos cl\u00ednicos, a m\u00e3e parecia se presentificar muito, participando ativamente dos atendimentos, ora entrando com filho, ora se apresentando ao final, quase sempre para se queixar dele. Num jogo de escrever e soletrar palavras, realizado com a m\u00e9dica, Rocha interroga: \u201cM\u00e3e, onde coloca o assento?\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No Janela da Escuta, outro espa\u00e7o \u00e9 ofertado a L\u00facia, para dizer do mal-estar em sua rela\u00e7\u00e3o com Rocha. A psic\u00f3loga que a atende no Janela da Escuta relata que o trabalho de escuta da m\u00e3e permitiu a ela que investisse em seu pr\u00f3prio corpo, tornando-o mais feminino. A m\u00e3e coloca Rocha num lugar pr\u00f3ximo ao pior do pai: \u201cvagabundo como o pai (\u2026) homem debaixo da asa da m\u00e3e\u2026\u201d. E, ainda, a psic\u00f3loga relata que m\u00e3e e filho dormem juntos, trocam segredos e que ele lhe mostra suas ere\u00e7\u00f5es. Ela teme que um dia ele a mate ou a estupre.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ainda nesse primeiro encontro para a constru\u00e7\u00e3o, ante o relato apresentado, buscou-se demarcar o ponto a partir do qual o estagi\u00e1rio poderia operar. A equipe do Janela da Escuta debru\u00e7a-se, ent\u00e3o, sobre os impasses na rela\u00e7\u00e3o de Rocha com a escola. Em dois encontros realizados com a escola, os professores alegam que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel uma interven\u00e7\u00e3o espec\u00edfica destinada a Rocha, pois eles priorizam casos \u201cmais graves que o de Rocha\u201d. Nada poderia ser ofertado a Rocha, j\u00e1 que ele n\u00e3o era grave o suficiente nem \u201cnormal\u201d como outros alunos. A dire\u00e7\u00e3o da escola passou a comunicar cada vez mais que o jovem n\u00e3o poderia continuar ali, por qualquer motivo, como soltar um pum.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na segunda conversa\u00e7\u00e3o, que fazemos para recolher os efeitos da primeira conversa\u00e7\u00e3o para constru\u00e7\u00e3o do caso, a equipe do Janela da Escuta relata que viabiliza a doa\u00e7\u00e3o de um fog\u00e3o para a nova casa de L\u00facia e Rocha, tendo em vista que s\u00f3 recentemente passam a ter sua pr\u00f3pria casa. Esse passo representava, para L\u00facia, uma importante separa\u00e7\u00e3o de sua pr\u00f3pria m\u00e3e, que a humilhava constantemente. A esse ato, L\u00facia responde: \u201ceu e o Rocha, a gente est\u00e1 fazendo tanta comida, tanta comida\u2026 estamos comendo at\u00e9. A gente est\u00e1 fazendo tanta comida gostosa, porque, l\u00e1 na minha casa, eu n\u00e3o posso fazer comida. Agora eu tenho minhas coisas\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Com base nas falas que foram se decantando na constru\u00e7\u00e3o, cernimos uma outra fala do paciente a sua m\u00e9dica: \u201cquero cortar minhas mamas com faca\u201d. Embora houvesse um avan\u00e7o reconhecido, a partir do tratamento de Rocha com sua m\u00e9dica e, por outro lado, uma evolu\u00e7\u00e3o no tratamento da m\u00e3e, no tocante a seu lugar como mulher e como m\u00e3e, persistia, na fala da equipe, o modo como a m\u00e3e era convocada a responder pelos atos de Rocha, tanto na escola quanto no servi\u00e7o. Foi o que pontuamos como um impasse do caso. Durante as reuni\u00f5es, escutamos como m\u00e3e e filho dormem, comem e engordam juntos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O modo como o Outro materno olha e manipula o corpo de Rocha e o horror que esse filho ocupa no discurso de L\u00facia nos orientam a oferecer um lugar de escuta distinto, no qual o olhar do Outro possa estar suspenso. Ao cernimos essa l\u00f3gica do caso, a m\u00e9dica de refer\u00eancia afirma que \u00e9 preciso introduzir um outro agente, al\u00e9m dela, na refer\u00eancia do caso e assinala que n\u00e3o se trata apenas dos impasses de Rocha, mas, na verdade, s\u00e3o tr\u00eas os casos a serem considerados: o caso Rocha, o caso L\u00facia e o caso da pr\u00f3pria equipe. Desde ent\u00e3o, a estagi\u00e1ria passou a atender Rocha semanalmente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>3\u00aa conversa\u00e7\u00e3o: tempo de escutar-se<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nessa conversa\u00e7\u00e3o para a constru\u00e7\u00e3o do caso, iniciamos com uma apresenta\u00e7\u00e3o\/leitura, projetada em slide, das falas dos t\u00e9cnicos sobre o que se decantou da conversa\u00e7\u00e3o. \u00c9 muito interessante porque permite que cada um da equipe, ao ler suas falas projetadas, escute a pr\u00f3pria voz: o que disseram, como se posicionam frente ao caso. Recolhemos momentos de surpresa dos profissionais e tamb\u00e9m uma possibilidade de a palavra circular sem se repousar em um mestre.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A rela\u00e7\u00e3o m\u00e3e-crian\u00e7a \u00e9 um ponto fundamental, e sua rela\u00e7\u00e3o com o modo como a equipe vinha trabalhando \u00e9 salientado como um ponto de impasse da equipe. A coordenadora do servi\u00e7o pontua: \u201cSem d\u00favida, quando voc\u00ea coloca assim, ele repete uma coisa assim da rela\u00e7\u00e3o com a m\u00e3e, na rela\u00e7\u00e3o com a sua m\u00e9dica\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Outros pontos s\u00e3o trabalhados sobre como intervir com a escola e tamb\u00e9m sobre o horror com o qual Rocha muitas vezes se apresenta, como nos diz a coordenadora da oficina Arte na Espera: \u201cTem um pior a\u00ed, sabe, assim, nos v\u00eddeos\u2026 ou s\u00e3o hist\u00f3rias de terror, que ele quer horrorizar\u2026 a\u00ed os meninos d\u00e3o um chega para l\u00e1 nele, a\u00ed ele para\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nessa conversa\u00e7\u00e3o, a estagi\u00e1ria tamb\u00e9m narra os atendimentos com Rocha. Nas primeiras entrevistas, Rocha, por vezes, demorava a ir ao atendimento, necessitando que a estagi\u00e1ria insistisse e sustentasse o seu desejo de escut\u00e1-lo. Jogar truco viabilizou o la\u00e7o transferencial, na medida em que se trata de um significante do sujeito, o qual demarcava um lugar no qual Rocha sabe transitar. E, mais, o truco se tornou um significante a partir do qual a estagi\u00e1ria transmitia sua aposta no sujeito: \u201ctruco que voc\u00ea n\u00e3o tem nada a dizer\u201d, ou \u201ctruco que voc\u00ea s\u00f3 quer ficar em casa dormindo\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na constru\u00e7\u00e3o do caso, o manejo dos jovens (participantes das oficinas) com Rocha foi se desvelando, como a dire\u00e7\u00e3o do tratamento: pontuar os excessos sem se horrorizar, o que mant\u00eam o la\u00e7o e permite a Rocha experimentar outras posi\u00e7\u00f5es. Ele passa, daquele que assusta o outro tentando \u2018suj\u00e1-lo\u2019 de tinta, \u00e0quele que faz artes no corpo do outro, \u2018maravilhas\u2019, como diz uma das oficineiras. Dessa forma, a oficineira joga truco com ele e, ao n\u00e3o se horrorizar diante de uma a\u00e7\u00e3o intempestiva do jovem tentando \u2018suj\u00e1-la\u2019, legitima tal movimento como um ato subjetivo. Portanto, \u201co caso n\u00e3o pode ser tomado no horror\u201d. O truco aparece como a inven\u00e7\u00e3o desse sujeito, acolhida pela equipe, que rompe com a palavra especializada: ele pode passar a trucar a palavra do Outro que o nomeia no lugar do pior, como a escola fazia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>4\u00aa conversa\u00e7\u00e3o: sobre o que resta a construir\u2026<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nessa conversa\u00e7\u00e3o, a estagi\u00e1ria fala de como estava o processo de seu desligamento do TaR e se faz a apresenta\u00e7\u00e3o de uma nova estagi\u00e1ria e de uma psic\u00f3loga do Janela da Escuta para a continuidade do tratamento. Ela relata para equipe o que Rocha responde sobre continuar indo aos atendimentos: \u201cs\u00f3 se elas souberem jogar truco\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>V\u00e1rios s\u00e3o os impasses que se decantam da constru\u00e7\u00e3o do caso, que nos lan\u00e7am, mais uma vez, ao trabalho. Nessa perspectiva, nos perguntamos se um dos efeitos da conversa\u00e7\u00e3o foi a escuta do significante truco, que pode romper com a palavra especializada que mortifica o sujeito, e se esse significante poderia propiciar a separa\u00e7\u00e3o da palavra da m\u00e3e.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Coment\u00e1rio de Philippe Lacad\u00e9e[v]:<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A inven\u00e7\u00e3o de voc\u00eas \u00e9 surpreendente: dois pilares fundam a pr\u00e1tica exercida. A presen\u00e7a de um aluno aprendiz, na equipe designada AT (Aluno a trabalho), tem a fun\u00e7\u00e3o de colocar a equipe para trabalhar. Isso permite criar o efeito-equipe, visto que a equipe, como Outro, n\u00e3o existe. Existem, assim, os efeitos-equipes, que s\u00f3 existem por causa da proposta de constru\u00e7\u00e3o do caso. Produzem-se diferentes efeitos-equipes com a constru\u00e7\u00e3o de caso. Em \u00faltima inst\u00e2ncia, esses efeitos-equipes s\u00e3o efeitos de palavra. Tratam-se, portanto, de efeitos de cria\u00e7\u00e3o, a partir de pontos de impasse.<\/p>\n<p>Sobre o caso que Aline apresenta, \u00e9 evidente a rela\u00e7\u00e3o particular do jovem com sua m\u00e3e, pois sua imagem reflete a imagem de sua m\u00e3e. Ele se veste como ela, ambos s\u00e3o obesos, e a semelhan\u00e7a fica ainda mais facilitada pela particularidade de o jovem apresentar ginecomastia. Al\u00e9m disso, destaca-se a defici\u00eancia do rapaz, que permite ao par m\u00e3e-filho sobreviverem, j\u00e1 que recebem o BPC (Benef\u00edcio de Presta\u00e7\u00e3o Continuada).<\/p>\n<p>A constru\u00e7\u00e3o cl\u00ednica, com base na orienta\u00e7\u00e3o lacaniana, mostra que voc\u00eas foram sens\u00edveis ao fato de que ele tem um problema com o pr\u00f3prio corpo. No curso de uma das consultas, ele faz um jogo de fort-da: entra e sai da sala. E, sobretudo, n\u00e3o demanda mais que o seu corpo seja gozado pelo outro, recusando ser pesado e medido. E, finalmente, apoiando-se em um filme, diz que a personagem Mal\u00e9vola perdeu suas asas e quer recuper\u00e1-las. Diz tamb\u00e9m: \u201cEu quero ser livre\u201d, o que nos remete \u00e0 posi\u00e7\u00e3o do sujeito. Ele quer voar com as pr\u00f3prias asas e, depois de dizer isso, faz um enunciado formid\u00e1vel: pergunta a sua m\u00e9dica: \u201cm\u00e3e, onde coloca o assento\u201d? Ele brinca com a homofonia. Acentua o lugar. Destaca o fato de cada um ter um lugar. Observem bem a palavra lugar: certamente \u00e9 uma surpresa da linguagem, mas, ao mesmo tempo, \u00e9 o testemunho da posi\u00e7\u00e3o de gozo. Lacan diz que, nesse momento o analista se torna um leitor. Mais al\u00e9m do acento, o analista l\u00ea que, na hist\u00f3ria entre sua m\u00e3e e ele, trata-se de cada um encontrar o seu assento.<\/p>\n<p>A m\u00e3e come\u00e7a a reinvestir em seu corpo, a tornar-se feminina. Ela n\u00e3o \u00e9 mais somente m\u00e3e. Por\u00e9m, o corpo invis\u00edvel da crian\u00e7a penetra o corpo da m\u00e3e e ela vai aceitar que o filho mostre as ere\u00e7\u00f5es. A luz sempre tem um lado obscuro. Nesse momento chega-se, ent\u00e3o, \u00e0 quest\u00e3o do lugar. Que lugar conceder a ele? De que lugar a gente vai operar?<\/p>\n<p>\u00c9 poss\u00edvel ver que essa crian\u00e7a precisa de ajuda. Em um determinado momento, Lacan prop\u00f4s apoiar na fun\u00e7\u00e3o do pai como princ\u00edpio de separa\u00e7\u00e3o. A equipe do Janela da Escuta, para ajudar a crian\u00e7a a se separar de sua m\u00e3e, inventou um novo Nome do Pai: o dom do fog\u00e3o. Para ajudar a crian\u00e7a a se separar da m\u00e3e, apostou\u2013se no fog\u00e3o, que veio modificar completamente a rela\u00e7\u00e3o da m\u00e3e com a av\u00f3. M\u00e3e e filho passam a cozinhar pratos deliciosos. N\u00e3o se trata mais de comer o segredo do filho, \u00e0 noite, nem de fazer um \u00fanico corpo com o filho, menos ainda de engordarem juntos. De um momento a outro, a m\u00e3e pode se separar da pr\u00f3pria m\u00e3e. O que o filho vai fazer diante disso? Pouco tempo depois, o filho vai decidir cortar as pr\u00f3prias mamas. Pode-se perceber, nisso, que h\u00e1 uma passagem na qual ele busca se separar de seu excesso de semelhan\u00e7a com sua m\u00e3e.<\/p>\n<p>Na Terceira conversa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m tem algo extraordin\u00e1rio: voc\u00eas introduzem o significante da repeti\u00e7\u00e3o. Sem d\u00favida, ele repete alguma coisa. Ele repete alguma coisa da rela\u00e7\u00e3o de sua m\u00e3e com a de seu m\u00e9dico. Como voc\u00eas notaram bem, alguma coisa se deslocou. Ele vai se apresentar de uma maneira completamente diferente a partir do momento em que se separou da repeti\u00e7\u00e3o de seu corpo com o de sua m\u00e3e. Ele vai utilizar os v\u00eddeos com hist\u00f3rias de terror para fazer medo. N\u00e3o se est\u00e1 mais no momento da repeti\u00e7\u00e3o do corpo com o de sua m\u00e3e, pois ele teve acesso a uma outra coisa: o que Lacan chamou de pantomina, ou seja, ele coloca em evid\u00eancia o fato de poder utilizar o semblante, de fazer medo. Da mesma maneira, ele vai utilizar o jogo do truco. Ele pode fazer isso porque se separou de um excesso de gozo no seu corpo para utilizar, ent\u00e3o, o jogo do truco. Ele pr\u00f3prio coloca em a\u00e7\u00e3o um jogo baseado sobre a aposta, sobre o blefe. De fato, nesse momento h\u00e1 uma aposta na escuta, mais al\u00e9m do campo do vis\u00edvel que poderiam interessar a medicina que, por sua vez, diz que o corpo \u00e9 obeso. Voc\u00eas deram testemunho de saber trabalhar sob a orienta\u00e7\u00e3o lacaniana ao escutarem que o corpo n\u00e3o \u00e9 isso, mas \u00e9 algo que, para um cada um, se goza. A estagi\u00e1ria diz: \u201ceu truco que voc\u00ea n\u00e3o tem nada a dizer\u201d. Assim, ela apreende que se trata de um significante da transfer\u00eancia. Ela o utiliza na rela\u00e7\u00e3o com a l\u00edngua, como se dissesse: \u201cj\u00e1 que \u00e9 voc\u00ea que se interessa pelo truco, eu te reenvio sua mensagem, mas na forma invertida, e truco que voc\u00ea n\u00e3o tem nada a dizer.\u201d<\/p>\n<p>O jogo do truco \u00e9, essencialmente, um jogo, ou seja, um objeto, e isso pode ser a inven\u00e7\u00e3o do Rocha, ou seja, sua descoberta. Para que haja uma passagem da descoberta \u00e0 inven\u00e7\u00e3o, \u00e9 necess\u00e1rio que aconte\u00e7a um efeito-equipe, que se constr\u00f3i em torno do objeto carta-truco. O efeito-equipe permite elevar o objeto truco \u00e0 dignidade de um significante, um significante que n\u00e3o est\u00e1 mais sozinho, porque ele pode gozar de si mesmo. \u00c9 no momento em que voc\u00eas o elevam \u00e0 dignidade de significante que ocorre a aposta. Se, por exemplo, o fog\u00e3o pudesse vir como princ\u00edpio de separa\u00e7\u00e3o, como interdito do gozo, seria uma aposta sobre o fog\u00e3o, aposta no pai. Entretanto, com o truco como significante, o que ocorre \u00e9 uma aposta sobre o par significante: S1-S2. Se truco \u00e9 um S1\u2013 \u201ceu truco que voc\u00ea n\u00e3o tem nada a dizer\u201d \u2013, esse \u201cvoc\u00ea n\u00e3o tem nada a dizer\u201d \u00e9 uma nomea\u00e7\u00e3o de sua posi\u00e7\u00e3o silenciosa, tendo reconhecido o truco como significante da transfer\u00eancia. Ent\u00e3o, \u00e9 poss\u00edvel esperar o que pode vir a ser dito. N\u00e3o \u00e9 mais o saber do handicap, mas um saber que ser\u00e1 inventado. Por enquanto, o botar medo de Rocha \u00e9 tomado no \u00e2mbito de um acting out, na pr\u00f3pria cena da institui\u00e7\u00e3o. Ele ainda vai bancar o terror, fora da institui\u00e7\u00e3o. Mas n\u00e3o pensem que isso \u00e9 uma resposta \u00e0 interven\u00e7\u00e3o \u201ctruco que voc\u00ea n\u00e3o tem nada a dizer\u201d. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 quest\u00e3o colocada em seu texto (se \u201ctruco\u201d poderia ser uma separa\u00e7\u00e3o com rela\u00e7\u00e3o ao dizer da m\u00e3e), pode-se dizer que o truco pode ser uma entrada para uma separa\u00e7\u00e3o poss\u00edvel, apoiada na palavra da estagi\u00e1ria, sim, mas tamb\u00e9m h\u00e1 a palavra da m\u00e3e. Ele pode at\u00e9 entrar na aposta, mas n\u00e3o sem continuar fazendo um pouco horror e medo.<\/p>\n<p>Gra\u00e7as ao significante que voc\u00eas inventaram \u2013 aluno aprendiz \u2013, significante que consegue enodar a quest\u00e3o do aprendiz como aquele que ensina aos outros, entendo que a aprendizagem s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel pelo desejo, o que a distingue do adestramento. O aprendiz ensina \u00e0 equipe que apenas se pode ensinar a partir do que se constr\u00f3i sob um ponto de n\u00e3o-saber. A aprendizagem pode deslizar o significante do desejo que, nesse caso, \u00e9 bem ilustrado, com base na maneira como o aprendiz fez a aposta do truco: isso \u00e9 a p\u00e9rola, \u00e9 o desejo.<\/p>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<div class=\"uk-margin-medium-top\">\n<h6><\/h6>\n<h6><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/h6>\n<h6><\/h6>\n<h6>ALKMIM, W. (org.) VIGAN\u00d2, Carlo. Novas confer\u00eancias. Belo Horizonte, Scriptum Ed. 2010. 264p.<\/h6>\n<h6><\/h6>\n<h6>BRISSET, F.; SANTIAGO, A.; MILLER, J. (orgs.) Crian\u00e7as falam! E t\u00eam o que dizer: experi\u00eancias do CIEN no Brasil. Belo Horizonte. Scriptum Ed. 2013.<\/h6>\n<h6><\/h6>\n<h6>BROWN, N.; MAC\u00caDO, L.; LYRA, R. (orgs). Trauma, solid\u00e3o e la\u00e7o na inf\u00e2ncia e adolesc\u00eancia: experi\u00eancias do CIEN no Brasil. S\u00e3o Paulo. EBP editora. 2017.<\/h6>\n<h6><\/h6>\n<h6>FREUD, S. (1937\/1975) \u201cConstru\u00e7\u00f5es em An\u00e1lise\u201d In: Edi\u00e7\u00e3o Standard Brasileira das Obras Completas de Sigmund Freud. Vol. XXIII. RJ. Imago.<\/h6>\n<h6><\/h6>\n<h6>LACAN, J. \u201cApertura de la secci\u00f3n cl\u00ednica\u201d. 5 de janeiro de 1977. Dispon\u00edvel em: www.ecole-lacanienne.net\/wp-content\/upload\/2016\/04\/ouverture de la section clinique.pdf.<\/h6>\n<h6><\/h6>\n<h6>MENDES, A. O efeito-equipe e a constru\u00e7\u00e3o do caso cl\u00ednico. Curitiba, PR: CRV editora. 2015.<\/h6>\n<h6><\/h6>\n<h6>[i] LAURENT, E. \u201cRetomar a defini\u00e7\u00e3o do projeto do CIEN e examinar sua situa\u00e7\u00e3o atual\u201d In: BROWN, N. MAC\u00caDO, L. LYRA, R. (orgs). Trauma, solid\u00e3o e la\u00e7o na inf\u00e2ncia e adolesc\u00eancia: experi\u00eancias do CIEN no Brasil. S\u00e3o Paulo. EBP Editora, 2017 (p. 37-47).<\/h6>\n<h6>[ii] O laborat\u00f3rio Janela da Escuta, coordenado por Cristiane Cunha, trabalha com o acolhimento de adolescentes e suas fam\u00edlias, por meio da forma\u00e7\u00e3o de profissionais em uma pr\u00e1tica cl\u00ednica interdisciplinar orientada pela psican\u00e1lise em um ambulat\u00f3rio do Hospital das Cl\u00ednicas da UFMG.<\/h6>\n<h6>[iii] Os nomes utilizados na apresenta\u00e7\u00e3o desse caso s\u00e3o fict\u00edcios.<\/h6>\n<h6>[iv] Oficina de arte que ocorre junto \u00e0s atividades do Janela da Escuta, coordenada por uma artista. Os adolescentes participam das oficinas enquanto esperam para serem atendidos pelos profissionais.<\/h6>\n<h6>[v] O coment\u00e1rio de Philippe Lacad\u00e9e, presente neste texto, foi extra\u00eddo da conversa\u00e7\u00e3o cl\u00ednica realizada no CIEN no dia 30 de agosto de 2017.<\/h6>\n<h6><\/h6>\n<h6>[1] Esse texto foi escrito com colabora\u00e7\u00e3o de \u00c2ngela Maria Resende Vorcaro e Alice Rezende Oliveira, esta \u00faltima, estagi\u00e1ria do Tecendo a Rede.<\/h6>\n<h6>[1] LAURENT, E. \u201cRetomar a defini\u00e7\u00e3o do projeto do CIEN e examinar sua situa\u00e7\u00e3o atual\u201d In: BROWN, N. MAC\u00caDO, L. LYRA, R. (orgs). Trauma, solid\u00e3o e la\u00e7o na inf\u00e2ncia e adolesc\u00eancia: experi\u00eancias do CIEN no Brasil. S\u00e3o Paulo. EBP Editora, 2017 (p. 37-47).<\/h6>\n<h6>[1] O laborat\u00f3rio Janela da Escuta, coordenado por Cristiane Cunha, trabalha com o acolhimento de adolescentes e suas fam\u00edlias, por meio da forma\u00e7\u00e3o de profissionais em uma pr\u00e1tica cl\u00ednica interdisciplinar orientada pela psican\u00e1lise em um ambulat\u00f3rio do Hospital das Cl\u00ednicas da UFMG.<\/h6>\n<h6>[1] Os nomes utilizados na apresenta\u00e7\u00e3o desse caso s\u00e3o fict\u00edcios.<\/h6>\n<h6>[1] Oficina de arte que ocorre junto \u00e0s atividades do Janela da Escuta, coordenada por uma artista. Os adolescentes participam das oficinas enquanto esperam para serem atendidos pelos profissionais.<\/h6>\n<h6>[1] O coment\u00e1rio de Philippe Lacad\u00e9e, presente neste texto, foi extra\u00eddo da conversa\u00e7\u00e3o cl\u00ednica realizada no CIEN no dia 30 de agosto de 2017.<\/h6>\n<h6><\/h6>\n<hr \/>\n<h6><\/h6>\n<h6><strong>ALINE AGUIAR MENDES<\/strong><\/h6>\n<h6>Doutora em Psicologia\/Estudos Psicanal\u00edticos pela Universidade Federal de Minas Gerais. Coordenadora do CIEN-Minas. Coordenadora do Tecendo a Rede. Professora da PUC Minas.\u00a0<span id=\"cloak4b1ead2ffcac93e618f51d502b823ccc\"><a href=\"mailto:alineaguiarmendes@yahoo.com.br\">alineaguiarmendes@yahoo.com.br<\/a><\/span><\/h6>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ALINE AGUIAR MENDES &nbsp; &nbsp; ALINE\u00a0 Este texto resulta da apresenta\u00e7\u00e3o do dia 30 de agosto de 2017, na noite do CIEN, que teve como mote o CIEN e as institui\u00e7\u00f5es. Contamos com a presen\u00e7a de Philippe Lacad\u00e9e, que realizou uma interven\u00e7\u00e3o com base em nossa experi\u00eancia. &nbsp; O laborat\u00f3rio Tecendo a Rede (TaR) trabalha&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":58059,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[16],"tags":[],"class_list":["post-987","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-almanaque-20","category-16","description-off"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/987","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=987"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/987\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":58060,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/987\/revisions\/58060"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/58059"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=987"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=987"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/institutopsicanalise-mg.com.br\/revista_almanaque\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=987"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}