Psicanálise e Racismo
O Ateliê de Pesquisa em Psicanálise e Segregação, orientado pela clínica, traz em seu programa de investigação para o 1º semestre de 2026 três casos a serem comentados. Para o último encontro foi pensado uma extração do trabalho que possa nos orientar tanto como leitura do tema quanto para o seguimento de nossos trabalhos.
A experiência do Ateliê tem nos permitido verificar como que a segregação implicada nas questões raciais atravessa os falasseres convocando-nos a ler esse atravessamento de forma singular, no caso a caso.
No texto O estatuto do trauma,[1] Miller afirma que há uma “historização primária”, que o sujeito vive uma experiência dando sentido a ela e que isso é completamente singular. Assim, como cada sujeito pode se haver com seu corpo e como estariam as questões raciais nessa “historização primária”?
Essa história não é contada facilmente para o analista. Fernanda Otoni lembra-nos a partir da paciente de Freud – Lucy R., “ao responder não saber sobre a origem do seu sintoma a Freud, desperta nele uma suspeita: ela sabe, mas não pode dizer, não pode saber” (BRISSET, 2024 s/p)[2], que há algo mais poderoso sobre o que não se consegue falar.
Seria possível articular o que não se consegue falar com o silêncio muitas vezes presente nas questões relativas à raça, ao racismo? Não teriam tais questões, sobretudo na atualidade, uma dupla face, podendo franquear entrada em análise ou mesmo ser um obstáculo a esta?
Nas questões raciais o sujeito pode conferir a falta, a marca racial. Uma análise permitirá que uma pessoa de pele preta, um sujeito, não fique somente com seu corpo e sua cor, não fique só com sua raça, e que possa estar no mundo e na vida com sua diferença e singularidade. Que o sujeito, através da experiência de análise, suporte a inexistência da relação sexual sem tamponar essa inexistência com a irmandade dos corpos.
Na prática da psicanálise, o que poderíamos ler sobre o amor de transferência e o imperativo superegóico nas questões que implicam o racismo cotidiano?
As atividades no 1º semestre de 2026 se mantêm híbridas.
Convidamos os colegas de Belo Horizonte para estarem presentes na sede do Instituto e, aos colegas que não vivem aqui, a estarem conosco pelo Zoom.
Até lá!
Programação
Março
18 – Caso clínico
- Apresentação: Daniele Menezes
- Comentário: Antônio Teixeira EBP/AMP
- Horário: 20h30
- Presencial e on-line (Zoom)
- Local: Sede do IPSM-MG
- Endereço: Av. Afonso Pena, 2770. Salas 201-207
- Atividade gratuita
- É requerida inscrição para a modalidade on-line
Abril
22 – Caso clínico
- Apresentação: Rodrigo da Matta Machado
- Comentário: Glacy Gorski – EBP/AMP
- Horário: 20h30
- Presencial e on-line (Zoom)
- Local: Sede do IPSM-MG
- Endereço: Av. Afonso Pena, 2770. Salas 201-207
- Atividade gratuita
- É requerida inscrição para a modalidade on-line
Maio
20 – Caso clínico
- Apresentação: Geisa Assis
- Comentário: Helenice de Castro – EBP/AMP
- Horário: 20h30
- Presencial e on-line (Zoom)
- Local: Sede do IPSM-MG
- Endereço: Av. Afonso Pena, 2770. Salas 201-207
- Atividade gratuita
- É requerida inscrição para a modalidade on-line
Junho
17 – O que podemos extrair deste semestre?
- Apresentação: Cleide Monteiro – EBP/AMP
- Horário: 20h30
- Presencial e on-line (Zoom)
- Local: Sede do IPSM-MG
- Endereço: Av. Afonso Pena, 2770. Salas 201-207
- Atividade gratuita
- É requerida inscrição para a modalidade on-line


