Maria Rita Guimarães
EBP/AMP
As obras de Freud tornaram-se, desde 2010, “bens não passíveis de apropriação privada”, ou seja, de domínio público.
No mundo inteiro, o mercado editorial ainda se agita em torno dessa obra extensa, complexa e magnífica, seja em traduções inéditas, seja em novas publicações, sobretudo da profícua correspondência mantida por Freud com seus contemporâneos e amigos. Temos um exemplo dessa vivacidade bem próximo a nós, com a publicação das Obras Incompletas de Sigmund Freud, pela Autêntica Editora, cujo editor é Gilson Iannini, membro a Escola Brasileira de Psicanálise pela Seção Minas Gerais e da Associação Mundial de Psicanálise.
Para além do meio psicanalítico também se entende a referência trazida em Obras Incompletas. Alude às Obras Completas de Sigmund Freud, edição da Standard Brasileira, publicadas em português no Brasil de 1970 a 1977, traduzidas do inglês. Devemos ao psicanalista James Strachey (1887-1967) a tradução da obra de Freud ao inglês. Analisado por Freud em Viena, próximo do grupo inglês de Bloomsbury, Strachey testemunha seu amor à psicanálise no extenuante trabalho consagrado a essa obra de difusão do pensamento freudiano. Aos 87 anos após a morte de Freud, não é exagerado afirmar que sua pessoa e seu pensamento se tornaram uma paixão pública, ainda que sejam em “exclusão interna”[1] à cultura.
O tempo de Freud, o mal-estar de sua época, é ainda o nosso?
Freud, contemporâneo?
A pergunta feita aos colegas psicanalistas da EBP-MG presentes neste número 37 foi respondida, em Trilhamentos, a partir das próprias ferramentas conceituais e clínicas do legado freudiano. Nossos sinceros agradecimentos a Claudia González, Adriana Vitta, Bernardo Micherif, Gilson Iannini, Jésus Santiago.
A conferência de Jésus Santiago na abertura das atividades da EBP-MG e na aula inaugural do IPSM-MG no primeiro semestre de 2026 destaca a genialidade de Freud, que, ainda no início de sua experiência clínica com as histéricas, identificou a força e presença de algo que chamou de transferência.
Encontros confronta-se com a pergunta “Que seria um mundo sem Freud?”, respondida por Antônio Teixeira na Entrevista. Nossos agradecimentos pelo aceite ao trabalho.
O que se conversou? Muito a aprender nessa Conversação, atividade que se realiza no IPSM-MG no esforço de extração dos pontos fortes da Entrevista Clínica, realizada anteriormente em uma instituição psiquiátrica. Frederico Feu é o responsável em nos dizer o que se conversou e se transmitiu nessa atividade. Nossos agradecimentos sinceros.
Uma nova rubrica, que sairá sempre no número de Almanaque de agosto, é inaugurada:
O que se lê? Helenice de Castro lê Cartas a Nelson Algren: um amor transatlântico, de Simone de Beauvoir. Uma surpresa, um material importante para a leitura lacaniana a respeito de devastação, conforme nos diz a autora, a quem já agradecemos por seu texto lindo, curto e leve. Ótima estreia de O que se lê?

