Ludmilla Féres Faria
Psicanalista
Membro da Escola Brasileira de Psicanálise (EBP)
e da Associação Mundial de Psicanálise (AMP)
E-mail: ludffaria@uol.com.br
Encontro fortuito de uma máquina de costura com um guarda-chuva […]. Trata-se do homem e da mulher. Entre os dois não tem acordo, nem harmonia, nenhuma programação, nada estabelecido: tudo fica entregue ao acaso, ao que se chama, em lógica modal, a contingência. Não se sai disso.
Essa é a imagem usada por Miller para apresentar o Seminário 19 de Lacan, … ou pior, que abre a perspectiva do que será o tema do Congresso da AMP em 2026, cujo título é o aforisma lacaniano Não existe relação sexual.
Não há proporção entre os gozos, o que indica que entre os gozos feminino e masculino não há relação. Isso não significa que não haja relação sexual – que existe, e todos sabemos, dado “que isso ocupa nossa vida terrestre” (LACAN, 1971-72/2012, p. 97). Mas são gozos que não se acomodam. O homem não sabe o que fazer com seu corpo e muito menos com o corpo do outro.
Não há proporção entre os gozos, o que indica que entre os gozos feminino e masculino não há relação.
Daí Lacan (1971-72/2012, p. 104) afirmar que esse mito de fazer Um, evocado por Freud, “só pode funcionar no horizonte de um delírio e não tem nada a ver com seja o que for que encontramos na experiência”. Para os animais, isso é resolvido pelo instinto, que permite saber qual o melhor caminho a se tomar, assim como permite saber qual é o parceiro mais adequado e qual é o inadequado. Para os humanos, ao contrário, isso não funciona, rateia. O ser humano por ser inscrito forçosamente na linguagem tem seu gozo é alterado, desviado de sua satisfação natural.
Nos perguntamos, então: o que é que finalmente produz o corte entre o animal e o humano? Podemos dizer que é justamente a aparição da linguagem em nossa espécie o que faz com que se produza esse corte, que nos separa radicalmente do programa pulsional, que faz funcionar o mundo animal. Isto é, a sexualidade humana é fundamentalmente desnaturada pela linguagem.
Nós, os humanos, estamos inscritos em um meio em que há palavras que, por um lado, nos permitem nos relacionarmos e, por outro, também nos arrastam permanentemente para o sentido, enredando-nos em um gozo que necessita de algum tipo de embreagem para deixar de ser um gozo autístico. Então, tropeçamos com o desejo, que persegue algo, mas que é empurrado por uma causa que está sempre alhures. Um desejo que necessita também da embreagem do fantasma, essa ficção de sentido que permite amortizar as falhas do sujeito e do Outro. Necessitamos dessa ficção, desse artifício, esse pequeno mecanismo de engano para poder suportar o real que encobre, “o que será melhor …ou pior”, conforme Miller aponta na contracapa do Seminário 19.

Nos perguntamos, então: o que é que finalmente produz o corte entre o animal e o humano? Podemos dizer que é justamente a aparição da linguagem em nossa espécie o que faz com que se produza esse corte, que nos separa radicalmente do programa pulsional, que faz funcionar o mundo animal. Isto é, a sexualidade humana é fundamentalmente desnaturada pela linguagem.
O décimo nono ano do ensino oficial de Lacan introduz uma inquietação sobre os limites da função paterna e, portanto, sobre o modo como concebemos a direção do tratamento. A formalização lacaniana da partilha sexual, centrada na herança freudiana, já havia mostrado seus limites no que tange ao drama edípico. Afinal, a crença na exceção paterna, que institui dois polos de normalização sexual com relação ao gozo do falo – masculino e feminino –, não recobre totalmente nosso ser sexuado, destacando um gozo impossível de negativizar, excessivo, fora de lei paterna.
No Seminário 19, Lacan prepara o terreno para o que, um ano depois, desaguará no Seminário 20, Mais, ainda: as fórmulas da sexuação, o não todo, os gozos fálico e feminino, as definições do necessário, do contingente e do impossível. E, a partir daí, o fracasso da exceção paterna, fundamentado no Todo consistente, na sustentação da partilha sexual, expresso pelo “não todo” do lado feminino da tábua, que não é recoberto pelo gozo fálico. Excedente que, de início, é imputado ao gozo feminino e mais tarde é estendido ao gozo enquanto tal, e que encontramos nas experiências de devastação, nas vivências místicas, psicóticas e, também, nas análises levadas até final. Isso que arrebata o corpo e que, talvez por isso, leva Miller a nomear o capítulo de onde extraímos o título desta conversa – “A parceria desvanecida” –, indicando bem por aí que se trata da parceira enquanto heteros, a outra, aquela que não está toda submetida à função fálica e que tem a propriedade de desvanecer-se.
Das ficções à fixão
Contudo, como destaca Miller, no cerne desse Seminário encontra-se a relação entre o gozo e o Um, sintetizada na célebre fórmula Há-Um. Esse aforisma complementa o “Não existe” da relação sexual e enuncia o que há. O que há após esvaziar-se da presença do Outro, a ponto de nos defrontarmos com a perda da capacidade de manter nossa unidade.
Nesse momento, não se trata do ao-menos-Um paterno, nem do Um do estádio do espelho, mas do Um-sozinho, ligado ao gozo e que se inscreve no corpo. Para Miller, também na referida contracapa do Seminário 19, “aqui começa o último ensino de Lacan. Ali está tudo que ele ensinou, e, no entanto, é tudo novo, renovado, virado de pernas para o ar”.
Todo corpo vivo goza de si mesmo, mas, no ser falante, o corpo vivo ganha um novo estatuto ao sofrer a incidência da linguagem como um acontecimento que transforma o gozo que seria natural.
O aforismo Há-Um é estabelecido por Lacan num dos momentos teóricos mais criativos de seu ensino, quando ele expõe toda complexidade dessa questão. Afinal, “que vamos buscar no Outro se o gozo é profundamente gozo do Um?”. E é porque o ponto de partida no seu último ensino é o gozo do Um, e não do Outro, que ele “se autoriza a dizer que o Outro não existe em relação ao confinamento do gozo do Um” (MILLER, 2012, p. 199).
Depois de valorizar o corpo mortificado pelo significante, um corpo esvaziado de sua dimensão de ser vivo, Lacan constata que a incidência da linguagem sobre o corpo não é só mortificação. Assim, a partir do Seminário 20, o significante não apenas ordena o discurso, cujos efeitos produzem o sujeito, como também produz gozo no corpo e o vivifica: “nós não sabemos o que é estar vivo, senão apenas isso, que um corpo, isso se goza” (LACAN, 1972-73/1982, p. 35).
Todo corpo vivo goza de si mesmo, mas, no ser falante, o corpo vivo ganha um novo estatuto ao sofrer a incidência da linguagem como um acontecimento que transforma o gozo que seria natural. Podemos entender esse distúrbio de gozo produzido pela linguagem como um gozo que é experimentado como estando aquém, ou, então, estando em excesso em relação a um suposto gozo “natural”. Lacan nomeia como “desregulação” o “Um [que] se imprime sobre o corpo e introduz um distúrbio de gozo” e, ainda, “a repetição do Um comemora a irrupção de um gozo inesquecível” (MILLER, 2011).
Miller chama de acontecimento de corpo esse encontro que não responde a nenhuma lei prévia, impossível de ser abolido, um gozo silencioso e fixado de uma vez por todas, que não cessa e que também não tem porquê, mas que reitera. Desde então, o sujeito se vê ligado a um ciclo de repetições cujas instâncias não se adicionam e cujas experiências não lhe ensinam nada. “Há o Um” é uma formulação que constitui o primeiro passo de: “a relação sexual não existe”. Essa é consequência da primazia do Um, uma vez que ele marca o corpo com um acontecimento de gozo. Ali onde reinavam as ficções, Lacan faz prevalecer as fixões do gozo, substituindo os efeitos de sentido por esse gozo opaco, sem sentido.
A incidência do significante produz, assim, o sintoma em duas vertentes: como sentido que clama por interpretação, e como sem sentido, pura reiteração[1] – o que leva Lacan a mudar a grafia deste último para sinthoma. Esse gozo repetitivo, que hoje chamamos de adição, e que Lacan chama de sinthoma, só tem relação com esse Um, com S1, o que significa que ele não tem relação com S2. E o que faz função de S2, no caso, função de Outro, desse S1, é o próprio corpo.
O sinthoma é definido como um acontecimento de corpo que evidentemente dá lugar ao sentido; a partir desse acontecimento, uma semântica dos sintomas se desenvolve, mas, na raiz dessa semântica, há um puro acontecimento de corpo, o que leva Miller a afirmar um itinerário de Lacan que vai do ser ao Um, da ontologia à henologia. O sinthoma, como Um de gozo que se repete, podemos aproximá-lo de uma escrita selvagem do gozo, fora do sistema, escrita do Um sozinho, ao passo que o S2 do qual ele seria correlato é apenas suposto.
Mas, sob essa ótica, de uma psicanálise que parte da consideração do gozo do próprio corpo, do gozo do ser falante, que não implica a presença do Outro, com quem o ser falante joga sua partida? Na psicanálise ordenada pelo gozo do Um, a questão passa a ser sob quais condições uma relação pode ser estabelecida com o parceiro sexual. E como o sinthoma – como forma desse gozo do Um – poderá participar dessa relação?
O sujeito lacaniano é impensável sem um parceiro
Segundo Miller (2005, p. 284), o parceiro é uma instância com a qual o sujeito se liga de maneira essencial, uma instância que lhe causa problema, mas se ele for correto reconhece que ama. Por isso, não devemos nos hipnotizar com a posição do sujeito, mas nos perguntar com quem ele joga sua partida. É nesse sentido que ele propõe uma teoria das parcerias e dedica um seminário a desenvolver as múltiplas formas desse parceiro se apresentar: “Sem dúvida o parceiro sintoma é a fórmula mais geral para recobrir o parceiro multifacetado” (MILLER, 2017, s.p.).
Na parceria imaginária, o sujeito joga sua partida com sua imagem. O estádio do espelho é a versão lacaniana do narcisismo freudiano, que parecia propício a fundar uma autarquia do sujeito, que não precisa de nada e encontra em si mesmo seus objetos. O narcisismo seria, portanto, a ausência de partida. O estádio do espelho inverte essa leitura ao introduzir a alteridade no seio da identidade. Lacan formalizou essa partida imaginária com a-a’.
[1] Reiteração: repetição do mesmo, na qual não se acrescenta um a mais; é sempre o mesmo Um que se repete, sem constituir cadeia.
Na psicanálise ordenada pelo gozo do Um, a questão passa a ser sob quais condições uma relação pode ser estabelecida com o parceiro sexual. E como o sinthoma – como forma desse gozo do Um – poderá participar dessa relação?
Quando se trata da parceria simbólica, temos também a unidade simbólica do sujeito afetada por uma falta de significante. A raiz dessa parceria está constituída pela falta de um significante que possa suprir o sujeito e que ele encontrará no Outro. Por essa vertente, o final da análise coincidia com a obtenção, por parte do sujeito, do significante que lhe faltava, o conceito essencial aí é reconhecimento. Lacan formula essa parceria como algo que traz satisfação: o que insiste em ser satisfeito – a repetição – só pode ser satisfeito por reconhecimento. Nesse sentido, o final de análise está ligado a um significante que é dado e adquirido de uma vez por todas, ou seja, a ideia do realizado está no horizonte. Se opomos o par imagem ao par simbólico trata-se, neste último, de restituir a cadeia significante, sem qualquer referência ao desejo ou ao gozo. A análise funda, pelo seu método, pelos meios que emprega, o privilégio do semântico sobre o sexual (MILLER, 2005, p. 292).
A terceira parceria é o parceiro essencial que Lacan dá ao sujeito, o objeto a, revelado através da estrutura do fantasma. Não é o Outro sujeito, nem a imagem, nem o falo, mas um objeto tomado do corpo, de seu próprio corpo. O parceiro essencial que o sujeito tem no Outro é o objeto a. Mas, se o parceiro essencial é o objeto a algo de seu gozo próprio, o que é a sexualidade, o Outro sexual, se o parceiro essencial do sujeito é o objeto a, isto é, algo de seu gozo? Segundo Miller (2005, p. 294), quando Lacan apresentou esse esquema, afirmava que a sexualidade está representada no inconsciente pela pulsão e, portanto, não está representada no inconsciente, “está representada por outra coisa, é uma representação não representativa”, ou seja, podemos dizer que é uma rasura de nenhum traço que lhe seja anterior. A invenção do objeto a já significa que não há relação sexual, que o parceiro do sujeito é o dito objeto, e não o outro sexual.
Com esse percurso, Miller demonstra que o parceiro fundamental com quem o sujeito joga sua partida nunca é o Outro. Não é a Outra pessoa. Como se vê numa análise, o parceiro do sujeito é ou algo de si mesmo, como por exemplo, a sua imagem ou o seu mais gozar sob a forma do objeto a do qual ele procura extrair seu gozo, ou, numa nova perspectiva a partir do Seminário 20, o seu sinthoma.
Nesse Seminário, a ênfase na parceria está na contingência do encontro. Mas, como já dissemos, que a relação não esteja escrita não significa que seja falsa, mas que é uma fórmula que não se encontra no real, que está ausente, o que dá lugar à contingência e mostra sua necessidade no que podemos chamar de história sexual do sujeito, a narração de seus encontros. O parceiro sexual nunca está estabelecido, programado. O gozo do Outro tomado como corpo é sempre inadequado: perverso, por um lado – no que o Outro se reduz a objeto a –, e, do outro, enigmático – porque a mulher não sabe de que é feito seu gozo. Como diz Lacan (1972-73/1982, p. 100): sobre isso, ela não solta nem uma palavra.
Se, no encontro, o sujeito tem a ilusão, durante um tempo que é de suspensão, de que a relação sexual se escreve, o drama do amor é o fato da contingência fluir para o necessário. Ele passa do “cessa de não se escrever” para “não cessa de se escrever”: “o amor acredita, esta é sua ilusão, que assim ele se fixa”. O drama do amor vem do fato da necessidade prevalecer sobre a contingência. Esse é o perigo que encontra no caminho do amor.
A ilusão da relação sexual
No Seminário 20 trata-se, portanto, de uma nova doutrina da parceria amorosa: “o parceiro sexual só seduz pela maneira com que ele se acomoda com a não relação sexual” (LACAN, 1972-73/1982, p. 292). O que podemos dizer sobre isso? Que o que faz o laço amoroso é a forma como o parceiro lidou com seu sintoma? Segundo Lacan (1972-73/1982, p. 198), no amor não há outra coisa senão “encontro, o encontro, no parceiro, dos sintomas, dos afetos, de tudo que em cada um a marca o traço de seu exílio”.
Pierre Naveau (2017) sublinha que, para Lacan, só há encontro ao acaso. Trata-se de passar do “não cessa de não se escrever” para o “cessa de não se escrever”, da impossibilidade para a contingência (NAVEAU, 2017, p. 260). Mas é preciso que o sujeito queira saber sobre o que lhe acontece nesse encontro, já que, em se tratando do amor, a questão mais importante diz respeito ao saber. Não é a mesma coisa estar aberto ou fechado para o encontro. De um lado, trata-se de alguma coisa sobre a qual há a saber e, de outro, há alguma coisa que, no instante, dá a ilusão de que o encontro se escreve, até mesmo se diz e, por isso mesmo, passa a existir. Lacan diz claramente que é uma ilusão, uma miragem.
Seguindo Naveau em sua leitura das últimas lições do Seminário 20, encontramos o drama do amor. Se, no encontro, o sujeito tem a ilusão, durante um tempo que é de suspensão, de que a relação sexual se escreve, o drama do amor é o fato da contingência fluir para o necessário. Ele passa do “cessa de não se escrever” para “não cessa de se escrever”: “o amor acredita, esta é sua ilusão, que assim ele se fixa”. O drama do amor vem do fato da necessidade prevalecer sobre a contingência. Esse é o perigo que encontra no caminho do amor.
Quando a necessidade “repele” a contingência, o amor se afasta do encontro que o fez nascer, e os enamorados não sabem mais a razão de terem se apaixonado. O amor então vagueia, se perde nas querelas infindáveis. Na ocasião do encontro, são dois saberes inconscientes que se encontram, e o drama se instala com o “não querer saber nada do encontro”, o drama está ligado ao saber.
Do amor ao sinthoma
No Seminário 23, Lacan se apoia na parceria entre Joyce e sua mulher, Nora, para retomar a questão da relação sexual. Podemos nos perguntar se, no caso de Joyce, a contingência que marca seu encontro com Nora – que poderia dar a ilusão, como afirma Lacan no Seminário 20, de que a relação sexual “para de não se escrever” –, não se desloca para o “não para de se escrever”, da contingência à necessidade, não a necessidade de um destino, mas a necessidade do sinthoma.[1]
Ram Mandil, no Seminário de Orientação Lacaniana do primeiro semestre deste ano, destaca que, no caso de Joyce e Nora, não parece haver lugar para o drama do amor em Joyce, e “que é curioso encontrar nas queixas de Nora, no início da correspondência entre eles, o fato de Joyce jamais pronunciar a palavra amor em suas cartas – o que nos faz pensar que o amor na relação com Nora parece estar subsumido às necessidades sinthomáticas de Joyce”.
A partir das cartas de amor de Joyce para Nora, Lacan (1975-76/2007, p. 81) afirma que ela lhe “cai como uma luva” e que entre os dois existe uma relação sexual, “ainda que eu diga que não há relação sexual. Mas é uma relação sexual bem esquisita”. Qual seria, então, a especificidade da relação de Joyce com Nora que leva Lacan a afirmar que há relação sexual? Essa relação, que não se baseia na ilusão do amor, estaria assentada em quê?
Referências
LACAN, J. O Seminário, livro 20: Mais, ainda. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1982. (Trabalho original proferido em 1972-73).
LACAN, J. O Seminário, livro 23: O sinthoma. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2007. (Trabalho original proferido em 1975-76).
LACAN, J. O Seminário, livro 19: …ou pior. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2012. (Trabalho original proferido em 1971-72).
MILLER, J.-A. El Otro que no existe y sus comités de ética. Los cursos psicoanalíticos de Jacques-Alain Miller. Buenos Aires: Paidós, 2005.
MILLER, J.-A. O ser e o Um. Lição de 23 de março de 2011. 2011. (Inédito).
MILLER, J.-A. La fuga del sentido. Buenos Aires: Paidós, 2012.
NAVEAU, P. O que do encontro se escreve. Belo Horizonte: EBP, 2017.

