Jésus Santiago
Psicanalista
Analista Membro da Escola (AME)
pela Escola Brasileira de Psicanálise (EBP) e Associação Mundial de Psicanálise (AMP)
E-mail: jesussan.bhe@terra.com.br
Não há como abordar a questão da transferência sem considerar o uso dessa verdadeira ferramenta que Freud (1914/2022, p. 160) retira de sua bagagem clínica e que, surpreendentemente, nomeia como o “novo significado transferencial” (Neue Übertragungsbedeutung). Se essa ferramenta é fundamental para a posta em marcha da operação analítica, se esse novo significado é postulado como uma condição sine qua non para o início do trabalho analítico, não se deve, no entanto, tomá-la como um simples produto da experiência analítica. É preciso admitir, portanto, que algo dessa significação transferencial já se faz presente antes da chegada do paciente no tratamento. Pode-se adiantar que o embrião do que mais tarde se tornará o cerne da relação transferencial é a suposição de saber que Lacan inventa, conferindo-lhe o status de um sujeito. A suposição de saber torna-se sujeito porque, além de ser um fenômeno nodal da experiência humana, mantém uma conexão íntima com o desejo inconsciente. É por acontecer fora do dispositivo analítico, constituindo-se, assim, numa relação estreita com o inconsciente, que Lacan (1967/2003, p. 252) postula que “no começo da psicanálise está a transferência”, evidentemente privilegiando o que se apreende nela como o sujeito suposto saber.
Caráter primário da transferência e seu mais além
Faz-se necessário considerar o sujeito suposto saber como uma função que não se apresenta de modo fixo e estático, pois é objeto de transformações ao longo da experiência da análise. Sob esse ponto de vista, a transferência aparece como um processo dinâmico, “essencialmente ligada ao tempo e a seu manejo” (LACAN, 1964/1998, p. 858), dinamismo que, inclusive, impulsionou Lacan (1958/1998, p. 624) a qualificar a sua presença, no início do tratamento, como “primária”. A meu ver, o que há de primário na transferência não se explica apenas por estar no início, pois o fato de o sujeito suposto saber permanecer em um “estado de sombra” (LACAN, 1958/1998, p. 624) não implica que ele esteja imune a transformações. Enfatiza-se, ainda, que mesmo nesse estado primário nada impede que o sujeito suposto saber possa sonhar e, inclusive, exercer aquilo que é seu atributo principal, que é “reproduzir sua demanda, quando não há mais nada para demandar” (LACAN, 1958/1998, p. 624). É somente para além desse estado de sombra que surge o “novo sentido transferencial”, permitindo assim ao sujeito confrontar-se com seu próprio saber inconsciente.
O próprio Freud se dá conta dessa manifestação primária da transferência já no início de sua prática clínica com as histéricas. No final de seus “Estudos sobre a histeria”, ele fornece um testemunho do quanto a experiência da análise está fadada a ter que lidar com a transferência a partir do momento em que o sujeito se aproxima do complexo causal de seu sintoma. Nesse caso específico, o surgimento do sintoma histérico tem sua fonte no desejo experimentado algum tempo antes e que, via recalque, se aloja no inconsciente. O recalcado gravita em torno do homem com quem a paciente havia trocado algumas palavras e pelo qual, ao mesmo tempo, se vê atraída, colocando-se afetuosamente nos seus braços e recebendo um efusivo beijo.
Quando, durante o tratamento, se aproxima da lembrança patogênica concebida como signo do desejo recalcado, Freud constata que as associações, em torno de suas lembranças, estancam. Na sessão seguinte, logo após conseguir suplantar sua reticência, a paciente fala que passou uma noite em branco e que não ousava retornar ao tratamento, pois, no momento em que se aproximou do sentido represado do desejo, subitamente experimentou o desejo de abraçar o analista. Assinala Freud que, nesses instantes, o analista aparece à paciente como uma pura presença, sendo que o procedimento da análise se interrompe e o paciente deixa de respeitar a regra da associação livre e, assim, a dimensão do amor prevalece em detrimento da perlaboração analítica.
Um amor que se dirige ao saber
Como é o caso do inconsciente e do trauma, a transferência aparece, desde muito cedo, como disse antes, enquanto uma ferramenta essencial na trajetória clínica de Freud. Emerge por meio da suposição de saber dirigida ao analista, podendo transformar-se nos afetos do amor ou do ódio. Ao contrário do inconsciente e do trauma, a transferência foi a última a tornar-se objeto de uma conceituação mais acabada, expressa na famosa coletânea usualmente designada como “Escritos técnicos”. Apenas com Lacan a transferência deixa de ser concebida, como fazem os pós-freudianos, como mero veículo da dimensão afetiva, pois, como se viu antes, mesmo sua manifestação mais primária traz consigo uma relação do sujeito ao saber. Assim, ao se debruçar sobre a sua estrutura simbólica, Lacan pôde formalizar o que veio a ser a sua conceituação do sujeito suposto saber. Seu foco principal é a crítica da forte atenção dos psicanalistas ao aspecto afetivo e sentimental da transferência, ou seja, as relações de amor e de ódio dirigidas ao analista. Sob essa ótica, a transferência se vê relegada ao circuito da intersubjetividade, isto é, coloca em jogo uma relação de sujeito a sujeito, na qual o analista responde à transferência do analisante com sua própria contratransferência.
Desde o momento em que o sujeito suposto saber assume a centralidade no seu enfoque da transferência, assiste-se ao deslocamento das questões concernentes à intersubjetividade e aos afetos para interrogar sobre o seu lugar na esfera do desejo e do saber inconsciente. Se a transferência não é mais vista como uma relação intersubjetiva, ou seja, se ela é sujeito, infere-se que se trata de uma manifestação da suposição de saber cujo comando está a cargo do inconsciente. Na parte final do Seminário 11, Os quatro conceitos fundamentais da psicanálise, encontra-se uma definição relativamente simples: em sua instância mais primária, a transferência é um sujeito a quem se supõe um saber. A tese de Lacan (1964/1988, p. 220) consiste em dizer que “desde que haja em alguma parte o sujeito suposto saber […] há transferência”. Em outros termos, ama-se aquele a quem se supõe um saber. Mais tarde, em 1973, ele dará uma fórmula da transferência ainda mais circunscrita: “é o amor que se dirige ao saber” (LACAN, 1973/2003, p. 555).
Quando o sintoma fala…
Define-se, portanto, a chamada transferência primária como o acontecimento do amor que se dirige a alguém que supostamente sabe. Com isso se pode reafirmar que o sujeito suposto saber está potencialmente presente em todo ser falante. Essa presença latente leva-nos a concluir que o manejo da transferência, no contexto da análise, se faz notadamente pelo ato ou efeito de uma modulação temporal. Durante o curso do tratamento, o tempo primário da transferência e, mais precisamente, seu estado de sombra, tendem a se atenuar, manifestando-se nesse tempo posterior por meio de uma suposição de saber, já que se endereça ao inconsciente. Isso quer dizer que uma coisa é o amor dirigido ao saber encarnado na pessoa do psicanalista, outra coisa é o saber dirigido ao inconsciente e à cadeia associativa de significantes.
Quando Freud diz que os sintomas podem receber uma nova significação e que esta advém da relação transferencial, ele sugere que, a partir desse momento, os sintomas da neurose ordinária passarão por uma mutação, pois se tornam sintomas próprios do que ele designa como neurose de transferência. Por conseguinte, a passagem da neurose ordinária para a neurose de transferência introduz uma mudança capital para a operação analítica, na medida em que os sintomas sob o regime da transferência tornam-se passíveis de interpretação, e logo mais receptivos à prática analítica.
Cabe ainda observar que, segundo Lacan, a designação de neurose de transferência padece de um equívoco, pois seu funcionamento não é substancialmente diferente daquele da neurose ordinária. Vale dizer que se prefere privilegiar e enfatizar o aspecto da nova significação que o sintoma adquire ao ser transpassado pela ação da transferência. Enfim, ao deslocar-se da pessoa do analista e dirigir-se ao inconsciente, o sintoma passa a querer falar, e por isso Freud (1914/2022, p. 160) pôde dizer que a neurose de transferência consiste numa espécie de “zona intermediária entre a doença e a vida”. Com a introdução desse “novo significado transferencial”, o que agora se designa por neurose sob transferência deve ser concebido como um artefato, um produto que passou pela modulação temporal, em que os sintomas serão marcados por uma vontade de dizer que fazem do inconsciente, além de intérprete, um inconsciente transferencial.
O amor e o nada
Se o procedimento da transferência não se define pela via da intersubjetividade, se a transferência do lado do analisante é o amor que se endereça ao saber, cabe formular a pergunta: de que modo o analista responde à situação do amor de transferência? Como se sabe, no âmbito da transferência concebida como relação intersubjetiva, o analista responde pela via da contratransferência. Porém, qual é a resposta do analista na transferência ressituada e recentrada pelo sujeito suposto saber? Para responder a essa questão, é preciso retornar ao problema do que vem a ser o amor. Se Lacan (1958/1998, p. 624) o define como “dar o que não se tem”, é evidente que ele não diferencia o amor de transferência daquele que acontece na vida de todo dia. É de se esperar que o analista responda ao amor que se dirige ao saber, por parte do analisante, com o nada, já que, ao contrário de outras modalidades clínicas, ele não tem nada de objetivo e palpável para lhe dar.
Assim é que do lado do analisante situa-se o amor dirigido ao saber e, no melhor dos casos, esse amor, mesmo que mediado pelo inconsciente, aparece sob o modo da demanda de amor. Leva-se em consideração a esse respeito que, para Lacan, toda demanda é no fundo demanda de amor. Em resumo, se do lado do analisante prevalece a demanda de amor, do lado do analista, o que se impõe, como posição na relação transferencial, é o nada. Acrescenta-se ainda a observação de que a direção do tratamento exige do analista saber valorizar esse nada, inclusive fazendo o sujeito pagar o mais caro possível por ele, pois de outro modo não valeria grande coisa (LACAN, 1958/1998, p. 624). A maneira pela qual Lacan reinterpreta a chamada regra de abstinência é propor que o analista responde à demanda de amor do analisante com o objeto nada. Seguindo essa mesma perspectiva, J.-A. Miller (1994, s.p.) confere materialidade a essa visão da abstinência, ao introduzir sua contrapartida sobre o analisante: “na análise, o analisante come o nada”. É o que o leva a propor que há uma anorexia implicada na própria estrutura transferencial, cuja consequência é admitir que seu núcleo real é “a atualização da realidade [sexual] do inconsciente” (LACAN, 1964/1988, p. 139). Se o objeto nada se impõe do lado do analista, é porque seu horizonte diante da cena da realidade sexual do inconsciente é o princípio de que o ato sexual não existe. É certamente diante da função do nada que aquilo de mais precioso que o ato analítico fornece no desenrolar do tratamento é a presença do analista.
Em face da atualização da realidade sexual inconsciente
É exatamente em função da presença do analista que o ensino de Lacan estende e amplia sua concepção da transferência, distinta da que se baseia no sujeito suposto saber. Refere-se, nesse caso, à vertente libidinal da transferência, na qual o que está em questão não é apenas o saber, mas a presença do analista enquanto objeto, pois este lhe empresta sua pessoa e seu corpo aos sentimentos, crenças e esperanças que o paciente lhe endereça. Essa presença do analista enquanto objeto é, de alguma maneira, antecipada pelos escritos técnicos de Freud (1915/1996, p. 165), quando neles se examina a fundo o problema do amor de transferência como fator inevitável do tratamento: motor para o seu avanço, ainda que possa tornar-se empecilho e resistência. É bem verdade que se deve tomar o amor de transferência em suas duas faces distintas: de um lado, o amor propriamente dito, e, de outro, uma dimensão que coloca em jogo uma corrente sensual da vida amorosa, isto é, a satisfação pulsional e o seu correlato: o objeto a. De início, o terreno sobre o qual o amor prospera é o narcisismo. Aquele que ama induz o outro a uma relação imaginária, em que o convence de ser amável. Lacan (1964/1988, p. 239) resume e esclarece a vertente narcísica do amor com uma simples frase: “amar é essencialmente querer ser amado”.
O segundo aspecto a ser salientado diz respeito à corrente pulsional, que se caracteriza por estar para além da demanda de amor e, nesse sentido, a demanda se faz não mais via narcisismo, mas por meio da pulsão. Essa demanda, considerada como mais radical, age silenciosamente, ao estar “encarregada de ir buscar algo [objeto a] que, a cada vez, responde e se manifesta no Outro” (LACAN, 1964/1988, p. 185). Esse movimento da pulsão se explicita, por exemplo, na sua tentativa de obter do Outro um olhar ou uma voz. A ideia é a de que a pulsão vem, sub-repticiamente, roubar, arrancar do Outro um objeto para efetivar sua satisfação, isto é, seu gozo.
Essa busca silenciosa de gozo, ao mesmo tempo em que se veicula por meio de uma palavra de amor, se apresenta inteiramente velada, na medida em que provém do inconsciente em sua conexão com a pulsão. Por trás da palavra de amor “eu te amo” encontra-se encoberto, nessa busca de gozo, um “eu te mutilo”. Lacan (1964/1988, p. 254) o formula assim no Seminário 11: “Eu te amo, mas, porque inexplicavelmente amo em ti algo que é mais do que tu – objeto pequeno a minúsculo, eu te mutilo”. Se Lacan (1964/1988, p. 139) introduz a noção de objeto a para designar esse objeto em jogo na pulsão, a tese acerca da transferência é que o laço entre o analisante e o analista se tece como uma “atualização da realidade [sexual] do inconsciente”. O emprego clínico dessa vertente libidinal da transferência exige levar em conta que o modo como a sexualidade se faz presente no inconsciente é via objeto a; em suma, é essa dimensão do objeto causa de gozo que é atualizada por meio da transferência.
O analista como suposto deter o objeto a
Quando o amor de transferência se instala devido a seu componente narcísico, tende a gerar a dimensão do engano que, no fundo, surge para mascarar a realidade sexual que se depreende da relação transferencial. Importa ao analista, portanto, não se deixar levar pelo “efeito de tapeação” do amor, pois a dimensão pulsional que surge no tratamento se articula com os sintomas dos quais o paciente se queixa. Por isso, o analista deve estar atento para discernir essa dimensão pulsional que, segundo Miller, constitui-se como o fundamento mais secreto da transferência, a saber, o objeto a. Para ele, “a popularidade da tese lacaniana do sujeito suposto saber como pivô da transferência fez esquecer que o que governa secretamente a análise é o objeto a” (MILLER, 2000, p. 83, tradução nossa).
A presença do analista é, portanto, um elemento necessário para que a experiência da análise possa se estabelecer e, nesse sentido, levá-la adiante por telefone ou via internet é expô-la aos seus próprios limites, sobretudo no tocante a essa vertente libidinal da transferência. Diante do que se disse antes a respeito dessa vertente libidinal, consentir com a ausência desse correlato da realidade sexual – o objeto a – é transigir com esse fator essencial, acarretando consequências para os rumos do tratamento. No fundo, é a própria conclusão do tratamento que se mostra comprometida quando não se considera que o fundamento do laço transferencial é “esse resto corporal que apenas se manifesta através da presença” (MILLER, 2000, p. 83, tradução nossa) do analista. Por isso, tanto Freud quanto Lacan são taxativos em dizer que nada do que concerne ao real de que se trata na transferência pode ser apreendido in effigie ou in absentia. Se, para Freud (1912/2017, p. 118), a presença do analista se faz necessária “para tornar manifestas e atuais as moções amorosas ocultas e esquecidas do paciente”, para Lacan (1964/1988, p. 56), somente essa presença pode “desembrulhar a realidade em efígie da transferência a partir da função do real na repetição [de gozo]”, sempre presente no amor dirigido ao saber do analista.
Com efeito, não basta ao analista ser o suporte da função Tirésias, ou seja, encarnar o oráculo ou o adivinho que decifra os enigmas da existência humana. É preciso, ainda, “como diz Apollinaire, que ele tenha mamas” (LACAN, 1964/1988, p. 255), o que, por sua vez, não quer dizer que o analista deva dar o seio. Dar o seio é o contrário da regra de abstinência, exposta nos escritos técnicos de Freud, para fornecer os indícios do que vem a ser a posição do analista. Mais do que uma regra técnica, a abstinência apenas se justifica pelas formulações da ética analítica que embasam a posição do analista. Em outras palavras, por ser suposto deter o objeto de satisfação que busca a pulsão, a abstinência se deduz do princípio de que o único objeto em jogo entre o analisante e o analista é o nada (MILLER, 1994, s.p.). Nesse particular, insiste-se no que Miller formula acerca do componente anoréxico inerente à estrutura transferencial, pois, no essencial da experiência, o analisante come o nada.
Assim, a presença do analista ao longo do tratamento se faz sob o fundo de uma posição em que o objeto em jogo permanece enquanto nada. Dizer isso não impede que a instauração da relação transferencial exija a presença corporal, na medida em que seu pivô é o “correlato essencial da realidade sexual”, ou seja, o objeto a. Pode mesmo acontecer que, em certos momentos do tratamento, o analista seja conduzido a “emprestar seu corpo” às diferentes pantomimas do olhar e da voz, isto é, comprometer sua própria voz ou seu olhar para permitir ao sujeito discernir e se posicionar com relação ao gozo que o concerne. Assim, o analista vem no lugar do objeto para sempre perdido, desse vazio, e, por essa via, ele completa o sujeito. Não é por meio do amor dirigido ao saber que o sujeito se inscreve no Outro, mas pelo objeto, à medida que o analista, com o tempo, torna-se seu parceiro-sintoma.
O sujeito analisante tentará, na análise, pela manobra da transferência, recuperar o objeto perdido, endereçando-se ao analista. Como propõe Éric Laurent (2006, p. 1, tradução nossa), em Principes directeurs de l’acte psychanalytique: “a decifração de sentido nas trocas entre o analista e o analisante não é apenas o que está em jogo”. Há também a visada daquele que dirige seu dizer ao analista enquanto objeto. E ele acrescenta ainda: “trata-se [na transferência] de recuperar algo de perdido junto de seu interlocutor” (LAURENT, 2006, p. 1, tradução nossa). É a materialidade da satisfação pulsional enquanto vazio que dá a chave do que vem a ser essa recuperação do objeto que, em última instância, é o que embasa tal concepção da relação transferencial. Enquanto montagem ou deriva, a pulsão só obtém êxito ao contornar seu objeto a, gerando, nesse retorno em circuito do que se estrutura em vaivém, um vazio na satisfação (LACAN, 1964/1988, p. 169). Essa satisfação que segue sua rota em direção ao objeto, sem jamais esgotá-lo ou eliminá-lo, funda a transferência como recuperação do objeto a junto do analista suposto deter o objeto causa de desejo do analisante.

